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Oliver Stone radiografa o milionário negócio da maconha na Califórnia

25 de outubro de 2012 0

* Contém spoliers

Oliver Stone mantém a precisão cirúrgica que exibiu em Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010) em seu novo filme, Selvagens, com estreia marcada para 26 de outubro no Brasil. Desta vez, o mundo financeiro das altas esferas nova-iorquinas dá lugar ao milionário negócio da maconha californiana.

Conectado com o nosso tempo a partir de um roteiro robusto e realista, Stone conta a história de dois amigos, o botânico budista Ben (Aaron Taylor-Johnson) e o ex-militar pavio-curto Chon (Taylor Kitsch), surfistas que tornam-se produtores/vendedores da melhor e mais pura erva da Califa. Ambos se conhecem há anos, são como irmãos, e não dividem apenas o ganha-pão, mas também uma linda, loira e abastada filinha de papai pra lá de liberal (O, interpretada por Blake Lively). Isso tudo na paradisíaca e ensolarada Laguna Beach.


A expertise da dupla no negócio verde chama a atenção de um poderoso cartel mexicano liderado pela decadente e solitária Elena (Salma Hayek), que impõe uma nova ordem na rede de atividades dos dois. O conflito chega a níveis extremos de violência, tendo como pano de fundo temas caros para os Estados Unidos hoje como a invasão do Afeganistão e do Iraque, a proliferação de parcerias escusas entre ex-militares, paramilitares e traficantes, a suposta idoneidade de funcionários de órgãos de primeira linha do governo americano, como o DEA (agência antidrogas) e o FBI, e também o tráfico nocivo que gera chacinas constantes e corrói o México atualmente.

Salma Hayek, excelente, compõe a amargurada chefona do tráfico que vive entre o vazio da falta dos filhos e do marido e a rigidez que seu cargo exige. Apesar de ser a típica mexicana de mão forte, Elena garante momentos engraçados e até mesmo ternos. John Travolta, como Dennis, funcionário do DEA, e Benicio Del Toro, como o capanga Lado, ajudam a compor a parte boa do elenco.

O final do filme, no entanto, poderá não agradar a todos. Há uma bifurcação na história que eu mesmo não sei se gostei. Apesar disso, a opção de Stone dá margem a interpretações e interrogações diversas, sendo a mais óbvia delas o tradicional questionamento “o crime compensa?”. Veja o filme e responda você mesmo.

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