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Posts na categoria "Resenhas de shows"

O mundo de Robert Plant é música

30 de outubro de 2012 2

Atualizado às 13h

Totalmente excelente o show de Robert Plant ontem à noite no Gigantinho, em Porto Alegre.

Veja a galeria de fotos clicadas por Fábio Codevilla

Com apoio da banda The Sensational Space Shifters, formada pelos guitarristas Justin Adams, Liam Tyson e Billy Fuller, além de John Baggott (teclados), Dave Smith (bateria e percussão) e Juldeh Camara (tocando ritti – violino africano de uma corda – e kologo – banjo africano), o espetáculo transitou entre o heavy rock lisérgico do Led Zeppelin, folk, blues e elementos sonoros globais requintados com raízes fincadas na África e no Oriente Médio. As nuances exóticas propostas pelos músicos, sempre muito claras (e realçadas pela nitidez acústica do espetáculo), ajudaram a dar leveza e groove ao som. Os instrumentos e a performance de Juldeh foram marcantes, remetendo não apenas ao afro-oriente, mas também ao repente nordestino.

Com isso, até mesmo nos momentos mais pesados havia suingue e melodia, como por exemplo na clássica Black Dog, cheia de espasmos sonoros, e em Whole Lotta Love, energética e intensa. O final com a bela Going to California e a explosiva Rock and Roll foi fortíssimo, com Plant sem amarras e em entrega total. Em meio a tudo isso, amigos se abraçando, casais de beijando e a sensação de que o mundo de Plant é música.

* Cheguei atrasado e não vi o show de Renato Borghetti.

* A cobertura completa do show você confere no blog do Grings.

Page remasteriza discos do Led Zeppelin e Plant grava com Primal Scream

O NME divulgou que o guitarrista Jimmy Page está remasterizando os discos do Led Zeppelin e preparando material extra para o lançamento de boxes especiais a partir de 2013. Cada box de cada álbum virá com novas versões das músicas (leia aqui).

Além disso, a revista indicou que Robert Plant gravou vocais para o novo disco do Primal Scream, marcado para o ano que vem (leia neste link). Em 2002, Plant havia tocado gaita harmônica na música The Lord Is My Shotgun, do poderoso disco Evil Heat. Leia aqui sobre o show do Primal Scream em POA em 2011.

> Cinemas brasileiros exibirão shows de Led Zeppelin e Queen em 22 cidades

Fuerzabruta, resultado fraco

19 de setembro de 2012 0

Fotos: Felix Zucco

Atualizado às 18h30min

Fuerzabruta, o espetáculo argentino baseado em narrativa não-linear, dança e música eletrônica, que já rodou boa parte do mundo, estreou segunda passada e segue em cartaz até sábado, dia 22, no Pepsi On Stage, dentro da programação do 19º Porto Alegre Em Cena.

A partir de cenas desprovidas de diálogo, coreografadas ou não, e com apoio de aparatos tecnológicos variados, os atores simulam cenas do cotidiano atribulado das grandes cidades.

Fuerzabruta retrata o homem em conflito com seu ambiente, sem domínio sobre as pessoas e as coisas em seu entorno, e que precisa estar sempre em processo de adaptação para não submergir socialmente. Isso, claro, é difícil para qualquer um. Muitos sucumbem. Tendo isso em vista, a cena de abertura torna-se emblemática: sobre uma esteira, um ator caminha para frente, mas anda para trás.

Com estrutura móvel grandiosa, altos decibéis e direção de luz efetiva, a performance está mais para rave do que para teatro pós-moderno. Nesse sentido, não é de se estranhar que não haja uma história propriamente dita a ser contada, exigindo que o espectador tire suas próprias conclusões sobre o que se passa. Porém, é surpreendente o fato de várias cenas serem muito parecidas entre si – e mal resolvidas, sem análise ou conclusão.

Em diversos momentos, atores correm sobre as esteiras, passam por portas e paredes de isopor, sobem escadas e chegam a lugar algum, seja ele real ou metafórico. A toda hora, dançam sobre modulados como se a vida fosse uma festa non-stop – e ela não é. Há rotina, repetitividade e continuísmo nesses andamentos, como também há em nossas vidas, algo bem observado pelo grupo. Mesmo assim, são movimentos desconexos, que se repetem, mas não se completam. A sensação de déjà vu metalinguístico é constante, uma espécie de loop de onde os atores/personas lutam para sair.

Então podemos fazer pelo menos duas leituras: por um lado, a repetição cênica seria a representação crítica de um cotidiano burguês enfadonho e, por outro, um sintoma da pouca criatividade do grupo em termos de cena, contexto, maquiada com excelência técnica. “Movimentos Obsessivos e Redundantes Para Tanta Estética”, para citar Gerald Thomas.

Em meio à pirotecnia clubber, salvam-se duas cenas. Numa delas, duas bailarinas dançam e correm no ar, penduradas sobre cabos e à frente de uma cortina metalizada fazendo as vezes de oceano. A água é o elemento constante do espetáculo. Ver ali, bem de perto, foi ótimo.

Ma melhor de todas, quatro atrizes atuam dentro de uma piscina gigante com fundo de plástico transparente, presa ao teto, que desce, se aproximando do público. Vemos tudo de baixo, atônitos. Podemos tocá-las, olhar em seus olhos numa espécie de ballet submarino às avessas. O visual extraordinário, de beleza única e plasticidade absoluta, faz lembrar uma obra renascentista. Desde já, posiciona-se como um dos momentos mais legais já apresentados em toda história do Em Cena.

No entanto, perto de grupos performáticos poderosos como Stomp, Blue Man Group e principalmente La Fura dels Baus (este o mais radical, inventivo e instigante de todos, que abalou o próprio Em Cena em 1997), o espetáculo argentino se perde em sua superficialidade contemporânea. Para disfarçar, tudo acaba em uma rave trance-tribal-tech abaixo de uma fraca chuva artificial – isso em uma semana em que chuva real e forte não faltou na capital gaúcha.

Nada Dói

24 de agosto de 2012 1

Texto por Fernando Fantinel

Tudo escuro no Teatro do Bourbon Country. Os relógios cravam 21h. Apenas um facho de luz branca fura os cachos nacionais de Gal. A maior cantora do país abre a boca e tudo assume um nível superior. Corpo é substituído por voz. Talento e precisão só comparados aos de Elis, ainda hoje entronadas com o título de as maiores interpretes desse país prolífero na sua tradição de estupendas cantoras. A música acaba. Banda e Gal estão posicionados levemente à direita do palco.

O cenário é apenas o negro, só maculado pela luz de Caetano. É um descanso para os olhos, focados nela, também de figurino atual e negro. Caetano também assina a direção do espetáculo e 17 canções dele estão na turnê.

Recanto é uma montanha-russa varrendo décadas, estilos e modismos, amparado na tríade rock, clássicos com arranjo rock e sucessos radiofônicos de um tempo que o rádio tocava Música Popular Brasileira. Destaque para todas faixas de Recanto, 30º disco da baiana.

Tim Maia é o grande homenageado da noite. Foi inexplicável e impagável. O público gargalhou e Gal se diverte. Tida como cantora tecnicista e fria, ela imitou o Síndico nos trejeitos e vozeirão dividindo com ele/ela o hit Como num Dia de Domingo. Histórico.

Dando uma geral, Baby, Neguinho, Folhetim, Tudo Dói, Vapor Barato, e óbvio, Recanto, foram os momentos de ouro. Autotune Autoerótico, que faz referência direta novamente à cabeleira morena, emocionou e ela rasgou a voz como só as melhores do jazz fazem. Miami Maculelê teve rap do todo-poderoso Domênico, discreto e certeiro sempre. Bruno Di Lullo e Pedro Baby completam o trio jovem e necessário para o frescor desse projeto. Autoreferenciando-se vem Força Estranha trazendo a uma audiência abismada e rendida todo o significado do que acontecera em apenas 135 minutos.

Modinha de Gabriela fecha o segundo e grande (obrigado) bis. Gal conta que a canção entrou no show por solicitação sua a Caetano. O mestre supremo Dorival Caymmi não fez Caetano pensar duas vezes. Ela ainda conta que essa música a comove muito e, com a nova versão da novela Gabriela no ar, mas com versão original na abertura, Gal achou que era a hora de fazer essa homenagem. Pra quem não sabe, tanto Jorge Amado quanto Dorival Caymi escreveram livro e música tendo como inspiração Maria da Graça Pena Burgos. Também conhecida como Gal, apelido comum para as Marias da Graça na Bahia.

Quem sempre foi rainha, não perde a Gabriela.

Marisa Monte transforma palco em cinema no novo show Verdade, uma Ilusão

08 de junho de 2012 2

Marisa Monte estreou sua nova turnê Verdade, uma Ilusão ontem à noite, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre. O show que será apresentado até o dia 10 de junho na Capital gaúcha, dedicado ao novo disco O que Você Quer Saber de Verdade, praticamente transforma o teatro em um cinema, com projeções de imagens que muitas vezes extrapolam os limites do palco e atingem a estrutura do auditório.

Fotos: Lucas Cunha, Divulgação Opus Promoções

A cantora estava claramente à vontade em seu universo particular. Leve e solta como nem sempre a vemos, parecia muito feliz com o espetáculo que estava apresentando. E há motivos para isso. Com direção precisa de Leonardo Netto e Claudio Torres, o show coordena de forma notável som cristalino, cenografia elaborada, direção de luz afinada e inventivas projeções de artistas visuais contemporâneos como Tunga, Thiago Rocha Pitta, Luiz Zerbini, Cao Guimarães, José Damasceno, Marilá Dardot e outros.

O cenário é composto por uma tela de filtro bem fina que toma conta da boca de cena (lembrando a que foi usada por Gerald Thomas na peça Carmem com Filtro, em 1986, e no show O Sorriso do Gato de Alice, de Gal Costa, em 1994), e leves cortinas laterais sobre as quais são projetas obras e ilustrações, muitas delas em preto e branco. A cenografia também conta com uma tela horizontal móvel e peças verticais retangulares metalizadas, como espelhos.

A qualidade de som excelente permitiu ao público perceber a voz impecável de Marisa. A ótima equalização do sistema sonoro também ajudou a destacar o trabalho de um quarteto de cordas, que pela primeira vez acompanha a cantora em um palco, e do power trio Pupilo (bateria), Dengue (baixo) e Lúcio Maia (guitarra), instrumentistas da Nação Zumbi com ampla experiência de palco e que ajudam a dar ao som um caráter mais robusto.

Marisa alternou guitarra e violão para defender novas canções e hits incontestáveis de sua carreira. O repertório focou esforços em músicas do novo álbum, como O Que Você Quer Saber de Verdade, Descalço no Parque, Depois, O que se Quer, Amar Alguém, Ainda bem, Verdade, uma ilusão e Hoje eu não saio não.

Outro destaque do show foi a canção Sono come tu me vuoi, conhecida na voz da cantora italiana Mina Mazzini, que gravou em seu último disco uma versão em português de Ainda bem – parceria musical que Marisa comenta durante o show.

Entre seus maiores sucessos, foram escolhidas Beija Eu, Eu Sei (Na Mira), Diariamente, Infinito Particular (momento em que há uma linda projeção mapeada sobre o vestido da cantora, criando um momento realmente mágico), De Mais Ninguém, Velha Infância, Gentileza, A Sua e Amor I Love You, entre outras. Também rolou uma bela homenagem a Cássia Eller com a música E.C.T., composta por Marisa, Nando Reis e Carlinhos Brown, mas que ficou famosa na voz da cantora carioca.

Repertório do show

Blanco
O que Você Quer Saber de Verdade
Descalço no Parque
Arrepio
Ilusion
Depois
Amar Alguém
Diariamente
Infinito Particular
E.C.T.
De Mais Ninguém
Beija Eu
Eu Sei
Sono Come Tu Mi Vuoi
Ainda Bem
Verdade, uma Ilusão
A Sua
O que se Quer
Gentileza
Tema de Amor
Não Vá Embora
Carnavália

Bis
Amor I Love You
Velha Infância
Hoje Eu Não Saio Não

Marisa Monte se apresenta até o dia 10 de junho no Teatro do Sesi, sendo de sexta a sábado às 21h e domingo às 20h. A turnê é mais uma promoção da Itapema FM. Veja todos os detalhes do show no calendário de eventos da rádio.

>>>>> Mais Marisa Monte


Los Hermanos celebram carnaval triste em POA

14 de maio de 2012 5

Fotos: Diego Vara

Los Hermanos despejaram sua amarga poesia doce sobre Porto Alegre neste sábado, quando apresentaram o primeiro de dois shows no Pepsi on Stage. Com a envergadura moral de uma banda que nos últimos 15 anos escreveu canções esteticamente densas e amplamente cultuadas, os músicos não tiveram a menor dificuldade para realizar um grande show.

Tendo apoio constante do público, que como sempre cantou junto quase todas as músicas do repertório, a banda carioca apresentou faixas de toda sua carreira, exibindo um apanhado de canções contemporâneas, mas que polidas com um verniz sonoro único remetem a algo pretérito, a um passado distante curiosamente presente no nosso imaginário. A identificação é imediata. Aos primeiros acordes de Vencedor, na abertura do show, somos levados a esse curioso (e conhecido) lugar sonoro.

As composições dos Hermanos são peças raras, melancólicas, oriundas de um romantismo urbano passadista e de um Rio de Janeiro antigo, utópico. Se no disco de estreia a banda já exibia algumas letras inteligentes e verticais, no Bloco do Eu Sozinho, quando o hardcore enlatado dá espaço a novas experimentações com samba, jazz e MPB, esse poder criativo ganha uma nova dimensão, rapidamente assimilada pelos fãs. É lá que se encontra a alquimia sônica hermânica. É lá onde queremos estar.

Além da abertura apoteótica com Vencedor, foram marcantes Retrato pra Iá Iá (lindo ska rock brazuca), Todo Carnaval tem seu fim (com confetes e serpentinas jogados pela plateia, ampliando ainda mais a sensação de melancolia clown), Além do que se vê, O Vento (guitarrinha surf esperta), Azedume (micareta indie hardocore afú), Sentimental, A Flor, Cara Estranho (ótima, fatídica, quando Camelo assume o microfone de Amarante para cantar numa espécie de embate artístico), Casa Pré-fabricada, Último romance e o cover legal de Nunca Diga, da Graforréia Xilarmônica. O bis foi dedicado ao disco de estreia, com Tenha Dó, Anna Júlia, a trágica Quem sabe e a fatídica Pierrot.

Foi neste universo existencialista e dolorido, em que o homem experimenta muito mais a inadequação, a dificuldade e a impossibilidade do amor do que a sua celebração, que fomos inseridos pela banda. E assim comemoramos um carnaval triste simbólico, marcado por modinhas sonoras agridoces e marchinhas rock linha Quarta-feira de Cinzas.

Foto: ottohnetto

> Leia sobre o primeiro show solo de Marcelo Camelo em POA
> O último show de Marcelo Camelo em POA
> Relembre o show do Little Joy em POA
> Mais Los Hermanos

Thurston Moore executa distorções experimentais em Porto Alegre

12 de abril de 2012 3

Fotos: Tadeu Vilani

O show de Thurston Moore ontem, em Porto Alegre, foi dedicado a sua carreira solo, mas o Sonic Youth esteve presente ao menos em espírito. Quem foi ao Opinião achando que veria uma tranqüila apresentação das serenas músicas de Demolished Thoughts se surpreendeu com jams explosivas, violentas e experimentais orquestradas por Moore e banda.

Alternando guitarra e violão, o indie hero norte-americano teve apoio de um instrumentista (também ao violão), um baterista e uma violinista. Juntos, irromperam no bar com dissonâncias, reverberações e interferências dignas de sua antiga banda. Os momentos mais tranqüilos foram poucos, e logo eram vencidos por pesadas camadas sonoras.

A experiência sensorial proporcionada por Moore deriva de sua fome e da sua sede por música e ruído. Talvez por isso tenha revelado ao público que, na escola, seu apelido era Terrible Thirst. Hoje, do alto de seus 54 anos e de posse de seus instrumentos musicais preferidos, o enfant terrible da música alternativa parece mesmo um adolescente hiperativo em surto criativo.

E quem ganha com isso? O público, que acompanhou de perto a execução distorcida e intensa de faixas como Fri/End, Orchard Street, Mina Loy, Ono Soul, Never Day e Circulation, além do lindo cover de It’s Only Rock ‘N Roll (But I Like It), dos Rolling Stones.

A abertura com Kurt Vile e banda foi eficiente. Indie guitar band com um som bem posicionado entre as calmarias e tormentas comuns a Yo La Tengo, Guided by Voices, Dinosaur Jr. e Sonic Youth, claro.

Depois de POA, a turnê de Thurston Moore passa por São Paulo nesta quinta-feira e chega ao Rio de Janeiro na sexta.

>>>>> Mais Sonic Youth

Lollapalooza Brasil é marcado por Arctic Monkeys, Skrillex, Peaches, Manchester Orchestra, Foo Fighters e Joan Jett

10 de abril de 2012 5

A primeira edição do Lollapalooza no Brasil teve pontos positivos no que diz respeito à música e negativos na parte de serviço. O ponto alto foi o acerto na escolha do local: o Jockey Club, perto do centro de São Paulo, barbadinha de chegar de metrô e com estrutura adequada, já havia sido palco de outros eventos bem-sucedidos, como o último Free Jazz Festival, em 2001.

O grande problema mesmo foi a volta para quem dependia do metrô. Total absurdo a estação Butantã fechar por volta da meia-noite, já que os shows acabavam pelas 23h, e taxistas cobrarem valores  acima da tabela. Não sei se existe fiscalização em SP, mas se existe está falha. Isso rola sempre, seja em turnês próprias de bandas ou em festivais de grande porte. Sem noção!

Já dentro do evento, apesar da grande quantidade de caixas por todo Jockey, as filas para compra de bebidas eram quilométricas no primeiro dia. No segundo, o lance melhorou. O público (cerca de 135 mil pessoas entre sábado e domingo) deve ter aprendido a lição e comprado toneladas de PillaPaloozas (a moeda do evento) já ao chegar no local. Havia funcionários “avulsos” vendendo pillas durante a tarde (e quebrando o maior galho), mas à noite era quase impossível achá-los. Merecem uma equipe maior.

Outro ponto fraco: os banheiros, como sempre um desastre horroroso. Insalubre. Uma falta de respeito com o público. E isso, claro, não é exclusividade do Lollapalooza. Banheiro químico é o fim do mundo em qualquer lugar. Enfim…

Mesmo assim, a organização do Lolla ganhou muitos pontos no que diz respeito à música – o que, apesar dos contratempos acima, é o que realmente importa. Com um sistema de som praticamente perfeito (MGMT teve problemas, é verdade, mas a banda ao vivo é um problema em si…), o festival teve, no geral, som nítido e alto. Não pude conferir todos os shows, mas lembro de pelo menos um espetáculo vazando e prejudicando outro: o som do Pretty Lights, projeto do norte-americano Derek Vincent Smith, incomodou parte do público do Friendly Fires.

Comments sobre os shows que vi:

07/04


Daniel Belleza e os Corações em Fúria
Garage rock cortante, furioso, com alto teor glitter punk. Quando a banda surgiu no início dos anos 2000 ficou claro o poder de performance de Daniel, agora atenuado, mas ainda garantindo um bom rock show. A banda ganhou aplausos merecidos.

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Rhythm Monks
O trio eletrônico mascarado de Berlim parecia ter descido de alguma nave espacial. Com um figurino tipo messias das galáxias, os caras tocaram um hardcore trance não muito inspirado e abusaram de coreografias minimalistas toscas. Não foi muito legal. Parecia uma paródia pobre do clipe de Around the World, do Daft Punk. Com tanta gente legal podendo ganhar espaço a programação eletrônica do Palco do Perry, Rhythm Monks foi um erro de casting.

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O Rappa
Os cariocas estavam espertos e fizeram um grande show no Palco Cidade Jardim. Já vi algumas apresentações da banda, inclusive em festivais, mas nunca encontrei os caras com tanta energia. Conseguiram reunir quase todo público presente naquela tarde. O resultado foi um poderoso espetáculo que teve como climax Homem Amarelo e o discurso de Falcão a favor do multirracialismo e multiculturalismo. O palco quase veio abaixo com o cover de Killing in the name, do Rage Against the Machine, e seu riff perfeito. Falcão sugeriu que a banda toque no Lolla. A banda foi acompanhada por um quinteto de violinistas.

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Perryetty x Chris Cox
Enquanto o Rappa bombava, Perry Farrel tentava levantar seu pequeno público do seu projeto eletrônico no palco que leva seu nome dentro do seu próprio festival. Tipo incrível. Cantava e gritava palavras de ordem sobre bases pré-gravadas e discotecagem de Cox. Dançava fora do ritmo e atravessava beats na pilotagem do soundsystem. A todo momento, perguntava “are you happy São Paulo?”. No som, farofada eletrônica para quem entende pouco do assunto. A animação e a energia provaram que Perry é mesmo um dos caras mais carismáticos do rock, mas que na eletrônica ainda precisa ser equalizado.

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Band of Horses
Logo ao lado, no palco Butantã, a banda de Ben Bridwell apresentava de folk rock tatuado. Os longos duelos autorais de guitarra, baixo e bateria que não me chamaram muita atenção, apesar do grande público presente estar curtindo muito. E a culpa foi da Peaches e minha expectativa pelo show dela. Fiquei totalmente bloqueado para qualquer outra coisa. Antes do espetáculo, na área de imprensa, a cantora que eu havia entrevistado em 2003 me disse que, muito melhor do que tentar explicar o show seria eu vê-lo. Canadense maldita, me deixou no suspense, kkkkk! Enfim, Band of Horses fica pra próxima!

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Peaches
A cantora canadense provou que é uma das grandes artistas do século 21. Depois de ter feito um grande show em Porto Alegre em 2004, no qual fez de tudo entre cantar, dançar e escalar a estrutura do teatro, Peaches apresentou um espetáculo focado não só em electro beats sujos, mas também em liberdade sexual e em performance teatral cômica. Cantando, comandando pick-ups e sequenciadores e com o apoio de duas dançarinas (e muita champanhe), a canadense subiu ao palco usando um colante cor da pele adornado com seios cenográficos de diversos tamanhos. A imagem resume o conceito por trás do show: ativismo feminista eletrônico festivo e sem pudores. Nenhuma novidade, e mesmo assim atual. Peaches decadente? Jamais! No set, não faltaram músicas potentes e dançantes, que ao vivo ganharam ainda mais peso para reforçar o poder hedonista das canções. Do electroclash tradicional ao dubstep aliado a techno beats experimentais, Peaches é diversão garantida.

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TV on the Radio
Só peguei o final do show, que contou com a participação do guitarrista Dave Navarro, do Jane’s Addiction, em Repetition. Você sabe, culpa da Peaches

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Joan Jett & The Blackhearts
Foi ótimo ver ao vivo uma das grandes figuras do rock mundial. O espetáculo de Joan Jett não se destacou apenas por seu valor histórico, mas também pela energia da banda e pelo rock’n’roll tradicional. A abertura explosiva foi com Bad Reputation (reconfigurada por Peaches no disco Fatherfucker), seguida da clássica Cherry Bomb, de sua antiga banda, The Runaways. Joan também arrancou aplausos para You drive me wild, sua primeira canção escrita, e apresentou duas novas composições, T.M.I. e Hard To Grow Up. Outros pontos altos? I Love Rock and Roll, óbvio, e I Hate Myself For Loving you.

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Foo Fighters
O Lollapalooza trouxe ao Brasil uma das maiores bandas do rock contemporâneo em uma de suas melhores fases. A turnê de Wasting Light vem rodando o mundo desde há tempos e causando muito em todos lugares pelos quais passa. A fórmula da banda é simples: rock instantâneo, bombástico, eficaz e extremamente energético liderado por um vocalista carismático aliado a um baterista foda (Taylor Hawkins). Fácil. Mas nem isso libera a banda para fazer um show curto ou descompromissado. Muito pelo contrário – até porque era a principal banda do line-up do evento. Por isso, os caras fizeram um show de quase três horas lotado por toneladas de hits roqueiros e baladas de sucesso, assim como no Rock in Rio 3, em 2001. Entraram no set list All my life, Times like these, Rope, Breakout, Long road to ruin, Big me, Everlong, The Pretender, Cold Day in the Sun e White Limo, entre outras. O show teve a participação de luxo de Joan Jett em Bad Reputation e I Love Rock ‘n’ Roll. A não ser em faixas mais obscuras, a banda obteve resposta imediata do gigantesco público. Sim, porque a banda reuniu praticamente todas pessoas que estavam no evento. E a voz de Dave Grohl? Falhou sim. Afinal, o cara não é de ferro, pô.

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Calvin Harris
Quem não viu Foo Fighters optou por conferir o set de Calvin Harris, queridinho da eletrônica gringa. Abusando do deep house e de techno beats, o produtor eletrônico levantou mesmo a galera ao tocar um remix poderoso de Never Be Alone, de Justice vs. Simian Mobile Disco.

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08/04

Thievery Corporation
O trip hop/downbeat elaborado com elementos exóticos da banda norte-americana atraiu um bom público no palco Cidade Jardim, no segundo dia de shows do Lolla. Com banda completa, composta por guitarra, baixo, bateria, percussão, cítara, trompete e sax, além dos sequenciadores de Rob Garza (cabeça da banda ao lado do guitarrista Eric Hilton) e de um time de cantores, o grupo confirmou sua groove reputation despejando um set inspirado por dub, reggae, dance hall e até música brasileira – com apoio de berimbau eletrônico e de uma cantora nacional que, por sinal, não se apresentou ao subir no palco e deixou as pessoas com cara de “quem é essa?”. Apesar da bela voz, não foi ela quem levantou a galera, mas sim uma dupla de vocalistas rastaman e um rapper vestido no melhor estilo gangsta. Thiervery fez um show de altíssima qualidade musical, apostando em música dançante orgânica sem fórmulas fáceis ou padrões estipulados.

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Friendly Fires
O indie rock dançante da banda britânica é bastante dependente do animado vocalista Ed Macfarlane. Dançando muito e requebrando o quanto podia, ao melhor estilo desengonçado britânico, Ed e banda bombaram com Jump In The Pool, Skeleton Boy, Paris e o superhit Hawaiian Air. Friendly Fires nunca me chamou muito a atenção, mas é inegável a entrega da banda ao vivo e a paixão que provoca sobre seus fãs – alguns deles muito de cara com o vazamento do som Pretty Lights, que tocava logo ao lado, no Palco do Perry. Leia mais sobre isso abaixo.

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Pretty Lights
O produtor eletrônico despejava beats robóticos com DNA hip hop no Palco do Perry enquanto o Friendly Fires se apresentava no palco Butantã, ao lado. O set do norte-americano foi tão pesado que o som vazou, atrapalhando parte do público da banda britânica. Por outro lado, vi muita gente deixando a platéia do Friendly Fires para ver o que estava ocorrendo na pista eletrônica, o que pode ser considerado algo positivo para Pretty Lights. Afinal, roubar público dos britânicos não é pra qualquer um.

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Manchester Orchestra
A banda britânica foi a grande surpresa do Lollapalooza Brasil. O rock pesado, posicionado entre o pós-rock estridente e o indie metal livre de clichês, cheio de guitarras altas e bateria galopante, foi uma pancada sonora de primeira. Manchester Orchestra é como se Mogwai e Mastodon dessem origem a uma banda híbrida. Teve gente correndo do Palco Butantã, onde Friendly Fires havia acabado seu show, até o Palco Cidade Jardim, do oooooutro lado do Jockey, para ver de perto o explosivo espetáculo dos caras. Não devem ter se arrependido. Foi algo realmente especial. O som, cristalino, estava tão alto e nítido que deve ter sido ouvido nos Jardins. Nota 10.

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MGMT
Show fraco do duo que lançou um dos melhores discos de 2008, Oracular Spectacular. Sem inspiração, sem tesão, sem saco total e com alguns problemas de som. Claro que a chuva que caiu desanimou a todos, mas a banda não pode se deixar levar por isso. De qualquer forma, a banda nunca faz um show 100% mesmo. Os melhores momentos foram os três maiores hits da banda: Electric Feel, Time to Pretend e Kids, todos de Oracular. A inédita Alien Days, baseada em violão, passou batida. Verdade: os relâmpagos ganharam mais gritos e aplausos que a banda. Lamentável.

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Skrillex
O DJ mais celebrado do mundo hoje fez sua estréia no Brasil já ocupando um posto de super estrela dentro de um megafestival. Foi o cara que, pela primeira vez no evento, realmente lotou o Palco do Perry. O ex-roqueiro emo norte-americano começou seu set com uma faixa experimental e quebrada, nada convencional. Em seguida, sob poderosos canhões de laser (guardados especialmente para ele e utilizados pela primeira vez pela produção do evento, ampliando ainda mais a experimentação sensorial) mandou ver em um dubstep mais degustável, inspirado por dirty beats em geral e remodelado por diversas vertentes como techno, jungle, drum’n’bass, reggaeton, dub e gangsta hip hop. Os sons jamaicanos, por sinal, estiveram em alta no Lollapalooza, presentes também (em maior ou menor grau) nos shows do Rappa, do Jane’s Addiction e do Thievery Corporation. Os pontos mais altos do show foram um remix maluco de Internet Friends (You blocked me on Facebook) e o superhit Ruffneck, momento em que a bandeira do Brasil surge no telão atrás de Skrillex, causando histeria coletiva (veja abaixo). O show do cara já está marcado na história eletrônica brasileira. Quem viu viu, que não viu… pode ver a íntegra do set aqui.

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Foster the People
Ao mesmo tempo em que Skrillex botava abaixo o Palco do Perry, Foster the People entregava seu rock básico aditivado por discretos elementos eletrônicos no Palco Cidade Jardim. Trocar Skrillex por Foster the People sempre foi algo impensável por mim. Por isso, cheguei no final e vi apenas o megahit Pumped Up Kicks com seu magnífico loop final, criando uma ótima versão overextended da faixa. Como ainda considero Foster the People uma banda de um hit só, pra mim foi o que bastou.

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Jane’s Addiction
A psicodelia roqueira independente e compulsiva da histórica banda de Perry Farrel é algo para poucos, definitivamente. Que o diga o discreto e silencioso público que acompanhou o show do grupo. Sem muita animação, a plateia viu Perry, o guitarrista Dave Navarro (na foto, ao fundo) e cia executarem alguns clássicos do indie rock global como Jane Says, Ocean Size, Mountain Song e Been Caught Stealing. E pior: não era comum Perry encerrar suas vocalizações xamânicas fazendo pose de superstar esperando ovação e amargar um silêncio constrangedor. Uma pena. Algumas músicas novas do disco The Great Escape Artist (2011) ganharam apoio de performers no palco, mas também não levantaram a galera.

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Arctic Monkeys
Uma das bandas mais esperadas do festival entregou um rock show praticamente perfeito. Composições autorais de primeira, guitarras e bateria incríveis (Alex Turner e Matthew Helders são foda), presença de palco, postura rock e parceria com o público. Ao que parece, nada deu errado pra eles. Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair, Brianstorm, When the Sun Goes Down, I Bet You Look Good on the Dancefloor, The View From the Afternoon, Crying Lightning, R U Mine? e a ótima Brick by Brick (com Matt no vocal) jogaram a animação lá pra cima. Fluorescent Adolescent (incrível) e 505 fecharam os trabalhos. O show no Lollapalooza mostrou que a banda amadureceu muito desde a primeira passagem deles pelo Basil, em 2007, durante o Tim Festival. Deixaram de lado a insegurança de moleques para protagonizar um dos grandes momentos do festival. Que voltem logo!

* Todas fotos deste post: Divulgação Lollapalooza Brasil

Tecnologia e visão política acurada atualizam The Wall Live de Roger Waters

26 de março de 2012 53

A exibição do espetáculo The Wall Live ontem à noite no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, comprovou que o álbum duplo personalista composto por Roger Waters há 33 anos e lançado pelo Pink Floyd em meio à Guerra Fria, tendo como pano de fundo uma conjuntura política mundial hoje inexistente, permanece incrivelmente atual.

Veja a galeria de fotos do show
Vídeo: veja trecho do show abaixo

A nova concepção do show, apresentado pela primeira vez em 1980, foi revitalizada por acontecimentos da história recente como conflitos políticos globais aprofundados pelo terrorismo, novos regimes autoritários e mobilizações populares de caráter democrático tanto em grandes centros econômicos ocidentais quanto no mundo árabe. The Wall Live aborda temas contemporâneos como insatisfação política, deslocamento social, capitalismo selvagem, ocaso socialista e a atual falência econômica global.

Apesar da densidade destas questões conceituais, o show não é enfadonho. A nova versão de The Wall Live se torna midiaticamente efetiva a partir de um suporte tecnológico de ponta, com um palco gigantesco, toneladas de equipamentos de luz e som e um muro cenográfico extraordinário de 137m de largura por 11 de altura que serve como (provavelmente) o maior telão de shows já utilizado por algum artista. A estrutura transformou o Beira-Rio no maior cinema ao ar livre que o Rio Grande do Sul já viu.

As imagens elaboradas tanto pelo artista que criou as ilustrações originais de The Wall, Gerald Scarfe, quanto pela equipe de produção são essenciais para dar rosto ao espetáculo de Waters. Se The Wall Live é uma das maiores operas rock já realizadas, parte se deve ao disco duplo lançado pela banda e parte, ao poder artístico tecnológico da atual turnê.

As imagens reúnem grafite, arte urbana, pichações, propaganda/protestos políticos, animações e takes ao vivo do show. O alto contraste é usado à exaustão, em preto, branco e vermelho, sempre com muito bom gosto. Trechos de letra, frases de efeito e palavras de ordem se alternam e ampliam o conceito e a identificação com o público. Bonecos infláveis gigantes do professor, da esposa e da mãe opressora, alguns dos personagens das músicas de The Wall, surgem no palco para completar a cena. O famoso porco voador paira sobre nossas cabeças. É tudo muito bem pensado, sem parecer ser um truque fácil.

A projeção mapeada desenvolvida para o show é incrível. Enquanto o muro cenográfico vai sendo construído pela equipe, os novos tijolos recebem imagens projetadas apenas quando estão em seu devido lugar. Antes disso, ficam às escuras, como se “ainda” não fizessem parte do espetáculo. Um pequeno exemplo do cuidado com que os shows desta turnê são realizados. E, se o muro completamente erguido impressiona pela separação que provoca entre banda e plateia, a destruição do mesmo é igualmente marcante.

Além do poder tecnológico de The Wall Live, outros grandes trunfos do espetáculo são o carisma e a capacidade de interpretação de Waters e banda. O músico não apenas toca nem apenas canta, mas também atua em seu show. Já as músicas casam perfeitamente com as cenas. Another Brick in the Wall (partes 1, 2 e 3), Mother, Goodbye Blue Sky, Goodbye Cruel World, Hey You, Comfortably Numb, Run Like Hell e Outside the Wall (com Waters ao trompete) foram os destaques.

O show, dedicado a Jean Charles de Menezes, o brasileiro da foto acima morto por engano pela polícia no metrô de Londres em 2005 e a todas vitimas do terrorismo de Estado, é totalmente roteirizado e encenado, dando pouco espaço a improvisações. Mesmo assim, soa fresco, atual, genial e milimetricamente perfeito.

Veja trecho do show gravado pelo Fábio Codevilla:

roger waters – the wall from fabio codevilla on Vimeo.

> Blog do Grings: Porto Alegre à sombra de um gigante! The Wall Live é um show para ficar na história

Howler detona o rock’n’roll em Porto Alegre

27 de fevereiro de 2012 0

Howler detonou o rock’n’roll sábado à noite em Porto Alegre. Os moleques norte-americanos subiram ao palco do Beco sem nenhum alarde, tomaram posições, assumiram seus instrumentos e começaram o show com America após uma longa afinação/introdução.

Com músicas curtas, variando entre baladas ruidosas e rocks mais pegados, a banda de Minneapolis se mostrou mais pesada ao vivo do que em disco, tentando tanto legitimar uma identidade própria quanto criar um descolamento das inconfundíveis referências sonoras que carrega.

Seja como for, as canções da banda são como homenagens declaradas ao legado de Jesus and Mary Chain (Told you once, Back to the grave, America), My Bloody Valentine (Too Much Blood, Free Drunk) e Strokes (Wailing – Making Out, Black Lagoon) por meio de surf e 50’s rock (Beach Sluts, Back of your neck), garage/hardcore (This One’s Different) e pós-punk/psychobilly (Pythagorean Fearem).

Apesar da guitarreira furiosa e da bateria galopante quase sempre presentes, há melodia pop simples e vigorosa em todas as músicas. E, se a banda não se diferencia por ter um som absolutamente original, ganha muitos pontos por ser visceral e totalmente contagiante.

No show, o vocal rasgado de Jordan Gatesmith (um híbrido de Joey Ramone, Jim Reid e Julian Casablancas), a guitarra de Ian Nygaard e a bateria de Brent Mayes, que nos momentos mais intensos lembra o poderoso Gary Powell, ex-batera do Libertines, são os pontos fortes da banda.

A noite abriu com o show de volta dos caras da Stratopumas. Animadíssimos, lascaram um rock autoral, tendo momentos guitar pop alternados com um garage mais agressivo – também com traços psycho. Se o vocal abafado prejudicou o entendimento das letras, o encerramento do show com Exorcismo e Anormais #2 e a jam catártica final deixaram uma ótima impressão sobre a nova fase da banda.

Ao final da apresentação da banda gaúcha, o vocalista dos Pumas, Thiago Peduzzi, ao mesmo tempo previu e resumiu a noite com apenas uma expressão: rock’n’roll!

>>>>> Mais Howler aqui

Show do The Rapture define o M/E/C/A Festival 2012

30 de janeiro de 2012 6

Fotos: Rodrigo Esper

Atualizado às 12h30min

O show do Rapture foi o grande momento do M/E/C/A Festival 2012, realizado sábado passado em Xangri-lá, no litoral gaúcho. O pós-punk suingado da banda nova-iorquina foi tão marcante que acabou sobressaindo-se entre os outros grandes nomes da segunda edição do evento, como o CSS e Mayer Hawthorne. Já a banda norte-americana Penguin Prison surpreendeu apresentando um electro-pop-rock alternativo e orgânico.

The Rapture recria o pós-punk elaborando estruturas sonoras complexas a partir de linhas de guitarras cheias de groove, bateria suingada e teclados sintéticos que têm raiz no disco-funk setentista e no new wave dos 80. Em 1999, com o álbum Mirror, a banda praticamente alicerçou os fundamentos do disco-punk, gênero que viria a tomar conta de grande parte do cenário indie no início dos anos 2000. A aguda voz de Luke Jenner, que lembra a de Robert Smith em alguns momentos, ajuda a compor esse quadro peculiar que, ao vivo, ganha cores vívidas.

A banda foi econômica na duração do show no M/E/C/A, mas esbanjou em termos de qualidade musical. A afinação perfeita, a execução excepcional das composições e o comprometimento total dos músicos com a apresentação eram evidentes. Se por um lado houve pouco contato direto com a plateia, por outro a banda mostrou completo respeito pelo público ao exibir um repertório composto por algumas das faixas mais importantes do mundinho independente neste início de milênio.

Entre os grandes momentos do show estiveram o início, com o balanço de In the Grace of Your Love, a épica Sail Away, e duas dobradinhas legais. Uma delas foi Whoo! Alright Yeah… Uh Huh, com clima psycho-disco baseado em groove de guitarra e em agogô, instrumento que fez a ligação direta da faixa com o super hino indie House of Jealous Lovers, absolutamente genial ao vivo (veja acima). A outra dobradinha foi Olio (o primeiro hit da banda, do disco de estreia, Mirror) + Come Back to Me, a ótima faixa de alma marselhesa (meio francesa, meio grega), que está no último disco da banda.

Já as meninas do CSS mostraram que sobrevivem muito bem no palco sem o mentor Adriano Cintra. Mataram a pau reproduzindo com diversão, energia e muito peso várias das loucurinhas irônicas que gravaram e lançaram nos seus três discos desde 2006 – o cru, sujo e vital Cansei de Ser Sexy, o genérico e difuso Donkey e o elaborado La Liberación. Foi um show muito rock, com um senso artsy punk bem pegado e muito mais acentuado do que o de outras três apresentações da banda que vi no passado.

Lovefoxxx, Ana Rezende, Luiza Sá e Carol Parra (mais baterista e baixista de apoio) se superaram em faixas antigas como Art Bitch, Bezzi, Let’s Reggae All Night, Left Behind, Off the Hook e em novas composições, tipo La Liberación, I Love You (ótima ao vivo!), City Grrrl, Hits Me like a Rock. A-La-La, uma das melhores músicas feitas nos anos 2000, foi o ponto alto. Senti falta de outras duas clássicas do disco debut: as bizarras Meeting Paris Hilton e Ódio, ódio, ódio, Sorry, C., faixas que remetem à pré-história electro rock do CSS. O teste de palco sem Adriano Cintra foi superado facilmente. Agora, é esperar o próximo disco e ver como as garotas se saem em estúdio sem ele.

Mayer Hawthorne, que costuma fazer shows suingados, privilegiando o groove e a harmonia das composições dos discos A Strange Arrangement e How Do You Do, pode ter se sentido prejudicado por um deslize de escalação e pelo som baixo. Hawthorne se apresentou depois do Rapture, quando o ideal seria antes, já que a banda nova-iorquina tem um espetáculo claramente mais agitado e dançante do que o dele.

Sendo assim, Hawthorne e banda tiveram que se acomodar entre uma plateia ainda eletrizada pelo grupo liderado por Luke Jenner. Apesar disso, o neo soul atenuante do músico norte-americano não teve dificuldades para encontrar espaço entre o público. O carisma do cantor e o poder das músicas interpretadas pela sua sempre afiada banda foram suficientes para domar a audiência. Apesar da boa qualidade geral do show, a apresentação foi linear e não chegou a ser marcante. Leia entrevista com Hawthorne aqui.

Bem ao contrário de Penguin Prison, banda de electro-pop-rock alternativo do novato produtor , instrumentista e vocalista Chris Glover. No palco, os músicos surpreenderam ao apostar em altas doses de groove criadas por guitarra, baixo e teclado. Sendo uma das duas bandas de abertura o festival, o grupo tocou para pouca gente – assim como Wannabe Jalva, que peguei já no final. Depois de um início lento, o show do Penguin Prison pegou ritmo e foi melhorando gradativa e consideravelmente. O ponto máximo foi com o excelente cover de Blue Jeans, de Lana Del Rey. Não vi Breakbot nem The Twelves.

O M/E/C/A Festival 2012 acabou definido não só pelo poder sonoro do Rapture, apesar da explosiva apresentação do CSS e do show revelador do Penguin Prison, mas também pela boa qualidade sonora. O novo local, uma espécie de anfiteatro natural dentro de uma fazenda, garantiu uma boa acústica para os shows.

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