"Prezado Wianey Carlet:
Venho informar a situação constrangedora que tive de passar no sábado, quando resolvi levar meu filho pela 1ª vez a um jogo do Grêmio. Recentemente, resolvi associar-me na modalidade de sócio-torcedor do Grêmio, por alguns motivos que julgava serem importantes, tais como: mostrar ao meu filho que o seu papai `era gremista de carteirinha`; eventualmente poder ir assistir uma partida de futebol, com a facilidade de compra do ingresso via internet; mais eventualmente ainda, poder levar o meu filho a determinados jogos (os de menor `potencial de risco` para se levar uma criança), ensiná-lo a ser gremista, etc. Ou seja, os motivos da minha associação também estão vinculados ao meu filho.
Ocorre que resolvi estrear esse plano no sábado, contra o Náutico, por ser um time pequeno, com pouca probabilidade de acontecer alguma confusão. Efetuei todo o procedimento de compra de ingresso (cadeira central), fiz aquela propaganda do programa de sábado para ele e quando cheguei lá no estádio Olímpico, surge o problema, ele não podia me acompanhar, a menos, que portasse o ingresso de cadeira central também.
É óbvio que um adulto, ou até mesmo um adolescente tem que pagar ingresso para assistir ao espetáculo, mas o meu filho tem apenas três anos e passou o jogo inteiro sentado no meu colo, pois se ficasse em uma cadeira não poderia assistir ao jogo (qualquer pessoa sentada na cadeira da frente, tapa a visão dele).
CONCLUSÃO: Eu, sócio-torcedor, além diversos outros pais que pensaram e agiram como eu (lá também tinha um pai com seu filho de menos de 1 ano de idade e outro com o filho com a mesma idade do meu), e ficamos tentando argumentar com um sujeito na roleta, que só sabia dizer: `passem na ouvidoria, ou então entrem na geral que criança não paga`. Acabamos todos tendo que que ir para a fila da bilheteria e comprar outro ingresso de R$ 50 para eles poderem entrar no estádio e assistir ao jogo. O meu filho, de três anos, passou o jogo no meu colo; imagina então aquele pai que estava com o filho de 1 ano, o que será que aconteceu?
Isso está correto?
O lugar mais apropriado para levar uma criança de três anos não é na geral e sim nas cadeiras, onde é mais seguro. Não adianta o cara da bilheteria me dizer que eu deveria ir para a geral, pois eu jamais levaria o meu filho para lá, onde a maconha rola solta e qualquer correria pode acabar em tragédia.
Para quê ser sócio, se cada vez que o Grêmio enfrentar um time pequeno e eu tiver coragem de levar o meu filho ao estádio terei que ir para a bilheteria e pagar um valor absurdo para ele sentar no meu colo?
Para mim, essa direção está pensando errado. Eu duvido que a direção do Inter aja assim com o seu associado; a criança de hoje é o sócio de amanhã, se o clube quiser.
Um grande abraço e peço desculpas pelo desabafo, mas a ouvidoria do Grêmio só repete a frase do cara da roleta.
Márcio Seligman,
Arquiteto e estudante de direito".
MAIS UMA:
"Caro Wianey,
Meu nome é Alexandre Luzardo, consultor de Segurança, Sócio Patrimonial do Grêmio desde 1989 e fui a Tóquio em 1995.
Leitor assíduo de tua coluna, gostaria de reclamar minha indignação e repúdio. Estive presente ao jogo Grêmio x Náutico. Comprei duas cadeiras centrais mesmo sendo sócio em dia, eu e minha esposa, pois estávamos levando pela primeira vez ao estádio meu filho de 18 meses, Pedro Luzardo. Fui barrado no portão 12 pois Pedro, mesmo sendo de colo, precisaria pagar uma cadeira integral. Questionei e fui mandado para a Ouvidoria. Lá, não me deram a mínima, mandaram eu deixar escrito uma reclamação que iriam entrar em contato. Pedi apenas que me mostrassem esta norma escrita, pois meu filho viaja de avião no colo, foi ao Circo de Solei, que custa R$ 360 o ingresso, no colo, e no Grêmio tem que pagar uma cadeira integral, e nas arquibancadas e nas sociais, até 12 anos entram de graça, um absurdo.
Quando resolvi não ir mais ao jogo, e registrar uma ocorrência aproveitando o Estatuto do Consumidor, Lei. Federal 8.078 / 1990, pois eles informam este procedimento, mas não escrevem, e não tem cartaz nenhum divulgando, pois é uma arbitrariedade inadmissível, e seria com certeza mais uma ação para o condomínio do Olímpico pagar, encontrei o Cel. CEDENIR, ex- responsável pela segurança do Grêmio que me escutou, e chamou um diretor, que providenciou o ingresso para o Pedro assistir o jogo.
Mesmo assim, caro Wianey, eu disse a eles que iria lutar para derrubar este absurdo, pois teve pessoas menos dispostas a reivindicar seus direitos e foram obrigadas a pagar este ingresso extra com crianças de menos de dois anos no colo.
Wianey, sei da tua personalidade e de teu caráter e tenho a certeza que irá fazer minha voz ser ouvida, pois grito pelos PEDROS.
Desde já, muito obrigado!
Alexandre Luzardo"
E MAIS UMA:
"Tudo bem com você, Wianey?
Faço questão de te passar esta historia que aconteceu com um filho meu, VITOR, e seu amigo ALEX, que tentavam entrar no Olímpico, sábado passado, com uma faixa que dizia: SEMO BEM LOUCO,LOUCO DE BUENO! — trecho de uma música gaúcha interpretada pelos músicos CESAR OLIVEIRA e ROGERIO MELLO.
Depois de serem devidamente revistados pelo brigadianos, foram perguntados: BRIGADIANO — Vocês são da ALMA CASTELHANA?
GURIS — Não, não somos.
BRIGADIANO — O que está escrito aí nesta faixa?
GURIS — Diz: SEMO BEM LOUCO, LOUCO DE BUENO.
BRIGADIANO — Não pode entrar. Podem voltar.
GURIS — Mas por quê? Nós viemos a todos os jogos e entramos sempre com essa faixa.
BRIGADIANO — Não vão entrar porque não está ESCRITO EM PORTUGUÊS.
GURIS — Mas, como assim?
BRIGADIANO — BUENO não é português. Podem voltar pois NÃO VÃO ENTRAR E PRONTO — já com cara de autoridade brava.
E os guris lá se foram para o portão 13, por onde entraram sem nenhum problema, pois no portão 10 tinha um brigadiano, sem identificação, que estava zeloso pela LÍNGUA PORTUGUESA.
TCHÊ, esse é um pequeno problema de quem tenta acessar o Olímpico em dia de jogo. Agora estão fazendo umas barreiras nas bocas de rua de acesso ao MONUMENTAL. Se o PAI, FILHO, AMIGO já estão dentro do complexo do GRÊMIO e levou junto o ingresso, quem ficou para trás não pode chegar, no minimo, até o PÓRTICO para se comunicar e pegar o seu ingresso.
Vocês da IMPRENSA precisam viver este desconforto para só assim denunciar esses abusos. Até os moradores da própria rua ficam de fora, se não tiverem ingresso, acreditam nisso?? Não? ENTÃO VIVAM ESSE MOMENTO NO PRÓXIMO JOGO DO GRÊMIO no Olímpico.
UM ABRAÇÃO
JORGE LUIZ UMINSKI
RUA OLAVO BILAC,PORTO ALEGRE — RS".
A cobrança de ingressos de bebês caracteriza um absurdo inaceitável. O Grêmio precisa rever esta questão. As queixas do Umimski, me perdoe, me fizeram chorar de tanto rir. A parte do brigadiano zeloso com a língua portuguesa é engraçadíssima. Quanto aos problemas de acesso ao Olímpico, a Brigada Militar está enfrentando graves dificuldades com bagunceiros que, agora, se embriagam nas imediações dos estádios porque o álcool está proibido no seu interior.
Acho recomendável que as pessoas que não querem se envolver com confusão, tratem de chegar ao Olímpico com o seu ingresso no bolso e entrar, pacificamente. Quem assim fizer, garanto que não terá problema algum.
Postado por Wianey
Comentários