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Show do The Rapture define o M/E/C/A Festival 2012

30 de janeiro de 2012 6

Fotos: Rodrigo Esper

Atualizado às 12h30min

O show do Rapture foi o grande momento do M/E/C/A Festival 2012, realizado sábado passado em Xangri-lá, no litoral gaúcho. O pós-punk suingado da banda nova-iorquina foi tão marcante que acabou sobressaindo-se entre os outros grandes nomes da segunda edição do evento, como o CSS e Mayer Hawthorne. Já a banda norte-americana Penguin Prison surpreendeu apresentando um electro-pop-rock alternativo e orgânico.

The Rapture recria o pós-punk elaborando estruturas sonoras complexas a partir de linhas de guitarras cheias de groove, bateria suingada e teclados sintéticos que têm raiz no disco-funk setentista e no new wave dos 80. Em 1999, com o álbum Mirror, a banda praticamente alicerçou os fundamentos do disco-punk, gênero que viria a tomar conta de grande parte do cenário indie no início dos anos 2000. A aguda voz de Luke Jenner, que lembra a de Robert Smith em alguns momentos, ajuda a compor esse quadro peculiar que, ao vivo, ganha cores vívidas.

A banda foi econômica na duração do show no M/E/C/A, mas esbanjou em termos de qualidade musical. A afinação perfeita, a execução excepcional das composições e o comprometimento total dos músicos com a apresentação eram evidentes. Se por um lado houve pouco contato direto com a plateia, por outro a banda mostrou completo respeito pelo público ao exibir um repertório composto por algumas das faixas mais importantes do mundinho independente neste início de milênio.

Entre os grandes momentos do show estiveram o início, com o balanço de In the Grace of Your Love, a épica Sail Away, e duas dobradinhas legais. Uma delas foi Whoo! Alright Yeah… Uh Huh, com clima psycho-disco baseado em groove de guitarra e em agogô, instrumento que fez a ligação direta da faixa com o super hino indie House of Jealous Lovers, absolutamente genial ao vivo (veja acima). A outra dobradinha foi Olio (o primeiro hit da banda, do disco de estreia, Mirror) + Come Back to Me, a ótima faixa de alma marselhesa (meio francesa, meio grega), que está no último disco da banda.

Já as meninas do CSS mostraram que sobrevivem muito bem no palco sem o mentor Adriano Cintra. Mataram a pau reproduzindo com diversão, energia e muito peso várias das loucurinhas irônicas que gravaram e lançaram nos seus três discos desde 2006 – o cru, sujo e vital Cansei de Ser Sexy, o genérico e difuso Donkey e o elaborado La Liberación. Foi um show muito rock, com um senso artsy punk bem pegado e muito mais acentuado do que o de outras três apresentações da banda que vi no passado.

Lovefoxxx, Ana Rezende, Luiza Sá e Carol Parra (mais baterista e baixista de apoio) se superaram em faixas antigas como Art Bitch, Bezzi, Let’s Reggae All Night, Left Behind, Off the Hook e em novas composições, tipo La Liberación, I Love You (ótima ao vivo!), City Grrrl, Hits Me like a Rock. A-La-La, uma das melhores músicas feitas nos anos 2000, foi o ponto alto. Senti falta de outras duas clássicas do disco debut: as bizarras Meeting Paris Hilton e Ódio, ódio, ódio, Sorry, C., faixas que remetem à pré-história electro rock do CSS. O teste de palco sem Adriano Cintra foi superado facilmente. Agora, é esperar o próximo disco e ver como as garotas se saem em estúdio sem ele.

Mayer Hawthorne, que costuma fazer shows suingados, privilegiando o groove e a harmonia das composições dos discos A Strange Arrangement e How Do You Do, pode ter se sentido prejudicado por um deslize de escalação e pelo som baixo. Hawthorne se apresentou depois do Rapture, quando o ideal seria antes, já que a banda nova-iorquina tem um espetáculo claramente mais agitado e dançante do que o dele.

Sendo assim, Hawthorne e banda tiveram que se acomodar entre uma plateia ainda eletrizada pelo grupo liderado por Luke Jenner. Apesar disso, o neo soul atenuante do músico norte-americano não teve dificuldades para encontrar espaço entre o público. O carisma do cantor e o poder das músicas interpretadas pela sua sempre afiada banda foram suficientes para domar a audiência. Apesar da boa qualidade geral do show, a apresentação foi linear e não chegou a ser marcante. Leia entrevista com Hawthorne aqui.

Bem ao contrário de Penguin Prison, banda de electro-pop-rock alternativo do novato produtor , instrumentista e vocalista Chris Glover. No palco, os músicos surpreenderam ao apostar em altas doses de groove criadas por guitarra, baixo e teclado. Sendo uma das duas bandas de abertura o festival, o grupo tocou para pouca gente – assim como Wannabe Jalva, que peguei já no final. Depois de um início lento, o show do Penguin Prison pegou ritmo e foi melhorando gradativa e consideravelmente. O ponto máximo foi com o excelente cover de Blue Jeans, de Lana Del Rey. Não vi Breakbot nem The Twelves.

O M/E/C/A Festival 2012 acabou definido não só pelo poder sonoro do Rapture, apesar da explosiva apresentação do CSS e do show revelador do Penguin Prison, mas também pela boa qualidade sonora. O novo local, uma espécie de anfiteatro natural dentro de uma fazenda, garantiu uma boa acústica para os shows.

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Comentários (6)

  • Fabrício diz: 30 de janeiro de 2012

    Vem cá, como tu escreve uma resenha de cobertura dizendo que The Rapture foi o ponto alto se tu não viu as duas últimas apresentações? Colheu opiniões de outras pessoas? Porque eu vi tu ignorar completamente o que tu não viu ao escrever essa matéria.

    >>>>> RESPOSTA: Simplesmente pq tenho certeza que Breakbot nunca conseguiria superar Rapture. The Twelves, então, nem se fala.

  • Caio diz: 30 de janeiro de 2012

    Inclusive, Breakbot e Twelves fizeram DJ set, era completamente diferente, era mais festa do que show. Não tem nem comparação! O Breakbot parecia que nem queria estar ali.

  • Valdinei Bernardo diz: 30 de janeiro de 2012

    Gosto musical é uma coisa indiscutível. CSS foi a coisa mais chata.
    The Rapture é demais, mas Mayer foi a atração da noite. Totalmente a vontade com todo mundo pulando…

  • Rogerio diz: 30 de janeiro de 2012

    Desculpe Rodrigo, nao acompanho muito a critica musical e nem a tua carreira, nao sei portanto se tu és critico musical ou tu tens simplesmente um blog por prazer aqui no Clicrbs. Acho, entretanto, que se tu te dispoe a escrever sobre um evento importante no meio musical gaucho, deveria ao menos ter acompanhado o show todo e nao somente algumas bandas. O mais curioso para mim é que tu nao acompanhasse a unica banda gaucha que tocou no evento. Alias, como tu comentaste, tocou para pouca gente, mas demonstrou muita qualidade e mereceria mais espaco no teu post. No mais concordo com as tuas observacoes. Até mais.

    >>>>> RESPOSTA: Não sei quem é Rodrigo, mas vamos aos fatos -> Wannabe Jalva é uma grande banda, e o Volume foi um dos primeiros blogs a divulgar o trabalho deles no Brasil. Para ler sobre isso, basta fazer uma pesquisa na área de busca. No entanto, não posso falar sobre o show deles no M/E/C/A, já que peguei o lance no fim. Sobre Breakbot, não vi. Não tive o menor interesse. E algumas pessoas disseram que foi beeeeem fraco, sem punch e sem vibe. Não me arrependo. Já com relação a The Twelves, eles já passaram umas três vezes por Porto Alegre. Não preciso ver novamente. Abraço.

  • Fábio Ribeiro diz: 30 de janeiro de 2012

    apenas gostaria de dizer que ninguem foi prejudicado pelo nivel de som!! como mostra a matéria, o técnico de som era da própia banda e não deu mais volume porque não quis!! se o volume estava mais baixo era porque o operador de audio contratado pela banda achou que este era o nivel ideal para o show dele.

    >>>>> RESPOSTA: Opa! Não sei se vc faz parte da organização do festival. Em todo caso, valeu pela info. E, bom, pelo jeito Mayer precisa contratar um novo técnico de som. Agora, a escalação de bandas não tem volta…

  • eroni kabul diz: 1 de fevereiro de 2012

    cara, também estive no evento, não vi o wannabe jalva e peguei os pinguins no final. posso não concordar com todas as tuas opiniões, mas realmente gostei do teu texto. acho que conseguiste mostrar como foi o festival.. ah o o breakbot e os twelves não vi também.. voltei para poa..

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