Falando em achar respostas de como se fazer mais feliz, trago o depoimento de duas jovens que estão achando suas respostas, ajudando no MIM - Movimento para uma Infância Melhor. A Marlene, que mora num bairro pobre da Zona Leste de Porto Alegre, sentiu-se chamada a acolher em sua casa as crianças da vila que não tinham onde ficar no turno inverso da escola. As meninas que vão dar seu depoimento fazem parte do Grupo Agraciadas, do Movimento de Emaús, para jovens a partir de 18 anos.
O Grupo, na sua caminhada de fé, também sentiu-se chamado a fazer a diferença ajudando aqueles que precisam.
Depoimento da Lausiane:
Hoje o dia parecia que ia começar mal... uma noite de sono ruim, muitas pesadelos, muita chuva. Acordei mais cansada do que fui deitar. Dia "cinza". Levantei meio atrasada. Mal conversei com minha mãe, que havia levantado para tomar o café da manhã comigo (eu particularmente não gosto de estar sozinha nas refeições; para mim, é um ritual que se deve ser aproveitado e a maioria das pessoas esquecem na correria do
dia a dia). Cheguei na aula bem na hora de começar, de praxe sentei na frente, professor muito bom de uma matéria não muito boa (direito administrativo), a aula passou "voando". Adoro pessoas inteligentes que agregam nossos estudos.
Voltei para almoçar com chuva, parei antes no super para comprar a caixa de leite para o lanche das crianças carentes, cheguei em casa e pensei "como é bom você chegar aonde tem alguém te esperando". É o que eu quero para sempre. Não só minha mãe, é como a cada ida ao meu irmão, é chegar na casa da Tharita e ver o sorriso no rosto de quem eu
amo, é chegar, chegar na Fabi e ver que a Fabricia também ficou feliz com a minha presença, é ver o carinho da Camila, vou para a minha "coca-cola" na casa da Miche, ou a "batida especial" da Graci, é o carinho de todas as minhas amigas, isto.
Bom, o dia cinzento já tinha quase passado. Fui para a casa da Fabi e preparamos o lanche das crianças do MIM. Tudo com muito carinho. Para nossa felicidade, o Zé Machado também foi conosco, ele está se sentindo sozinha antes da "viagem" para a Austrália. Paramos o carro na frente e um gritou "chegaram" todos gritaram e ao mesmo tempo foram sentar para nos esperar bem comportados. Crianças lindas, cada qual com sua
maneira. Falei para a Camila "vamos fazer uma oração antes de distribuir o lanche", e ela disse: "vai lá e faz com elas, tu tens mais jeito". Sim, eu fui, nem precisei fazer nada, as crianças já haviam ensaiado a oração em forma de música. Coisa mais linda. Neste
momento, o meu tempo parou. Entregamos o lanche. Aí sim, tudo ficou mais e mais bonito, apesar das "artes". Elas começaram a cantar, sentaram tudo em volta de mim e do Zé, uma me dizia baixinho "como você é bonita". Meu sorriso foi na hora.
Outra de forma especial, chamada Laila, deve ter uns três ou quatro anos, pediu para sentar do meu lado. Coloquei ela ao meu lado, ela sorriu e falou algo q não entendi, pedi para repetir e ela disse "neste ano vou entregar meu bico para o Papai Noel para ele me trazer um presente". Foi tão espontâneo que fiquei sem reação. Ela se divertiu com o bico e com a "tia Fabi". Depois ela cantou e dançou para eu ver. Assim, como vários deles. Ficamos ali uma hora, talvez um pouco mais, mas elas encheram meu coração de alegria. Quando fomos embora, uma a uma vinham nos dar um abraço e um beijinho. E
perguntavam quando voltávamos e ao dizer "no mês que vem", elas diziam "só no mês que vem? Tá longe!". Mais uma vez me senti esperada, desta vez por aquelas crianças que gostam de uma maneira sincera, simples.
Entrei no carro com o coração tocado por Deus.
Bom, mandei uma mensagem para vocês porque queria falar tudo isto, dizer que
meu dia "cinza e chuvoso" está aparecendo um arco-íris.
Depoimento da Camilinha:
Foi tudo lindo mesmo, e sempre é!!!
Todas as vezes, é muito tocante ir lá. Cada dia tem uma história nova pra saber, uma criança diferente para conhecer.
Ontem, em especial, duas coisas me emocionaram e me fizeram ter a certeza que fui escolhida por Deus para dar um pouco de alento ao coração dessas crianças, e a ele, não decepcionarei!
Primeiro, conversando com um menino, ele contou para mim e a Fabi que sua mãe tinha decidido trazê-los para POA tentar uma vida melhor, pois em Mostardas, segundo as palavras do próprio menino "a gente estava morrendo de fome". Engoli em seco. É de cortar o coração!
O segundo momento foi mais alegre. Na hora de ir embora, eles se grudaram nos nossos pescoços e diziam: "Me leva contigo, me leva junto"!!!
Anjinhos! Minhas orações (peço que todas se unam comigo nessas intenções) é que Deus ajude a trilhar a vida dessas crianças para o caminho do bem, e que faça esse iluminado trabalho da Marlene valer a pena. Sabemos que eles vivem em condições precárias e em meios de convivência mais precários ainda (alguns têm pais traficantes, bandidos e convivem com isso no seu dia-a-dia).
Então, é isso amadas: oremos por essas crianças! E façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para que possamos levar um pouco de alegria a seus coraçõezinhos.
Obrigada a todas as Agraciadas que me ajudaram a dar esse lanche! Espero que outras possam ir também nas outras vezes. Mês que vem o cardápio é: bolo, suco e maçã!


