Torcida colorada esbraveja contras vendas de Alex, Magrão e, principalmente, Nilmar. O mínimo que dizem é que a direção colorada só pensa em fazer negócios e não prioriza a conquista de títulos. Tem razão o torcedor, na sua ira de consumidor mal informado. O Inter vende porque está nas mãos de jogadores e empresários. Não depende do clube. Explico as razões:
Diferente do que parece, o Inter não é um clube rico. Não tem dinheiro próprio para fazer grandes contratações, como foi a de Nilmar. Depende da boa vontade de investidores que colocam muito dinheiro nestes negócios e não querem esperar muito para lucrar com o investimento. Exemplo: o Inter é dono de 50% do passe de Giuliano. A outra metade pertence a Traffic. Se esta parceira aparecer com uma boa oferta pelo jogador, o Inter se obrigará a vendê-lo, por duas razões:
1 — Se não concordar, entra em litígio com a parceria que nunca mais investirá em jogadores, colocando-os no Beira-Rio. Outros investidores, diante do fato, tomarão idêntica decisão. O Inter ficará., então, sem parceiros. Terá que fazer time com os seus próprios recursos, isto é, contratando jogadores baratos e ruins.
2 — No exemplo citado, o próprio Giualiano ficaria tomado de aborrecimento caso lhe fosse negada a possibilidade de enriquecer na Europa. O Inter ficaria com um jogador caro e indisposto.
Usei Giuliano como exemplo porque é um dos próximos jogadores a ser vendido, juntamente com Sandro. As parcerias são importantes mas, ao mesmo tempo, se constituem em verdadeiras arapucas. Aos clubes não restam saídas. Ou se submetem aos ditames dos investidores ou fazem timecos, incapazes de disputar títulos.
Esta situação não acontece por acaso. Tempos atrás, os clubes eram os senhores dos jogadores. Algumas entidades abusavam do seu poder, esmagando os profissionais. Mudou-se a lei e com a mudança os clubes foram substituídos pelos empresários, investidores. Hoje, eles mandam no futebol. Mesmo os jogadores formados nos clubes já não são propriedades destes. Na assinatura do segundo contrato, este para valer, os seus procuradores já exigem 50% dos direitos econômicos. Pronto, os clubes já estão nas mãos dos procuradores e jogadores.
Esta é a realidade que o torcedor desconhece e, por isso, contesta o que, na realidade, seria incontestável.
Postado por Wianey
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