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Entrevista: Marianne Faithfull planeja livro e disco sobre Shakespeare

14 de setembro de 2011 0

Fotos: Fernando Gomes

Marianne Faithfull está entre nós! A atriz e cantora britânica, que apresenta músicas do disco Horses and High Heels no Porto Alegre Em Cena, no Teatro do Bourbon Country, dias 16 e 17 de setembro, às 21h, disse hoje durante entrevista na capital gaúcha que deverá lançar na primavera gringa um livro de sonetos de William Shakespeare escolhidos por ela. A publicação virá em uma caixa com um disco e fotografias relacionados ao projeto Marianne Faithfull Reads Shakespeare’s Love Sonnets.

Doce, bem-humorada e experiente, a artista conversou com um grupo de jornalistas nesta manhã. Falou sobre os shows que fará na cidade, sobre alguns de seus últimos parceiros musicais (Lou Reed e Wayne Kramer, do MC5), comentou suas autobiografias (fez por dinheiro, e não vê problema nisso), cinema (idem), drogas e anos 60. Sobre os Rolling Stones, avisou:

- Tenho uma nova política: não falo sobre os Stones!

Confira trechos da entrevista:

Disco Horses and High Heels e o show em POA
“Lou Reed toca em duas faixas. É um grande amigo, de longa data. Top, top, top guitarrista. É um grande compositor também. O convidei há algum tempo para o disco, e ele aceitou”.

“Wayne Kramer (do MC5) é um paraíso. Também participa do disco. Fez os primeiros meses da turnê do disco comigo. Mas isso se tornou muito caro, pois ele mora em Los Angeles. Foi fabuloso. Gostaria de tê-lo em todos shows. Mas não podemos. Infelizmente. É um cara incrível, e um incrível músico também”.

“Foi difícil fazer o disco, pois cantei músicas que nunca havia cantado antes. Nunca cantei soul em minha vida. Foi um trabalho duro, mas gostei muito. O disco foi gravado em New Orleans. Eu queria fazer um disco lá, com músicos de lá. E também queria ir a um lugar onde havia ótima comida. E este é o caso!”

“O show será com um guitarrista (Doug Pettibone) e 14 canções do disco. Não haverá faixas com piano”.

Livros Faithfull e Memories, Dreams and Reflections
“São bem diferentes (um do outro). Fiquei chocada quando reli o primeiro (Faithfull). Como era dark. E também como fui dura comigo mesma (no livro). Sempre fui. Mas tentei fazer o melhor. Gosto de escrever”.

Cinebiografia
“Aceitaria (um filme sobre vida e carreira) se rolasse um bom dinheiro. Assim como os livros, trata-se de dinheiro. Preciso cuidar da minha velhice”.

Drogas
“Às vezes me arrependo de ter usado drogas. Gostaria de não ter me drogado. Foi uma perda de tempo. Não fez bem pra minha voz. Mas por outro lado… (risos) . Não digo isso apenas para ser correta. Tive bons momentos usando drogas. É a forma como você usa… Fui muito extrema. Não sei o que pensar. Às vezes acho que é ruim, mas nem sempre”.

Anos 60 e Rolling Stones
“Tenho uma nova política: não falo mais sobre os Stones. Mas posso falar sobre o passado. Tive sorte de estar naquela geração dos anos 60, excitada com a vida, da qual faziam parte Stones, Beatles, The Who, além dos artistas visuais dos anos 60. Conheci vários. Mas não gosto da palavra ‘arte’, pois muita gente comum hoje diz que faz ‘arte’, mas que na verdade é um lixo. Arte se tornou um termo geral para quase tudo. Lembro de Richard Hamilton, o pai da pop art que foi meu amigo e que morreu ontem (leia sobre isso aqui)”.

William Shakespeare
“Devo lançar na primavera uma coleção de 23 sonetos de William Shakespeare escolhidos por mim com música de Vincent Segal (violoncelista) . Adoro fazer meus shows sobre Shakespeare (trata-se do espetáculo Marianne Faithfull reads Shakespeare’s Love Sonnets). É um show de uma hora focado em temas como fama, amor, morte, tempo, imagem, beleza verdadeira. As merdas de sempre. Será vendido em uma caixa como um livro, disco e algumas fotos (na coletiva, ela declamou um soneto – mas não inteiramente, pois não lembrou por completo)”.

Música
“Amo jazz (disse que é fã de bateristas brasileiros, sem citar nomes, mas citou Billie Holiday como sua grande referência), música clássica, blues, fado (que achou que era algo comum no Brasil). Gosto de Rufus Wainwright, PJ Harvey e Jarvis Cocker. Não entendo os Arctic Monkeys, mas adoro The Decemberists. Nos anos 60 havia muito lixo, como atualmente, mas também havia muito mais músicos qualificados”.

***

Ao final da entrevista, Marianne disse que estava nervosa com a coletiva. Arrisquei uma última pergunta:

- A senhora ainda se sente nervosa antes de entrar no palco?
– Muito! Mas é lindo sair do palco com a sensação de dever cumprido.

>>>>> Confira a programação do Porto Alegre Em Cena no site oficial

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