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Com filme linear, Walter Salles escancara vazio existencial da geração beat

12 de julho de 2012 7

Walter Salles escancara o vazio existencial da geração beat no filme Na Estrada (On the Road), inspirado no emblemático livro de Jack Kerouac lançado em 1957. Se por um lado os personagens do marco literário querem viver a vida em sua plenitude, com a maior intensidade possível, por outro são figuras sofridas, que constantemente encontram-se atormentados por um vácuo pessoal profundo. Apesar de Salles enquadrar essa dualidade extrema com perfeição, seu filme mostra-se linear como uma highway sem fim. Seguindo esse formato dual, Salles apresenta um bom filme, mas sem clímax.

Em sua obra, o escritor remonta parte da viagem que fez durante sete anos com Neal Cassady entre as costas Leste e Oeste dos Estados Unidos e o México ao retratar as aventuras de Sal Paradise (Kerouac) e Dean Moriarty (Cassady). De quebra, analisou cruamente a sociedade norte-americana do pós-guerra e antecipou as movimentações sociais que resultariam na contracultura dos anos 1960.

Estão ali a melancolia provocada pela falta de sentido da vida, a inadequação social, o descontentamento político, a emancipação feminina, a aversão ao cotidiano banal e o desejo de viver a vida de forma plena, sem planos, com rumo estabelecido ao sabor do momento. Contudente, Kerouac recorta uma juventude que rompe com os padrões estabelecidos, renegando o estilo de vida dos pais em nome de uma visão mais libertária da vida.

Dean quer viver tudo o que puder a 100 km/h, sem maiores compromissos – nem mesmo com suas mulheres. Sal está em busca de pessoas que, em suas palavras, “queimam, queimam, queimam”. Ambos querem viver loucamente. Juntos, seguem em uma das jornadas mais celebradas da literatura em si e da cultura pop como um todo. Passam por momentos de extremo êxtase à base de jazz, benzedrina, maconha e bebida barata. Mas, humanos que são, escondem um vazio existencial profundo, amplo, quase palpável. Por vezes, essa imensidão de angústia e tédio os absorve, e nos leva junto sem piedade.

Salles marca mil pontos ao nos apresentar todos esses aspectos dos personagens de forma límpida e romantizada, mas ainda assim realista. O tesão pela vida das figuras elaboradas por Kerouac, suas crises, paixões e decepções nos são lindamente expostas e nos envolvem de forma eficaz. Mas, a todo momento, se espera pelo ápice do longa. O que pode se chamar de ponto alto do filme é a passagem pelo México, mas ainda assim ela é um tanto quanto discreta.

De qualquer forma, o cineasta foi feliz na escolha do elenco. Sam Riley (no papel de Sal Paradise) e Garrett Hedlund (Dean Moriarty) cumprem bem suas tarefas. Mas os destaques ficam com Tom Sturridge, vivendo o existencialista e potencialmente suicida poeta Carlo Marx (inspirado em Allen Ginsberg), e os figurantes de luxo Steve Buscemi (homem que dá carona aos protagonistas), Terrence Howard (no papel do jazzista Walter), Viggo Mortensen (como Old Bull Lee, baseado em William S. Burroughs) e Kirsten Dunst (em atuação precisa na pele de Camille, mulher de Dean). Até mesmo a sempre sem sal Kristen Stewart consegue se sair bem no papel de Marylou, amante de Dean e uma das figuras centrais da trama.

A cabine de imprensa de Na Estrada rolou nesta quarta-feira em Porto Alegre. O filme estreia nesta sexta no Brasil.

Comentários (7)

  • Felipe diz: 12 de julho de 2012

    MAS TU QUER UMA COISA MAIS SEM SAL DO QUE KRISTEN DUNST??? TÁ DE SACANAGEM???

    > RESPOSTA: ok, mas tô falando de talento, atuação…

  • Raquel diz: 12 de julho de 2012

    Acho a Kristen Stewart sem sal nos filmes da serie Crepusculo. Nos demais filmes que atuou, incluindo os excelentes The Runaways e Na natureza selvagem, ela teve uma atuação impecável. Como cinefila, peço desculpas, mas discordo totalmente da tua critica a essa atriz. Me pareceu um certo preconceito.

    > RESPOSTA: não é preconceito, só uma opinião minha. mas concordo com vc, ela esteve bem em The Runaways!

  • Julio Cesar Pereira diz: 12 de julho de 2012

    Já vi bons filmes com Kristen Stewart como em The Runaways, Na Natureza Selvagem e Corações Partidos e de Kirsten Dunst como em AS Virgens Suicidas, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Maria Antonieta.

  • Luana Penedo diz: 12 de julho de 2012

    Me desculpe, mas a Kristen Stewart é perfeita p/ o papel de Marylou. Ela pode ser até s/ expressão. mas s/ sal ela não é. Menina talentosa e autêntica, e p/ muitas pessoas uma atriz incrível!

    > RESPOSTA: concordo com vc. Ela está bem como Marylou.

  • Mag diz: 12 de julho de 2012

    Um primor de texto!!!!! Parabénsss!!!!!!!!!!!!

  • GIOPLA diz: 12 de julho de 2012

    Sem comparação Kirsten Dunst com Kristen Stewart. Kirsten Dunst é muito mais talentosa. Kristen Stewart é só da modA, más sem um pingo de talento.

  • Rodrigo Souza diz: 13 de julho de 2012

    Quando dizes “filme linear” pareces esperar algo diferente, com reviravoltas e flashbacks… me pergunto se tem alguma obra mais linear que o livro “on the road” e se os beatniks com sua postura “carpe diem” poderiam ser menos lineares (vivendo um dia de cada vez) do que eram. Se o filme é “linear” isso deveria ser entendido como um elogio…

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