Foi simples e rápido. Roger recebeu uma proposta de US$ 5 milhões por dois anos de contrato, mostrou-a para o presidente do Grêmio, Paulo Odone, e poucas horas depois esvaziou o seu armário e despediu-se dos funcionários, repórteres e dirigentes.
O casamento durou apenas cinco meses. Neste período, Roger marcou 10 gols, sete deles cobrando pênaltis. E recebeu dos gremistas uma consagração que, talvez, tenha sido maior do que o seu verdadeiro futebol. Mas este é o tipo de consideração que cabe de passagem, somente.
O que precisa ser bem compreendido é que a saída de Roger não tem culpados. Ou melhor, tem um: o Esporte Clube Catar que, seguindo o exemplo de outros clubes daquela região, não tem qualquer compromisso com a ética. Seduziu Roger com uma soma de dinheiro estonteante e se lixou para o Grêmio.
O Al-Jazira não está agindo muito diferente. Perturbou Guiñazu com uma oferta financeira fascinante e, até hoje, não apresentou ao Inter uma proposta de compra. Pelo menos é o que dizem os dirigentes do Internacional.
A diferença entre os casos de Roger e Guiñazu está no fato de que o jogador do Inter está em pleno cumprimento do seu contrato e o clube árabe que deseja contratá-lo nem pensa em pagar a multa estipulada no contrato. Já Roger vai cumprir a cláusula rescisória, fixada em ínfimos R$ 300 mil.
Por que o Grêmio aceitou estipular uma multa tão baixa? Ora, a resposta é quase óbvia: porque se não aceitasse inviabilizaria a contratação de Roger. Além disso, Roger ganha R$ 266 mil mensais, dos quais, apenas R$ 66 mil cabem ao Grêmio. O restante, quem arca é o Corinthians.
O Grêmio não poderia ter tentado uma prorrogação de contrato com uma multa mais elevada? Sim, poderia. Mas, neste caso, teria que adquirir os direitos econômicos do jogador, que pertencem ao Corinthians. E, certamente, Roger não aceitaria receber salários menores do que está ganhando, muito acima das possibilidades do Grêmio.
Esperar pelo fim do contrato de Roger com o clube paulista era a única opção para o Grêmio. E, mesmo assim, é de se duvidar que Roger fosse ceder o seu "passe" ao Grêmio de graça. O seu empresário cobraria uma soma que, provavelmente, o Grêmio não pudesse pagar. Sem falar nos salários. Roger, concluindo, ficaria no Grêmio no máximo até dezembro. Melhor, certamente, do que sair agora.
O problema que está surgindo vem dos Emirados Árabes. Eles não pagam por "passes" de jogadores, apenas oferecem salários astronômicos aos profissionais, que perdem a cabeça e forçam as suas saídas. Já imaginaram se a moda pega e os clubes europeus seguirem o exemplo dos árabes?
O que o E.C. Catar e o Al-Jazira estão fazendo com Roger e Guiñazu tem nome: aliciamento. A Fifa terá que entrar em campo antes que os homens de turbante liquidem com os clubes do Terceiro Mundo.
Postado por Wianey

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