
"Se o quadro está torto, derrube-se a parede", esta figura de linguagem bem popular sintetiza, perfeitamente, a burrice do subdesenvolvimento. Este pensamento vesgo aparece em muitas leis e decisões que atingem, diretamente, a vida do brasileiro.
De certa forma, está acontecendo no futebol gaúcho e, mais especificamente, o Internacional. A decisão da Copa do Brasil e o enorme interesse dos colorados trouxe à tona problemas que jamais tinham sido vividos pelo Inter ou qualquer outro clube brasileiro.
Trata-se de um evento excepcional que deve produzir soluções criativas em vez de, simplesmente, conspirar contra a redentora proposta de tornar os clubes autossustentáveis através de alentados quadros sociais.
Uma receita ordinária imprescindível que não pode ser dispensada, simplesmente. O torcenauta Marcos Vinícius Vargas escreveu para este blog tecendo considerações carregadas de bom senso e que merecem ser propagadas:
"Wianey, eu cada vez mais me decepciono com nossos políticos e dirigentes de clube. Acabo de ler que o Grêmio planeja alcançar 100 mil sócios até o final de 2010. As ações, tanto de Grêmio quanto Inter, devem ser elogiadas neste sentido. Estão buscando fontes de renda alternativas para garantir sustentabilidade dos clubes. É bem verdade que o Inter está bem a frente do meu Grêmio em termos de marketing (no Grêmio, ainda escutamos discursos anacrônicos ao invés de ações mais efetivas). E ainda existe um longo caminho que pode ser percorrido. Exemplos existem.
O que mais me preocupa é a falta de visão. O Sr. Luiz Carlos Gaspary, diretor do quadro social do Grêmio, acaba de dar uma declaração que "o grêmio quer evitar os problemas do Inter e que o ideal seria incentivar os torcedores a comprar antecipadamente ingressos no início da temporada como na Europa, antecipando receitas. Quem tem que apresentar uma solução neste momento é o co-irmão."
Será que ele sabe que vive no Brasil onde a situação econômico-financeira de grande parte dos torcedores e sócios não permitiria que tal ação tivesse a eficácia almejada?
Porque não buscarmos criatividade para solucionar tal problema? Qual o receio de unir forças com o co-irmão e planejar em conjunto solução para problemas reais que afligem os dois?
Nossa receita com patrocínio é prejudicada por que uma empresa não quer se arriscar a patrocinar somente um dos clubes com medo de boicote da outra parte da torcida no estado, reduzindo assim valores no investimento. Pois bem, esta lógica deveria ser usada na otimização de custos: ao contratar uma empresa para solução em termos de ingressos, sistemas, etc, por que não unir forças e ganhar com poder de barganha? As torcidas tem tamanho similar - apesar do Grêmio apresentar maioria em todas as pesquisas - os estádios são equivalentes em termos de capacidade e as necessidades muito parecidas.
Qual o problema em solicitar ao sócio que tem direito a ingresso de forma automática confirmar sua presença ou não 48/24 horas antes do espetáculo? Caso o torcedor confirme sua ausência, por que não repassar 50% do valor do ingresso a ser descontado da mensalidade, pois o clube igual ficaria com 50% de receita um ingresso extra e maior presença no estádio? Dói ver ingressos esgotados e espaços vazios nos jogos... Abs, Marcos Vinicius M. Vargas"
Neste momento, muitos colorados estão, justamente, inconformados. Terão que superar o momentâneo desconforto e confiar que o Inter buscará soluções para que os problemas não se repitam. É interesse absoluto do clube atingir a marca de 100 mil sócios, dispensado-lhes o melhor tratamento. Quem tem um negócio, quer a satisfação do seu cliente.
Postado por Wianey Carlet
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