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Sombras da Noite, novo filme de Tim Burton, se perde em trama rocambolesca

21 de junho de 2012 4

Atualizado às 18h
Cuidado: spoilers

Sombras da Noite, o novo filme de Tim Burton, é uma comédia romântica com roteiro frágil que se perde em uma trama rocambolesca com final fraco e previsível, à qual o cineasta não conseguiu escapar. Nem a sempre polida atuação de Johnny Depp, produtor do longa, salva a película.

O filme dá sinais de fraqueza já no início, com um prólogo infantil em formato gasto, no qual o protagonista Barnabas Collins (Depp) explica as origens de sua família e os motivos que a levaram a deixar a Inglaterra em direção aos Estados Unidos.

A história se passa por volta dos anos 1750, quando os Collins fundam a cidade de Collinsport em território norte-americano. Décadas depois, a família entra em decadência após o mulherengo Barnabas negar o amor da criada Angelique (Eva Green) em nome de outra mulher, a nobre Josette (Bella Heathcote). Empregando seus conhecimentos de bruxaria, Angelique destrói o império Collins, transforma Barnabas em vampiro e o enterra dentro de um caixão, onde fica preso por quase 200 anos.

Ao ser libertado, em 1972, Barnabas volta para sua família e decide reerguer o poderio dos Collins. Para isso, terá que enfrentar a imortal Angelique, a nova “dona” da cidade.

Em seu retorno, Barnabas se depara com o choque promovido pelas diferenças culturais entre as épocas, que servem de base para piadas bobas, calcadas em símbolos do nosso tempo como eletricidade, lanchonetes, rock’n’roll e equipamentos eletrônicos. Tudo isso se dá de forma inócua, sem impacto ou de forma muito fácil.

O que dizer de um conquistador que mal se dá ao trabalho de olhar meninas de minissaias pela rua? Se saias tamanho mini chocaram meus avós nos anos 1960, o que elas fariam com um homem que viveu em 1700? E como pode ser o pouco espanto de Barnabas frente a automóveis, televisão, noites iluminadas, novos (e estranhos) comportamentos? Por outro lado, Depp mais uma vez demonstra criatividade e domínio de cena. Com um texto impecável (sorte a dele), seu Barnabas cativa com frases elegantes, conhecimento erudito, conduta clássica e galanteios seculares.

Seja como for, Sombras da Noite, inspirado na série de TV americana Dark Shadows (1966 – 1971) e com citações ao cult Nosferatu (1922) e à comédia A Morte lhe Cai Bem (1992), se perde em uma trama enrolada, cheia de rachaduras e nebulosidade, na qual personagens importantes como a jovem Victoria (também interpretada por Bella Heathcote) praticamente somem do mapa.

Já os talentos de Helena Bonham Carter (Dr. Julia Hoffman) e Michelle Pfeiffer (interpretando Elizabeth, a matriarca da perturbada família Collins nos anos 1970) ficam à sombra de um roteiro de humor de costumes pouco trabalhado por Seth Grahame-Smith – este responsável pelo livro e pelo roteiro do esperadíssimo filme Abraham Lincoln, O Caçador de Vampiros. Pior: o final propõe uma batalha sobrenatural canhestra, vexatória, pobre em idealização e realização.

Nem mesmo as participações especiais do ator Christopher Lee e do ícone do heavy metal performático Alice Cooper ajudam a levantar o moral do longa. No fim das contas, Sombras da Noite não é tão decepcionante quanto Alice no País das Maravilhas, mas reforça um sentimento ruim de que Tim Burton já não tem o mesmo ímpeto criativo de antigamente, ainda mais quando prejudicado por um roteiro falho. Mas, sinceramente, espero estar errado quanto a isso.

A cabine de imprensa para jornalistas rolou nesta quarta em Porto Alegre. Sombras da Noite estreia dia 22 de junho nos cinemas.

Comentários (4)

  • Tim Burton é genial diz: 21 de junho de 2012

    A obra de Tim Burton é genial.
    Não vi o filme mas a idéia permanece dentro dos padrões de Burton.
    Quem conhece grande parte da obra de Tim Burton acho que vai gostar.
    Tenho todos os filmes em dvd, livros e a fantástica obra The Art of Tim Burton.
    Cada um tem sua opinião, mas devemos ter cuidado para não influenciar ninguém.

    >>>>> RESPOSTA: The Art of Tim Burton é muito legal. Abraço!

  • Alice diz: 21 de junho de 2012

    Como parceria entre Burton e Depp, talvez a nova produção pareça menor frente à primeira, “Edward mãos de tesoura” (1990), ou mesmo de “Ed Wood” (1994) e “Sweeney Todd – O barbeiro demoníaco da rua Fleet” (2007). Mas nunca é irrelevante, como sempre atesta o talento de Burton e Depp.

    >>>>> RESPOSTA: Concordo com vc. Tim Burton sempre merece ser visto!

  • Dri diz: 22 de junho de 2012

    Assisti o filme e achei muito legal, não tem nada de fantástico (não se compara ao Edward Mãos de Tesoura!), mas vale a pena…e me estimulou a fazer uma busca pela série!

  • Angello diz: 29 de junho de 2012

    Este cara que escreveu a crítica e sem dúvida nenhuma um péssimo crítico, pois não sabe avaliar um filme que não seja do seu gosto. Deve gostar só de filme nacional tipo…Tropa de Elite…ou Zé do Caixão. Dizer que Alice foi decepcionante…francamente, foi o sr. que decepcionou!

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