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Nada Dói

24 de agosto de 2012 1

Texto por Fernando Fantinel

Tudo escuro no Teatro do Bourbon Country. Os relógios cravam 21h. Apenas um facho de luz branca fura os cachos nacionais de Gal. A maior cantora do país abre a boca e tudo assume um nível superior. Corpo é substituído por voz. Talento e precisão só comparados aos de Elis, ainda hoje entronadas com o título de as maiores interpretes desse país prolífero na sua tradição de estupendas cantoras. A música acaba. Banda e Gal estão posicionados levemente à direita do palco.

O cenário é apenas o negro, só maculado pela luz de Caetano. É um descanso para os olhos, focados nela, também de figurino atual e negro. Caetano também assina a direção do espetáculo e 17 canções dele estão na turnê.

Recanto é uma montanha-russa varrendo décadas, estilos e modismos, amparado na tríade rock, clássicos com arranjo rock e sucessos radiofônicos de um tempo que o rádio tocava Música Popular Brasileira. Destaque para todas faixas de Recanto, 30º disco da baiana.

Tim Maia é o grande homenageado da noite. Foi inexplicável e impagável. O público gargalhou e Gal se diverte. Tida como cantora tecnicista e fria, ela imitou o Síndico nos trejeitos e vozeirão dividindo com ele/ela o hit Como num Dia de Domingo. Histórico.

Dando uma geral, Baby, Neguinho, Folhetim, Tudo Dói, Vapor Barato, e óbvio, Recanto, foram os momentos de ouro. Autotune Autoerótico, que faz referência direta novamente à cabeleira morena, emocionou e ela rasgou a voz como só as melhores do jazz fazem. Miami Maculelê teve rap do todo-poderoso Domênico, discreto e certeiro sempre. Bruno Di Lullo e Pedro Baby completam o trio jovem e necessário para o frescor desse projeto. Autoreferenciando-se vem Força Estranha trazendo a uma audiência abismada e rendida todo o significado do que acontecera em apenas 135 minutos.

Modinha de Gabriela fecha o segundo e grande (obrigado) bis. Gal conta que a canção entrou no show por solicitação sua a Caetano. O mestre supremo Dorival Caymmi não fez Caetano pensar duas vezes. Ela ainda conta que essa música a comove muito e, com a nova versão da novela Gabriela no ar, mas com versão original na abertura, Gal achou que era a hora de fazer essa homenagem. Pra quem não sabe, tanto Jorge Amado quanto Dorival Caymi escreveram livro e música tendo como inspiração Maria da Graça Pena Burgos. Também conhecida como Gal, apelido comum para as Marias da Graça na Bahia.

Quem sempre foi rainha, não perde a Gabriela.

Comentários (1)

  • LEONARDO diz: 24 de agosto de 2012

    deusa, diva, rainha!! Gal é FA-TAL!!

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