Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Primal Scream: 20 anos esta noite

27 de setembro de 2011 5

Fotos: Valdir Friolin

O Primal Scream resumiu 20 anos de rock eletrônico em um único show, ontem à noite no Opinião, em Porto Alegre, quando apresentou músicas do clássico disco Scremadelica. Mas é certo que citar “somente” 20 anos é pouco. E dizer que a banda toca “apenas” rock eletrônico, injusto.

Durante o show, os escoceses olharam para um passado ainda anterior ao lançamento do álbum de 1991, projetando seu som a partir do clássico rock norte-americano (base fundamental dos britânicos), da psicodelia sessentista contracultural, do hedonismo rave inglês dos 90, do gospel, do soul, do rhythm and blues, do jazz… E apontou para o futuro, pressionando dirty beats, explodindo stoned riffs, abusando de reverberações e de climas sensoriais sônicos. A contemporaneidade de Scremadelica se explica por si só, mas a letra de Come Together esclarece melhor a situação:

“All those are just labels

We know that music is music”

Sim, that’s fucking right, man!

As três primeiras músicas estabeleceram o tom do espetáculo. Movin’ On Up, com Bobby Gillespie genial, lesado ao natural e rockstar blasé por natureza, à frente de uma banda afinada e com groove incrível. Baixo (Ave Mani!), teclado, bateria e guitarra (Andrew Innes matador) em sintonia perfeita.

Slip Inside This House deixou clara a frágil potência vocal de Bobby. Se por um lado isso combina com o eterno estilo despojado e displicente do vocalista, por outro evidencia o abuso de ilícitos – Marianne Faithfull mostrou há poucos dias, durante show histórico no Porto Alegre Em Cena, que sua voz envelheceu melhor. Mas não importa. A vocalista Mary Pierce estava no palco para dar todo apoio ao cantor. Afinal, Screamadelica é um disco baseado em vocais femininos, bem como grande parte da música pop dançante dos anos 90. In Pierce we trust é meu novo lema.

Don’t Fight It, Feel It sintetizou ainda mais o show: dançante, elaborada, com muito groove evidenciado pelo baixo, guitarras fortes marcando presença e beats seqüenciados que, ao final, ganharam velocidade e peso num esquema hardocore imprescindível. Momento altíssimo da noite. Inesquecível.

O contraponto veio com Damaged, que esfriou o clima. Linda, abriu a sequência mais lisérgica do show, na qual o baixista Mani (ex-Stone Roses) recebeu uma pequena ovação. Rolou o downtempo de I’m Comin’ Down, a instrumental e absurdamente atual Inner Flight e a contemplação ácida, chapada e exótica de Higher Than The Sun. No palco, ela foi executada em uma super jam catártica, com guitarras no talo. Em seguida, a inexplicável Loaded, que sempre dá margem a abordagens roqueiras sob uma ótima Sympathy For The Devil, dos Stones.

Come Together deve ter sido uma das coisas mais incríveis que o Opinião já viu. Inspirada, fluida e muito leve, apesar das batidas bem presentes. Ao final, a galera cantou sozinha “Come Together as one” por dois minutos. Lindo.

O biss veio com faixas mais atuais, de rock puro, tradicional: a veloz e irônica Country Girl (do disco Riot City Blues), e as potentes Jailbird e Rocks (de Give out but Don’t Give Up).

A finalização foi pura microfonia causada por baixo e bateria duelando sozinhos sobre uma base pré-gravada em looping. Palco vazio, às escuras, e apenas uma luz branca tipo estrobo acompanhando. Aos poucos, a velocidade de tudo foi acelerando muito, chegando a um fim apocalíptico lembrando o clima dos discos visionários XTRMNTR e Evil Heat.

Primal Scream fez o maior espetáculo da Terra nesta semana.
Rock in Rio? O que é isso mesmo?

Vídeos:

Veja Movin’ On Up

Banda toca Slip Inside This House

> Mais Primal Scream

Comentários (5)

  • Analu diz: 27 de setembro de 2011

    Tava DEMAIS! Fuck roquinrio!

  • maustar diz: 27 de setembro de 2011

    Fanti, dos shows mais lindos que vi nesta vida…

    dica pras bandas do mundo todo: criem, mudem, misturem e quebrem paradigmas!

  • Gustavo diz: 27 de setembro de 2011

    Ótima crítica, à altura de um dos shows mais incríveis que essa cidade já viu. Quem foi sabe, quem não foi melhor nem saber o que perdeu…

  • Schwartzeneider diz: 27 de setembro de 2011

    Caramba, ter perdido isso pra ficar trabalhando não tem cabimento! E ainda tinha aquela latinha do Mani, que é uma das lendas vivas dos 90′s. Foda, vou tomar um Dorminid aqui pra esquecer. Fui…

  • Paulo Roberto diz: 27 de setembro de 2011

    Parabéns! Excelente resenha!

Envie seu Comentário