
Texto enviado por um torcenauta gremista:
"EM BUSCA DAS ORIGENS
Gustavo Fontana
Mais uma vez o Tricolor de Porto Alegre, tão glorioso clube de nossa capital, sucumbe longe de seus domínios, dessa vez diante do inexpressivo Barueri.
A seqüência de insucessos é demasiadamente longeva e preocupante. Em um turno inteiro, o Grêmio não conquistou uma vitória sequer, alcançado inconsistentes 7,4% de aproveitamento, jogando fora de casa.
Nessa hora surgem diversas facções, seja de torcedores, dirigentes e comentaristas esportivos, que buscam uma resposta para um desempenho tão pífio como o demonstrado nesse primeiro turno.
Não me agrego aqueles que consideram estar tudo errado no estádio Olímpico. Infelizmente, o futebol é feito de resultados, mas não é somente isso que deve ser levado em consideração.
Ao se vislumbrar o time atuando em campo, é visível a melhoria tática em relação à era Celso Roth, e cabe aqui pontuar que eu me encontrava entre os poucos que reconheciam o bom trabalho executado pelo nada bonitinho da torcida. Hoje o time, quando na Azenha, joga mais compactado, com a aproximação entre os meias possibilitando um leque maior de opções no momento de atacar e uma maior coesão na hora de defender, possibilidades dantes imperceptíveis, onde o “balão pra frente” era a jogada mais executada em virtude de um deserto que se afigurava no meio campo da equipe.
Mas afinal, como pode um time ter evoluído tecnicamente e mesmo assim os resultados em campo não compactuarem com tal desempenho?
Tenho que a questão anímica é determinante. O Grêmio quando atua em casa é vibrante, avassalador, sufocante. Empurra o adversário contra a sua área, supera-se, empilhando oportunidades de gol e, quando possível, anotando tais gols, sempre ao embalo de sua apaixonada hinchada. Contudo, distante de seu pago, é um time apático, burocrático e ineficiente, chegando na partida contra o São Paulo a cometer a irrisória marca de apenas duas faltas em todo jogo. Eu disse duas faltas em todo o jogo!!! Como pode isso? Não acho que se possa ganhar um jogo com faltas, mesmo reconhecendo que a bola parada hoje é fundamental em um futebol de tanto contato físico, entretanto, as faltas representam, ao contrário do que muitos defensores do futebol bailarino sustentam, a luta pela posse de bola, a externalização da vontade dentro das quatro linhas.
Olhando a história do Grêmio, é incompreensível a atitude da equipe dentro de campo. A afirmação de que Paulo Autuori não tem a “cara” do clube é fato mais do que incontroverso, uma vez que estamos acostumados com comandantes sanguíneos, que jogam junto com o time na casamata. Assim, fora de casa, sem o apoio da torcida, sempre determinante, caberia ao técnico inflamar seus comandados, o que em se tratando de Paulo Autuori, não será visto.
Mas então, não tendo o técnico esse perfil lutador, a quem caberia tal tarefa? Ora, a resposta é óbvia, ao Departamento de Futebol, representado pelo insípido Meira, que representa com nitidez impressionante a palidez do Presidente Duda no comando do clube.
Reafirmo mais uma vez, não quero fazer terra arrasada, não considero que tudo está errado. Hoje o Grêmio tem um padrão de jogo, mesmo com um grupo limitado, o que aliás não é novidade em se tratando do tricolor dos pampas, entretanto, isso nunca foi suficiente para nós. O espírito guerreiro sempre geriu as campanhas do Grêmio mais do que qualquer qualidade técnica e tática, transformando equipes medianas e medíocres em exemplos de superação e conquista. E não é necessário ir aos primórdios da história do clube para se ter um exemplo disso. O contestado Celso Roth no primeiro turno de 2008 teve, até então, o melhor desempenho de um time como visitante na era dos pontos corridos. Não defendo a volta dele ao comando do Grêmio, mas sim, a volta daquela gana que sempre pontuou a existência desse clube, com identificação tão clara nos povos platinos de alma charrua.
Caso o senhor Paulo Autuori não conheça a força motriz que move essa parte azul do Rio Grande do Sul, cabe à direção lhe mostrar onde esta reside, em não sendo capaz de o fazer, há de se repensar algumas coisas e nomes, afinal, somos um time gaúcho copero y peleador e queremos retornar às nossas origens.
Um abraço,
Gustavo Fontana"
Postado por Wianey
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