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Na política e no futebol cabem as mesmas regras

07 de novembro de 2008 30

Jogadores ouviram reclamações de torcedores na terça-feira/Diego Vara, Banco de Dados - 04/11/2008

Os últimos dias foram ricos em acontecimentos capazes de testar, fortemente, as nossas convicções. Relacionar fatos, muitas vezes, é essencial para que melhor se possa compreender a vida e, principalmente, avaliar situações com mais clareza.

Na terça-feira, um grupo de torcedores tentou invadir o treinamento do Grêmio com o objetivo de pressionar os jogadores e a comissão técnica. Para efeito do que pretendo analisar, não importam quais tenham sido as certezas que moveram aqueles aficionados gremistas. Tampouco o desfecho dos fatos.

Importa-me, sim, destacar que a iniciativa foi amplamente reprovada sob o cabível argumento de que local de trabalho não é próprio para manifestações de desaprovação.

Diante deste argumento dominante, passei a me perguntar se não seria correto estender este entendimento para outras áreas. Se não aprovamos atitudes que embaracem o trabalho no futebol, não seria razoável que a mesma compreensão fosse oferecida, por exemplo, ao administrador público?

Manifestações hostis em treinamento de futebol ou sob a janela dos gabinetes de um governador, prefeito etc, que diferenças deveriam ser consideradas para que houvesse compreensão distinta para os casos? Não estariam jogadores, governador ou prefeito sendo perturbados no seu ambiente de trabalho?

Pergunto mais: se vaias atrapalham o trabalho dos profissionais do futebol, um carro de som diante de qualquer palácio de governo, não produz igual efeito?

Certa vez, um grupo de manifestantes invadiu o plenário da Assembléia Legislativa do RS. Discutiu-se, na época, se havia legitimidade naquela ação. As posições se dividiram. Na época, assim como estou fazendo hoje, comparei a invasão do plenário a de um campo de futebol. Se não aprovaríamos que manifestantes invadissem o gramado, local de trabalho de árbitros e jogadores, por que aplaudiríamos a invasão do plenário da AL, se lá é o espaço de labor, exclusivo, dos parlamentares?

Tenho a sensação, às vezes, de que temos melhor consideração pelo futebol do que por atividades que exercem influência decisiva na vida dos cidadãos.

O torcedor tem, sim, direito a expressar suas inconformidades, desde que observadas algumas regras que contemplem respeito pelo trabalho, como local e momento. Também é prerrogativa da cidadania manifestar suas reivindicações por meio de movimentos organizados, desde que os seus atos não firam direitos de outrem de trabalhar, ir e vir.

Quando se coloca um carro de som sob a janela de um governante, em hora de expediente, equivale ao torcedor comparecer a um treinamento para gritar o seu protesto. Quando se barra a entrada de um banco, rua ou estrada, está sendo ferido o direito de outrem.

Estou disposto a acatar todas as opiniões que não sejam conflitantes entre si. Considero inconcebível que se exija o cumprimento de regras no futebol e se defenda, ao mesmo tempo, desatenção aos mesmos princípios quando o assunto se desprende do futebol. Que o respeito seja generalizado ou caiamos na baderna, todos.

Postado por Wianey

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Comentários (30)

  • Adelson Lapolli diz: 11 de novembro de 2008

    Democracia não é baderna e baderna os torcedores do Gremio não fizeram e além do mais as manifestaçôes feitas tiveram o apoio da maioria dos Gremionautas e inclusive do Presidente Odone, querem mais,deu certo!

  • Daniel diz: 9 de novembro de 2008

    Caro Wianey,
    Não aprovo a baderna, mas acho que os torcedores tem sim o direito de falar diretamente com os jogadores, afinal, são eles que vestem nosso manto sagrado! Os dirigentes não entram em campo, são grandes responsáveis por tudo que ocorre no clube, porém, assistir aos jogadores entrarem em campo com preguiça, falta de vontade e nós que assim como eu, ajudo a pagar sim, os salários. Temos direito de cobra-los pessoalmente, mas de forma organizada, SEM BADERNA.

  • rafa diz: 8 de novembro de 2008

    se os jogadores não tem compromisso com os torcedores, mesmo ganhando fortunas, e os governantes não tem compromisso com o povo, fazendo-se sabe o quê com o dinheiro dos impostos, será que só o povo deve ser civilizado e ficar quieto diante de tudo? O torcedor que paga o salário do jogador, e o contribuindo o salário do “governante”, então vamos protestar e se não mudar que caiamos na baderna…

  • Luiz Fernando diz: 8 de novembro de 2008

    Lampadas com Batatas…Jogadores não têm OBRIGAÇÕES para com torcedores…Poxa Marcio, que absurdo…Os Jogadores tem sim obrigações com a torcida, somos nós que pagamos o salário enorme que eles ganham, assim como os politicos, o Wianey esta coberto de razão, estamos no nosso direito sim, podemos e devemos protestar quando as coisas não estão indo bem, essa é a tônica da democracia, se pensas diferente é por que lhe agrada a ditadura.Wianey, parabens pela lucidez do teu comentário.

  • Grégory diz: 8 de novembro de 2008

    Wianey, em certo ponto até concordo com sua justificativa, porém, como muitos que aqui já postaram essa comparação é deficiente.
    Em si, elas até tem relação, o povo deve reclamar sim daqueles que elege, é direito nosso fazer isso. O problema é que o povo não sabe como e ninguém procura ajudar, deveriam ser feitas passeatas coisas do tipo, ajuda da midia (impossivel pois ela é do governo) e coisas do tipo. Já no futebol acho que é de direito do torcedor um espaço para trocar ideias (cont..)

  • Grégory diz: 8 de novembro de 2008

    (cont..) um espaço para trocar ideias com os jogadores, acho que deveria ser aberto uma coletiva para torcedores, pois somos nós que bancamos a instituição GRÊMIO, sem nós torcedores não existiria futebol. Portanto acho que o mais justo seria abrir ao menos 1x na semana uma coletiva para os sócios. Porque só a midia tem direito? A midia não faz nada pelo GRÊMIO, e sim a torcida, mas como no governo, antes vem os interesses politicos. Isso é uma ofença aos torcedores que apoiam o IMORTAL!

  • Gustavo diz: 8 de novembro de 2008

    O protesto dos torcedores até pode não ter sido a melhor das coisas, mas eles apenas preencheram o vácuo de uma diretoria que não acompanha jogo fora de PoA, que não peita treinador e que só quer saber do e$tádio novo.
    Agora quanto aos governantes, se incomodados nos seus ambientes de trabalho eles já fazem as barbaridades que fazem, imaginem se não pudessem ser incomodados em “horário de expediente”, como quer o Vianei???

  • Adelson Lapolli diz: 11 de novembro de 2008

    Futebol e Politica andam com certeza lado a lado, mais não são a mesma coisa.Os torcedores que invadiram, que palavra desonesta esta hein? eles apenas formaram grupo e se detiveram apenas em verificar o que estaria acontecendo nos treinamentos que hora e aberto e hora é fechado, uma vez que o comportamento em campo não era mais o mesmo e, pacíficamente conversaram, e deu certo.Quanto a Politíca, tu sabes o que eles prometem quando vão pedir o voto casa a casa? encontrá-los depois é torturante!

  • laureci casagrande diz: 8 de novembro de 2008

    Em primeiro lugar quero dizer que o teu dialogo com o Sr. Keny Braga foi simplesmente TRISTE, para não dizer outra coisa.Que fórmula genial tu estás propondo!A população enfrenta fila do SUS,não tem remedio,não tem segurança, falta de professores nas escolas publicas e os ouvidos INSENSIVEIS dos governantes não podem ser importunados.O.povo tem que se ralar mesmo.Tem que sofrer e ficar calado. Fico imaginando a ração dos hermanos argentinos se ouvissem tal proposta em relação a Praça de Maio

  • SAo PAULO 3 x 2 PORTUGUESA diz: 8 de novembro de 2008

    POUCO IMPORTA SE A SUL AMERICANA VALE OU NAO VALE ALGUMA COISA, O IMPORTANTE É QUE O TRI DO IMORTAL VIROU SONHO

  • Valter-gremista diz: 7 de novembro de 2008

    Continuando… a diretoria foi sensata. Essa defesa de que a torcida não deveria ser ouvida é como defender que os governos não ouçam o povo porque ao povo só cabe votar. AO torcedor e sócio do clube, só cabe pagar as contas e torcer. Ser ouvido nem pensar. .. AHHHH.. FAÇA-ME o favor: democracia é bom demais. Sensatez e lucidez no que se faz também. Queria o quê? que a torcida fosse desprezada?? Queria que a direção demonstrasse o quê para a torcida??

  • Gustavo diz: 7 de novembro de 2008

    Wianey,tu sabes muito bem q somos seres políticos em todas as nossas atitudes. Simplificando,arte da política é exercida,e com muita pressão,pelas maiorias,pelas minorias organizadas,pelos poderosos e pelos desprotegidos organizados.O futebol está inserido dentro disso ASSIM COMO A SRA GOVERNADORA YEDA. O q menos me importa é se os jogadores gostaram ou não mas sim se o Odone está por trás disso p/pressionar os atletas. Acho q os dirigentes usaram os torcedores para dar um susto nos boleiros.

  • bik diz: 7 de novembro de 2008

    Que gentalha…credo

  • Guilherme diz: 8 de novembro de 2008

    Engraçado…não vi nenhuma linha sobre o STJD e seu procurador agora, que tiraram o Diego Souza do jogo contra o greminho…cadê o complô que tanto falavam???

  • atéapé diz: 8 de novembro de 2008

    Amigos:A questão é o resultado da invasão. Tudo bem q os jogadores ganham bem, mas já imaginou vc trabalhando e trinta mil pessoas olhando o q vc está fazendo, pior, te xingando por não fazer direito? Eu não queria esse trabalho, não. Claro q quem está na chuva é prá se “queimar”, mas a pressão tem q vir da arquibancada, não no treino. Não conheço um caso de invasão de treino e cobrança cara a cara q tenha mudado atitude de jogador. Acho q só piora a situação.

  • alexandre fleck diz: 9 de novembro de 2008

    Wianey, o torcedor deve manifestar no local onde esta o problema, ali é que resolverá as pendencias. O treino do Gremio virou brincadeira de criança, não vejo seriedade nos treinamentos e muito menos exigência para aperfeiçoar chutes e passes. Tudo de errado que acontece nos jogos é reflexo dos treinamentos relapsos.
    É lá no estádio que se deve fazer a cobrança sim senhor, agora, quem não tem personalidade para receber a critica, não pode vestir a camiseta do Grêmio.

  • Dirceu diz: 8 de novembro de 2008

    O problema todo e que foi invadido um campo de atividade profissional. Liberado pela direção do Clube ,sim, mas esta é amadora. Todo julgamento de uma atividade tem seu canal de reclamação, protesto. No caso do fuebol e no dia do jogo vaias aplausos ou portao 8.

  • Márcio diz: 7 de novembro de 2008

    Wianey, espantei-me com essa manifestação porque sempre apreciei a lucidez de tuas análises. No caso específico, estás querendo comparar lâmpadas com batatas!! É óbvio que o fundamento do protesto popular (inclusive manifestações) na política é diferente do direito(?) de uma torcida em relação a um time de futebol. Jogadores não têm OBRIGAÇÕES para com torcedores, ao contrário dos políticos em relação ao povo, o que não significa, entretanto, que em nome disso se vá cometer ilegalidades.

  • silvio jaime fernandes diz: 8 de novembro de 2008

    (cont.2)…por insufladores que se mantém no anonimato e deixa para os baderneiros a linha de frente.Torcedores(?!)invadindo o clube para protestar,virou moda.Sabe por que?
    …porque por trás destes baderneiros tem dirigentes apoiando.Movimento dos Sem Terra,dos Sem Casa, invasões constantes, tem politicos por trás de tudo isto.
    CONCLUSÃO:…Fatos como os que mencionastes Wianey,deveriam causar (pelo menos) um pouco de reflexão ao nosso (des)governo.Em todos os segmentos da sociedade.CERTO?..

  • Paulo Roberto diz: 8 de novembro de 2008

    Pôxa Wianey, admiro a tua coragem de escrever sobre baderneiros e suas badernas. Em rápidas palavras vou tentar decifrar o “dificil enigma”. Em pleno horário de trabalho, cidadãos descentes estão envolvidos com seus afazeres profissionais. Certamente não é o caso desse grupo que esteve no Olimpico. Outra:isso acontece por que o presidente do clube mistura o seu cargo com política profissional. E com certeza nesse grupo estavam alguns dos que queimaram os banheiros naquele gre-nal no beira rio.

  • Valter-gremista diz: 7 de novembro de 2008

    “amplamente reprovável … ” pergunto: por quem? por você, o pedro ernesto, e alguns outros comentaristas?? Vocês não são a torcida. De onde tira essa conclusão de amplamenta reprovável a atitude dos torcedores? Fez pesquisa? Leia os comentários da torcida que vai ver que esse teu amplamente reprovável não corresponde a realidade. AQUELES torcedores fizeram o que milhAres de azuis gostariam de fazer. A diretoria foi sensata.

  • márcio souza diz: 7 de novembro de 2008

    “..sob a janela de um governante..” não te esconde Wianey, fala Yeda (aquela que não consegue explicar a compra de uma casa de 700 mil reais, e agora quer ampliar o achaque aos gauchos com os pedágios, e de forma muito suspeita- pra deixar barato) Assume tua ideologia. Eu acho que errado mesmo é a governadora receber manifestantes pacíficos com pauladas de cacetetes e balas de borracha via o truculento e desmedido coronel mendes!

  • Paulo Ribeiro diz: 8 de novembro de 2008

    Que confusão Wianey, o Grêmio é uma instituição privada e os espaços para maniestações de torcedores são definidos pela sua direção, conselho, estatutos ou seja lá quem for. A Praça, ruas, avenidas e parques, são públicos. Ou se tem direito a fazer manifestações ou não se tem. Impedir invasão do Palácio, começa com diálogo, e por fim com policiamento defensivo. O papel constitucional da brigada é de defender o bem público mas também de garantir os direitos dos manifestantes. Pisaste na bola.

  • silvio jaime fernandes diz: 8 de novembro de 2008

    Olá Wianey:…Concordo com a analogia dos fatos que fizestes.Cultura e educação vem de berço.Entretanto, os maus exemplos sempre vem de cima.Politicos corruptos,treinadores incompetentes e dirigentes que adoram levar seus clubes à falência.Resta muito pouco para “nós”(povo)se defender do mau caratismo desta laia que abunda este País.Temos um Código Penal arcaico, mas de alto interesse dos Legisladores para que assim continue.É verdade,qe via de regra,estes movimentos são orquestrados…(cont)

  • wilson diz: 8 de novembro de 2008

    Sou contra qualquer manifestação em que se saliente a ignorancia, desrespeito e agressões. O resto pode ,desde que não interfira no trabalho diario das pessoas.
    Por exemplo : Não gosta do time ? Não vá ao jogo . Envie seu protesto ao clube .

    Não gosta do politico ? Não vote nele nas próximas eleições.Faça ele saber disso .
    Nunca vaiei ninguem do meu time ou do meu clube .
    Se não gosto, não vou mais . Até mudarem.

  • Roberto Vieira diz: 8 de novembro de 2008

    O erro básico do raciocínio do Wianey é que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Futebol não é igual a política, portanto não necessariamente o que é certo para um serve para outro. Para os torcedores o futebol é (ou deveria ser) uma diversão, um espetáculo, lazer. Para os cidadãos a ação, ou não ação, dos governantes pode significar prejuizos materiais ou, em certos casos, risco a própria vida. Futebol não é a vida!Futebol não é tudo! E não serve de parâmetro para tudo!

  • Adriano diz: 7 de novembro de 2008

    Wianey, como analista político tu és um excelente comentarista esportivo. Respeito a ideologia à direita, tua e da empresa onde trabalhas. É comovente ver como te esforças para fundar os teus argumentos, mas eles são frágeis. Qualquer cidadão tem o direito de manifestar-se contra um governo que julgue ser incapaz e corrupto, para citar exemplos mais familiares aos gaúchos e porto-alegrenses. Teu texto é a prova de que honestidade intelectual é uma virtude relativa, usada conforme convém.

  • William Lautenschläger diz: 8 de novembro de 2008

    Pois é, Wianey… como alguém disse aí, sua tentativa de navegar pelos mares da política não foram muito felizes. Mas que bom que vivemos em um país onde você pode manifestar sua opinião e eu posso discordar dela! O que é pior, Wianey? Protestar contra os políticos em seus locais de trabalho, considerando que o trabalho deles é o exercício da democracia, ou na porta de suas casas? Ou o correto seria contar com a vontade dos editores para que os governantes soubessem do descontentamentos da …

  • William Lautenschläger diz: 8 de novembro de 2008

    … população através das letras frias da imprensa? O que não pode haver, de jeito nenhum, é violência e truculência. Foi usando destes artifícios que os generais se mantiveram no poder por 20 anos. Nessa época, com certeza, quem tinha amor à sua vida e à sua liberdade não ia reclamar às portas dos gabinetes, exatamente como na situação idealizada por você. No mais, parabéns pelo blog, um dos esportivos mais atualizados do país.

  • Sergio Vettorazi diz: 8 de novembro de 2008

    Wianey, faz tempo que não leio um comentário seu tão lúcido. Se o torcedor está insatisfeito com o time ou alguns jogadores, que reclamem com a diretoria, e não com os jogadores. A culpa é da diretoria que não tem comando. Se estão insatisfeitos com a diretoria, não vão ao estádio ou mude de time.Se é sócio contribuinte, pare de pagar.Alguém irá perceber a insatisfação do torcedor e terá que mudar, porque o caixa baixará. Agora fazer baderna, aliás é comum aos gremistas, com certeza irá piorar.

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