Já faz algum tempo, tenho me dedicado a acompanhar de perto a questão da segurança pública, no RS. Principalmente, no que se relaciona com a Brigada Militar, seus erros, acertos e incompreensões. E vinha acompanhando o que estava acontecendo em Canoas, uma grande cidade atormentada pelo crime e a contravenção.
Desde que o Tenente-Coronel Bondan assumiu o comando do 15º Batalhão, a vassoura legal passara a agir na cidade, atacando o crime organizado, o tráfico de drogas, a ação de falsos ambulantes (traficantes, contrabandistas, etc) e a contravenção das máquinas caça-níquel.
O tráfico de drogas passou a viver em constante desassossego. De controladores da cidade passaram a controlados.
Desde que o Tenente-Coronel Bondan assumiu o comando do 15º Batalhão, a vassoura legal passara a agir na cidade, atacando o crime organizado, o tráfico de drogas, a ação de falsos ambulantes (traficantes, contrabandistas, etc) e a contravenção das máquinas caça-níquel.
O tráfico de drogas passou a viver em constante desassossego. De controladores da cidade passaram a controlados.
Entre os vendedores ambulantes honestos e regulares, misturavam-se contrabandistas e traficantes. Vendiam-se, nestes locais, de mercadorias piratas a remédios falsos, um c rime contra a saúde da população carente. Os deliquentes que agiam neste setor passaram a ser combatidos, com rigor. A Smed, órgão da Prefeitura Municipal de Canoas, apoiava as ações da BM e da Polícia Civil. Mas, omitiu-se na hora de defender Bondan.
A BM, entretanto, bateu de frente com inimigos poderosos da sociedade: os controladores das máquinas caça-níquel, de Canoas. Gente importante comandava e comanda esta contravenção. E aí incluem-se soldados da BM, cooptados para “fazer bico” nos locais onde as máquinas estava instaladas. Os prejuízos causados aos contraventores foram grandes.
O crime e a contravenção estavam a espera de um fato que pudesse ser usado para afastar quem estava minando os seus domínios: o tenente-coronel Bondan. Neste ponto, é importante traçar o perfil deste oficial.
Bondan é um dos raros oficiais da sua patente e mais para o alto, que não se satisfazem em atolar as suas bundas em confortáveis poltronas de gabinetes. Na corporação, ele é conhecido por ser um coronel que vai para a rua para, ao lado dos soldados, combater o crime. Muitos dos seus colegas oficiais desdenham sua postura profissional. Para eles, um mau exemplo. Já imaginaram se, de repente, todos os oficiais tivessem que trabalhar nas ruas? Bondan toma chimarrão com os seus soldados, freqüenta suas casas e, importante, protege-os quando injustamente atacados. Por esta razão, é um oficial respeitado e estimado pelo tropa. Mas, Bondan fazia uma “faxina” em Canoas e estava incomodando muita gente. Era preciso afastá-lo. A oportunidade surgiu com a historia da mulher que adoeceu dentro de um ônibus, semana passada.
Este é um caso em que a versão prevaleceu, mesmo que est5ivesse completamente divorciada dos fatos. E a imprensa acabou sendo envolvida pela versão. Este blog pretende repor a verdade, ainda que possa significar dissabores, ameaças, etc. Agora, os fatos:
O ônibus seguia o seu caminho quando uma mulher caiu no corredor e passou a ter espasmos. O motorista parou o veículo e pediu socorro de alguns brigadianos. Estes, subiram no ônibus e verificaram que o estado da mulher era grave. Além dos espasmos, ela apresentava certa rigidez corporal. Avaliaram a situação e concluíram que não havia tempo a perder. E, entre carregar a mulher para dentro de uma viatura apertada, seria mais rápido e indicado que o ônibus desviasse o seu caminho e fosse para o Pronto Socorro Municipal. Os policiais acompanhariam o veículo, dentro e fora, como escolta. O motorista negou-se a acatar a orientação dos brigadianos. Para não perder mais tempo, os policiais substituíram a orientação por uma ordem legal. Somente neste momento, e sob forte reação do motorista, que passou a ofender os brigadianos, o veículo deslocou-se para o PS, não muito distante do local. Depois que a mulher foi retirada do ônibus, os policiais solicitaram que o motorista apresentasse identificação para que fosse feito o registro da ocorrência. O homem negou-se, alegando que os policiais não tinham prestado socorro e passou a atacá-los com impropérios. Diante da reação, desacato a autoridade, os policiais deram-lhe voz de prisão. Sentado no seu assento, atrás do volante, o motorista negou-se a atender a ordem. Neste momento, vendo que o motorista não sairia do seu lugar, prosseguindo na sua ação de desacato, os policiais, quatro, agarraram-no e retiraram-no a força do veículo. As imagens, dissociadas do contexto, dão uma idéia de violência policial que não aconteceu, já que o motorista foi submetido a perícia médica e nenhum hematoma ou ferimento foi constatado.
Mas, havia imagens da ação, que poderiam ser confundidas com inaceitável caso de violência policial. A oportunidade era magnífica para atingir Bondan. Os fatos seguintes são conhecidos: pressão sob o Comando Geral da BM, repasse da versão fantasiosa para a imprensa e o resultado foi o afastamento do bom soldado do comando do 15º PM.
Chamado pelo comando da corporação, Bondan foi instado a punir os soldados envolvidos na ocorrência. Se quisesse salvar a sua pel e o cargo, bastaria punir os policiais e tudo ficaria bem. Mas Bondan é um homem de tropa, fiel aos seus soldados. Estava convencido de que eles tinham agido dentro do que manda a lei e negou-se a puni-los. Preferiu assumir o ônus de uma punição injusta e precipitada, imposta pelo alto comando da Brigada Militar.
Os fatos aqui relatados podem ser confirmados com uma mínima oitiva de testemunhas e, principalmente, investigando e apurando quem foram os proprietários de máquinas caça-níquel que resultaram prejudicados pela ação policial comandada pelo tenente-coronel Bondan.
A Brigada Militar, não foi vacinada contra erros. Vez em quando, um ou mais policiais excedem suas atribuições, são violentos e, até, incorporam-se ao mundo do crime. Estes, provadas as suas culpas, são julgados, punidos, expulsos da corporação de acordo com a gravidade do seu delito. Entretanto, jamais se ouviu dizer que um único brigadiano tenha se negado a prestar socorro a uma pessoa em necessidade. Segundo a falsa versão distribuída, aconteceu pela primeira vez, em Canoas.
O tenente-coronel Bondan não será ressarcido dos injustos prejuízos morais e funcionais que recebeu. O alto comando da BM não reconsiderará os efeitos da sua decisão injusta e precipitada, tomada sem a necessária averiguação dos fatos. Mas, homens injustiçados existem aos milhares, talvez milhões. Bondan é apenas mais um número estatístico. É preciso torcer, agora, para que a população de Canoas, que vinha sendo protegida da ação da marginalidade, não seja a vítima futura, precisando se sujeitar aos ditames do crime, que vinha sendo combatido.
Se uma pessoa morrer por ingerir medicamento falso, lembrem que Bondan combatia este tipo de crime.
Se um adolescente for envolvido pelas drogas, lembrem que talvez esta tragédia tivesse sido evitada, pois o tráfico vinha sendo combatido severamente.
E se alguém, submetido ao fascínio das máquinas caça-níquel, comprometer a sua vida pessoal, não esqueçam que um bom soldado tombou por ter ousado atacar esta contravenção.
Tomara que Canoas não recue aos tempos pré-Bondan. Embora, este desejo seja como torcer paras que o Náutico seja campeão brasileiro.
Postado por Wianey
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