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Entrevista: Johnette Napolitano, do Concrete Blonde

14 de maio de 2012 0

O Concrete Blonde volta a Porto Alegre no próximo dia 17 de maio para realizar um show da turnê que comemora o 20º aniversário do disco Bloodletting, lançado em 1990. Sim, a tour especial da banda chega à capital gaúcha com dois anos de atraso – e capenga, já que as apresentações marcadas no Rio de Janeiro e em São Paulo foram canceladas em março, restando no giro nacional, além de POA, apenas um espetáculo no Lupaluna Festival, em Curitiba, no dia 18 de maio.

O atraso não desanima a cantora Johnette Napolitano, que na entrevista abaixo ironizou a situação, indicando que sua banda já brincava que poderia facilmente realizar turnês de 21, 22, 23 anos do disco. O que tira Johnette do sério é relembrar os motivos do cancelamento no eixo Rio-SP. Conforme disse, um produtor nacional não cumpriu com a palavra, acarretando problemas de agenda na Argentina – local onde a banda nunca tocou –, e gerando outras dificuldades nas duas cidades brasileiras . Assim, a banda decidiu encerrar as negociações com o antigo produtor.

É completamente injusto com nossos fãs de lá, e como o Brasil é um lugar especial para nós, perdemos a confiança de que a tour seria como nós esperávamos. Não foi nossa culpa –, explicou Johnette.

Procurada pela reportagem, a Opus Promoções informou que se responsabiliza apenas pelo show em Porto Alegre, que não sofreu alterações desde que foi marcado, e que não se pronuncia sobre apresentações em outras cidades.

Apesar da confusão no centro do país, a vocalista da banda deu uma boa notícia: o Concrete Blonde deverá voltar ao Brasil em 2013 para shows comemorativos pelos 10 anos do disco Live In Brazil, lançado em 2003, dessa vez com planos para gravar o CD e DVD Live In Brazil #2.

Bloodletting é provavelmente seu mais famoso disco e, em 2012, o Concrete Blonde celebrou o 22º aniversário do álbum. Como vocês se sentem sobre isso?
Estou rindo [(neste momento] porque, quando fizemos a tour de 20 anos de aniversário de Bloodletting pelos Estados Unidos [em 2010] nós brincamos que poderíamos ter turnês dos 21 anos, 22 anos, 22 anos, 6 meses, duas semanas, 3 horas e 55 minutos… Naquele ano, as pessoas estavam pedindo por uma tour e meu pai havia morrido… e ele gostaria que nós a tivéssemos realizado. Foi um ano de muito sucesso quando lançamos o álbum mas também muito difícil sob vários aspectos.

Depois do lançamento de The Real Thing em 2004 vocês liberaram o disco Rosalie somente no ano passado. Por que demoraram tanto?
Prefiro lançar algo que sinto que é ótimo quando percebo que chegou o momento certo do que lançar algo que é menos do que eu espero de mim ou da banda apenas por lançar. Todos nós temos uma vida cheia [de atividades], por isso é preciso uma certa logística para nos juntarmos. Então, precisamos estar bem focados no que fazemos. Tocamos na China no ano passado, sempre tenho muito o que fazer e nós somos uma banda independente. Não quero me preocupar com o deadline dos outros.

Não tenho certeza, mas acho que Rosalie não foi lançado no Brasil. O que você pode dizer sobre o disco?
Rosalie é o Lado A de um vinil 45 rpm que gravamos sobre nossas duas últimas tours nos EUA. O B-side é uma música chamada I Know The Ghost. Foi uma edição limitada. Vou levar as cópias que sobraram ao Brasil. Eu mesmo fiz as artes. Foi como fazer discos nos velhos tempos. Estamos adorando lançar vinil novamente. De qualquer forma, as faixas estão disponíveis para download no iTunes. Mas vamos fazer o upload delas para os fãs brasileiros escutarem de graça.

O Concrete Blonde cancelou shows no Rio de Janeiro e em São Paulo no final de março. O que houve? Li que vocês adiaram esses shows para 2013 para marcar o 10º aniversário do disco Live in Brazil. É isso? E vocês planejam algo especial para esta nova tour?
Você não deveria ter feito esta pergunta, porque estou realmente irritada com o produtor. A tour foi originalmente apresentada para mim e agendada incluindo a Argentina, onde nunca tocamos e onde temos muitos fãs. Depois que aceitamos, o produtor nos disse que não conseguiu bookar a Argentina, e isso nos deixou putos. É completamente injusto com nossos fãs de lá, e como o Brasil é um lugar especial para nós, perdemos a confiança de que a tour seria como nós esperávamos. Não foi nossa culpa e não vou inventar história. A turnê com a qual concordamos não era a que estava se configurando. A gente faz o que quer, e como a história estava sempre mudando, cortamos o lance. A gente nunca havia trabalhado com esse cara antes. A gente ama o Brasil e conhece bem nosso público. Não pretendemos fazer uma turnê meia-boca. Odiamos deixar fãs na mão. Mas no ano que vem o disco Live in Brazil completa 10 anos. Pensamos em gravar Live in Brazil #2 e incluir cidades na América do Sul onde temos muitos fãs, mas onde nunca tocamos.

Concrete Blonde tem forte influência da cultura mexicana, algo que os brasileiros também gostam. A que se deve isso?
Nasci em Los Angeles e, quando era criança, meu pai me levava até Tijuana. Todos meus amigos eram artistas chicanos e meu baterista, Gabriel Ramirez, que tocava na banda Maria Fatal, é mexicano. Sempre fui impelida e cercada pela arte latina, como os grandes muralistas. Estudei flamenco na Espanha e cerâmica em Mata Ortiz [no México] com Juan Quezada .

E o que vocês estão programando para a turnê deste ano? O que podemos esperar
Podem esperar um grande show. Não sabemos como fazer diferente! Diga ao Jô Soares que o amamos. E avise aos nossos fãs que voltaremos no ano que vem e provavelmente gravaremos um documentário em DVD. Obrigada.

Serviço

Concrete Blonde: o setlist será baseado no disco Bloodletting, com faixas como Joey, Tomorrow, Wendy, Caroline, The Sky Is a Poisonous Garden, além de músicas como Still in Hollywood, God is a Bullet e o cover de Everybody Knows, de Leonard Cohen.

Dia 17 de maio
Quinta-feira, às 21h
Teatro do Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, nº 80 – 2º andar)

> Informações completas no calendário de eventos da Itapema

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