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Posts de setembro 2008

Olímpico e Beira-Rio sob risco de interdição

30 de setembro de 2008 70

Comportamento das torcidas no Gre-Nal poderá prejudicar a Dupla/Daniel Marenco

A imprensa errou feio. Não podia ter invadido o gramado do Beira-Rio. A Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (Aceg), presidida pelo José Aldo Pinheiro, já enviou correspondência à Federação Gaúcha de Futebol (FGF) pedindo desculpas pelo ocorrido.

Não é praxe no Rio Grande do Sul. Ninguém lembra da última vez em que algum repórter invadiu o campo. Domingo, entretanto, havia muitas emissoras de fora, algumas acomodadas à beira do gramado. Aumentou muito o número de profissionais que, não sendo de Porto Alegre, não estão acostumados com as regras.

Alguém invadiu o campo e foi sinal para que outros o seguissem. Faça-se justiça, entretanto. Não foram apenas profissionais da imprensa. Muita gente, saída dos reservados destinados aos times, também invadiram. De qualquer maneira, nada justifica o que aconteceu.

O que poderá resultar em punição não será, certamente, a invasão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. A presença de jogadores reservas, sim, poderá provocar interdições, não apenas do Beira-Rio.

E se o procurador do STJD, Paulo Schmidt, analisar as imagens das arquibancadas, como foi informado, poderá sobrar interdição para os dois estádios: Beira-Rio e Olímpico. A televisão mostrou, claramente, torcedores gremistas derrubando a grade divisória, além dos colorados que jogavam pedras e urina sobre a torcida gremista.

Seria bom que todos, gremistas e colorados, colocassem as suas barbas de molho.

Postado por Wianey

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O Grêmio perdeu no meio-campo

30 de setembro de 2008 35

Arivaldo Chaves

Dirigentes do Grêmio e o treinador Celso Roth encontram-se hoje para uma reunião de rotina que nada terá de rotineira, haja vista que sucede uma derrota ecoante no Gre-Nal. Pouco ou nada sairá desta pequena assembléia, mas transpiraram alguns pensamentos dos dirigentes, antes do encontro.

A goleada sofrida para o maior adversário foi considerada inconcebível. O Grêmio jogou pouco, muito pouco. Segundo circulou, extra-oficialmente, os dirigentes gremistas estão inconformados com algumas decisões de Celso Roth. Estas, entre elas:

• Manutenção de Marcel e Paulo Sérgio como titulares
• Esquema tático já estaria “manjado” pelos adversários
• Ostracismo de Makelele
• Falta de foco do time
• Jogadores reclamam do árbitro em vez de marcar o adversário

São questões importantes, todas elas. Este blogueiro opina que:

 Marcel e Paulo Sérgio já deveriam ter sido substituídos. Celso Roth, e quase todos os treinadores, têm o péssimo hábito de se apegar a determinados jogadores, e parece não haver força ou bom senso capazes de demovê-los das suas idéias.

 O esquema tático está sendo mal executado. Não seria necessário mudar, desde que os alas voltassem a produzir como produziram no primeiro turno. Se não for possível, Roth deveria trocar um zagueiro por um meio-campista, adotando o 4-4-2. No Gre-Nal, o Grêmio jogou com três jogadores no meio-campo, enquanto o Inter tinha até cinco jogadores. Neste setor, decidiu-se o Gre-Nal.

 Sobre Makele, já escrevi várias vezes que é inexplicável o ostracismo a que foi jogado. Orteman é inferior. Mesmo assim, é possível compreender Roth. Se ele escala Makelele para substituir Willian Magrão e o Grêmio perde, seria fuzilado por não ter utilizado Orteman.

É o que está acontecendo com Morales. Todo mundo quer ver o uruguaio no comando do ataque, sem que ele tenha jogado. É uma mania do futebol imaginar que qualquer jogador contratado é sempre melhor do que aquele que está jogando. Mas o Grêmio tem Soares e Reinaldo como opções. Qualquer um deles não jogaria menos do que Marcel está jogando.

Sobre Paulo Sérgio, este jogador surpreendeu pela sua comovente dedicação, nos jogos. Mas aos poucos foi perdendo força, e hoje é apenas uma peça insatisfatória na equipe gremista.

 Não sei se está faltando foco. Se estiver, a responsabilidade é de todos: comissão técnica e dirigentes.

 Reclamações contra o árbitro em vez de marcação. Bem, a tropa reflete o comando. Se os jogadores escutam a todo o momento que os árbitros estão roubando etc, é certo que levarão este sentimento para o campo.

Enfim, muitas coisas podem ser melhoradas, no Grêmio. Algumas decisões impactantes só podem fazer bem.

Postado por Wianey

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Só a soberba tira vaga do Inter

30 de setembro de 2008 16

Valdir Friolin

O jogo contra a Universidad Católica admite uma velha expressão do turfe: é páreo corrido. Este, talvez, seja o maior risco a ser enfrentado pelo Inter.

O mês de Setembro marcou desempenhos esplêndidos da equipe de Tite. Do primeiro jogo, em Santiago, o Inter trouxe uma vantagem quase absoluta. Com uma formação composta quase exclusivamente por jogadores reservas, o Inter conseguiu um empate com gol, o que lhe faculta garantir passagem para a próxima fase da Copa Sul-Americana até com empate sem gols. Tite já anunciou que vai poupar jogadores.

O Inter vai de time misto. Nada que possa se constituir em grave risco. Desde que o time não entre em campo pensando que o jogo está ganho. É “páreo corrido” para apostadores, que podem exagerar à vontade. No futebol, pode ser o pior pecado: da soberba.

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Violência: gremistas e colorados se queixam

30 de setembro de 2008 87

Valdir Friolin

Recebi dezenas de e-mails contendo relatos sobre fatos violentos ocorridos no Gre-Nal de domingo. Selecionei dois para mostrar que não existem inocentes nesta guerra estúpida que desejam perpetuar no futebol. Os dois torcedores, gremista e colorado, oferecem críticas a ação da Brigada Militar.

Este blog gostaria de ter a versão da polícia militar sobre os fatos aqui relatados. O blog está à disposição:

“Wianey

Sou leitora assídua da sua coluna e sua fã, por isso resolvi escrever este e-mail. Presenciei um fato no Gre-Nal de domingo, que, até agora, ninguém falou a respeito. Sou sócia do Inter e estava na arquibancada superior, logo acima da torcida do Grêmio.

No intervalo do jogo, a torcida do Grêmio começou a quebrar o cimento da arquibancada inferior e arremessar pedaços do mesmo para cima, onde nós estávamos (eu, meu marido e meu irmão). Os fragmentos começaram a atingir as pessoas, nas diversas partes do corpo, ferindo-as. Um torcedor que estava imediatamente ao lado do meu irmão, recebeu um fragmento na testa, fazendo um ferimento muito profundo, com muito sangramento.

Para piorar, foi arremessado, duas fileiras abaixo de onde eu estava, uma faca de cabo de madeira. Graças à Deus não atingiu ninguém. Nós, torcedores, mostrávamos os objetos para os brigadianos que ali estavam, mas de nada adiantou. Diante da situação, tivemos que subir alguns degraus da arquibancada para fugir das pedradas, amontoando-nos com outros torcedores.

Ontem, estava escutando o Sala de Redação na Rádio Gaúcha, e o Paulo Sant`ana estava indignado porque os torcedores do Grêmio levaram pedradas e urina dos torcedores da arquibancada superior. Acho que ele está desinformado do que realmente aconteceu. Pelo contrário, e para minha admiração, os torcedores do Inter gritavam pedindo para os outros torcedores, que recebiam as pedras, para não jogá-las de volta.

Portanto, Sr Wianey Carlet, peço-lhe que divulgue e comente esse fato, porque até agora ninguém comentou sobre isso, acho que por falta do conhecimento dele.

Grata pela sua atenção.

Joice Fernandes Bastos.”

 

Wianey, meu nome é Henrique Tronco, sou estudante de engenharia civil da UFRGS, tenho 21 anos e sou gremista. Gostaria de relatar o que aconteceu comigo, no Gre-Nal, graças a Deus, nada grave. O fato é que fui ao Beira-Rio para assistir ao jogo do meu time e me deparei com legítimos absurdos da nossa sociedade. Primeiro, foi infeliz o trabalho da Brigada Militar que apesar que ser experiente em trabalhar em Gre-Nal, conduziu muito mal os gremistas até o Beira-Rio. Lá dentro, muitos torcedores gremistas(localizados INCRIVELMENTE na parte inferior com a torcida colorada acima) foram atingidos por pedras e até celulares nas cabeças). Relato também que torcedores colorados foram atingidos devido ao revide gremista. E a Brigada Militar, infelizmente, não reagia.

Mais, no meio do primeiro tempo houve a briga na torcida do Grêmio. Eu e meu amigo fomos empurrados pela multidão arquibancada abaixo, saindo esfolados nos joelhos e braços. Nada grave como já escrevi antes, não precisamos buscar atendimento médico. O que me deixava mais triste era ver torcedoras gremistas chorando nos muros do Beira-Rio sem ver o jogo, assustadas com a violência(detalhe: estava ainda 2×1).

Bom, depois disso, resolvi ir para casa, ao final do primeiro tempo. Não pelo resultado. Não pela goleada que estávamos tomando de nossos maiores rivais. Não deu nem tempo de ficar triste com o resultado do jogo, tamanha foi a minha indignação com a organização da Brigada Militar e o Inter que colocou seus torcedores acima dos gremistas.

Esse é o país da tolerância zero. Infelizmente é o país também de uma torcida só nos Gre-Nais. Não vejo outra alternativa.

Grato pela atenção

Henrique Tronco”

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Gre-Nal é patrimônio que deve ser preservado

30 de setembro de 2008 47

O Gre-Nal, mais uma vez, confirmou a falta de fidalguia e boa educação de torcedores que vão aos estádios dispostos a qualquer coisa, menos assistir futebol e incentivar o seu time. A seguir, uma proposta inédita para salvar o maior clássico do futebol gaúcho:

Grenal, patrimônio de todos

*Ben-Hur Rava

O Gre-Nal é mais do que um jogo de futebol entre dois times rivais no Estado. Há muito transcendeu a mera peleia futebolística aqui nos pampas entre azuis e vermelhos, tornando-se uma espécie de marco histórico, cultural e tradição que acompanha indivíduos, famílias e grupos. Chegam os mais exaltados seguidores daquelas cores a intitularem-se uma “nação”.

Pois bem, o que caracteriza um povo como “nação”, entre outros fatores, é o grau de civilização que alcança e o diferencia da mera etapa de barbárie. E isso parece estar se perdendo com relação ao Gre-Nal, por ação daqueles que o freqüentam.

Não faz muito tempo, Gre-Nal era sinônimo de sociabilidade, de diferença demarcada entre crenças ancestrais. Não se vira gremista ou colorado; se nasce assim. É quase uma decorrência das nossas lutas políticas: a demarcação bem definida daquilo que somos e do que queremos.

Atualmente, no entanto, este espírito combativo, mas fidalgo, desapareceu do Olímpico e do Beira-Rio. O que se vê é sempre a mesma coisa: tumulto, violência e insegurança. Hordas de baderneiros, homiziados em “torcidas organizadas” ou em bandos de delinqüentes aproveitam o “clássico” Gre-Nal para propósitos que servem à violência, à agressão e à canalhice da corja que se esconde no anonimato da multidão.

Isso faz com que seja cada vez mais difícil uma ação dos órgãos de segurança privada e pública, em controlar, prevenir ou reprimir tais ações.

A própria beleza das cores antagônicas nos estádios, que coloria o espetáculo e trazia vibração, hoje se esmaece pela imposição do interesse do mandante em seu campo, para satisfazer um número de sócios, cada vez maior. É triste, e ao mesmo tempo grotesco, que num jogo de futebol que se insere na história da cidade, do Estado e do país, não haja mais espaço para a civilidade e reste a barbárie.

Se o Brasil é o país do futebol — que está introjetado em nossa cultura —, há que se tomar medidas cabíveis para o resgate da dignidade do clássico Gre-Nal. E isso, só pode ser feito juridicamente, já que a vontade dos dirigentes é levada pelos interesses políticos e de ocasião.

Uma idéia que pode ser adotada pelo Governo estadual ou municipal é que se estabeleça o tombamento do clássico Gre-Nal, como patrimônio cultural.

A Constituição Federal no seu art. 216 estabelece que o poder público, com a cooperação da comunidade, deve promover e proteger o “patrimônio cultural brasileiro”. Dispõe que o patrimônio se constitui de bens materiais e imateriais que se referem à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, como as formas de expressão; os modos de criar, fazer, viver as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais.

Dentre esses bens, que formam o patrimônio cultural, podemos situar o Gre-Nal como uma manifestação esportivo-cultural brasileira e gaúcha, que pode ser compreendido como expressão e modo de viver da nossa gente, pela tradição e costume que compõe o imaginário social.

Um dos efeitos, entre outros, seria a disciplina jurídica de sua realização com controle pelo Poder Público, com regras claras e eficazes, onde, por exemplo, o interesse público da sociedade estaria acima do interesse privado de clubes e sócios, inclusive com a venda igualitária de ingressos, em cada estádio, para ambas as torcidas. Talvez isso pudesse dispor uma forma de se retomar a organização de um espaço coletivo em nome da preservação da memória e da cultura dando um basta à violência.”

*Advogado e professor universitário

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O melhor campeonato do mundo

29 de setembro de 2008 43

Júlio Cordeiro, Banco de Dados

Sinceramente, não me alinho ao deslumbramento que vê nos campeonatos europeus maravilhas incomparáveis.

A Inglaterra hospeda os melhores jogadores do planeta, é verdade, mas saber que os principais clubes ingleses estão inundados de dinheiro suspeito é suficiente para me causar embrulhos no estômago. O campeonato espanhol é tão modesto que as estrelas são os clubes menores. E o italiano, então, nem é bom falar. Como apanha a pobre bola!

Nestas três competições nacionais européias — exceção momentânea à Espanha —, sabe-se que os títulos serão disputados por dois ou três clubes, no máximo. Sempre os mesmos. No Brasileirão, pelo menos cinco clubes estão disputando o título desta temporada: Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo. As vagas para a Libertadores estão ao alcance de, no mínimo, 10 equipes — as cinco acima citadas, mais Botafogo, Goiás, Inter, Coritiba e Vitória.

Estão envolvidos na luta pelo título e por vagas para a Libertadores nada menos do que sete Estados brasileiros: Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Bahia. Em que país ou continente repete-se este quadro?

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Inter: duas provas definitivas

29 de setembro de 2008 24

Diego Vara, Especial

Os dois próximos jogos do Inter são complicadíssimos, ninguém ignora. Coritiba e Goiás são adversários diretos por vaga no G-4 e enfrentarão o Inter nas suas casas. O time goiano, inclusive, faz a melhor campanha do returno. A do Inter é a segunda melhor.

Serão dois jogos a exigir do Inter, além do bom futebol que começa a jogar, uma imensa capacidade de superação. E desta vez não haverá nenhuma declaração motivadora vinda dos adversários. Mesmo assim, é possível que o Inter traga pontos desta breve excursão de dois jogos. O time de Tite já acumula quatro vitórias consecutivas. Outros clubes já fizeram mais, como o Botafogo e o próprio Goiás.

Ganha-se jogando bem, esta é a primeira condição. O Inter está jogando bem. E existe, visivelmente, espaço para que cresça ainda mais. Tite encaixou a equipe, acertou o esquema tático, as individualidades técnicas começam a despontar e uma certa força coletiva já se identifica.

Trazer seis pontos destes dois jogos seria uma proeza e tanto que, reitero, não é impossível. Pelo contrário. Se o Inter conseguir realizá-la, dificilmente deixará de se instalar no G-4. Serão duas provas definitivas.

O Inter está diante de uma encruzilhada: ou toma o rumo certo ou transfere para 2009 a luta por vaga na Libertadores.

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Liderança gremista pode voltar logo

29 de setembro de 2008 83

Marcel: hora de descansar/Daniel Marenco

Vai depender do quanto a casa gremista foi desarrumada com o resultado do Gre-Nal. Contará, também, a disposição de Celso Roth em rever algumas escolhas, poucas.

A retomada da liderança isolada poderá se dar até o dia 18 de outubro, se o Grêmio estancar o declínio que está abatendo o time no returno, conseguir superar os efeitos negativos do clássico e se uma nova solução for adotada para o ataque. Marcel precisa descansar, um pouco, para benefício do time e dele próprio.

Mas por que o Grêmio poderá recuperar a liderança isolada do campeonato, nas próximas rodadas? Os jogos e locais indicam esta tendência. Nas próximas três rodadas, o Grêmio jogará duas vezes no Olímpico e uma fora.

Em casa enfrentará o Botafogo, em decadência, e o Santos, lutando para não voltar ao grupo da morte. Depois, irá a São Paulo enfrentar a Portuguesa, inquilina da zona de rebaixamento. Dos nove pontos que disputará, o Grêmio teria que ganhar sete, nenhuma proeza histórica considerando os adversários e os locais dos jogos.

O Palmeiras terá vida mais dura nas próximas três rodadas. Pegará o Atlético Mineiro, em casa, viajará para enfrentar o Figueirense e voltará para encarar o encardido clássico contra o São Paulo, em clara fase de crescimento. Deve fazer entre quatro a seis pontos, no máximo. Será uma surpresa de fizer soma superior de pontos.

Confirmando-se esta projeção lógica, o Grêmio terminaria o dia 18 de outubro na liderança isolada, possibilidade que até pode ser antecipada para a rodada anterior, desde que o Grêmio cumpra a sua parte e o Figueirense apronte para cima do Palmeiras.

Tudo vai depender da capacidade de remobilização do Grêmio e de uma reavaliação de Celso Roth do ataque gremista. Pelo menos neste setor, impõe-se uma substituição: Marcel por Morales, Soares, Reinaldo, qualquer um deles.

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Os quatro canhotos colorados

29 de setembro de 2008 27

Banco de Dados ZH

Muitas vezes foi repetido que o Internacional estava acumulando jogadores de pé esquerdo preferencial e esta circunstância entortaria o time. Em várias ocasiões, reiterei neste espaço que era possível harmonizar Gustavo Nery, Guiñazu, D´Alessandro e Alex sem prejuízo para o equilíbrio da equipe. Tite não pensou diferente e o que está se vendo é o Internacional crescer, exatamente, em função de três deste canhotos: Guiñazu, D´Alessandro e Alex.

É simples entender porque o Inter não entortou para a esquerda. Jogadores de grandes virtudes técnicas, costumam se adaptar a novos posicionamentos, sem grandes dificuldades. São os casos de Alex e D´Alessandro. Ainda na época de Abel Braga, Alex já vinha jogando no lado direito do ataque colorado. Tite fez diferente. Manteve Alex no lado esquerdo e deslocou D´Alessandro para a direita. Deu certo. O argentino, inclusive, foi o grande maestro colorado no Gre-Nal e Alex cumpriu ótima jornada.

Quanto ao Guiñazu, ele já vinha demonstrando que não é jogador de se prender apenas a um setor do campo. Guina joga no campo inteiro com igual naturalidade. Restou o quarto canhoto, Gustavo Nery, que segue reabilitando as suas melhores qualidades. Nery segue os passos de Lúcio e Roger, jogadores que o Grêmio buscou quando já tinham queimado todos os seus créditos. Recuperaram-se e foram enriquecer no Exterior. Gustavo Nery, até agora, é mais um caso de regeneração. Os ares de Porto Alegre, parece, fazem muito bem para quem perdeu o rumo e deseja reencontrar o bom caminho.

Resumindo: o Inter vai muito bem com os seus quatro canhotos. Tite harmonizou o time com o quarteto. Aliás, também está impondo a escalação dos três volantes. Mesmo que Edinho seja o mais questionável do trio, o time cresceu com ele, Magrão e Guiñazu.

Enquanto isso, o 3-5-2 foi para o lugar de onde não deve sair: o baú das invenções malsucedidas. Ou, quase isso. É um esquema tático que só funciona sob determinadas e raras circunstâncias.

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Está na hora de mudar, Roth

29 de setembro de 2008 103

Valdir Friolin

Quando um jogador entra em má fase técnica, quantos jogos deve receber como oportunidades para se reabilitar? Depende do jogador, claro. Se for Nilmar, por exemplo, o número de chances deve ser ilimitado.

A sua biografia justifica que siga jogando porque, em algum momento, recomeçará a jogar bem e a marcar gols. Se, entretanto, este jogador for Marcel, não creio que deve receber mais do que dois ou três jogos para reencontrar a sua melhor forma técnica. O seu histórico é modesto e sempre existirá a suspeita de que bons momentos são, para ele, apenas ocasionais. A sua regra é ter desempenhos menos grandiosos, para ser generoso na avaliação.

Aí está o problema de Celso Roth e da maioria dos treinadores brasileiros: identificar a melhor hora para mudar. O momento de substituir Marcel, que teve boas performances no primeiro turno, já está passando. Não se trata de desprezá-lo, pelo contrário. Manter Marcel no banco de reservas, lançando-o durante os jogos em que a necessidade se apresentar, seria fazê-lo apenas um pouco menos titular. Porém, conservá-lo titular seria demonstração de teimosia ou, pior, falta de discernimento. Marcel faz parte de uma idéia dominante no Grêmio de que o time só funcionará se tiver um grandalhão no ataque. Trata-se de uma auto-limitação tão verdadeira que não se pensa em outra substituição que não seja a de Marcel por Morales, outro marmanjo, ainda maior, que ninguém viu jogar.

Mas, não é apenas no ataque que Celso Roth precisa fazer reconsiderações. Paulo Sérgio, faz tempo, murchou. É verdade que Felipe Mattioni trocou o campo pelo departamento médico mas o grande equívoco foi considerar desperdício de talento escalar Souza na ala-direita. Ora, no esquema 3-5-2, o que mais se exige de um ala é talento.

Finalmente, Celso Roth faria bem se parasse de escalar pelo nome ou nacionalidade. Makele já demonstrou fartamente ser superior a Orteman, na segunda função do meio-campo. Por que foi remetido para o fundo do baú?

Enfim, está na hora de Celso Roth mudar o time em algumas posições, sem alterar a formatação da equipe. Certas insistências só reforçarão a sua imagem, para mim injusta, de que é teimoso e incapaz de levar um bom trabalho até o fim. Roth é bom treinador e seria trágico que se transformasse no principal adversário dele próprio.

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Galácticos goleiam operários

28 de setembro de 2008 196

D`Alessandro, o dono do Gre-Nal 373/Diego Vara, Especial

Foi uma goleada histórica, literalmente, pois jamais o Inter havia aplicado quatro gols em um Gre-Nal, no Beira-Rio. O Grêmio chegou ao clássico com uma equipe que estava pronta há mais tempo e vinha liderando o campeonato por efeito da sua inegável força coletiva.

Mas o Inter confirmou que tem melhores jogadores. Alguns muito melhores. Outra circunstância que fez o Inter ser diferente dele mesmo, comparado aos outros clássicos deste ano: desta vez, o time tinha pernas para correr o tempo inteiro. Porém, não foi pela condição física que o Inter venceu, afinal, a vitória foi construída no primeiro tempo, inteiramente. A frase do presidente Paulo Odone acabou sendo premonitória: o time dos galácticos goleou a equipe dos operários. 

Quando o Internacional anunciou a contratação de D´Alessandro, a notícia repercutiu no país inteiro. Ali estava, na opinião geral da imprensa nacional, a contratação mais cara e impactante do futebol brasileiro nesta temporada. No Gre-Nal, D´Alessandro mostrou que vale cada dólar nele investido. Fez gol, prestou serviços para outros gols, reteve a bola, driblou, foi o dono do jogo. Se não tivesse jogando tanto, outro argentino seria o melhor do jogo: Guiñazu. Os dois argentinos deram espetáculo no Beira-Rio.

Sobre Roth, não estou falando agora, após o Gre-Nal. Venho insistindo há vários jogos que era incompreensível a preferência por Orteman em detrimento de Makelele. O uruguaio fez pouco, para não dizer coisa alguma, no Gre-Nal. Makelele marca tanto ou melhor do que Orteman, movimenta-se mais e chega ao ataque com mais freqüência. Outra escolha de Roth também não se justifica: Marcel. É um erro pensar que só é possível jogar com um marmanjão no ataque.

Quem se deu mal foi o principal dirigente do Grêmio. O presidente Paulo Odone pode ter exagerado quando falou que o Grêmio iria “passar a máquina”, mas não foi pela sua frase que o seu time perdeu. Foi pelo futebol do Inter, nem mais e nem menos. A frase de Odone agitou o ambiente, mas não teve intenção depreciativa. Pelo contrário. O presidente gremista homenageou o Inter ao classificá-lo como equipe de galácticos. Chamou-os de estrelas e não de pernas-de-pau.

O Inter já é a segunda melhor campanha do returno. A vitória no Gre-Nal foi a quarta consecutiva. O treinador começou a mostrar o seu talento quando teve os jogadores à sua disposição e, principalmente, um time bem condicionado fisicamente. Neste momento, deve-se duvidar que haja algum colorado desgostoso com o discurso de Tite e, tampouco, acreditando na pilheria de que é gremista.

Pereira jogou apenas 10 minutos e voltou a sentir a lesão muscular que o fizera dúvida para o clássico. Foi bem avaliado?

Ao ser solicitado para comparar o Gre-Nal com River Plate e Boca Juniors, D´Alessandro não titubeou: o Gre-Nal é mais forte, diagnosticou.

Paulo Odone, após o Gre-Nal, cumprimentou o Inter e disse que a vitória do adversário tinha sido merecida. Vitorio Piffero também foi justo. Cumprimentou a torcida e destacou os méritos de Fernando Carvalho e Giovanni Luigi nas estratégias da semana. Os dois presidentes foram elegantes, embora em situações diferentes.

Como fica o campeonato? Não é preciso ser um Pitágoras para saber que, matematicamente, o Grêmio tem plenas condições de chegar ao título. Mas é preciso ser da aldeia para saber que a derrota no Gre-Nal, e por goleada, vai cobrar o seu preço. Grêmio saberá pagá-lo? A história mostra que não. Já o Inter está a quatro pontos do G-4. Continua difícil a vaga para a Libertadores, mas, se a campanha colorada continuar neste ritmo, quem duvida que poderá ser alcançada?

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Sem mistérios

27 de setembro de 2008 20

O Gre-Nal deste domingo decide, sem dúvida, o futuro da Dupla neste Campeonato Brasileiro.

Mas, apesar da importância do jogo, é um clássico sem mistérios. Ou melhor, os mistérios pouco alteram a vida do time adversário.

Perea joga ou não joga? Essa dúvida certamente não tira o sono do técnico Tite, por exemplo. Isso porque, taticamente, o Grêmio irá com dois atacantes, seja um deles o colombiano ou não.

Mas todas essas interrogações fazem parte, sempre fizeram, do Gre-Nal. São as especulações que dão graça ao nosso maior clássico.

Ouça o meu comentário no Esportes ao Meio-Dia de hoje, na Rádio Gaúcha

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Galácticos e operários

26 de setembro de 2008 61

Paulo Odone:

Quando projetou que o Gre-Nal seria disputado entre “o time operário do Grêmio e os galácticos do Inter”, Paulo Odone estava fazendo uma provocação cordial e aceitável mas não estava ferindo, inteiramente, a verdade. O exagero dos conceitos fica por conta dos sempre exacerbados ânimos em véspera de Gre-Nal mas, repito, não estão divorciados de uma certa realidade.

Roger foi o primeiro a fazer referência aos “operários” do Grêmio. Não foi de graça. Ele estava destacando que o time de Celso Roth era movido a esforço e dedicação coletivos, valores que substituíam o apoio de individualidades pela força do conjunto.

Muitas vezes, durante a “janela de agosto”, gremistas ilustres registravam que não havia por parte dos ricos compradores estrangeiros, procura por jogadores do Grêmio. Simples, não é habitual a contratação de equipes completas. Este quadro mudará, certamente, em dezembro, quando vários jogadores gremistas serão cobiçados pelo mercado internacional por efeito da campanha gremista. Hoje, entretanto, eles são parte de uma idéia de futebol competitivo e coletivo, cujos resultados são os melhores.

Se alguém quiser, neste exato momento, poderá dizer que o Grêmio tem time e o Inter jogadores. Não estará errado, totalmente.

Mas, galácticos? Ora, tomando o futebol brasileiro atual como parâmetro, o Inter pode, sim, recepcionar este conceito apesar da sua evidente demasia. D`Alessandro foi a contratação melhor avaliada do futebol nacional, neste ano. Caríssima, sabem todos. Nilmar é atacante de nível internacional. Ninguém duvida que o seu destino, dentro de alguns meses, será algum clube de outro continente. Guiñazu é outra estrela internacional que faz a cabeça dos colorados e da imprensa brasileira. Bolivar foi repatriado da Europa, e assim por diante.

A folha de pagamentos do Inter é bem mais pesada do que a gremista, também é fato conhecido. Então, levando em conta todas estas circunstâncias que alcançam Grêmio e Internacional, pode-se aceitar a frase de Paulo Odone como razoável, embora levemente provocativa.

Uma questão está aberta, será esclarecida após às 18h10min deste domingo e cabe nesta pergunta: quem se dará melhor, no Gre-Nal, o time que se move pela força do seu conjunto ou a equipe que recém adquiriu formato mas conta com individualidades consagradas?

Algumas dúvidas no Grêmio perturbam projeções: Perea, Pereira e Willian Magrão estão saindo do departamento médico. Pereira, tudo indica, é presença certa. Willian Magrão pode ser, e Perea é uma possibilidade distante. Dos três, o mais importante para o time é Willian Magrão. Ele dá estabilidade ao meio-campo gremista.

No Inter, é difícil adivinhar quem será o lateral-direito. Rosinei e Bolivar, candidatos que seriam preferenciais, não querem jogar nesta posição. Ângelo, a alternativa, não joga faz tempo e não participou nem do time misto que atuou no Chile. Quem, então, jogaria?

Se não houver acordo com Bolivar e/ou Rosinei, não cabe afastar a possibilidade de uma adaptação. Quem? Taison, talvez. Sabe marcar e seria uma arma veloz para explorar o lado esquerdo defensivo do Grêmio. Mas esta é apenas uma especulação. Como o Grêmio, também o Inter preservará os seus mistérios até a hora do Gre-Nal.

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Dupla merece reconhecimento

26 de setembro de 2008 15

Não estão sendo devidamente valorizados os estudos que revelam São Paulo, Inter, Grêmio e Juventude como os únicos clubes brasileiros que fecharam os seus balanços de 2007 com saldo positivo.

A repercussão do fato não deveria se materializar, apenas, no reconhecimento pela performance econômico-financeira alcançada por estas instituições, mas deveria motivar o interesse de todos em buscar os modelos que estão sendo bem sucedidos. Mas como exigir que os demais clubes brasileiros centrem o foco das suas atenções nestes casos, se nem os gaúchos parecem dispostos a aplaudir o desempenho dos seus clubes, excepcional, considerando a realidade brasileira? 

Porque fecharam o exercício de 2007 no azul não significa que as finanças destes quatro clubes estejam saneadas. Persistem dívidas que estão sendo pagas e cobram um certo preço na formação de times e elencos de profissionais. Importante, porém, é que São Paulo, Grêmio, Inter e Juventude, no ano destacado, cumpriram os seus orçamentos gastando menos do que arrecadaram. Este é o primeiro e essencial passo para a solução dos desequilíbrios financeiros.

Mesmo sem esmiuçar as colunas de receitas dos clubes, parece óbvio que a venda de jogadores foi decisiva para que estes resultados positivos fossem alcançados. No caso da dupla Gre-Nal, racionalização de gastos e incremento na ampliação dos quadros sociais também contribuíram para estes desempenhos favoráveis. Sem esquecer, claro, que a receita fixa e alentada da televisão continua sendo muito importante.

Mas, se a ampliação dos quadros sociais da Dupla e vendas de jogadores irrigaram as finanças dos dois clubes, por que não aconteceu, também, nos outros clubes?

O crescimento da receita social de Inter e Grêmio poderia ser realidade, igualmente, em todos os outros clubes. A venda de jogadores, idem. Só não é por absoluta mediocridade gerencial que ainda molesta a maioria dos clubes brasileiros.

Formar jogadores que acabarão se transformando em vultuosa arrecadação é um processo que requer conhecimento, interesse e, principalmente, investimentos. Olímpico e Beira-Rio não se transformaram em prósperas incubadoras de craques por decreto divino. Os dois clubes descobriram que esta seria a saída para a preservação do próprio futuro.

O Grêmio de Paulo Odone, mesmo carregando o peso quase insuportável de antigas dívidas, não negligenciou o necessário investimento na formação de jogadores. O Inter de Fernando Carvalho e Vitorio Piffero começou a fincar as bases do seu futuro em meados dos anos 90, século passado, quando o clube baixou o seu olhar interessado nas divisões inferiores.

Alguns anos ainda serão necessários para que Grêmio e Inter possam anunciar que estão livres das dívidas e o realizando, equilibradamente, os seus orçamentos. Mas estão caminhando com passos firmes, nesta direção.

Quando esta hora chegar, não se espere que a Dupla possa prescindir da venda de jogadores. Esta necessidade existirá até o dia, se chegar, em que o Brasil for um país tão rico como Inglaterra, Alemanha, Itália etc. Mas, enquanto este momento não chega, a ordem é sobreviver e vencer. E, se não for pela força do dinheiro, que seja pela energia da criatividade e da competência.

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Sobrevivendo - um momento de reflexão

26 de setembro de 2008 5

“Caro Wianey,

Não sei se lerá minha mensagem, mas eu gostaria muito que lesse. Em primeiro lugar, sou seu fã e gosto muito da maneira como você vê futebol. Para mim, você e o Ruy são os dois melhores colunistas esportivos do Brasil, quando o assunto é futebol. 

Sou gaúcho de uma pequena cidade chamada Planalto, perto de Iraí, e moro no Matro Grosso do Sul há 28 anos, ou seja, desde os 10 anos de idade. Porém, nunca perdi minhas raízes e sou gremista, embora esteja longe. Hoje, porém, não estou escrevendo para falar de futebol, mas para aproveitar alguns dias anteriores, onde você capturou do YouTube vídeos com músicas da Mercedes Sosa e do John Lennon.

Como gostei muito desses momentos, e você propôs a qualquer leitor que tivesse material semelhante que enviasse a você, gostaria de enviar-lhe este vídeo, também do YouTube e propor que colocasse, um dia desses, como reflexão para seus leitores. É uma música de um argentino chamado Victor Heredia. Foi gravada também por Mercedes Sosa, mas, no vídeo com a Mercedes cantando, a música não chega a seu final. Por isso, preferi a versão do seu próprio compositor. Foi gravada em português por Dante Ledesma, mas não tenho o vídeo.

É uma letra um pouco forte, mas que, a meu ver, conduz à reflexão.

Abraços do seu leitor assíduo,
Sandro Alecio Tamiozzo, Campo Grande (MS)”

Postado por Wianey

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