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Posts com a tag "Cinema"

Cinemas brasileiros exibirão shows de Led Zeppelin e Queen em 22 cidades

25 de outubro de 2012 0


A rede Cinemark exibirá os shows Celebration Day, do Led Zeppelin, e Hungarian Rhapsody: Queen Live in Budapest 86, do Queen, em 22 cidades brasileiras.

O show do Led Zeppelin foi gravado em 2007 na Arena 02, em Londres (leia sobre isso aqui, aqui e aqui), e entra em cartaz nos dias 30 de outubro e 03 de novembro. Já o espetáculo do Queen, registrado em 1986 em Budapeste, chega às telonas nos dias 6 e 10 de novembro .

Os ingressos poderão ser adquiridos no site da Cinemark (www.cinemark.com.br) por R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).

Em Porto Alegre, o lance rola no Barra Shopping Sul (Av. Diário de Notícias, 300).

Datas e horários:

Led Zeppelin
30/10 (terça-feira), às 21h
3/11 (sábado), às 23h55

Queen
6/11 (terça-feira), às 21h
10/11 (sábado), às 23h55

Oliver Stone radiografa o milionário negócio da maconha na Califórnia

25 de outubro de 2012 0

* Contém spoliers

Oliver Stone mantém a precisão cirúrgica que exibiu em Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010) em seu novo filme, Selvagens, com estreia marcada para 26 de outubro no Brasil. Desta vez, o mundo financeiro das altas esferas nova-iorquinas dá lugar ao milionário negócio da maconha californiana.

Conectado com o nosso tempo a partir de um roteiro robusto e realista, Stone conta a história de dois amigos, o botânico budista Ben (Aaron Taylor-Johnson) e o ex-militar pavio-curto Chon (Taylor Kitsch), surfistas que tornam-se produtores/vendedores da melhor e mais pura erva da Califa. Ambos se conhecem há anos, são como irmãos, e não dividem apenas o ganha-pão, mas também uma linda, loira e abastada filinha de papai pra lá de liberal (O, interpretada por Blake Lively). Isso tudo na paradisíaca e ensolarada Laguna Beach.


A expertise da dupla no negócio verde chama a atenção de um poderoso cartel mexicano liderado pela decadente e solitária Elena (Salma Hayek), que impõe uma nova ordem na rede de atividades dos dois. O conflito chega a níveis extremos de violência, tendo como pano de fundo temas caros para os Estados Unidos hoje como a invasão do Afeganistão e do Iraque, a proliferação de parcerias escusas entre ex-militares, paramilitares e traficantes, a suposta idoneidade de funcionários de órgãos de primeira linha do governo americano, como o DEA (agência antidrogas) e o FBI, e também o tráfico nocivo que gera chacinas constantes e corrói o México atualmente.

Salma Hayek, excelente, compõe a amargurada chefona do tráfico que vive entre o vazio da falta dos filhos e do marido e a rigidez que seu cargo exige. Apesar de ser a típica mexicana de mão forte, Elena garante momentos engraçados e até mesmo ternos. John Travolta, como Dennis, funcionário do DEA, e Benicio Del Toro, como o capanga Lado, ajudam a compor a parte boa do elenco.

O final do filme, no entanto, poderá não agradar a todos. Há uma bifurcação na história que eu mesmo não sei se gostei. Apesar disso, a opção de Stone dá margem a interpretações e interrogações diversas, sendo a mais óbvia delas o tradicional questionamento “o crime compensa?”. Veja o filme e responda você mesmo.

Black Keys e RZA lançam clipe com Lucy Liu

23 de outubro de 2012 0

Spaghetti kung fu no clipe do Black Keys e do rapper RZA para The Baddest Man Alive, som que está na trilha do filme The Man With The Iron Fists, produzido por Quentin Tarantino e com direção do próprio RZA.

É bobagem do início ao fim, com cenas do longa que tem os atores Lucy Liu e Russel Crowe no elenco. O filme estreia no dia 2 de novembro nos Estados Unidos.

Também participam da trilha Wu-Tang Clan, Kanye West, Wiz Khalifa, Corrine Bailey Rae e outros.

> Mais Black Keys

Documentário sobre Stone Roses será lançado em 2013

22 de outubro de 2012 1

A turnê de volta dos Stone Roses foi registrada em um documentário com estreia marcada para depois da primavera britânica em 2013. Com direção do britânico Shane Meadows, o doc será exibido nos cinemas.

A banda estava separada há 16 anos e anunciou o retorno em 2011, com tour neste ano. As três datas em Manchester, entre 29 de junho e 1º de julho, entraram para o Guinness como os shows de rock que tiveram os ingressos esgotados em menor tempo na história do Reino Unido.

Os Roses assinaram um contrato para dois discos de inéditas com a gravadora Universal. Eles já teriam gravado novas músicas para um álbum (leia aqui), mas elas ainda não foram apresentadas em shows.

> Mais Stone Roses

Robert Smith regrava Witchcraft, famosa na voz de Frank Sinatra, para o filme Frankenweenie, de Tim Burton

27 de setembro de 2012 0

Robert Smith fez uma regravação jazzística de luxo da música Witchcraft, composta por Cy Coleman e Carolyn Leigh e famosa na voz Frank Sinatra, para a trilha sonora de Frankenweenie, a nova animação de Tim Burton. O filme estreia dia 05 de outubro nos Estados Unidos e 02 de novembro no Brasil.

O líder do The Cure realizou uma interpretação inspiradíssima da canção, variando entre uma espécie de melancolia dopada e êxtase bêbado. A voz ficou perfeita com o andamento lento da música. Clima de big band em fim de festa. Delícia.

A trilha Frankenweenie Unleashed também tem participações de Karen O (do Yeah Yeah Yeahs, ouça abaixo), Mark Foster (do Foster The People), Flaming Lips, Kimbra, Neon Trees, Passion Pit, Winona Ryder, Grouplove, Plain T White e outros. O disco já foi lançado em CD e no iTunes.

No filme em 3D stop-motion e preto e branco, o cão de um garoto cientista morre atropelado e volta à vida pelas mãos de seu dono.

> Robert Smith diz que Cure volta ao Brasil em 2013
> Mais The Cure

Christopher Nolan cria ópera seca para encerrar a trilogia de Batman

26 de julho de 2012 1

Christopher Nolan criou uma ópera seca, dura e devastadora para encerrar sua trilogia cinematográfica sobre Batman de forma memorável. Em O Cavaleiro das Trevas Ressurge o cineasta rege um roteiro robusto e labiríntico com maestria, no qual o império de meias verdades erguido ao final de The Dark Knight (2008) desaba por completo.

Nesta terceira parte da história, Batman (Christian Bale, em seu melhor desempenho entre os três filmes) ainda é procurado pela polícia oito anos após assumir a culpa pelas mortes provocadas pelo promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart, o Duas-Caras). E o comissário Gordon sabe da mentira. Contribuiu com ela. Ambos vivem uma farsa e sofrem com isso. Debilitado, abatido, o Homem-Morcego está afastado de seu ofício de vigilante de Gotham, enquanto Bruce Wayne vive isolado em sua mansão. Ambos estão na pior.

No entanto, Batman precisa deixar seu isolamento para, pela primeira vez no universo Nolan, enfrentar um vilão fisicamente superior a si. O herói sabe que terá muitas dificuldades. Bane (Tom Hardy, em atuação prejudicada pela máscara), um menino nascido em uma prisão, cresce e torna-se o mal personificado em uma montanha de músculos. Cerebral, esperto, frio e furioso, Bane tem um plano anarco-político, pseudo-revolucionário e megalomaníaco para destruir Gotham e toda sua população.

Mas esta, caro leitor, é apenas uma fração do enredo. A trama criada por Christopher e seu irmão, o roteirista Jonathan Nolan, é cheia de camadas que vão sendo apresentadas aos poucos. Quando tomamos conhecimento sobre algo no filme, logo em seguida algum detalhe modifica nossa percepção sobre a história. Não são exatamente reviravoltas completas, mas sim peças de um quebra-cabeça que vai sendo montado meticulosamente no decorrer da projeção. Nada menos do que genial.

Além de Bane, Batman/Bruce tem que lidar com Selina Kyle (Anne Hathaway, excelente), uma hábil ladra interessada apenas em se dar bem. Anne segue à risca as orientações do cineasta, se aproximando mais da jovem delinquente da graphic novel Ano Um (de Frank Miller) do que da Mulher-Gato sensual eternizada por Michelle Pfeiffer. A Selina criada por Anne é também sexy, mas acima de tudo, letal. Perigosa e perspicaz, está quase sempre um passo à frente dos demais.

Em meio a tudo isso, Batman/Bruce também precisa(m) dar atenção a Alfred (Michael Caine), Lucius Fox (Morgan Freeman) e aos novos personagens Blake (Joseph Gordon-Levitt, muito bom como um policial com ímpetos heroicos) e Miranda (Marion Cotillard, que vive uma executiva defensora da energia sustentável). Os dois últimos são figuras essenciais deste final de trilogia.

Com este amplo pano de fundo, repleto de personagens densos e bem interpretados, mentiras são reveladas, mitos caem, intocáveis são desmascarados, amizades são desfeitas e instituições entram em xeque. É o caos tomando conta de Gotham e consumindo Batman em um filme que encerra perfeitamente a história que teve início em 2005.

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AQUI UM PEQUENO SPOILER!!! SE NÃO QUISER SABER NÃO LEIA!

Por falar em instituições, olho nas cenas de dois julgamentos que ocorrem no filme, presididos por um personagem de Batman Begins que retorna agora. Muito bom!

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Com O Cavaleiro das Trevas Ressurge chegando aos cinemas brasileiros a partir desta sexta, 27/07, é preciso dizer mais uma vez: In Nolan we trust!

Veja trailers do filme:

* A cabine de imprensa do filme rolou nesta quarta-feira em Porto Alegre. Hoje haverá duas sessões de pré-estreia, às 23h55min, no Cinemark BarraShopping 4 e no Cinemark Ipiranga 3. A estreia será nesta sexta, dia 27/07.

Com filme linear, Walter Salles escancara vazio existencial da geração beat

12 de julho de 2012 7

Walter Salles escancara o vazio existencial da geração beat no filme Na Estrada (On the Road), inspirado no emblemático livro de Jack Kerouac lançado em 1957. Se por um lado os personagens do marco literário querem viver a vida em sua plenitude, com a maior intensidade possível, por outro são figuras sofridas, que constantemente encontram-se atormentados por um vácuo pessoal profundo. Apesar de Salles enquadrar essa dualidade extrema com perfeição, seu filme mostra-se linear como uma highway sem fim. Seguindo esse formato dual, Salles apresenta um bom filme, mas sem clímax.

Em sua obra, o escritor remonta parte da viagem que fez durante sete anos com Neal Cassady entre as costas Leste e Oeste dos Estados Unidos e o México ao retratar as aventuras de Sal Paradise (Kerouac) e Dean Moriarty (Cassady). De quebra, analisou cruamente a sociedade norte-americana do pós-guerra e antecipou as movimentações sociais que resultariam na contracultura dos anos 1960.

Estão ali a melancolia provocada pela falta de sentido da vida, a inadequação social, o descontentamento político, a emancipação feminina, a aversão ao cotidiano banal e o desejo de viver a vida de forma plena, sem planos, com rumo estabelecido ao sabor do momento. Contudente, Kerouac recorta uma juventude que rompe com os padrões estabelecidos, renegando o estilo de vida dos pais em nome de uma visão mais libertária da vida.

Dean quer viver tudo o que puder a 100 km/h, sem maiores compromissos – nem mesmo com suas mulheres. Sal está em busca de pessoas que, em suas palavras, “queimam, queimam, queimam”. Ambos querem viver loucamente. Juntos, seguem em uma das jornadas mais celebradas da literatura em si e da cultura pop como um todo. Passam por momentos de extremo êxtase à base de jazz, benzedrina, maconha e bebida barata. Mas, humanos que são, escondem um vazio existencial profundo, amplo, quase palpável. Por vezes, essa imensidão de angústia e tédio os absorve, e nos leva junto sem piedade.

Salles marca mil pontos ao nos apresentar todos esses aspectos dos personagens de forma límpida e romantizada, mas ainda assim realista. O tesão pela vida das figuras elaboradas por Kerouac, suas crises, paixões e decepções nos são lindamente expostas e nos envolvem de forma eficaz. Mas, a todo momento, se espera pelo ápice do longa. O que pode se chamar de ponto alto do filme é a passagem pelo México, mas ainda assim ela é um tanto quanto discreta.

De qualquer forma, o cineasta foi feliz na escolha do elenco. Sam Riley (no papel de Sal Paradise) e Garrett Hedlund (Dean Moriarty) cumprem bem suas tarefas. Mas os destaques ficam com Tom Sturridge, vivendo o existencialista e potencialmente suicida poeta Carlo Marx (inspirado em Allen Ginsberg), e os figurantes de luxo Steve Buscemi (homem que dá carona aos protagonistas), Terrence Howard (no papel do jazzista Walter), Viggo Mortensen (como Old Bull Lee, baseado em William S. Burroughs) e Kirsten Dunst (em atuação precisa na pele de Camille, mulher de Dean). Até mesmo a sempre sem sal Kristen Stewart consegue se sair bem no papel de Marylou, amante de Dean e uma das figuras centrais da trama.

A cabine de imprensa de Na Estrada rolou nesta quarta-feira em Porto Alegre. O filme estreia nesta sexta no Brasil.

Ouça a música de Iggy Pop e Bethany Cosentino para True Blood

06 de julho de 2012 1

Caiu na rede a boa música que Iggy Pop e Bethany Cosentino, do Best Coast, gravaram para a série True Blood. Com ecos de psychobilly, Let’s Boot and Rally estará no episódio que vai ao ar nos Estados Unidos no dia 8 de julho.

A faixa foi escrita pelo supervisor de trilha da série, Gary Calamar, em parceria com James Combs, da KCRW. Calamar disse à radio que Iggy se declarou fã do seriado de TV e que, se houvesse alguma oportunidade, ele estava tipo querendo muito. Let’s Boot and Rally foi apresentada ao roqueiro, que topou na hora.

Escute no player ou no Soundcloud:

Soundcloud

Em breve, Iggy Pop será interpretado pelo baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, no filme sobre o CBGB (saiba mais sobre o inferninho punk aqui, aqui e sobre o filme aqui e aqui.

Stan Lee rouba a cena no novo filme do Homem-Aranha

03 de julho de 2012 1


Contém spoilers

O Espetacular Homem-Aranha, reboot da trilogia que teve início em 2002 sob direção de Sam Raimi, estabelece o reinício da série cinematográfica com uma visão mais vertical sobre a essência do personagem criado por Stan Lee. Mas, preso a um roteiro-padrão, o filme de Marc Webb oferece renovação sem inovação.

O cineasta optou por não correr riscos nesta nova versão da história. Em vez de criar um universo próprio, mesmo que dentro dos limites aracnídeos possíveis, Webb optou por filmar um roteiro comum (de James Vanderbilt), pouco instigante, nada surpreendente e tomado por lições de moral. A estrutura é aquela de sempre: 1 – introdução básica; 2 – protagonista e antagonista se conhecem; 3 – herói e vilão tem um primeiro embate morno; 4 – depois, encontram-se no grande combate; 5 – epílogo.

O resultado é um filme previsível, não muito diferente dos três outros. Nem mesmo os efeitos especiais chegam a ser tão marcantes como se falou. É claro que o filme está tecnologicamente à frente dos anteriores, até porque o longa é em 3D. Se os novos efeitos não superassem os antigos algo estaria errado, certo? Mas sem uma recriação realmente autoral da história, sem uma estrutura inovadora e sem um descolamento estético e narrativo da trilogia de Raimi, resta-nos imaginar qual o motivo do reboot.

Por outro lado, o diretor deu atenção absoluta ao personagem principal. O ator Andrew Garfield (de A Rede Social) literalmente busca uma ‘nova’ identidade para Peter Parker/Homem-Aranha. Vasculha seu DNA, sua memória genética, afetiva, espacial, tátil… Para ser eficaz como o novo Spider-Man, Andrew precisa deletar da nossa vida o Aranha criado por Tobey Maguire e imprimir a sua própria marca. E o ator se sai bem no desafio. Monta um Parker/Aranha mais ágil, inteligente e interessante do que o de Maguire, e também mais atormentado, introspectivo e inconsequente. Humano, demasiado humano.

Apesar disso, quem rouba a cena é Stan Lee, o artista criador do personagem. E faz isso em poucos segundos! É provavelmente a sua melhor participação em filmes de super-heróis da Marvel. E ele já apareceu em vários: X-Men (2000), Hulk (2003), Quarteto Fantástico (2005), Homem de Ferro 1 e 2 (2008 e 2010), Thor (2011), Capitão América (2011), Os Vingadores (2012) e outros, incluindo os filmes do Homem-Aranha em 2002, 2004 e 2007.

A cabine de imprensa do Espetacular Homem-Aranha foi realizada na manhã desta segunda em Porto Alegre. O filme estreia nesta sexta, dia 06/07, no Brasil.

Sombras da Noite, novo filme de Tim Burton, se perde em trama rocambolesca

21 de junho de 2012 4

Atualizado às 18h
Cuidado: spoilers

Sombras da Noite, o novo filme de Tim Burton, é uma comédia romântica com roteiro frágil que se perde em uma trama rocambolesca com final fraco e previsível, à qual o cineasta não conseguiu escapar. Nem a sempre polida atuação de Johnny Depp, produtor do longa, salva a película.

O filme dá sinais de fraqueza já no início, com um prólogo infantil em formato gasto, no qual o protagonista Barnabas Collins (Depp) explica as origens de sua família e os motivos que a levaram a deixar a Inglaterra em direção aos Estados Unidos.

A história se passa por volta dos anos 1750, quando os Collins fundam a cidade de Collinsport em território norte-americano. Décadas depois, a família entra em decadência após o mulherengo Barnabas negar o amor da criada Angelique (Eva Green) em nome de outra mulher, a nobre Josette (Bella Heathcote). Empregando seus conhecimentos de bruxaria, Angelique destrói o império Collins, transforma Barnabas em vampiro e o enterra dentro de um caixão, onde fica preso por quase 200 anos.

Ao ser libertado, em 1972, Barnabas volta para sua família e decide reerguer o poderio dos Collins. Para isso, terá que enfrentar a imortal Angelique, a nova “dona” da cidade.

Em seu retorno, Barnabas se depara com o choque promovido pelas diferenças culturais entre as épocas, que servem de base para piadas bobas, calcadas em símbolos do nosso tempo como eletricidade, lanchonetes, rock’n’roll e equipamentos eletrônicos. Tudo isso se dá de forma inócua, sem impacto ou de forma muito fácil.

O que dizer de um conquistador que mal se dá ao trabalho de olhar meninas de minissaias pela rua? Se saias tamanho mini chocaram meus avós nos anos 1960, o que elas fariam com um homem que viveu em 1700? E como pode ser o pouco espanto de Barnabas frente a automóveis, televisão, noites iluminadas, novos (e estranhos) comportamentos? Por outro lado, Depp mais uma vez demonstra criatividade e domínio de cena. Com um texto impecável (sorte a dele), seu Barnabas cativa com frases elegantes, conhecimento erudito, conduta clássica e galanteios seculares.

Seja como for, Sombras da Noite, inspirado na série de TV americana Dark Shadows (1966 – 1971) e com citações ao cult Nosferatu (1922) e à comédia A Morte lhe Cai Bem (1992), se perde em uma trama enrolada, cheia de rachaduras e nebulosidade, na qual personagens importantes como a jovem Victoria (também interpretada por Bella Heathcote) praticamente somem do mapa.

Já os talentos de Helena Bonham Carter (Dr. Julia Hoffman) e Michelle Pfeiffer (interpretando Elizabeth, a matriarca da perturbada família Collins nos anos 1970) ficam à sombra de um roteiro de humor de costumes pouco trabalhado por Seth Grahame-Smith – este responsável pelo livro e pelo roteiro do esperadíssimo filme Abraham Lincoln, O Caçador de Vampiros. Pior: o final propõe uma batalha sobrenatural canhestra, vexatória, pobre em idealização e realização.

Nem mesmo as participações especiais do ator Christopher Lee e do ícone do heavy metal performático Alice Cooper ajudam a levantar o moral do longa. No fim das contas, Sombras da Noite não é tão decepcionante quanto Alice no País das Maravilhas, mas reforça um sentimento ruim de que Tim Burton já não tem o mesmo ímpeto criativo de antigamente, ainda mais quando prejudicado por um roteiro falho. Mas, sinceramente, espero estar errado quanto a isso.

A cabine de imprensa para jornalistas rolou nesta quarta em Porto Alegre. Sombras da Noite estreia dia 22 de junho nos cinemas.