Fotos: Ricardo Duarte
Quando os primeiros acordes de Dressed for Success foram disparados do palco do Pepsi on Stage, por volta das 21h40min desta terça, dia 12, o público experimentou uma sensação de viagem no tempo. Era como se Porto Alegre tivesse sido jogada para o começo dos anos 1990, quando as músicas de uma banda sueca estouraram nas rádios brasileiras, enquanto na pista uma multidão enlouquecida de adultos voltava à adolescência para curtir uma última reunião dançante de uma era marcada pelo som do Roxette.
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O “yeah yeah yeah” de Marie Fredriksson foi a deixa para a transformação. Ainda que acompanhada por um breve momento de estranheza. Marie já não se move como antes, já não solta agudos como antes. Mas a vocalista, que sobreviveu à retirada de um tumor do cérebro em 2002, supera qualquer obstáculo imposto pela doença e esbanja simpatia durante as quase duas horas de apresentação.

O guitarrista e compositor Per Gessle toma a frente ao final da segunda música, Sleeping In My Car, para disparar um “obrigado” ao emocionado público. Aos 52 anos, posando de garotão, ele é o fiel escudeiro de Marie e cuida dela no palco para que tudo saia bem. A fórmula é fácil: ele agita, canta e toca bem, troca sorrisos com a parceira e com a platéia, distribui palhetas, e dá espaço para que os demais companheiros de banda façam parte do show. Ela canta com sua voz doce, seu sorriso sincero e sua dança esforçada. Aliás, Marie cativa tanto que em alguns momentos, quando se tem uma ligeira sensação de playback, todos relevam. Ela é maior que tudo.
Às 21h54min, com todos aquecidos após The Big L, surge o primeiro hit lento: Wish I Could Fly. Era o convite para casais e amigos, após delírio geral, deixarem o palco em segundo plano para uma rápida dança com rosto colado, cena repetida com Perfect Day (tocada após Only When I Dream e She’s Got Nothing On) e depois em outras baladas. Em seguida, sem bateria e teclado, saiu Things Will Never Be The Same. E, então, mais um clássico: It Must Have Been Love.

As duas músicas tocadas a seguir, Opportunity Nox e 7Twenty7, foram para agitar o público, que fez tremer o local. Foi quando os demais integrantes da banda ganharam espaço, mostrando que não estavam lá só para fazer figuração da dupla principal.
Mas era hora de voltar ao passado de novo e a escolhida foi Fading Like a Flower (Every Time You Leave), música que Marie terminou com uma rosa em mãos. Em seguida, Stars preparou o terreno para outros dois grandes sucessos: How Do You Do! e Dangerous. E após breve pausa para apresentar a banda – tempo em que o guitarrista solo levantou a plateia com a execução do hino do Rio Grande do Sul –, a primeira parte do show terminou com Joyride.

Mas foi muito rápido. Um minuto depois eles já estavam de volta, mas com funções trocadas: tecladista assumiu o violão, vocalista apareceu nos teclados. Tudo para desempenhar Watercolours In The Rain. Depois, com cada um na sua novamente, foi a vez de outro hino (agora, um sueco): Spending My Time, entoado em peso pela massa. E The Look fechou o primeiro bis.
As últimas três músicas foram Way Out, o sucesso Listen To Your Heart e a acústica Church of Your Heart, que teve Gessle na harmônica.
Às 23h26min, acabava a viagem no tempo aos embalos do Roxette.
– Foi o melhor show da minha vida – resumiu Marcos Franz, 32 anos, que saiu de Chapecó às 13h e encarou seis horas de estrada com o amigo Rafael da Luz para ver o show na capital gaúcha.