Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Uma trágica pandemia chamada crack

29 de maio de 2009 33


Breve e atual historia do cotidiano. O rapaz é jovem e viciado em crack. Tem apenas 28 anos. Arrasta-se mais do que caminha. Definha como um planta sem água. Está com os dias contados. Vive por aí, simplesmente. Às vezes aparece na casa dos pais. Ambos de idade avançada, saúde frágil.

Quando ele aparece, o mundo desaba sobre aquele lar. Busca dinheiro e se não obtém, agride os velhinhos. Ainda matará, se não morrer primeiro. O capítulo final da sua história está escrito. O amor dos pais transformou-se em desesperado desejo de morte. Deles ou do filho. Única saída para o descanso que a idade exige. Conheço os personagens desta história. História comum aos nossos dias. Aonde passa o crack não viceja a vida.

Em 1970, o Brasil cantava “Noventa milhões em ação”, lembram? Era o tricampeonato mundial de futebol. Nestes quase 40 anos, os noventa milhões de habitantes duplicaram. Mais de 90 milhões de brasileiros nasceram neste período. E as vagas de trabalho, formal e informal, só aumentaram em 40%, segundo levantamento do IBGE. Significa que existem cerca de 50 milhões de brasileiros com 40 anos, aproximadamente, fora do mercado de trabalho. Vender drogas passou a ser uma saída. Dá bom lucro. Com a trágica “vantagem” de que, neste ramo, ninguém envelhece. Traficantes e consumidores morrem antes de a velhice chegar.

Faltam trabalho, desenvolvimento, perspectivas…

O Brasil não consegue crescer na mesma proporção em que aumenta a sua população. E esta explosão demográfica se dá exatamente nas camadas sociais mais desassistidas. Um garotinho brincando sobre o esgoto que corre nas favelas terá dificuldades monstruosas para se transformar em um adulto produtivo e cidadão. Em contrapartida, será alvo desprotegido da sedução que emana das drogas. Essa criança provavelmente se transformará em um viciado, traficante e ou um bandido cruel. Previsão realista, nenhum preconceito. Mas, vá falar em controle da natalidade. Será excomunhão certa e reação inconformada de ONGS e teóricos acostumados a desfrutar vinhos caros e vida boa.

O crack, mais do que droga, é veneno mortífero. Basta uma tragada, apenas para se impor a dependência. Eu escrevi “uma tragada”e o incauto estará marcando encontro com a morte. Pior do que o crack, só a merla, que é o sucedâneo do crack. Ainda mais letal.

Estima-se que existam cerca de 50 mil viciados em crack no Rio Grande do Sul. Destes, não mais do que 3% sobreviverão. Morrerão quase todos, rapidamente. Mas, antes que morram, muitos roubarão e alguns até matarão para conseguir a droga. Eu, você, nós poderemos ser as vítimas desta loucura.

Calcula-se que dentro de três anos serão 300 mil viciados. Em 10 anos, mais de um milhão. A campanha da RBS Crack, Nem Pensar observa dois objetivos: alertar para esta pandemia e contribuir para conter o avanço da droga. Esta é uma tarefa de todos: impedir que siga aumentando assustadoramente o número de viciados. Vamos nessa?

Postado por Wianey Carlet

Bookmark and Share

Comentários (33)

  • Paulo Grado diz: 29 de maio de 2009

    Sou médico e vejo nas emergências, crianças de 9-10 anos viciadas nisso. Não só na classe baixa. Isso tá dentro das escolas de classe média ou alta também. A curiosidade do adolescente podeser trágica, pois como é uma droga de ação intensa mas ultra curta, causa dependência química em poucas tragadas. É um risco pra todos nós, pais, numa “bobagem” de nossos filhos, não conseguirmos mais consertar o estrago que isso causou. Nos morros do Rio, até os traficantes proibiram o ingresso dessa droga.

  • bes diz: 1 de junho de 2009

    Conforme psiquiatras especializados em dependencia quimica, é importante a influencia do consumo de alcool como indutor. Pergunta que se impõe: algo vai mudaqr na midia em relação a propagandas de bebidas alcoolicas e festas musicais de verão, onde é abundante consumo de bebidas?

  • Ian diz: 29 de maio de 2009

    “Mas, vá falar em controle da natalidade…”
    Fica minha sugestão para a próxima grande campanha da RBS: Promover o controle de natalidade. Acredito que é o primeiro passo para um mundo melhor e civilizado.
    Eu digo não ao crack. E digo sim ao controle de natalidade.

  • lauro julio koch diz: 30 de maio de 2009

    No dia do lançamento da campanha,remeti um comentário.Infelizmente,não foi postado.Falei exatamente sobre duas questões,anteriores da prevenção sobre drogas.Primeiro:a proliferação de favelas(chamadas de comunidades),no entorno das grandes cidades.Segundo:o grande aumento de natalidade nestas favelas,principalmente nos mais miseráveis.Enquanto não conseguirmos erradicar esses dois grandes problemas sociais,não teremos muito sucesso lá na frente.

  • Luiz Schneider diz: 1 de junho de 2009

    Toda campanha que visa melhorar a nossa sociedade é válida mas como educador creio que boa parte de nossos problemas começam na educação! Se esta área não for melhorada não vejo saída! Nossas escolas trabalham com a visão do século XIX em vários campos, nossas crianças são educadas para se tornarem desde cedo consumidores e não cidadãos! A educação está falida e a falência começa dentro de casa neste aspecto! Até quando pessoas colocarão filhos no mundo deixando-os à mercê da sorte??

  • Xaves do 8 diz: 1 de junho de 2009

    Com a chegada dessa nojeira no RS, teremos realmente mais crimes, mais violência, mais jovens se estragando.
    Rumo a um verdadeiro caos.

  • Roberto diz: 1 de junho de 2009

    Tchê, na tua coluna, em ZH, escreveste que 97% dos usuários de crack morrerão. Vou me permitir uma correção: 100% morrerão! Não só os usuários de crack, afinal um dia todos iremos morrer. hehehe.. Abraços.

  • Pedro Lapinscki Junior diz: 1 de junho de 2009

    Caro Lauro Julio, é normal por aqui não publicarem comentários q não sejam ofensivos. A “moderação” é feita sem critério algum, pq todo dia vejo um monte de comentário ofensivo sendo publicado. Os meus tb são vetados diariamente. Inclusive estava procurando meu comentário e não o achei, pra variar. Vamos ver se vão publicar esse.

  • FERNANDO diz: 31 de maio de 2009

    O POSTADOR IAN TEM TODA A RAZÃO. SEM UMA FORTE E ABRANGENTE POLITICA DE CONTROLE DA NATALIDADE, COISA QUE A CLASSE MÉDIA JÁ FAZ PELA CONSCIÊNCIA DO CUSTO DE EDUCAR, ALIMENTAR, VESTIR, DAR LAZER, A UM, ESCREVI A UM FILHO APENAS, TODA A BOA INICIATIVA SERÁ APENAS PALIATIVA.

  • Dirceu diz: 30 de maio de 2009

    Tudo começa pela simples maconha, que e defendida por alguns. Todo o viciado hoje iniciou pela dita.
    É comum ver na rua jovens e nao tao jovens tbm fumando passivamente. Fiquei ate surpreso em uma reportagem da RBS, pessoas fumando escondido.

  • Lucas diz: 31 de maio de 2009

    Não vejo força nesta campanha, a mesma emissora que mostra sexo diariamente ás crianças e jovens nas inúmeras novelas que possui, agora está ouvindo da sociedade que deve fazer uma campanha contra o aumento da natalidade, será que irão colocar a mão no bolso para salvar algumas vidas? Duvido muito, quanto ao crack muitos culpam a existência demasiada de favelas, só que se pararmos para ver e analisar o número de jovens classe A e B viciados nisso iremos nos assustar. A falta é de valores dignos.

  • Graduando diz: 30 de maio de 2009

    Essa campanha da RBS é muito importante. Sou estudante universitário, criado pela minha mãe divorciada. Meu pai, que tinha 46 anos, nesse ano, faleceu em função do consumo de cachaça (detonou o fígado)e merla. No início era apenas cigarro e cerveja, depois maconha, depois cocaína, ou seja, uma droga leva a outra. Pude acompanhar os últimas dias de vida dele, foi muito triste aquele período de 10 dias que ficou internado no Conceição sendo que a situação da saúde já era irreversível.

  • luiz paulo diz: 29 de maio de 2009

    caro wianey,muito importante e preoculpante esta materia,mas acredito que esqueceste de um ponto muito importante sobre o controle da natalidade e do desemprego que leva as drogas e a miseria para se refletir,o brasil foi descoberto em 1500 ate 1970 ou seja 470 anos apos, 70 milhoes de brasileiros,39 anos apos 180 milhoes, te pergunto qual sera a população daqui 10 anos? 300 milhoes? e em´prego e moradia? um comerciante disse que quanto mais gente melhor,deve ser o mesmo pensamento da igreja

  • Marcelo diz: 29 de maio de 2009

    Sou um colorado fanático, vou ao estádio, apoio meu time. Aqui no RS temos duas grandes equipes, grandes torcidas, nos mobilizamos para torcer. Acho que também podemos unir esforços para mudar esse quadro sinistro.
    Investir na prevenção, na recuperação dos dependentes, pois mesmo sendo dificil, é possível recuperar. Nosso grande desafio está aí, é lutar pela vida. Gtande alerta Wianey, obrigado

  • P.C. diz: 30 de maio de 2009

    Wianey! O que esperar de um país que trata “drogados” como vítimas, sendo que os “vagabundos” que assaltam postos, farmácias, padarias, furtam rádios, residências, estupram, matam, fazem vandalismo, etc, etc. São estes “drogados”, que deveriam ser tratados como criminosos… só quem já sofreu com a violência e covardia desta gente sabe… mas para o pessoal dos “Direitos Humanos” PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É AÇÚCAR… Desculpe, mas é um desabafo. Abraço Wianey!!

  • Luiz diz: 29 de maio de 2009

    Parece deboche o que vou escrever: “Estimulem o consumo da CACHAçA em vez de desse maldito Crack” a cachaça “NUNCA” vai deixar de ser produzida e consumida, faz parte da economia e da cultura brasileira, TALVEZ A CANINHA possa substituir em parte o maldito Crack!

  • Coloradasso diz: 1 de junho de 2009

    O problema é que o crack ainda não chegou no ponto de se tornar auto-contido. Com a tal merla talvez isso ocorra, o viciado vai morrer tão rápido que não vai ficar por aí batendo nos velhinhos.

  • Saul diz: 1 de junho de 2009

    Sou “analfabeto funcional”. Está muito “dificil” de “ler” o teu Post. Muito denso. Afinal ler o que não está escrito é dificil, somente sabedorias superiores.

  • andr diz: 29 de maio de 2009

    E???

  • OSCAR ZANINI diz: 29 de maio de 2009

    Obrigado, Vianei pelo alerta e devemos todos nosw motivar para que esta praga não se alastre e os jovens devem ser mais inteligentes, buscar coisas que tragam vida e não tragam morte. Os governantes deviam gastar menos em luxos e mordomias e ajudar recuperar esses dependentes químicos e descobrir os grandes traficantes e puni-los na forma da lei. Jovem, busque a vida e não a morte.

  • Joyce diz: 29 de maio de 2009

    Wianey, muito boa a “crônica”, acho que poderia usar esse espaço para fazer um alerta que me chocou muito. Durante uma audiência pública na Assembleia, tomei conhecimento que estão misturando crack até na maconha. O que gera a depência desta mistura, e muitas vezes evolui para o consumo do próprio crack. É preocupante, pois no geral, as pessoas consideram a maconha bem menos nociva, mas como saber se está ou não adicionado crack à ela.

  • leo diz: 29 de maio de 2009

    ACHO VALIDO.MAS AS PESSOS CONHECIDAS TIPO MINISTRO ESSES DIAS FOI APOIA A MARCHA DOS MACONHEIROS, QUER DIZER UM APOIA OUTRO FAZ CAMPANHA CONTRA DEVIAM PRENDER ESSES CARAS SE É DROGA TUDO É DROGA.

  • Marcel Neves diz: 29 de maio de 2009

    Iniciativa muito válida deste meio de comunicação. Já que não cabe a ele só informar…
    Penso que o `crack` é mais um daqueles tantos problemas sociais decorrentes também de um outro problema em nosso país (que, claro, não está restrito apenas ao Brasil) que é a falta de controle das taxas de natalidade – que gera outros problemas, que geram outros e, assim, sucessivamente.

  • jose diz: 29 de maio de 2009

    mo lugar onde eu morava 3 anos atras era uma vila com mais ou menos 300 moradores,tinha um exercito de viciados em crack ,eram mais ou menos uns 30 que faziam ronda na vila a noite toda ,no outro dia moradores sentiam falta de bicicletas,maquina de lavar tapetes e etc,hoje que eu fiquei sabendo 90 por cento esta preso,e o restante continua na mesma!!!

  • Bruno Haesbaert diz: 29 de maio de 2009

    Grande campanha e todos devem abraçar essa idéia. Realmente o crack está se tornando uma pandemia, é triste de andar nas ruas e ver crianças jogadas por causa desse veneno. Eu mesmo já fui assaltado 3 vezes aqui em Santa Maria, e com certeza com o dinheiro que levaram colocaram no crack, mas mais que a campanha e conscientização da população, quem deve abrir os olhos é o governo, isso é um problema de saúde pública que não está sendo tratado com a preocupação que deveria.

  • frederico diz: 29 de maio de 2009

    Uma simples passada em qualquer lugar da periferia jogará por terra os números apresentados. São maiores. Parabenizo a campanha, porém, demorou a chegar. Apenas agora que esta praga chega as classes “b” e “a”, pois já domina as classes mais baixa a muito tempo, sem qualquer preocupação da midia ou do Estado. Só virou “preocupação” quando chegou ao “Anchieta”. Infelizmente é uma praga sem cura, devendo ser concentrado todos esforços na repressão ao tráfico. Se for interresse do governo…

  • Luiz Carlos Knopp diz: 29 de maio de 2009

    Wianey, todos nós conhecemos alguém que sucumbe ou está sucumbindo às drogas. Quanto ao controle de natalidade, o que impera é a HIPOCRISIA (do governo, das igrejas e das ONGS), visto que as grandes proles vicejam nas camadas mais pobres da população. Enquanto os políticos tiverem programas assistencialistas, que faz com que aumente sua popularidade e lhes garantam mais votos, duvido que vá acabar.
    Parabéns pelo POST, mas observe quantos comentários irá suscitar para ter uma idéia da alienação.

  • Márcio diz: 29 de maio de 2009

    Há,além dos problemas familiares e sociais já descritos nesta coluna alguns outros,que são percebidos por quem acompanha pacientes em tratamento para tentar permanecer em abstinencia por esta droga. Há uma forte tendencia a comportamentos de risco, desencadeados tanto pela mencionada procura por dinheiro para compra da droga como por psicoses e agressividade. Observa-se ainda um alto índice de crimes, desde pequenos furtos até crises violentos.O Estado nem mesmo fornece leitos para internções

  • Felipe Cardoso diz: 29 de maio de 2009

    Valeu Wianey, de coração.

  • ronan wittee diz: 30 de maio de 2009

    Dirijo a mais de trinta anos Wianey.Já rodei por estas rodovias um eito e tanto.
    Nunca fui abordado por uma fiscalização a examinar se eventualmente eu traria algo escondido no carro.
    A droga não é produzida no Brasil,mas viaja incólume por nossas rodovias.
    Sem fiscalização…O crack passa voando pelos pardais e não é multado!!!

  • CLAIRTON GARCIA GRANDINI diz: 29 de maio de 2009

    Caro Wianey, Sou gaúcho de Bagé, COLORADO FELIZ, e acompanho o teu blog diariamente.
    Moro na Serra/ES, cidade que faz parte da grande Vitória, assim como Cariacica e Vila Velha. Resido aqui há aproximadamente dois anos, e quando aqui cheguei, fiquei apavorado com a violência do lugar. Violência esta causada pelo tráfico econsumo de drogas. Aqui o crack está devastando jovens de todas as classes sociais. Me preocupo muito com este assunto, pois tenho 03 filhos; e qual pai não se preocuparia??

  • CLAIRTON GARCIA GRANDINI diz: 29 de maio de 2009

    continuação…
    Logo que cheguei ao ES, fui trabalhar no Instituto Sócio Educativo do Estado, onde pude ter contato com o estrago que esta droga pode causar às famílias envolvidas. Confesso que não aguentei o tirão e pedi afastamento deste trabalho.
    Hoje trabalho com vendas, o que adoro..
    Mas Wianey, estou escrevendo isto, porque quero parabenizar esta espetacular campanha. Temos que alertar, mesmo assustar nossas famílias para que fiquem atentos aos passos e às atitudes de seus filhos.

  • CLAIRTON GARCIA GRANDINI diz: 29 de maio de 2009

    continuação…
    Me desculpem pelo tamanho deste depoimento,mas só quem teve ou tem contato com este mundo, sabe o al que esta droga causa.
    PARABÉNS RBS…
    PARABÉNS WIANEY…
    E quarta,em Curitiba, o INTER vai em busca da classificação nas finais da Copa do Brasil.
    VAMO VAMO INTER…
    VAMO VAMO INTER…

Envie seu Comentário