
FALA O TORCENAUTA
Já foram realizados 299 jogos, pelo Brasileiro. Entretanto, 14 deles foram disputados com portões fechados. Como a arrecadação média é de R$ 191.614,95 por partida, significa que deixaram de ser arrecadados R$ 2.682.609,30.
É muito dinheiro rasgado com um tipo de punição que em nada inibe a baderna nos estádios. Pelo contrário, enquanto for o clube que paga a conta, o bagunceiro se sentirá liberado para seguir bagunçando. Sobre este tema, o e-mail do leitor Tulio Sergius Eidt expõe com fundamentação a versão do bom torcedor:
%22Uma coisa que está muito errada, no meu entender: é a perda do mando de campo. Por quê?
Nós, um grupo de amigos (sete), todos na faixa dos 50 anos, vamos a todos os jogos do Grêmio no Olímpico, embora moremos em Rio Pardo, a 145 km de Porto Alegre.
No dia 31 de outubro o Grêmio jogará contra o Atlético-PR, em Curitiba. Todos nós já adquirimos passagens aéreas e garantimos reservas em hotel na capital paranaense. Imaginem se o Atlético perdesse o mando de campo neste jogo, como ficaríamos?
Gostaríamos de ir a mais jogos pelo Brasil, mas temos receio de programar outras viagens. Achamos que as punições podem ser muitas, menos castigar os torcedores. Gostaríamos de planejar nossas viagens sempre no início do ano, pois ao adquirirmos passagens aéreas com bastante antecedência conseguiríamos preços bem mais em conta. Mas assim, não dá.
Outra situação: todos nós temos cadeiras cativas no Olímpico. Isso custa em torno de R$ 1 mil por ano. Imaginem o Grêmio perder o mando de campo porque algum torcedor desequilibrado jogou uma garrafa d%27agua dentro do campo.Tem muita coisa em jogo.
No Gre-Nal, estávamos no Olímpico e vimos as bombas que foram jogadas para dentro do campo ( bem longe do túnel de acesso, que fica a mais de 30 metros). O Grêmio foi absolvido no julgamento. O clube identificou o torcedor que arremessou a bomba, e ele foi punido.
Hoje o Olímpico está cheio de seguranças identificando e retirando estes torcedores bagunceiros, que vem sendo punidos exemplarmente. Porém, leio no jornal que o procurador do STJD recorreu desta decisão. Sugiro que o STJD revise as punições, talvez aplicando penas pecuniárias.
Respeitosamente, com saudações esportivas,
Tulio Sergius Eidt%22
Caro Túlio, o problema não está no STJD. O procurador (promotor) está exercendo o seu papel, simplesmente.
A causa está no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que foi elaborado sem a participação dos clubes, apesar de veementes pedidos, e estabeleceu penas draconianas. A perda de mando de campo é apenas uma delas.
Existem outras, ainda mais radicais. Multas capazes de levar um clube pequeno à falência, suspensões de jogadores por até 45 meses, e assim por diante. Enquanto este absurdo código não for revisado, os tribunais continuarão aplicando as penas nele previstas.
Postado por Wianey
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