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Resultados da pesquisa por "fête"

Vive La Fête é rock'n'roll

09 de agosto de 2010 3

Impressionante como Vive La Fête ao vivo ganha uma dimensão rocker intensa não percebida por mim nos discos do duo belga. Claro, há 10 anos os álbuns assinados por Danny Mommens e Els Pynoo promovem diálogos acirrados entre beats e riffs, mas os discos sempre têm uma aura dance e festiva bem maior do que podem sugerir as linhas de guitarra criadas por Danny em estúdio. Ao contrário disso, no palco, o formato rocker se sobrepõe às eletronices da dupla.

Óbvio que o som deles não pode ser enquadrado assim, de forma tão reducionista. Não se pode dizer que é apenas isso ou aquilo. Vive La Fête é rock, electro, gótico, kraut, chanson, new wave, new rave, new awesome fucking shit. As referências estão em camadas, assim como a make-up de Els. O fato é que o rock triunfa ao vivo em uma banda composta por quatro instrumentistas clones de Robert Smith (Danny + 3). E a semelhança com The Cure não para por aí. Em diversos momentos do show eu podia fechar os olhos e jurar que estava com Cure tocando na minha frente. Isso ficou ainda mais claro em faixas como Je sui la e na super-mega-extended jam orquestrada por Danny ao fim dos dois shows (nos dias 06, em festa fechada no Beco, e 07 na Sociedade Hebraica), devidamente emendadas com uma boa versão para I Wanna Be Your Dog, dos Stooges – o que, por sinal, deixou clara a pouca potência vocal de Danny. Realmente, o belga não é Iggy. Já Els é uma legítima show woman. Garantindo vocais fortes, aveludados, quentes e sensuais, a cantora divide com Danny a tarefa de conduzir a apresentação. Mesmo sem falar muito (em nenhum dos dias), foi querida com a plateia. Extremamente ágil, exibiu um gestual comparável ao de Denise Stoklos – a mestre brazuca do Teatro Essencial e da expressão corporal. O show de sexta, no lançamento do projeto Becólatra de Carteirinha, foi mais intimista, mais contido. No sábado, o lance foi mais aberto e livre. Mesmo assim, a platéia não transformou o show numa festa. A galera foi mais pra assistir do que pra se jogar. De qualquer forma, a festa no palco rolou solta. Danny é um bon vivant rocker, um enfant terrible hedonista, um guitar hero insaciável. Els é uma rock clubber mother fucker. Se o povo não faz festa para Vive La Fête, Vive La Fête faz festa por conta própria e se realiza ao vivo. Mesmo superando um problema técnico que interrompeu o show do dia 06, ficou claro: Vive é composto por 24 Hour Party People. No sábado, o show dos belgas foi aberto pelo digníssimo Dating Robots. Edu Normann e Mari Kircher são a perfeita personificação do rocker way of life no Rio Grande do Sul. Porém, se as músicas são boas e o show é coeso e sujo, pode ser ainda mais eletrônico e dançante se a banda perder um pouco a sisudez rock e forçar mais os beats. A catarse eletrônica pode ser ainda maior.

Vive La Fête rivaliza com o incediário set de Steve Aoki com o melhor espetáculo já realizado no Beco ever. Agora, para uma banda idolatrada entre fashionistas e incensada por Karl Lagerfeld e outros totens do mundinho da moda, não há explicação para o fato Els usar o mesmo figurino um dia após o outro. Uó. >>>>> Mais Vive La Fête

Resultado promo Vive la Fête

05 de agosto de 2010 0

Já saiu o resultado da promoção de ingressos pro show do duo Vive la Fête em POA. Veja aqui.

PROMO: Vive la Fête

30 de julho de 2010 0

Divulgação
Quer ingresso para ver o show do Vive la Fête em Porto Alegre no dia 07 na Sociedade Hebraica (João Telles, 508)? Então pula na promoção para concorrer. A promo rola até 04/08. A abertura será com Dating Robots.

O duo belga também fará show no dia 06 de agosto em uma festa fechada no Beco apenas para quem tem o cartão do bar. Esse cartão é resultado de um novo programa de fidelidade do Beco.

O cartão está sendo distribuído nas festas ou por intermédio dos DJs residentes da casa. O lance é pras pessoas que frequentam o Beco desde sempre, que são amigas do complexo e que, de alguma forma, fazem parte da história becólatra.

O objetivo é valorizar quem é do núcleo, dando exclusividade e prioridade pra nata da casa. Entre os benefícios, o cartão possibilitará compra de ingressos a preços mais acessíveis. Para festas fechadas, os tkts terão valor único de R$ 45,00. A compra será feita nos pontos de venda mediante apresentação do cartão.

Em festas normais, há preço fixo com desconto: R$ 10,00 na entrada do titular e R$ 15,00 para acompanhante. Em shows especiais ou atrações gringas, o ingresso com desconto vai variar conforme o valor dos tkts para o público comum.

Outras novidades relacionadas aos benefícios do cartão serão divulgadas em breve.

>>>>> Mais Vive la Fête

Postado por Danilo Fantinel

Vive la Fête fará dois shows em POA

06 de julho de 2010 0

Divulgação
Vive la Fête confirmou dois shows em Porto Alegre. O duo belga toca dia 06 de agosto em uma festa fechada no Beco (apenas para quem tem o cartão do bar) e no dia 07 na Sociedade Hebraica (João Telles, 508). Ingressos pro dia 07 a R$ 60 (1º lote), R$ 70 (2º lote) e R$ 80 (3º lote). A abertura é com Dating Robots (conheça aqui e aqui).

Antes disso, eles passam por Belo Horizonte (Roxy, dia 04) e por São Paulo (Comitê, dia 05).

Você já tinha lido a dica do show aqui no Volume no início de junho.

Postado por Danilo Fantinel

Vive la Fête poderá tocar em POA, SP e BH

04 de junho de 2010 1

Reprodução
O duo belga Vive la Fête poderá fazer shows em Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte em agosto. As datas ainda não estão no site oficial, onde a banda cita um show em Bogotá no dia 30 de julho. No MySpace, consta apenas um show em BH, no dia 04 de agosto, até o momento.

Danny Mommens (guitarra) e Els Pynoo (vocal) já passaram pelo Brasil algumas vezes. A primeira foi em 2004 no Abril Pro Rock, em Pernambuco. Eles voltaram em 2006 para dois shows em São Paulo e novamente em 2008, quando se apresentaram em BH, Brasília e Rio de Janeiro.

Vive la Fête é uma das bandas mais legais do electro-indie. Veja um show deles em Bruxelas aqui.

Postado por Danilo Fantinel

Siouxsie, Spiritualized e Vive La Fête no FIB 2008

07 de fevereiro de 2008 1

Siouxsie, Vive La Fête e Spiritualized/Divulgação
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Festival Internacional de Benicàssim (FIB) anunciou no início deste mês, bem no meio da loucura carnavalesca brasileira, novas bandas convocadas para a edição 2008 da loucura espanhola mais legal que se tem notícia. Bom, mais legal ao menos em termos de música. Entre as bandas anunciadas estão Siouxsie, Spiritualized, Vive La Fête e José González, que há pouco tempo fez show em Porto Alegre.

Siouxsie Sioux dispensa apresentações. Ícone do rock ao lado de seus Banshees, a dama inglesa do pós-punk gótico deverá concentrar o show em Mantaray, seu primeiro e único álbum solo, lançado em 2007. O disco une obscuridade com tradições de cabaret, glam rock e eletrônica.

Spiritualized volta ao festival após quatro anos. A banda cria um pós-rock atmosférico, no qual trilhas celestes se transformam em tormentas raivosas em poucos momentos. Os caras deverão apresentar sons do novo álbum, que sai em maio. Segundo Jason Pierce, o lance é “obra do diablo”. Se você ainda não conhece a banda eu sugiro escutar Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space, de 1997.

Vive La Fête é a festa em essência. Eletros deliciosos, sujos e hedonistas. Noite, glamour punky, synth e acabação. Tudo muito chique e decadente, claro. Bom de dançar e cantar junto. A banda começou em 1997 como um projeto paralelo de Danny Mommens, ex-baixista da banda indie dEUS (ícone subterrâneo, diga-se), mas tomou forma mais consistente com a entrada da ex-modelo Els Pynoo. A dupla belga esteve duas vezes no Brasil: em 2004 no Abril Pro-Rock, em Recife, e em 2006 no superultramega clube gay paulista The Week.

Além deles, foram escalados American Music Club, Metope, Metronomy, The National, The New Pornographers e Robert Babicz. No final do ano passado, os organizadores haviam anunciado a volta da banda My Bloody Valentine, esperadíssima, Babyshambles (chatos) e The Rumble Strips.

FIB 2008 se celebra los días 17, 18, 19 y 20 de julio.

Postado por Danilo Fantinel

Calendário de shows atualizado

26 de outubro de 2012 0

Atualizado dia 31/10

O calendário de shows indicados pelo Volume em 2012 foi atualizado com Jack Bruce (ex-Cream), Sugar Ray, Robert Plant, Maná, The Slackers, Dezarie, Vive La Fête, Slash, Flogging Molly, Lady Gaga, Kiss, Black Label Society, Joss Stone (show cancelado), Rick Wakeman, Creed, Sublime with Rome, Fiona Apple, Tony Bennett, Madonna e Norah Jones.

Além disso, tem a festa de 5 anos da Marquise 51 com shows de Tenente Cascavel, Sombrero Luminoso, Os Replicantes e Identidade. Outros shows locais e nacionais até dezembro entrarão semana que vem…

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Rádio Gaúcha debate shows internacionais em POA

E hoje, às 19h, participo de um debate no programa Night Show, da Rádio Gaúcha, sobre a profusão de shows internacionais em Porto Alegre. O programa rola a partir das 19h apenas no site da rádio, neste link.

Fiz um levantamento sobre os maiores e/ou mais importantes shows gringos que rolaram na cidade de 2008 pra cá. A agenda da cidade esteve lotada. Olha só:

2012:

* ROCK
Roger Waters, Bob Dylan, Buddy Guy, Dream Theater, Thurston Moore (Sonic Youth), The Sisters Of Mercy, Jello Biafra (ex-vocalista do Dead Kennedys), Tarja Turunen (ex-vocalista do Night Wish), Roger Hodgson (ex-Supertramp), Andy Summers (ex-guitarrista do Police), Wishbone Ash, CJ Ramone, Linkin Park, Overkill, Mark Farner, Zak Stevens, Howler, Japandroids, Carl Barat, A Place to Bury Strangers, The Virgins, The Whip, White Denim, Austra, The Reign of Kindo, Ugly Kid Joe, No Te Va Gustar

* METAL e PUNK
Exhumed, Aborthed, Iced Earth, Obituary, Acheron, Anthrax, Misfits, Gorgoroth, Keep of Kalessin, Pain of Salvation, Epica

* REGGAE, SKA e SURF MUSIC
The Congos, Steel Pulse, Bambu Station, Max Romeo, Groundation

* Ainda vão rolar em 2012:

Jack Bruce (ex-Cream) 26/10
Sugar Ray 28/10
Robert Plant 29/10
Maná 01/11
Slash 09/11
Flogging Molly 09/11
Lady Gaga 13/11
Kiss 14/11
Crucified Barbara 18/11
Black Label Society 20/11
Dezarie 20/11
Joss Stone 20/11 (show cancelado)
Rick Wakeman 20/11
Creed 26/11
Sublime with Rome 26/11
Fiona Apple 27/11
Tony Bennett 04/12
Madonna 09/12
Norah Jones 12/12

* Meca Festival: The Rapture, Mayer Howthorne, Penguin Prison, Breakbot

* FAIL DO ANO: cancelamento do show do Morrissey em POA (seria o segundo dele aqui); Concrete Blonde também cancelou.

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2011:

* ROCK e BLUES
Eric Clapton, Ringo Starr, Pearl Jam, Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Robin Gibb (ex- Bee Gees), Primal Scream, Tears For Fears, Paul Di Anno (ex- Iron Maiden), Blaze Bayley (ex- Iron Maiden), Paramore, Anti-Flag, Sublime with Rome, Helmet, Black Label Society, Babasónicos, New Young Pony Club, Darwin Deez, Evergrey Metronomy, Cut Copy, The Gift

* POP
Roxette, Marianne Faithfull

* ELETRÔNICA
Gotan Project, LCD Soundsystem, Yelle

* REGGAE, SKA e SURF MUSIC
Inner Circle, SOJA

* Meca Festival: Vampire Weekend, Two Door Cinema Club

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2010:

* ROCK
Paul McCartney, Guns N’Roses, Aerosmith, Green Day, ZZ Top, Franz Ferdinand, Placebo, Cat Power, Laetitia Sadier, OK Go, Simple Minds, Creedence Clearwater Revisited, Proyecto Gomez, Shy Child, Mulville, Johnny Rivers, Kissogram

* Metal e PUNK
Metallica, Megadeth, Biohazard, Cradle of Filth, Dream Theater, Millencolin, NOFX, Paul Di’Anno, P.O.D., Social Distortion, Vader, Watain

* POP
Black Eyed Peas, Cranberries, Fito Páez, Nelly Furtado, Norah Jones

* REGGAE, Ska e SURF MUSIC
Spy vs Spy, Alpha Blondy, Gladiators, Black Uhuru, Don Carlos, Bambu Station, Israel Vibration, Soldiers of Jah Army (SOJA), The Slackers, The Wailers

* ELETRÔNICO
Afrika Bambaataa, Moby, Groove Armada, Vive La Fête, Miike Snow, Alex Murray-Leslie, Glenn Hughes, Gotan Project, Tanghetto

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2009:

* ROCK e BLUES
Buddy Guy, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Deep Purple, Paul Di’Anno, Oasis, Peter Murphy, The Sisters of Mercy, Exploited, B-52’s, Living Colour, Jan Akkerman, Jeff Scott Soto, No Te Va Gustar, Joe Lynn Turner (ex-Deep Purple), Kip Winger (ex-baixista de Alice Cooper), Lynwood Slim (bluesman), John Primer (bluesman), Thieves Like Us, François Virot, Hey Champ

* POP
Liza Minnelli, Burt Bacharach, Alanis Morissette, James Blunt, Simple Plan, McFly, Jason Mraz

* REGGAE, SKA e SURF MUSIC
The Wailers, The Skatalites, The Congos, Steel Pulse, Groundation, The Aggrolites, Dezarie, Donavon Frankenheiter, Little Joy

* ELETRÔNICO
Bajofondo, Layo & Bushwacka, N.A.S.A., Kris Manace, Neon Birds, Clearcom, DJ Dunwich e Noblesse Oblige

* METAL
Stratovarius, Kreator, Exodus, Obituary * Festival Invasão Sueca no Beco: Those Dancing Days, Britta Person e Loney Dear

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2008:

* ROCK
R.E.M., Chuck Berry, The Doors – Riders on the Storm (com tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robby Krieger), Iron Maiden, Judas Priest, Echo & the Bunnymen, Millencolin, The Cult, The Hives

* POP
Cyndi Lauper, Jorge Drexler, José González, Joss Stone, Ben Harper

* ELETRÔNICO
Steve Aoki, Karl Bartos (ex-Kraftwerk), Owen Pallet (indie eletrônico)

Los Hermanos celebram carnaval triste em POA

14 de maio de 2012 5

Fotos: Diego Vara

Los Hermanos despejaram sua amarga poesia doce sobre Porto Alegre neste sábado, quando apresentaram o primeiro de dois shows no Pepsi on Stage. Com a envergadura moral de uma banda que nos últimos 15 anos escreveu canções esteticamente densas e amplamente cultuadas, os músicos não tiveram a menor dificuldade para realizar um grande show.

Tendo apoio constante do público, que como sempre cantou junto quase todas as músicas do repertório, a banda carioca apresentou faixas de toda sua carreira, exibindo um apanhado de canções contemporâneas, mas que polidas com um verniz sonoro único remetem a algo pretérito, a um passado distante curiosamente presente no nosso imaginário. A identificação é imediata. Aos primeiros acordes de Vencedor, na abertura do show, somos levados a esse curioso (e conhecido) lugar sonoro.

As composições dos Hermanos são peças raras, melancólicas, oriundas de um romantismo urbano passadista e de um Rio de Janeiro antigo, utópico. Se no disco de estreia a banda já exibia algumas letras inteligentes e verticais, no Bloco do Eu Sozinho, quando o hardcore enlatado dá espaço a novas experimentações com samba, jazz e MPB, esse poder criativo ganha uma nova dimensão, rapidamente assimilada pelos fãs. É lá que se encontra a alquimia sônica hermânica. É lá onde queremos estar.

Além da abertura apoteótica com Vencedor, foram marcantes Retrato pra Iá Iá (lindo ska rock brazuca), Todo Carnaval tem seu fim (com confetes e serpentinas jogados pela plateia, ampliando ainda mais a sensação de melancolia clown), Além do que se vê, O Vento (guitarrinha surf esperta), Azedume (micareta indie hardocore afú), Sentimental, A Flor, Cara Estranho (ótima, fatídica, quando Camelo assume o microfone de Amarante para cantar numa espécie de embate artístico), Casa Pré-fabricada, Último romance e o cover legal de Nunca Diga, da Graforréia Xilarmônica. O bis foi dedicado ao disco de estreia, com Tenha Dó, Anna Júlia, a trágica Quem sabe e a fatídica Pierrot.

Foi neste universo existencialista e dolorido, em que o homem experimenta muito mais a inadequação, a dificuldade e a impossibilidade do amor do que a sua celebração, que fomos inseridos pela banda. E assim comemoramos um carnaval triste simbólico, marcado por modinhas sonoras agridoces e marchinhas rock linha Quarta-feira de Cinzas.

Foto: ottohnetto

> Leia sobre o primeiro show solo de Marcelo Camelo em POA
> O último show de Marcelo Camelo em POA
> Relembre o show do Little Joy em POA
> Mais Los Hermanos

LCD Soundsystem faz prévia do fim em POA

21 de fevereiro de 2011 1

O show do LCD Soundsystem realizado ontem à noite, em Porto Alegre, foi uma prévia do espetáculo de encerramento da banda, marcado para 02 de abril no Madison Square Garden em NY – e já definido por James Murphy como o funeral do grupo que marcou os anos 2000 com um rock eletrônico convulcionado por percussão hipnótica e ironia celebratória.

Coeso e consistente, o combo nova-iorquino apresentou algumas das melhores faixas dos três discos do grupo com energia e entrega, mas havia um certo torpor no ar. Apesar da intensidade sonora do LCD, que ultrapassa gêneros musicais com uma naturalidade única, algo não soou inteiramente vital. Se os músicos da banda pareciam sofrer de algum tipo de ‘pré-ressaca’ histórica, tendo em vista o fim próximo, James Murphy apresentava um aspecto resignado.

No entanto, essa sensação de fin de fête antecipada não comprometeu o crossover estilístico do LCD  Soundsystem, muito menos a histeria verborrágica de Murphy. O preview do fim foi, no fim das contas, um review da década passada a partir de rocks compostos por letras quilométricas e aditivados com batidas eletrônicas pouco óbvias, percussão robusta e alma indie -, que preenchem e expandem o som da banda para além dos limites impostos por rótulos.

Da eletrônica e deliciosamente torta Dance yrself clean, passando por Daft Punk is playing at my house, revigorada e bem mais roqueira ao vivo, e All my friends, absurdamente intensa, várias faixas se transformam em uma massa sonora robusta e enérgica sobre o palco. Ficam muito mais potentes do que em disco.

Tribulations foi forte e irônica, com guitarra em destaque contrastando com I can change, linda, romântica e esperançosa em grau máximo. Movement teve uma das execuções mais incríveis da noite. Começou lenta, quase fraca demais, para em seguida explodir em bateria, beats e guitarras. Foi o momento mais punk do show.

Se Yeah veio gostosa, totalmente funk, com Murphy espancando os instrumentos de percussão, a rebuscada e referencial Losing My Edge apareceu como um testamento pop nervoso – uma espécie de relato cerebral, estético e estoico do nosso tempo, principalmente no que diz respeito à música.

Por outro lado, a singela Home acalmou as coisas, remetendo a algum momento mais acalentador apesar da letra desafiadora. “Just do it right; Make it perfect and real; Because it’s everything; No everything was never the deal; So grab your things and stumble into the night; So we can shut the door; Oh, shut the door on terrible times”.

Dramática e melancólica, New York, I love you but you’re bringing me down encerrou a apresentação em POA no maior clima pós-rock, com direito a guitarreira, microfonia, dissonâncias, freak jam, volume máximo e luz branca na cara do público, como se a banda estivesse desconfortavelmente dizendo: “É isso mesmo! Acabou! Podem ir embora agora”.


E assim deixamos o local do show, resignados.

>>>>> Mais fotos do show no flickr do Codevilla

>>>>> Mais LCD Soundsystem

Vídeos

Drunk Girls

Daft Punk is playing at my house

Qual o melhor show internacional de 2010 em Porto Alegre?

27 de dezembro de 2010 20

2010 foi um ano gordo para shows internacionais em Porto Alegre. Teve pra todo mundo – e se você não foi a pelo menos um deles, bom, então é porque não gosta de música!

Você teve a chance de escolher entre os megagigantescos Aerosmith, Green Day, Guns N’Roses, Megadeth, Metallica, Moby, Paul McCartney e ZZ Top ou entre as pérolas lado-B Cat Power, Franz Ferdinand, Groove Armada, Laetitia Sadier, Miike Snow, OK Go, Placebo, Proyecto Gomez, Shy ChildVive La Fête.

Não curte nem medalhões nem medalhinhas? Sem problemas. Rolaram shows tanto com os cults Afrika Bambaataa, Alex Murray-Leslie, Glenn Hughes, Gotan Project, John Mulville, Johnny Rivers, Kissogram e Tanghetto quanto com bandas e artistas pop tipo Black Eyed Peas, Cranberries, Fito Páez, Nelly Furtado, Norah Jones, Simple Minds, Creedence Clearwater Revisited e Spy vs Spy.

Além disso, teve shows leves, com os regueiros Alpha Blondy, Gladiators, Black Uhuru, Don Carlos, Bambu Station, Israel Vibration, Soldiers of Jah Army, The Slackers, The Wailers e pesados com punks e metaleiros das bandas Biohazard, Cradle of Filth, Dream Theater, Millencolin, NOFX , Paul Di’Anno, P.O.D., Social Distortion, Vader e Watain.

Sobre vários desses shows você leu textos, comentou e viu fotos e vídeos aqui na área de resenhas do Volume. Agora chegou a hora de você escolher o melhor show internacional de 2010 em Porto Alegre!

>>>>> Vote aqui até o dia 31/12!

O meu voto? Miike Snow no Beco em setembro. Pra mim, nenhuma outra banda chegou perto do poder desses caras ao vivo. Nota 10.