
Nada incomoda mais o torcedor gaúcho do que ver o seu clube em posição desvantajosa em relação ao seu mais histórico rival. Antecipo que esta não é minha intenção, neste post. Pretendo, apenas, apoiado em fatos, mostrar que Grêmio e Inter, a partir de um determinado momento da história, decidiram seguir caminhos diferentes, e os resultados não são favoráveis ao Grêmio.
Há cerca de duas décadas, pouco mais, o Grêmio era exemplo cantado de estruturação e gerenciamento. Enquanto ganhava grandes títulos, o Inter mal conseguia pagar os seus, quase sempre no cartório. E o estilo administrativo do Inter era exemplo, sim, de como não se deve fazer.
Hoje, as posições estão invertidas. O Inter tornou-se modelo de administração para grandes empresas, inclusive, que comparecem ao Beira-Rio para ver e aprender. E o Grêmio, literalmente, afundou.
A encruzilhada que levou Grêmio e Inter a tomarem rumos distintos abriu-se quando o futebol brasileiro foi tomado pela idéia de clube-empresa e parcerias. Propostas que iam nesta direção chegaram nos dois clubes, quase ao mesmo tempo. No Inter, foram rechaçadas. No Olímpico, adotadas sob aplausos e projeções grandiosas.
Naquele ponto da história, o Inter escolheu encolher o passo, preservando a sua autonomia, enquanto o Grêmio empenhava uma parcela significativa da sua independência administrativa e financeira, comprometendo receitas ordinárias futuras em nome de devaneios vaporosos que douravam o presente e reservavam um futuro pouco claro. O resultado é conhecido. A herança destes tempos, sentida.
Hoje, o Internacional empreende uma gigantesca e dispendiosa operação de modernização do Beira-Rio. Até agora, contando apenas com os seus próprios recursos e, principalmente, o inestimável patrimônio representado pela sua imensa e fiel torcida.
O Grêmio, por seu lado, também quer uma casa nova. Mas, como não se preparou para construí-la pelos seus próprios meios, convocou ajuda nacional e internacional de construtoras dispostas a fazer o trabalho mediante garantias de que compensará o valor dos seus investimentos e lucros com parte importante das receitas do Grêmio.
De novo, duas maneiras de pensar o futuro. O Inter moderniza o Beira-Rio sem alienar um centavo das suas receitas ordinárias futuras e o Grêmio está disposto a oferecer, segundo foi divulgado, 35% das receitas que obtiver com o novo estádio. Se alguém pensa que é pouco, pense que de cada R$ 100 apenas R$ 65 ficarão com o Grêmio. É verdade que, em 20 ou 30 anos, a nova arena e todas as suas receitas serão do Grêmio, integralmente. Um longo período, ninguém duvida.
É possível que as receitas que a nova arena gremista venha a produzir sejam tão alentadas que possam gerar, em cifras nominais, recursos maiores do que o Grêmio tem hoje. Estaria consagrada uma benigna compensação. E, se as dívidas também desaparecerem sob o concreto, as justificativas seriam plenas.
Mas só o futuro mostrará se este pacote de vantagens se realizará. Neste momento, muito mais claro, firme e até radioso é o futuro que o Inter está se reservando.
Postado por Wianey



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