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Los Hermanos celebram carnaval triste em POA

14 de maio de 2012 5

Fotos: Diego Vara

Los Hermanos despejaram sua amarga poesia doce sobre Porto Alegre neste sábado, quando apresentaram o primeiro de dois shows no Pepsi on Stage. Com a envergadura moral de uma banda que nos últimos 15 anos escreveu canções esteticamente densas e amplamente cultuadas, os músicos não tiveram a menor dificuldade para realizar um grande show.

Tendo apoio constante do público, que como sempre cantou junto quase todas as músicas do repertório, a banda carioca apresentou faixas de toda sua carreira, exibindo um apanhado de canções contemporâneas, mas que polidas com um verniz sonoro único remetem a algo pretérito, a um passado distante curiosamente presente no nosso imaginário. A identificação é imediata. Aos primeiros acordes de Vencedor, na abertura do show, somos levados a esse curioso (e conhecido) lugar sonoro.

As composições dos Hermanos são peças raras, melancólicas, oriundas de um romantismo urbano passadista e de um Rio de Janeiro antigo, utópico. Se no disco de estreia a banda já exibia algumas letras inteligentes e verticais, no Bloco do Eu Sozinho, quando o hardcore enlatado dá espaço a novas experimentações com samba, jazz e MPB, esse poder criativo ganha uma nova dimensão, rapidamente assimilada pelos fãs. É lá que se encontra a alquimia sônica hermânica. É lá onde queremos estar.

Além da abertura apoteótica com Vencedor, foram marcantes Retrato pra Iá Iá (lindo ska rock brazuca), Todo Carnaval tem seu fim (com confetes e serpentinas jogados pela plateia, ampliando ainda mais a sensação de melancolia clown), Além do que se vê, O Vento (guitarrinha surf esperta), Azedume (micareta indie hardocore afú), Sentimental, A Flor, Cara Estranho (ótima, fatídica, quando Camelo assume o microfone de Amarante para cantar numa espécie de embate artístico), Casa Pré-fabricada, Último romance e o cover legal de Nunca Diga, da Graforréia Xilarmônica. O bis foi dedicado ao disco de estreia, com Tenha Dó, Anna Júlia, a trágica Quem sabe e a fatídica Pierrot.

Foi neste universo existencialista e dolorido, em que o homem experimenta muito mais a inadequação, a dificuldade e a impossibilidade do amor do que a sua celebração, que fomos inseridos pela banda. E assim comemoramos um carnaval triste simbólico, marcado por modinhas sonoras agridoces e marchinhas rock linha Quarta-feira de Cinzas.

Foto: ottohnetto

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Comentários (5)

  • Bárbara diz: 14 de maio de 2012

    Melhor texto que li sobre o show. Lindo!

  • Larissa Oliveira diz: 14 de maio de 2012

    Sempre sensível, Danilo! Bela resenha.

    >>>>> RESPOSTA: Saudades Lari! bjs!

  • J Carlos diz: 14 de maio de 2012

    Um grande show de uma grande banda.Letras quilométricas cantadas com perfeição.O único ponto negativo foi a ausência de banda na abertura.Só por que era uma banda nacional?

  • juliano diz: 15 de maio de 2012

    para o azar dos que só foram no domingo, sábado rolou “de onde vem a calma”…

  • Robbie Fowler diz: 16 de maio de 2012

    Por Deus, transpirando depressão. Esse pessoal precisa do CVV…

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