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Posts na categoria "Entrevistas"

Entrevista: Johnette Napolitano, do Concrete Blonde

14 de maio de 2012 0

O Concrete Blonde volta a Porto Alegre no próximo dia 17 de maio para realizar um show da turnê que comemora o 20º aniversário do disco Bloodletting, lançado em 1990. Sim, a tour especial da banda chega à capital gaúcha com dois anos de atraso – e capenga, já que as apresentações marcadas no Rio de Janeiro e em São Paulo foram canceladas em março, restando no giro nacional, além de POA, apenas um espetáculo no Lupaluna Festival, em Curitiba, no dia 18 de maio.

O atraso não desanima a cantora Johnette Napolitano, que na entrevista abaixo ironizou a situação, indicando que sua banda já brincava que poderia facilmente realizar turnês de 21, 22, 23 anos do disco. O que tira Johnette do sério é relembrar os motivos do cancelamento no eixo Rio-SP. Conforme disse, um produtor nacional não cumpriu com a palavra, acarretando problemas de agenda na Argentina – local onde a banda nunca tocou –, e gerando outras dificuldades nas duas cidades brasileiras . Assim, a banda decidiu encerrar as negociações com o antigo produtor.

É completamente injusto com nossos fãs de lá, e como o Brasil é um lugar especial para nós, perdemos a confiança de que a tour seria como nós esperávamos. Não foi nossa culpa –, explicou Johnette.

Procurada pela reportagem, a Opus Promoções informou que se responsabiliza apenas pelo show em Porto Alegre, que não sofreu alterações desde que foi marcado, e que não se pronuncia sobre apresentações em outras cidades.

Apesar da confusão no centro do país, a vocalista da banda deu uma boa notícia: o Concrete Blonde deverá voltar ao Brasil em 2013 para shows comemorativos pelos 10 anos do disco Live In Brazil, lançado em 2003, dessa vez com planos para gravar o CD e DVD Live In Brazil #2.

Bloodletting é provavelmente seu mais famoso disco e, em 2012, o Concrete Blonde celebrou o 22º aniversário do álbum. Como vocês se sentem sobre isso?
Estou rindo [(neste momento] porque, quando fizemos a tour de 20 anos de aniversário de Bloodletting pelos Estados Unidos [em 2010] nós brincamos que poderíamos ter turnês dos 21 anos, 22 anos, 22 anos, 6 meses, duas semanas, 3 horas e 55 minutos… Naquele ano, as pessoas estavam pedindo por uma tour e meu pai havia morrido… e ele gostaria que nós a tivéssemos realizado. Foi um ano de muito sucesso quando lançamos o álbum mas também muito difícil sob vários aspectos.

Depois do lançamento de The Real Thing em 2004 vocês liberaram o disco Rosalie somente no ano passado. Por que demoraram tanto?
Prefiro lançar algo que sinto que é ótimo quando percebo que chegou o momento certo do que lançar algo que é menos do que eu espero de mim ou da banda apenas por lançar. Todos nós temos uma vida cheia [de atividades], por isso é preciso uma certa logística para nos juntarmos. Então, precisamos estar bem focados no que fazemos. Tocamos na China no ano passado, sempre tenho muito o que fazer e nós somos uma banda independente. Não quero me preocupar com o deadline dos outros.

Não tenho certeza, mas acho que Rosalie não foi lançado no Brasil. O que você pode dizer sobre o disco?
Rosalie é o Lado A de um vinil 45 rpm que gravamos sobre nossas duas últimas tours nos EUA. O B-side é uma música chamada I Know The Ghost. Foi uma edição limitada. Vou levar as cópias que sobraram ao Brasil. Eu mesmo fiz as artes. Foi como fazer discos nos velhos tempos. Estamos adorando lançar vinil novamente. De qualquer forma, as faixas estão disponíveis para download no iTunes. Mas vamos fazer o upload delas para os fãs brasileiros escutarem de graça.

O Concrete Blonde cancelou shows no Rio de Janeiro e em São Paulo no final de março. O que houve? Li que vocês adiaram esses shows para 2013 para marcar o 10º aniversário do disco Live in Brazil. É isso? E vocês planejam algo especial para esta nova tour?
Você não deveria ter feito esta pergunta, porque estou realmente irritada com o produtor. A tour foi originalmente apresentada para mim e agendada incluindo a Argentina, onde nunca tocamos e onde temos muitos fãs. Depois que aceitamos, o produtor nos disse que não conseguiu bookar a Argentina, e isso nos deixou putos. É completamente injusto com nossos fãs de lá, e como o Brasil é um lugar especial para nós, perdemos a confiança de que a tour seria como nós esperávamos. Não foi nossa culpa e não vou inventar história. A turnê com a qual concordamos não era a que estava se configurando. A gente faz o que quer, e como a história estava sempre mudando, cortamos o lance. A gente nunca havia trabalhado com esse cara antes. A gente ama o Brasil e conhece bem nosso público. Não pretendemos fazer uma turnê meia-boca. Odiamos deixar fãs na mão. Mas no ano que vem o disco Live in Brazil completa 10 anos. Pensamos em gravar Live in Brazil #2 e incluir cidades na América do Sul onde temos muitos fãs, mas onde nunca tocamos.

Concrete Blonde tem forte influência da cultura mexicana, algo que os brasileiros também gostam. A que se deve isso?
Nasci em Los Angeles e, quando era criança, meu pai me levava até Tijuana. Todos meus amigos eram artistas chicanos e meu baterista, Gabriel Ramirez, que tocava na banda Maria Fatal, é mexicano. Sempre fui impelida e cercada pela arte latina, como os grandes muralistas. Estudei flamenco na Espanha e cerâmica em Mata Ortiz [no México] com Juan Quezada .

E o que vocês estão programando para a turnê deste ano? O que podemos esperar
Podem esperar um grande show. Não sabemos como fazer diferente! Diga ao Jô Soares que o amamos. E avise aos nossos fãs que voltaremos no ano que vem e provavelmente gravaremos um documentário em DVD. Obrigada.

Serviço

Concrete Blonde: o setlist será baseado no disco Bloodletting, com faixas como Joey, Tomorrow, Wendy, Caroline, The Sky Is a Poisonous Garden, além de músicas como Still in Hollywood, God is a Bullet e o cover de Everybody Knows, de Leonard Cohen.

Dia 17 de maio
Quinta-feira, às 21h
Teatro do Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, nº 80 – 2º andar)

> Informações completas no calendário de eventos da Itapema

Entrevista: Mayer Hawthorne

26 de janeiro de 2012 0

Em 2011, Mayer Hawthorne até que tentou ganhar parte das atenções dedicadas à Amy Winehouse e Janelle Monáe durante a passagem dos três pelo Brasil no Summer Soul Festival, mas sua presença se fez discreta. Tendo como “concorrentes” a maior cantora dos anos 2000, Amy, que naquele verão tropical tentava restabelecer sua vida/carreira pouco antes de morrer, e Janelle, a nova promessa da música negra norte-americana, convenhamos, a tarefa era difícil.

O fato é que, se o destaque de Hawthorne na mídia foi pequeno, sua performance no evento em Florianópolis foi inversamente proporcional. Apesar do pouco alcance da voz ao vivo, o que desfavorece qualquer cantor branco de black music, o vocalista e músico de neo soul e new R&B deu um show de inspiração, liderança e presença de palco. Entertainer nato, ele esteve muitíssimo à vontade no papel de crooner de sua big band.

Em seu primeiro disco, A Strange Arrangement, Hawthorne chamou atenção pela facilidade com que compôs músicas claramente inspiradas pelos grandes clássicos do R&B e da soul music, mas ainda assim com algum toque contemporâneo, reforçado pela proximidade quem tem com o hip hop e o rap – e melhor, tudo isso excepcionalmente reproduzido e ampliado ao vivo pela sua incrível banda.

Na verdade, rap e hip hop foram o ponto de partida na carreira de Andrew Cohen, o verdadeiro nome de Hawthorne. O alter ego Mayer Howthorne somente existe porque Andrew foi, um dia, MC, DJ e produtor musical nerd-retrô dos coletivos Athletic Mic League e Now On. Com o tempo, foi fazendo música para poder samplear e reutilizar em faixas de hip hop. Até que Mayer Hawthorne tomou maiores proporções em sua vida. Se a história em si já é boa, sua música não fica atrás.

No segundo disco, How Do You Do, mais sólido e com participação de Snoop Dogg cantando (e não fazendo rap!) em Can’t Stop, Hawthorne volta ainda mais romântico e focado no R&B, amparado não apenas pela vitalidade existencial do soul, mas também pelo frescor da disco music. Como disse na entrevista abaixo, ele se inspirou em Barry White, mestre da mellow music, para compor o álbum:

– Ele era muito “sex music”. Quem está fazendo este tipo de música em 2012? Eu.

Leia e entrevista realizada por e-mail:

Sua música é claramente inspirada no R&B e na soul music dos anos 60 e 70, mas também tem conexões com rap hip hop. Quando você começou a misturar esses estilos e como isso aconteceu?
Rap foi o meu primeiro verdadeiro amor. Ainda escuto rap a toda hora. Mayer Hawthorne surgiu de fazer música para samplear e usar em hip-hop. É maluco porque agora se fechou um círculo em que produtores de hip-hop estão me sampleando.

Você também tem amigos skatistas, indie rockers, DJs… Você acha que sua música consegue atingir tanta gente diferente?
Minha única regra ao fazer música é que ela deve ser divertida. Diversão é universal. Todos querem se divertir.

Seu primeiro show no Brasil ocorreu há exato um ano, quando você,Janelle Monáe e Amy Winehouse se apresentaram no Summer Soul Festival. Muitas pessoas não sabiam o que esperar porque não conheciam sua música, mais ao fim do show boa parte do público pareceu ter gostado da sua música. O que você lebra dessa experiência?
Fomos a última banda a fazer turnê com Amy. Ele foi um doce, e sempre vou ser grato por aquele momento. Fiquei muito surpreso com a reação do público no Brasil. Foi muito positiva. Mal posso esperar para fazer festa aí de novo.

Vi seu show. Você é muito falante. Você é sempre assim no palco?
Hahaha. E tenho muito a dizer, eu acho!

Amy morreu alguns meses após o festival no Brasil. Ela foi uma influência para sua música? Você tem ídolos que influenciaram sua carreira?
Amy foi a maior voz de nossa geração, na minha opinião. Ela também entendia a importância da boa composição e ajudou a trazer isso de volta para a música popular. Ela abriu muitas portas para artistas como eu. Também tenho muita influência de Barry White. Ele era muito “sex music”. Quem está fazendo este tipo de música em 2012? Eu.

O que você está fazendo agora? Algum novo álbum?
Estou sempre trabalhando em novas músicas, mas o foco está em How Do You Do neste momento. Vou rodar o mundo e comer as melhores comidas!

E sobre seu show no Meca Festival? O que está planejando?
Estivemos trabalhando em um novo set especial. Não posso contar surpresas, mas certo que vai ser uma festa!


Mayer Hawthorne se apresenta no M/E/C/A Festival 2012, no dia 28 de janeiro em Xangri-lá, no litoral gaúcho, com The Rapture, CSS, Breakbot, Boy e Penguim Prison. O lance rola das 17h às 4h no Hotel Fazenda Pontal (RS-407, Km 2.5, Maquiné – Acesso Morro Alto/Capão). Ingressos: R$ 50,00 (primeiro lote) e R$ 70,00 (segundo). Saiba mais neste link.

Veja a programação completa do M/E/C/A:

17:00 Abertura dos portões (Juli Baldi + Fran Piovesan DJ set)
18:00 Wannabe Jalva
18:45 Pulp DJ set
19:15 Penguin Prison
20:15 Mycool decaDANCE DJ set
20:45 The Rapture
21:55 Voodoo DJ set
22:25 Mayer Hawthorne
23:35 Popismo DJ set
00:05 CSS
01:15 Neon DJ set
01:35 Breakbot
02:50 The Twelves
04:00 Encerramento

>>>>> Leia sobre o show de Mayer Hawthorne no Summer Soul Festival 2011

Entrevista: Marianne Faithfull planeja livro e disco sobre Shakespeare

14 de setembro de 2011 0

Fotos: Fernando Gomes

Marianne Faithfull está entre nós! A atriz e cantora britânica, que apresenta músicas do disco Horses and High Heels no Porto Alegre Em Cena, no Teatro do Bourbon Country, dias 16 e 17 de setembro, às 21h, disse hoje durante entrevista na capital gaúcha que deverá lançar na primavera gringa um livro de sonetos de William Shakespeare escolhidos por ela. A publicação virá em uma caixa com um disco e fotografias relacionados ao projeto Marianne Faithfull Reads Shakespeare’s Love Sonnets.

Doce, bem-humorada e experiente, a artista conversou com um grupo de jornalistas nesta manhã. Falou sobre os shows que fará na cidade, sobre alguns de seus últimos parceiros musicais (Lou Reed e Wayne Kramer, do MC5), comentou suas autobiografias (fez por dinheiro, e não vê problema nisso), cinema (idem), drogas e anos 60. Sobre os Rolling Stones, avisou:

- Tenho uma nova política: não falo sobre os Stones!

Confira trechos da entrevista:

Disco Horses and High Heels e o show em POA
“Lou Reed toca em duas faixas. É um grande amigo, de longa data. Top, top, top guitarrista. É um grande compositor também. O convidei há algum tempo para o disco, e ele aceitou”.

“Wayne Kramer (do MC5) é um paraíso. Também participa do disco. Fez os primeiros meses da turnê do disco comigo. Mas isso se tornou muito caro, pois ele mora em Los Angeles. Foi fabuloso. Gostaria de tê-lo em todos shows. Mas não podemos. Infelizmente. É um cara incrível, e um incrível músico também”.

“Foi difícil fazer o disco, pois cantei músicas que nunca havia cantado antes. Nunca cantei soul em minha vida. Foi um trabalho duro, mas gostei muito. O disco foi gravado em New Orleans. Eu queria fazer um disco lá, com músicos de lá. E também queria ir a um lugar onde havia ótima comida. E este é o caso!”

“O show será com um guitarrista (Doug Pettibone) e 14 canções do disco. Não haverá faixas com piano”.

Livros Faithfull e Memories, Dreams and Reflections
“São bem diferentes (um do outro). Fiquei chocada quando reli o primeiro (Faithfull). Como era dark. E também como fui dura comigo mesma (no livro). Sempre fui. Mas tentei fazer o melhor. Gosto de escrever”.

Cinebiografia
“Aceitaria (um filme sobre vida e carreira) se rolasse um bom dinheiro. Assim como os livros, trata-se de dinheiro. Preciso cuidar da minha velhice”.

Drogas
“Às vezes me arrependo de ter usado drogas. Gostaria de não ter me drogado. Foi uma perda de tempo. Não fez bem pra minha voz. Mas por outro lado… (risos) . Não digo isso apenas para ser correta. Tive bons momentos usando drogas. É a forma como você usa… Fui muito extrema. Não sei o que pensar. Às vezes acho que é ruim, mas nem sempre”.

Anos 60 e Rolling Stones
“Tenho uma nova política: não falo mais sobre os Stones. Mas posso falar sobre o passado. Tive sorte de estar naquela geração dos anos 60, excitada com a vida, da qual faziam parte Stones, Beatles, The Who, além dos artistas visuais dos anos 60. Conheci vários. Mas não gosto da palavra ‘arte’, pois muita gente comum hoje diz que faz ‘arte’, mas que na verdade é um lixo. Arte se tornou um termo geral para quase tudo. Lembro de Richard Hamilton, o pai da pop art que foi meu amigo e que morreu ontem (leia sobre isso aqui)”.

William Shakespeare
“Devo lançar na primavera uma coleção de 23 sonetos de William Shakespeare escolhidos por mim com música de Vincent Segal (violoncelista) . Adoro fazer meus shows sobre Shakespeare (trata-se do espetáculo Marianne Faithfull reads Shakespeare’s Love Sonnets). É um show de uma hora focado em temas como fama, amor, morte, tempo, imagem, beleza verdadeira. As merdas de sempre. Será vendido em uma caixa como um livro, disco e algumas fotos (na coletiva, ela declamou um soneto – mas não inteiramente, pois não lembrou por completo)”.

Música
“Amo jazz (disse que é fã de bateristas brasileiros, sem citar nomes, mas citou Billie Holiday como sua grande referência), música clássica, blues, fado (que achou que era algo comum no Brasil). Gosto de Rufus Wainwright, PJ Harvey e Jarvis Cocker. Não entendo os Arctic Monkeys, mas adoro The Decemberists. Nos anos 60 havia muito lixo, como atualmente, mas também havia muito mais músicos qualificados”.

***

Ao final da entrevista, Marianne disse que estava nervosa com a coletiva. Arrisquei uma última pergunta:

- A senhora ainda se sente nervosa antes de entrar no palco?
– Muito! Mas é lindo sair do palco com a sensação de dever cumprido.

>>>>> Confira a programação do Porto Alegre Em Cena no site oficial

DeFalla DeVolta DeNovo!

25 de maio de 2011 1

Foto: Tadeu Vilani

Volto das férias e recebo a boa notícia sobre o show do DeFalla no Beco, em Porto Alegre, no dia 26 de maio, às 23h. E melhor: com a formação mais conhecida do grupo, reunindo Edu K (vocal, guitarra), Biba Meira (bateria), Flávio Santos (baixo) e Castor Daudt (guitarra). E haverá um show extra à 01h30min (para o qual você poderá comprar ingresso em conjunto com o show dos Raimundos no Opinião – saiba mais no fim do post). Oba!

Entrevista: Edu K fala sobre o DeFalla e o show desta quinta

O show rola dentro do projeto Discografia Rock Gaúcho e vai repassar o álbum de estreia, lançado em 1987, que tem Ferida, Não me Mande Flores, Sodomia, Sobre Amanhã, Tinha um Guarda na Porta, Ideias Primais no repertório.

Fotos: Divulgação

O DeFalla, você sabe, sempre foi uma banda muito à frente de seu tempo. Bem como o Volume gosta! A banda misturava pós-punk, rock e hardcore com funk, groove, trash metal, glam, rap e tiques eletrônicos já a partir dos anos 80, quando ninguém sabia que isso era possível. Chegou ao auge da sobreposição sonora com o disco Kingzobullshitbackinfulleffect92 (1993). Tipo Metallica encontra Pistols e Sigue Sigue Sputnik numa pista acid house pós-show do Bauhaus com participação do Public Enemy.

Anos depois, o DeFalla forçou ainda mais os beats, turbinando faixas com big beat, funk carioca, Miami bass e techno punk. Tudo com muito punch, direto da cabeça orbital e esquizofrênica de Edu K. Com isso, os caras provocaram repulsa entre fãs radicais, mas não comprometeram seu perfil criativo inovador. Normal. O DeFalla sempre foi várias bandas em uma só. E Edu K, como ele mesmo já disse, consegue ser John Lydon e Malcom McLaren ao mesmo tempo.

Então, metamorfose para eles é algo comum. O DeFalla sempre foi antropofágico e mutante – tanto no som quanto em suas formações. Era uma banda globalizada quando o termo nem havia sido cunhado (ou ao menos quando nem tínhamos notícia sobre isso). Sempre de olho no exterior, tinha parabólicas sonoras direcionadas para o horizonte musical planetário quando poucas bandas sabiam o que se passava fora do BRock.

Desde a formação original com Edu K (vocal, guitarra), Biba Meira (bateria) e Carlo Pianta (guitarra) – e depois na conjunção mais conhecida, com Edu, Biba, Flávio Santos (baixo) e Castor Daudt (guitarra) –, os músicos já mastigavam, engoliam e vomitavam referências quando essa mistura de gêneros musicais era nada mais do que heresia mal-educada de um bando de garotos feios, sujos e malvados. Com eles, tivemos contato com uma fórmula musical vanguardista, contracorrente e inspiradora, que sem querer ajudou a compor o novo cenário musical do Brasil nos anos 90.

Não à toa, o DeFalla serviu de influência para bandas como Planet Hemp, Pavilhão 9, Pato FuUltramen, Comunidade Nin-jitsu, Mundo Livre e Chico Science & Nação Zumbi – a provável última grande banda brasileira. Ainda hoje respinga na produção de grupos como CSS, Bonde do Rolê e na produção eletrônica autoral do Fred Endres Chernobyl e do próprio Edu K.

DeFalla é tão à frente que Edu tocou praticamente pelado (vestiu o pau apenas com uma meia) no Hollywood Rock de 1993 muitíssimo antes de Nick Olivieri, o baixista do Queens of the Stone Age, ser preso por tocar nu no Rock in Rio de 2001. E isso importa? ÓBVIO que sim! São quase 30 anos de pé na porta!

Durante os anos 2000, a banda fez shows esporádicos. Em 2004, tocou no Opinião em Porto Alegre. Em 2007, Edu K participou de um show do Ultramen no Ocidente, em POA, cantando DeFalla. Em 2005, rolaram shows em POA, São Paulo e Rio, onde a banda contou com participações de Marcelo D2 e B Negão. E em 2008, nesta entrevista exclusiva pro Volume, Edu já anunciava mais uma volta da banda. Veja abaixo:

>>>>> Se não consegue ver o embed acima clique aqui!

Escute a entrevista com Edu K


Mais vídeos

Em 2010, em pocket na casa do Flu: 


O set list do show deve ser:

Ferida

O que é Isso

Sodomia

Papaparty

Grampo

Não me Mande Flores

Ideias Primais

Sobre Amanhã

Alguma Coisa

Melô do Rust James

Jo Jo

I’m an Universe

Tinha um Guarda na Porta

TrashMan

Gandaia


Te liga:

DeFalla no projeto Discografia Rock Gaúcho

Quando: 26 de maio, 23h e show extra à 01h30min.

Onde: Beco (Independência, 936, Porto Alegre)

Ingressos: R$ 25 com nome na lista (site do Beco) e R$ 30 na hora. ATENÇÃO: há um lote promocional e limitado para a sessão extra do show do DeFalla em parceria com o show dos Raimundos, que rola no Opinião no mesmo dia. Como funciona? Na quinta-feira, a partir das 14h apenas na bilheteria do Opinião, os fãs poderão comprar um ingresso duplo, que dará direito a assistir ao show dos Raimundos (Opinião, às 23h) e depois o show do DeFalla (Beco, à 1h30min). Estes ingressos promocionais duplos custam R$ 50,00.

Entrevista: Mallu Magalhães

06 de maio de 2010 13

Mallu no estúdio da Itapema FM/Danilo Fantinel
Mallu Magalhães contou hoje que fará shows no Canadá em julho. Ela está em Porto Alegre para o lançamento de seu segundo álbum, nesta sexta, às 21h, no Opinião.

Essa foi minha terceira entrevista com Mallu. A primeira foi em abril de 2008, quando o hype ainda estava se formando. Aquele deve ter sido o primeiro papo dela com alguém da imprensa gaúcha. Foi massa. Depois falei com ela no Planeta Atlântida de 2009, quando a encontrei pintando as paredes do camarim! Foi quando a gente se viu pela primeira vez.

A conversa de hoje foi tranqüila. Mallu é uma fofa mesmo, não tem jeito. Ao lado do guitarrista Kadu Abecassis, ela comentou a diferença entre o primeiro disco (mais voltado ao folk norte-americano – ou folk-a-billy, como prefere) e o segundo (que ecoa vertentes como MPB e ska), falou sobre a produção de Kassin e a influência de Marcelo Camelo na sua música, explicou que ainda hoje sente-se nervosa ao subir ao palco e disse como será o show de amanhã.

A entrevista:

Mallu toca no programa da Kátia Suman, o Talk Radio, na Itapema FM:

>>>>> Ouça o Talk Radio aqui

Ingressos para o show em POA: R$ 25 (primeiro lote), R$ 30,00 (segundo), R$ 35,00 (terceiro). Venda: Lojas Trópico (Shoppings Iguatemi, Moinhos, BarraShoppingSul, Praia de Belas, Bourbon Ipiranga e Total), www.opiniaoingressos.com.br, Disque Opinião (0 xx 51) 8401.0104.

>>>>> Mais Mallu Magalhães
>>>>> Lembra do show de Marcelo Camelo em Porto Alegre?
>>>>> Mais shows em POA

Postado por Danilo Fantinel

Entrevista: Moby

19 de abril de 2010 0

Divulgação

Um dos artistas mais controversos da música eletrônica, o norte-americano Moby volta ao Brasil para a turnê do disco Wait for Me, lançado no ano passado. O show em Porto Alegre será amanhã, no Pepsi On Stage. Ainda nesta semana, o Midas eletrônico se apresenta em Curitiba (21), São Paulo (23) e Rio de Janeiro (24).

Moby não virá sozinho. No palco, estará acompanhado por uma banda de sete pessoas para realizar um “grande show”, como ressaltou em entrevista por telefone diretamente de Nova York. O grupo deverá interpretar as faixas do novo álbum, além de clássicos espalhados por 22 discos (sendo 10 de estúdio) e dezenas de singles.

Parente distante de Herman Melville, autor do clássico Moby Dick, Moby tem uma vida peculiar. Tocava música clássica quando criança, teve uma banda punk na adolescência e estudou teoria musical e filosofia. Multinstrumentista, compositor, produtor e DJ, já foi muito pobre, morou em uma fábrica abandonada, tornou-se herói da resistência underground, virou ícone mainstream e agora trilha um novo caminho independente com seu selo Little Idiot Records.

Moby já participou de trilhas sonoras de filmes e de séries de TV (veja a tabela abaixo), remixou gente graúda, disse não a Axl Rose e à Madonna, criou festival de música, foi aclamado com o álbum Play e detonado por licenciar suas músicas para comerciais (algo comum atualmente, diga-se).

Mais do que isso, o nova-iorquino ajudou a consolidar a cena rave do final dos 80 e início dos 90 em uma época em que a acid house dividia espaço com um estilo melódico de techno, muito inspirado na house music em si, repleto de pianos e vocais de divas. Foi naquela época, em 1993, que Moby passou por Porto Alegre pela primeira vez.

Na entrevista abaixo, o músico relembra esta viagem, comenta o novo disco e diz que o próximo álbum será duplo, sendo um eletrônico e outro acústico.

Ouça a conversa:

Edição de som: Natália Cagnani

Wait For Me tem muitas músicas melódicas e sutis que o diferenciam de Last Night, disco de 2008 mais voltado à dance music. Como você define o espírito de um álbum? Você pensa nisso antes de compor músicas?

Às vezes sim. Em Last Night, eu queria muito fazer um tipo de álbum baseado em dance e em Nova York. Em Wait For Me, queria fazer algo mais calmo e pessoal, porque eu percebi que, mesmo gostando de muitos tipos de música, a que mais me diz algo é a mais pessoal, emocional e melódica.

Moby com David Lynch; Foto: Divulgação

Os vídeos do álbum foram feitos por amigos que tiveram controle criativo absoluto. David Lynch foi um deles. Como foi trabalhar com ele? Você gostou do resultado do clipe de Shot in The Back of The Head?

Sim. Ele é um dos meus cineastas preferidos. É um dos meus americanos favoritos. Depois de oito anos de George W. Bush havia momentos em que eu ficava muito deprimido com os Estados Unidos. E eu tinha que me lembrar que, por mais que os EUA possam ser ruins, ainda é a terra de Lou Reed e de David Lynch. Então, trabalhar com ele foi incrível. Amo quase todos os seus filmes. Fiquei muito honrado de trabalhar com ele.

Por falar em Lou Reed, você tocou Walk on the Wild Side com ele no South by Southwest em 2008. Como foi isso?

Lou e eu tocamos em muitos shows beneficentes e, com o passar dos anos, ficamos amigos. Uma das coisas estranhas em ser uma figura pública é conhecer meus heróis e trabalhar com eles. Enquanto crescia, era muito fã de Lou Reed, Velvet Underground, David Bowie, Joy Division. E, quando adulto, pude trabalhar com todos eles, o que ainda é muito incrível para mim (nota do editor: Moby tocou com New Order, ex-Joy Division).


Moby com Lou Reed e David Byrne; Foto: Divulgação

Você também trabalha como novos artistas, DJs e produtores como em Wait for Me Remixes, que será lançado em maio com faixas dos brasileiros Mixhell e Gui Boratto. Quando vocês entraram em contato e como você vê o trabalho deles?

Bom, Mixhell (Iggor Cavalera) eu conheço há algum tempo, pois sou fã do Sepultura. Nós já tocamos juntos em Nova York. E Gui Boratto eu conheci ouvindo seus discos e remixes. Gostei muito.

Eu gostaria de falar sobre Play, que é muito especial, pois faz referências a muitas vertentes da música eletrônica, como trip hop, big beat, house, techno, disco e também porque lida com hip hop, gospel, soul music e rock. Como você criou essa impressionante equação sonora?

Foi acidental. Quando estava fazendo o disco, tentava compilar vários elementos dos quais eu gosto. Não sei, eu misturei tudo no estúdio. Eu não pensava muito enquanto fazia.

Como você vê o impacto do seu primeiro hit, Go, na sua carreira?

Foi o que deu início a tudo para mim, porque eu nunca esperava ter um contrato com uma gravadora nem ter sucesso. E Go, por ter sido meu segundo single lançado e ter se tornado um grande sucesso, foi algo surpreendente. Isso me possibilitou ir adiante e fazer outros discos.

Você é conhecido por seu ativismo político, especialmente no que diz respeito aos direitos humanos e dos animais. Como você encara o governo de Barack Obama com relação ao Iraque e ao Afeganistão?

Acho que ele está fazendo um bom trabalho e é preciso lembrar que ele é um ser humano e um político, e não um super-herói. Claro, queremos que políticos façam tudo perfeitamente, mas não é assim que o mundo funciona. Especialmente com relação à natureza da política norte-americana, que pode ser muito lenta.

Mudando de assunto, em 1993 você esteve aqui tocando com Altern 8 na L&M Music, a primeira rave realizada no Brasil. Ocorreu em três cidades, incluindo Porto Alegre. Eu estive lá. O que você lembra?

Sim, lembro muito dessa viagem com Carlos Soul Slinger, que é brasileiro, sua namorada Mari, Altern 8 e muitas outras pessoas da cena rave de NY. Uma das minhas memórias estranhas foi uma noite em que subi no telhado de um hotel em Curitiba e fui picado por um inseto. Entrei em pânico achando que podia ser muito venenoso e que iria morrer.

O que você está planejando para esta nova turnê brasileira? Você terá uma banda no palco?

Sim, somos oito pessoas, com uma seção de cordas, duas vocalistas, baterista, guitarrista, tecladista… eu toco guitarra, teclado, percussão e canto. É um grande show.

Você tem planos para novo disco, vídeo ou algum projeto para o selo Little Idiot?

Vou lançar o single Wait For Me e o vídeo desta música, feito pela minha amiga Jessica Dimmock (nota do editor: já estão no site). Além disso, estou trabalhando no meu próximo disco, que eu quero que seja duplo, sendo um eletrônico e outro acústico e orquestral.

Você é músico, DJ, compositor e produtor que ama o rock. Você já teve uma banda de punk rock. Como se tornou uma das pessoas mais importantes da música eletrônica? O que aconteceu?

Quando eu era muito novo tocava música clássica, depois punk rock, folk. Adoro muitos tipos de música e nunca senti a necessidade de escolher um deles. O que sinto pela música é o mesmo que sinto por comida e pessoas. Eu amo gastronomia indiana, chinesa, tailandesa… Acho que a vida é mais interessante quando há diversidade e variedade.

Variedade é uma boa palavra, porque você também é dono de uma casa de chá em NY, não?

Eu tive. Ainda existe, mas eu não me envolvo há três anos porque prefiro me focar mais na música do que em ser um homem de negócios.

E como vai NY?

NY está ótima. Nunca muda. É sempre ocupada, cara, cheia de turistas. Mas é onde nasci, é minha casa, e é incrível.

Curiosidades:

O single Go foi eleito pela Rolling Stone um dos melhores de todos os tempos.

Remixou David Bowie, Metallica, Beastie Boys, Public Enemy e outros.

Fez mais de três mil shows.

Vendeu cerca de 20 milhões de discos.

Play vendeu nove milhões de cópias e teve uma turnê de 2 anos e 5 meses.

Já fez tour com U2, Prodigy, Richie Hawtin, Orbital, Aphex Twin e outros.

Criou The Area One Festival, com shows de John Digweed, Paul Oakenfold, Nelly Furtado, New Order, Outcast, Incubus e outros.

Trilha para cinema: Cecil B. DeMented, 24 Hour Party People, Fogo Contra Fogo, 007 – O Amanhã Nunca Morre, A Praia, O Diabo Veste Prada, Cloverfield, a trilogia Bourne e outros.

Trilha para TV: Twin Peaks, Arquivo X, Smallville, The Sopranos, CSI: NY, Cold Case, Gossip Girl, The Vampire Diaries.

Fornece faixas para filmes no site http://www.mobygratis.com/.

Liberou faixas de Wait for Me Remixes com Gui Boratto, Mixhell, Carl Cox, Tiësto e outros no http://waitformeremixes.com/


Fonte: moby.com

Vídeos:

Está rolando um concurso aberto a fãs para a criação de clipes para a música Wait For Me. Ana Rovati e Marisele Gzelchak, de Porto Alegre, fizeram um vídeo em stop motion. Foi tudo por conta delas. A pré-produção rolou durante uma semana e a gravação se deu em um dia. Veja aqui!

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Postado por Danilo Fantinel

Entrevista: Placebo

13 de abril de 2010 0

Divulgação

O Placebo volta a Porto Alegre nesta terça-feira para um show da turnê do disco Battle for the Sun, a partir das 21h30min, no Pepsi On Stage. Com a batalha pelo astro-rei vencida desde o lançamento do excelente álbum, em 2009, a banda britânica chega à capital gaúcha mais ensolarada, com a alma um pouco mais leve e com outra novidade: o baterista Steve Forrest, que em 2008 assumiu o posto deixado por Steve Hewitt um ano antes.

Na época do lançamento de Battle for the Sun, o líder Brian Molko disse que estava em uma fase positiva e que o grupo havia feito um disco sobre “escolher viver, dar um passo além da escuridão e em direção à luz”. O novo álbum é certamente um disco do Placebo, com guitarras marcantes, bateria presente, baixo pulsante, cheio de canções radiofônicas, mas é diferente dos demais por ser mais colorido, relaxado e otimista.

Em entrevista por telefone diretamente de Londres, Forrest concordou com o diagnóstico e explicou o motivo da mudança de humores:

– Nós três viemos de lugares muito obscuros. Tudo o que queríamos era fazer música novamente. Estávamos loucamente apaixonados por isso. A música rolou por conta própria. Claro, teve muito trabalho duro, suor, sangue e lágrimas neste disco, como em qualquer outro, mas nada foi forçado. Ocorreu tudo de forma muito orgânica. Nós nos divertimos muito fazendo. Por isso essas referências coloridas e otimistas.

O Placebo surgiu em 1994, longe da estética britpop, cantando sexo, drogas (lícitas ou não), paranoia, inadequação e rejeição social embalado por peso sonoro e muita maquiagem. São glams da virada de milênio que, desde o início, dialogam com o que há de melhor no rock independente, como Sonic Youth, Pixies, Smashing Pumpkins e Nirvana e ecoam tarjas pretas do receituário glitter e punk da linha David Bowie, T.Rex, New York Dolls, Sex Pistol e Roxy Music.

O show do grupo na capital gaúcha em 2005 foi marcante. A banda dopou o público com pílulas clássicas como Every You Every Me, Protege Moi, Without You I`m Nothing, Special Needs, Special K, 36 Degrees, Pure Morning e Nancy Boy, todas com chances de serem ministradas novamente amanhã, após a abertura das bandas Volantes (20h15min) e Superdose (21h).


Entrevista: Steve Forrest, baterista

Em 2007 o baterista Steve Hewitt deixou a banda e foi substituído por você em 2008. Como ocorreu este convite para você integrar a banda? Você conhecia Brian (vocalista, guitarrista) e Stefan (baixista) antes disso?

Eu tipo os persegui. Eu tinha uma banda que abriu para Placebo algumas vezes quando eles vieram aos Estados Unidos. A primeira vez que vi e ouvi Placebo foi em 2006, na época do álbum Meds. Daí passei a conhecer a música, comprei alguns discos. No meio de 2007 deixei minha banda, ouvi que eles estavam sem baterista, consegui o contato do empresário e mandei um vídeo. Brian viu, me reconheceu e disse que adorava meu trabalho. Ele me ligou, me chamou para Londres em janeiro de 2008. Estou lá desde então.

Você tocava com a banda Evaline, certo?

Isso mesmo. Estivemos juntos desde os 16 anos. Foi minha primeira banda. Crescemos juntos.

E sobre o novo disco? Acho que houve uma mudança de humor na banda comparando Battle for the Sun aos outros discos. No meu ponto de vista, o disco tem um ótimo senso rítmico ao mesmo tempo em que tem guitarras pesadas e distorcidas. É certamente um álbum do Placebo, mas é diferente dos outros de certa maneira porque, acredito, é mais colorido, relaxado e otimista. Você vê o disco assim? O que houve com o Placebo nos últimos anos?

Acho que você descreveu perfeitamente, meu. Eu não poderia descrever melhor. Concordo com tudo o que você disse sobre o álbum e isso foi causado por uma espécie de renascimento da banda, um novo começo para todos nós. Nós três viemos de lugares muito obscuros, mesmo não estando juntos. Tudo o que queríamos era fazer música novamente. E amar fazer música novamente. E fazer o que as pessoas esperavam. Estávamos loucamente apaixonados por isso. Estarmos juntos era tão bom. A música rolou por conta própria. Claro, teve muito trabalho duro, suor, sangue e lágrimas neste disco, como em qualquer outro, mas nada foi forçado. Ocorreu tudo de forma muito orgânica. Nós nos divertimos muito fazendo. Por isso essas referências coloridas e otimistas.

Entendo. Então acho que foi legal para você trabalhar com Brian e Stefan, já que o último disco é o primeiro com você como membro do Placebo… como foi essa experiência?

Bem, foi um ‘mundo de primeiras experiências’ cara. Para começar, foi o primeiro álbum completo que eu fiz. Fiz vários EPs e demos passando tempos em estúdio, mas nunca havia realmente sentado e escrito um. Nunca houve meu nome em um disco propriamente dito. O primeiro foi esse, o que é incrível. Acho que gravamos 18 ou 19 faixas. Usamos apenas 12 ou 13 no disco. Foi ótimo estar com Brian e Stefan, aprendi muito. Mas o verdadeiro aprendizado foi fazer promoções, coletivas de imprensa… tudo além de tocar bateria no palco foi um novo aprendizado (…) com muitos altos e baixos.

Você toca bateria na banda, mas sei que você também toca muitos instrumentos, certo? Você curte compor música também? E como a banda trabalha a composição?

Claro, componho músicas. Sempre tenho um violão comigo. Sempre estou compondo músicas para alguns projetos que tenho fora do Placebo, nos quais canto e toco. Quanto ao Placebo, fico na bateria e faço alguns vocais e harmonias. Prefiro que fique assim. É engraçado porque você é o primeiro que menciona isso. Nem todo mundo sabe que eu toco mais do que um instrumento. Não sei por que, mas todos acham que bateristas tocam apenas um.

Também não sei cara. Bom, o que você pode dizer sobre esta nova turnê brasileira? O que a banda está preparando para os shows? Talvez alguma música nova?

Será ótimo, fantástico. Não quero parecer arrogante, mas uma coisa que tenho muito orgulho é como esta banda sabe fazer rock em um show. Ame ou odeie as novas músicas, me ame ou me odeie, sei que todos vão ficar muito satisfeitos. Teremos muitas coisas do novo álbum, muito material dos outros discos. É um balanço de tudo. É algo para todos. Esperamos que os brasileiros aproveitem.

Vocês têm planos para um novo álbum após esta turnê?

Sempre haverá músicas sendo feitas e disco sendo lançados. Já fizemos algumas faixas. Obviamente, temos ideias por aí e haverá um novo disco após isto. Quando não posso te dizer, mas espero que você curta quando sair.

Ouça a entrevista com o Steve Forrest:
Edição de som: Cristiane Marçal

>>>>> Leia uma entrevista com o baixista Stefan Olsdal em Zero Hora

>>>>> Durante a turnê de 2009, o baixista Stefan Olsdal gravou diversos vídeos e publicou tudo no www.vimeo.com/placeboworld.

>>>>> Leia sobre o show do Placebo em Londres em 2009

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Postado por Danilo Fantinel

Pública promete show profi antes de Franz hoje

18 de março de 2010 6

Divulgação

A Pública prometeu fazer um show “profissional” na abertura para Franz Ferdinand, a partir das 22h de hoje, no Pepsi On Stage, em Porto Alegre. O motivo é simples: respeito não apenas pela banda principal da noite, mas também pelos fãs dos escoceses e pela própria escolha da Pública em um concurso nacional realizado a pedido dos britânicos.

No total, mais de 200 mil grupos se inscreveram no hotsite da turnê brasileira gerenciado pela produtora Day 1 Entertainment. Os candidatos teriam sido avaliados por Alex Kapranos e cia.

Além da Pública, os finalistas foram Moptop (Rio de Janeiro, para show no dia 19, na Fundição Progresso), The Pro (Brasília, dia 21, Marina Hall), e Anacrônica (São Paulo, dia 23, Via Funchal).

Nesta entrevista, o guitarrista e vocalista Pedro Metz fala sobre a expectativa para o show de hoje, relembra o encontro com Franz Ferdinand no VMB de 2009, comenta os preparativos para a mudança da Pública para São Paulo e diz que, antes da banda lançar um novo disco em 2011 (deverá ter 10 faixas e será o terceiro depois de Polaris – 2006 – e de Como num Filme sem um Fim – 2009), o grupo fará mais dois clipes ainda neste ano.

Como vocês receberam a notícia?

Ficamos sabendo na quinta passada, pela manhã, pelo nosso produtor. Mas a produção do Franz informou oficialmente apenas na sexta. Foi quando começamos a espalhar a notícia. Não queríamos falar antes do tempo. Sou bastante fã do Franz Ferdinand. Acompanho o trabalho da banda desde o primeiro disco. Temos até uma guitarra igual! É uma Telecaster Deluxe. É rara e, casualmente, a gente tem! Fiquei muito feliz não apenas por abrir pro Franz, mas em saber que a escolha passou por eles e pela produção nacional. Acho que vamos fazer um grande show.

E o que vocês devem apresentar no show? Alguma música nova?

Hoje à noite temos um ensaio final. Mas não teremos nada de surpresa e nenhuma música nova. A Pública fará um show de abertura. O show principal é do Franz. Estaremos lá como fãs. Mas queremos ser profissionais e mostrar respeito pela escolha da nossa banda. Queremos fazer algo empolgante, porque estaremos emocionados, mas também profissional, sem dúvida.

Bandas de abertura têm passado por momentos tensos antes dos shows principais em Porto Alegre nos últimos meses. Elas nem sempre são bem recebidas pelo público e, muitas vezes, o nervosismo dos músicos atrapalha. Vocês estão ansiosos? Como pretendem lidar com isso amanhã?

Acho que é algo natural, mas também acho que o público do show não é xiita. É aberto a novos sons. Acho que vão nos acolher bem. Quando ganhamos o prêmio de melhor banda de rock alternativo do VMB de 2009 (também indicados a videoclipe do ano por Casa Abandonada; foto acima) o Guri (Assis Brasil, guitarrista) conversou bastante com eles. Claro que ficamos nos perguntando sobre a recepção do público. Mas estamos preparando um show para não dar muito espaço para isso (uma possível má recepção). Temos uma boa equipe técnica. E, assim, fica tudo na nossa. Se fizermos um bom show, não teremos problemas. Mas tudo pode acontecer. De umas cinco mil que querem ver o show do Franz, algumas devem gostar de nós. Vaia é coisa de pessoas mais desequilibradas. Além, disso, não estamos lá por acaso. A produção do Franz se envolveu muito e temos que respeitar essa decisão. Queremos fazer um show pra cima, pra aquecer o show do Franz!

E quando rola a viagem pra São Paulo?

Até o meio de abril devemos nos mudar, mas ainda não temos uma data certa. Haverá um show de despedida neste domingo (21/03), no Monumento ao Expedicionário, na Redenção, às 18h. E, no dia 01 de abril, rola outro no Ocidente, que deve ser o último aqui antes da viagem (veja o calendário aqui). Mas só vamos até São Paulo. Não chega a ser uma despedida. Estaremos aqui a toda hora!

Previsão para um novo álbum? Ou novo clipe? Projetos pela frente?

Este ano ainda vamos trabalhar na divulgação do segundo disco (Como Num Filme Sem Um Fim, 2009). Este mês vamos gravar um clipe (a música será supresa, até porque ainda não escolhemos entre as faixas Quarto das Armas e 1996). Além, disso, faremos uma animação para Sessão da Tarde. E no ano que vem sai um novo disco, com certeza. Devemos trabalhar nas composições e arranjos agora durante a mudança para São Paulo. Já temos várias faixas prontas. O novo disco deverá ter 10 músicas. Pode ser que o disco seja lançado na internet antes do lançamento oficial, mas isso ainda não está certo.

Depois do Brasil, a turnê do Franz Ferdinand segue para Caracas, Bogotá, Lima, Punta Cana, Monterrey, Guadalajara, Cidade do México e Murcia, na Espanha.

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Postado por Danilo Fantinel

Projeto CCOMA faz saravá eletrônico

20 de janeiro de 2010 3

Sagara e Beto/Divulgação

O projeto instrumental CCOMA, que há cinco anos cria música misturando jazz, música brasileira e eletrônica, lançou no final do ano passado um novo álbum, Incoming Jazz.

Ao escutar o som do duo de Caxias do Sul é possível que você identifique sonoridades ou elementos já conhecidos. No entanto, o projeto consegue aliar ao usual alguns traços tipicamente brazucas, conservando ainda assim uma universalidade característica dos tempos atuais. Além disso, a qualidade da produção e das composições surgem como um ponto positivo na música do CCOMA.

Ouça a versão mais eletrônica da música Dogs are Gods, a única com letra composta pelo projeto até hoje:

DOGS ARE GODS (RADIO EDIT) mp3 by ProjetoCCOMA

Nesta entrevista feita por e-mail, os músicos Beto e Sagara comentam como rolou o início do CCOMA, os shows realizados em Londres, o poder de síntese criativa de ambos, a influência de Miles Davis e o atual momento de música eletrônica no Brasil.

Antes de tudo, gostaria de saber qual a pronúncia do nome do projeto. É “coma” mesmo ou algo como “c-coma”?

Beto: A pronúncia é COMA. O nome do projeto surgiu quando percebemos que ocorre um coma musical na sociedade, induzido pela mídia de massa. Também porque coma é o espaço entre um semitom e outro das notas musicais. Outro motivo é que coma significa vírgula em espanhol, ou seja, queremos possibilitar um espaço, um momento, para as pessoas reflitam mais sobre a nossa música.

O projeto têm uma trajetória de cinco anos. Como foi o início da banda e como tem sido tocar ao vivo neste período?

Beto: O grupo começou com a sede de experimentar coisas novas como, por exemplo, música eletrorgânica. Os integrantes iniciais eram Moishe Matsenbacher e Swami Sagara. Com o passar do tempo surgiram outros integrantes: eu, Beto Scopel, no trompete (dei uma pitada mais jazz) e depois Cedrik Damabiah, um grande DJ pesquisador que agregou muito ao grupo. Hoje, o Projeto CCOMA é composto por Swami Sagara e Beto Scopel efetuando uma mistura como dizemos, saravá eletrônico com Miles Davis.

Sagara: Iniciamos como um grupo de percussão, mas que tinha muita vontade de misturar sons de vários lugares. Inclui-se aí sons de cidades, furadeiras, motores, etc. Depois de algumas experiências, fomos descobrindo algumas possibilidades como a música criada eletronicamente. Convidamos um DJ, Cédrik Damabiah e com ele chegou a influência dos sons da Ásia. DJs costumam ser muito mais pesquisadores do que os músicos. A entrada dele trouxe um frescor e uma nova consciência ao CCOMA. Depois, por motivos particulares, Cédrik não se apresentou mais com o CCOMA, mas permanece no grupo, na criação e na pesquisa.

Vocês tocaram no Guanabara, em Londres. Como foi? Fizeram outros shows pela Europa?

Beto: Foi uma experiência muito gratificante e com um quê de desafio. Até porque levar a música eletrônica feita no Brasil para um continente onde esta música nasceu é desafiador. Foi uma ótima experiência e pretendemos voltar. Tocamos na rua também. Lá, eles chamam de busking, que é uma experiência bem interessante. O contato com o público é mais próximo, diferente dos palcos. Os músicos brasileiros deveriam experimentar mais.

Sagara: O show do Guanabara é um marco em nossa trajetória, pois conseguimos encontrar pessoas que sintonizassem com nosso trabalho em uma das cidades mais importantes para a música no mundo hoje. Isso nos dá confiança para seguirmos na busca da nossa música e também para acreditar que é possível fazer música eletrônica com pitadas de jazz sem ser piegas.

O novo disco de vocês, Incoming Jazz, tem foco no nu-jazz, algo que já ocorreu no álbum Das Comma Project, mas talvez não de forma tão clara. Além disso, há sonoridades brasileiras inegáveis. Qual a formação musical de vocês e qual foi o elemento motivador para a criação de um disco ‘jazzy-brazuca-eletrônico’?

Beto: Minha formação teve início aos 10 anos, na música erudita barroca e contemporânea. Passei pelo jazz e improvisação, MPB instrumental até chegar à música eletrônica.

Sagara: Prefiro saravá-eletrônico-MillesDavis, heheh. Eu sou baterista e percussionista há 24 anos. Comecei aos 11 e minha maior influência é a de minha mãe. Quando eu era criança, ela me acordava ouvindo MPB da primeira linha. O primeiro disco que ganhei foi Vinicius de Moraes, A Arca de Noé 1. Na casa de minha mãe nunca teve música de procedência duvidosa. Mas acho que o jazz vem do Roberto, o brazuca vem da percussão e o eletrônico é a parte experimental. Fazer um disco de jazz? Já foram feitos vários. Fazer um disco de música brasileira? Vários. Eletrônico? Nunca se fez tanto. Agora, jogar tudo isso num caldeirão e mexer em fogo baixo por cinco anos… Talvez aí esteja a possibilidade de conseguirmos viver honestamente de música nesse mundo pós-revolução MP3.

An Elephant Crossing the Room foi gravada mais de 30 instrumentos de percussão, incluindo pá de pedreiro e apitos. Como é criar uma música tendo em vista o uso de tantos instrumentos ao mesmo tempo?

Sagara: Como o disco já tinha nome definido e esse nome permite muitas experiências, pensamos em tentar criar uma música que usasse somente percussão e trompete. Nada de eletrônico foi usado nesta música.

É inevitável lembrar de Doo-Boop, de Miles Davis, ao escutar Incoming Jazz. O disco do mestre foi uma inspiração direta?

Beto: Com certeza é o nosso grande mestre, mas também é um personagem musical de vanguarda  que rompeu barreiras desde o beebop, criando o cool jazz, fuzion.

Sagara: Muitos escolhem um judeu com mestre. Outros escolhem um indiano, outros escolhem um tibetano. Tocar trompete e não ter Milles como mestre seria como jogar futebol e não reconhecer Pelé ou Maradona como inspiradores.

Voltando a falar sobre shows, vi uma foto em que vocês se apresentaram com roupas brancas e máscaras. Isso rola sempre? Ou foi algo especial?

Beto: Nos apresentamos com essa roupa branca pois percebemos que a música pode ser cativante por si só, mas ela pode ter outros elementos. Projeções de imagens, figurino, perfomances corporais, para ficar mais interessante para o público, incluindo vários elementos visuais que acrescentam muito a um show.

Sagara: Quase sempre. Quando o evento combina e permite, usamos as roupas. Quando está muito quente ou o show é durante o dia, preferimos não usar.

Como já foi dito, vocês não criam música eletrônica “pura”. Por isso acho interessante perguntar como vocês encaram a produção deste estilo musical no Brasil hoje. Acompanham o trabalho de DJs, produtores e/ou bandas eletrônicas? O que vocês curtem nesse sentido?

Beto: Nós percebemos que a música eletrônica no Brasil é bem significativa, mas ainda sentimos um certo tipo de estagnação no jeito de fazê-la. Primeiro porque existem muitos DJs fazendo música que ficam só no estilo comercial usando aquela forma de sempre, para ganhar dinheiro. Isso não é ruim, porque todo mundo gosta de ganhar dinheiro, mas às vezes a qualidade fica um pouco enlatada, compreende? O bom seria que a música eletrônica, no Brasil, pudesse ser feita de um jeito mais natural. Percebemos também que existem muitos grupos musicais no mundo experimentando a música eletrorgânica. Achamos que esse é o caminho, pois essa ferramenta que é o computador é uma tecnologia  muito recente, é natural que existam trabalhos bons ou ruins devido à grande diversidade cultural. Dzihan&Kamien; Kraftwerk.

Sagara: Acho que o que fazemos se chama música eletrorgânica, que é um híbrido das duas. Mas a chamada música eletrônica atual é a música dance para as pistas. Isso talvez seja um pouco perigoso. No Brasil, há uma grande confusão com respeito aos DJs. Qualquer um que tenha um Ipod pode ser DJ no Brasil. Fora daqui é um pouco diferente. Existem DJs tocadores que se encarregam de fazer as pessoas dançarem. Existem os DJs Selecta que são especializados na pesquisa de músicas novas, ou de músicas muito antigas. E existem os DJs Produtores, que fazem músicas. Na minha opinião, esses são músicos também. Dos trabalhos de música brasileira eletrônica, destaco o Propulse (muito eletrônico), também do Marcos Valle (remixes dos sucessos da segunda onda da bossa nova), e do Guizado, que é um trompetista de SP q faz um trabalho semelhante ao nosso.

Ouça mais músicas e veja outros vídeos em www.projetoccoma.blogspot.com/. Ouça o álbum Incoming Jazz neste link e outros discos aqui.

>>>>> Site do Projeto CCOMA

Postado por Danilo Fantinel