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A beleza da imperfeição: Nestor Jr. se destaca no cenário das artes visuais com obra inspirada no corpo e na natureza

26 de setembro de 2015 0

nestorjr_photo de marcela keller

Corpos nus e desproporcionais, seres híbridos em mutação, cabelos em movimento. Seja na obra ou no visual,Nestor Jr. confunde. Aos 32 anos, longas madeixas clareadas à camomila, olhos verdes e barba por fazer, o artista plástico integra um time de jovens revelações no universo das artes visuais. Com apenas oito anos de carreira, já expôs suas aquarelas e gravuras em diversas mostras no Brasil, além de França, Espanha, Itália e Portugal.

É fácil reconhecer no morador da porção bucólica do Córrego Grande o menino que cresceu em um sítio do município de Penha vendo o pai pescar e observando com curiosidade demasiada os corpos da mãe e das tias. Dessa época, vieram as referências marinhas.

– Toda obra é um autorretrato, mesmo que o público não entenda – reflete.

Sem as referências culturais comuns à geração Y, Nestor fundou sua relação com a arte de uma forma bem particular, na sala de cinema, que só foi conhecer aos 14 anos. A partir dali, começou a desenhar as cenas dos filmes. Deu certo: aos 18, ele conseguiu um trabalho de ilustrador em Blumenau, onde mais tarde se formaria em Publicidade e Propaganda. Entre o Vale do Itajaí e Floripa, ainda teve ainda um ano em Lyon, na França, onde acompanhou o namorado da época e se dedicou a aprender a língua e treinar xilogravura.

A fração interiorana observadora e altamente ligada à natureza, suas formas e mistérios está lá. Mas o homem do seu tempo, contemporâneo no visual e nas formas de se conectar e se expressar é ainda mais forte. E aí entra um de seus maiores trunfos, pois somado ao notório talento, está um lado dinâmico, arrojado e até empreendedor. Zero acomodado, nesse momento, por exemplo, ele divulga o roteiro das oficinas de aquarela e faz contatos para esticar uma residência que vai fazer em Portugal ano que vem. Nos planos estão mostras na França e Alemanha.

– Claro que quero os editais, mas não vou condicionar meus planos a eles. A minha geração pegou uma época bacana de redes sociais, revistas virtuais, gente nova abrindo galerias e a desmitificação da ideia de que arte é restrita à elite.

Sem preconceitos, Nestor também já fez coaching de carreira, e foi ali que, racionalmente, resolveu se desprender do purismo inicial e se permitir ministrar as oficinas como um trabalho paralelo ao central, que é produzir arte. Entre as características de sua produção, a conotação erótica é uma das mais fortes.

– Sempre tive uma questão com o corpo. Lembro que uma vez, ainda menino, pedi a minha mãe um gibi erótico. Ela comprou, mas com a condição de que não mostrasse aos amigos. Eu mostrei, claro, e ela acabou queimando o gibi (risos). Mas meu erótico não tem intenção de chocar e nem de ser sexual. Acho engraçado como o corpo é algo que todo mundo tem e lida, mas muita gente não quer ver, nem falar sobre.

Celebrando as estranhezas humanas, Nestor perturba e arrebata na mesma medida. Sem perseguir a formosura, sua obra encontra uma beleza longe dos padrões e, talvez por isso mesmo, mais íntima e essencial. Tal qual sugere o menino magro de olhos verdes.

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Imagens: Marcela Keller e Nestor Jr, divulgação  

 

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