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Posts do dia 1 setembro 2008

Derrotas ajudaram o Grêmio

01 de setembro de 2008 71

Celso Roth: desclassificações no Gauchão e na Copa do Brasil produziram efeito positivo/Mauro Vieira

É possível que até mesmo uma parcela da torcida gremista ainda não consiga entender os motivos que estão levando o Grêmio a fazer uma campanha extraordinária, neste Brasileirão.

O treinador é Celso Roth que, unanimemente, foi rejeitado e apontado como o futuro responsável por um hipotético fracasso do Grêmio. A direção é a mesma que, segundo avaliações iniciais, não contratava craques, apenas trazia jogadores obscuros, quase desconhecidos, e só pensava na construção da arena esportiva.

Razões que foram expurgadas, uma a uma, pelo desempenho fantástico do time. Mas, o que teria determinado esta fenomenal inversão de expectativas?

Os motivos podem ser vários mas, no entendimento deste blogueiro, a grande causa do sucesso gremista no campeonato tem raízes nas duas desclassificações sofridas pelo Grêmio, em três dias, no Gauchão e na Copa do Brasil. Aqueles dois fracassos, que tumultuaram o espírito da nação gremista, produziram, como efeito imediato, um mês para Roth preparar o time para o Campeonato Brasileiro.

Quando a competição nacional começou, o time do Grêmio estava pronto, treinado e bem treinado, fisicamente. Estas condições espantaram lesões, e o treinador, como nenhum outro, pode repetir a mesma escalação e o mesmo esquema tático durante, praticamente, o certame inteiro, até agora.

Foi assim que o Grêmio adquiriu a força coletiva que prescinde de craques. Se todo mundo aceita que o conjunto é responsável pelo desempenho do Grêmio, não é difícil identificar os motivos que geraram a fortaleza coletiva que colocou o Grêmio na liderança e o fará campeão de 2008.

Tudo começou com as derrotas no Gauchão e na Copa do Brasil. Nunca se fez de um limão, limonada tão saborosa.

Postado por Wianey

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Nilmar e Alex azedaram

01 de setembro de 2008 104

Valdir Friolin

Como é que um time pode funcionar, jogar bem e vencer se os seus dois jogadores mais importantes fazem "corpo mole"?

Não lembro, alguma vez, de ter usado esta expressão, mas não existe outra para conceituar o comportamento de Nilmar e Alex no jogo deste domingo, em Recife. No desembarque da delegação, esta manhã, Nilmar não escondeu a sua contrariedade por não ter sido negociado com o Palermo.

O Inter, tudo indica, decidiu valer-se de uma cláusula contratual que lhe dá o direito de ficar com o atacante adquirindo 20% dos seus direitos econômicos sobre o valor e condições da proposta apresentada pelo jogador. Não sei se o Inter faz bom negócio. Acho, mesmo, que o risco é altíssimo. Mas, ninguém, muito menos Nilmar e o seu procurador, pode negar ao Inter o exercício deste direito previsto em contrato.

O Inter e Orlando da Hora reuniram-se para tratar do assunto. Orlando, antes de entrar para o encontro, não escondeu a sua inconformidade com a negativa do Inter. Nilmar não fez menos. Repetiu várias vezes que "infelizmente o Inter rejeitou a proposta". Como se fosse pecado um clube brasileiro não dizer amém para uma proposta estrangeira.

Com Alex, aconteceu a mesma coisa. Não escondeu a sua fúria nas entrevistas que concedeu antes do jogo em Recife e mais tarde, no campo, mostrou que jogador de futebol joga quando quer. E se não quer, faz "corpo mole".

É compreensível que Alex, 26 anos, estivesse apostando tudo na sua transferência para o Al-Jazira, quando faria a sua independência financeira. Porém, do outro lado existe um clube, pressionado por seus torcedores, que não pode esquecer os seus próprios interesses. Além disso, sempre que um jogador renova o seu contrato, assina a fixação de uma cláusula rescisória. Ninguém o obriga a assinar. Assim, bastaria que o comprador atendesse esta exigência e não haveria nenhum conflito. O profissional precisa entender que o seu empregador não está obrigado a receber menos do que as duas partes estipularam, embora esta seja uma praxe.

Nilmar e Alex azedaram e decidiram abrir confronto com o Inter. Enquanto isso, entre os interesses dos jogadores e o esforço que o clube faz para mantê-los, estão Tite, os demais jogadores do time e a torcida. Pode-se criticar Vitório Piffero por qualquer coisa, menos por negligenciar esforços para manter Nilmar e Alex. Os dirigentes declaram que não queriam mais vender ninguém, até dezembro. E estão tentando cumprir a sua palavra. Quem está forçando as vendas são Nilmar e Alex.

Postado por Wianey

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Ninguém segura o grêmio

01 de setembro de 2008 39

Ronaldo Bernardi

Marcel mandou um recado para a imprensa do centro do pais: "O Grêmio é candidato ao título", disse em inequívoco tom de desabafo.

Aqui, dentro das fronteiras gaúchas, já se sabe há muito tempo que o Grêmio é mais do que candidato: é favorito. Mas, por que relutam, tanto, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a admitir o favoritismo justificado do Grêmio?

Não será, certamente, por estas questões regionais que despontam no cruzamento de um antiga acusação: bairrismo. Que, sempre existe nos outros e nunca em nós, importante destacar. Não, não é esta a explicação para que a maioria de paulistas e cariocas, principalmente, ainda desconfiem do Grêmio. Eu escrevi maioria porque existe muita gente boa que já percebeu que o Grêmio está pronto para ser campeão. 

A justificativa é, até, singela: o Grêmio é um time sem estrelas. E sem elas, como pode se fazer um campeão? - pensam aqueles que ainda não descobriram ser o futebol um esporte coletivo que melhor produz pela força do conjunto do que pela soma das individualidades de uma equipe. Este é o segredo: o Grêmio é uma equipe. Assim, até jogadores limitados, como Marcel, se agigantam e passam a ser imprescindíveis.

As "estrelas" do Grêmio são, todas emergentes. Nesta condição, ainda não foram bem percebidas. Começando por Victor, um goleiro que saiu da obscuridade do Paulista para brilhar, intensamente, no Olímpico. Rafael Carioca e Willian Magrão são, quem sabe, as individualidades mais expressivas do Grêmio. Carioca é uma espécie de Clodoaldo: elegante, refinado e um solucionador de problemas calmo e comedido, como não se é aos 18 anos. Quanto a Magrão, é um dínamo que funciona, sempre, em velocidade máxima. Os dois garotos terminarão o ano entre as melhores revelações desta temporada. E, se Dunga tiver juízo, enxergará que Já existem bons candidatos para preencher as vagas dos entediantes volantes da Seleção Brasileira.

Rafael Carioca e Gilberto Silva: quem você escalaria?

Roger disse, certa vez, que o Grêmio é um time de operários. Alguns, como Carioca e Magrão, muito qualificados. Mas, ainda assim, uma equipe formada por operários dedicados. Em que categoria se poderia inserir Paulo Sérgio, por exemplo?

O desabafo de Marcel foi oportuno mas desnecessário. A candidatura do Grêmio ao título, se ainda não é admitida, será nas próximas rodadas. E, afinal, pouco importa. O que vale é levantar o caneco. E nenhum, outro time, como o Grêmio, está tão preparado para este momento glorioso.

Postado por Wianey

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Inter: Fim de um ciclo

01 de setembro de 2008 82

Alexandro Auler, AE

Está acontecendo com o Inter o que já aconteceu com inúmeros grandes times: o tempo de validade terminou. Foi assim, com as grandes equipes formadas no Beira-Rio nos anos 70, não foi diferente com o Grêmio campeão do mundo e, depois, o mais vencedor de todos os times gremistas, formado nos anos 90. E está sendo com o Inter e o São Paulo.

Equipes de futebol são finitas. Elas surgem, encantam e morrem. Aos clubes cabe a reconstrução de novas grandes equipes, mas a história mostra que isto não acontece por decreto. E nem imediatamente após o desaparecimento de um bom time.

Fernando Carvalho gastou três anos para montar o time e o grupo de profissionais que levaria o Inter às maiores conquistas da sua história. O clube, obtidos os títulos da Libertadores e do Mundo, investiu esforços e muito dinheiro para manter e até melhorar aquele time vencedor. Mas, é impossível driblar a força de circunstâncias que se opõe a perpetuação de uma grande equipe.

 O enfado das grandes conquistas aliado a gula cataclísmica dos ricos e poderosos europeus, são elementos imbatíveis na destruição de grandes equipes, formadas em países pobres, como é o caso do Brasil.

Está terminando o ciclo do vencedor time colorado destes primeiros anos do novo século. Tudo terá que ser reconstruído. O Inter, até, já começou este processo de renovação. Mas, os ciclos não se misturam. Alex é um dos remanescentes do grande time. O seu tempo de Beira-Rio terminou.

Os dirigentes do Inter se debatem, tentando manter Alex. Impossível. No máximo, conseguirão reter um jogador amargurado e revoltado por terem impedido que garantisse a independência financeira sua e de seus familiares. No que diz respeito a Nilmar, será agora ou daqui há alguns meses.

Impossível enfrentar o poder do dinheiro brandindo sonhos. Os dirigentes querem vitórias, títulos e os profissionais não espicham molhares além das montanhas de euros oferecidas pelo sedutor estrangeiro. Não tem jeito, simplesmente. Neste momento, o Inter precisa ser cauteloso e responsável. Pior será se comprometer o seu futuro com endividamento que pouco ou nada garantirá.

E, se me permitem plagiar Madame Suplicy: senão for possível manter Nilmar e Alex, Píffero e Carvalho, relaxem e gozem.

Postado por Wianey

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