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O desabafo de um comandante da Brigada

22 de janeiro de 2010 40

Foto: Daniela Xu, Banco de Dados

A violência no futebol não reflete mais do que a violência das ruas. E se existe ameaça que tira o sono de todos, é a possibilidade de ser ou ter um familiar ou amigo vítima da selvageria que predomina e cresce na nossa sociedade. Este blog reproduz, abaixo, uma entrevista concedida pelo Tenente-coronel Sérgio Lemos Simões, Comandante do 11 BPM, localizado na Zona Norte de Porto Alegre, ao repórter Daniel Corrêa do jornal caxiense PIONEIRO. Mais do que uma entrevista, um desabafo que, entretanto, não omite propostas. Leia com vagar e atenção. Você ficará ainda mais aterrorizado com a realidade:

A SOCIEDADE ESTÁ EXPOSTA

Cansado de prender sempre os mesmos bandidos e indignado com a falta de envolvimento da Justiça, dos políticos e da Igreja com o problema da segurança pública, um dos oficiais mais importantes da Brigada Militar estuda uma medida drástica. O tenente-coronel Sérgio Lemos Simões, 48 anos e há três décadas atuando no combate à criminalidade, pretende impedir seus subordinados de participar de reuniões comunitárias sobre a violência, se não houver a presença de um deputado (estadual ou federal), um juiz e um representante da Igreja.

Comandante do 11º BPM, em Porto Alegre, o oficial mantém-se atento à evolução da criminalidade em todo o Estado. Prova disso é que o desabafo público mais contundente sobre o assalto com morte do estudante Diogo Cruz Pinheiro, 19 anos, na semana passada, em Caxias do Sul, partiu dele:

– Para cada delinquente solto estamos condenando ao sofrimento, a dor e quem sabe até a morte milhares de pessoas inocentes, como aconteceu no caso do Diogo.

Nesta entrevista concedida ao Pioneiro, o comandante que responde pela populosa zona norte da Capital assegura que a Brigada Militar tem feito a sua parte. Porém, reconhece, isso não basta.

Pioneiro: O senhor quer impedir que subordinados seus participem de reuniões comunitárias sobre segurança sem que também estejam presentes um deputado federal ou estadual, um juiz e um representante da Igreja. Por quê?

Tenente-coronel Sérgio Lemos Simões: Invariavelmente vamos para ouvir queixas de coisas que não são de competência da Brigada. Desde problemas com iluminação pública, mendigos, flanelinhas, menores abandonados, moradores de rua, gente que mora debaixo de ponte. Sirvo de anteparo para coisas que não tenho como resolver. Nem eu nem meus oficiais. Penso em tomar uma medida como essa porque não vejo mais solução.

Pioneiro: Essa decisão será tomada quando?

Tenente-coronel Sérgio: Vou conversar com o comandante do policiamento da Capital antes de tomar qualquer medida.

Pioneiro: Qual a realidade da violência de Porto Alegre?

Tenente-coronel Sérgio: A realidade de Caxias não deve ser diferente. Em Porto Alegre, eu atuo do luxo ao lixo. Quando falo lixo, não é menosprezando, mas é porque aqui tenho lugares como a Vila Areia, onde as pessoas convivem no meio de lixo, catadores, crianças, cachorros. Parece um país de quinto mundo. Eu atuo do bairro Petrópolis, Bela Vista e Mont’Serrat, onde está o luxo, e também pego as vilas periféricas. As reuniões com a Brigada são feitas nos dois lugares. E as queixas são as mesmas: delinquentes soltos, um cara que rouba na parada de ônibus, que leva o carro, assalta o filho… Para você ter uma ideia, no Petrópolis, de classe média alta, tem um cidadão que foi preso nove vezes em um ano. Nas oito primeiras vezes, eu tenho certeza de que foi solto. Pergunto: tem polícia no mundo que aguenta uma coisa dessas?

Pioneiro: A Brigada Militar é cobrada como sendo a grande responsável pela insegurança. Qual a real responsabilidade da corporação?

Tenente-coronel Sérgio: A comunidade tem de nos cobrar. Eu emprego na rua todos os meios que tenho: horas extras, viaturas, armamentos e equipamentos de proteção individual. Agora, tem coisa que foge ao controle: em média, tenho 100 pessoas presas por mês na minha área de atuação. Dessas, entre 70% e 80% têm ficha criminal. Em um mês, dos 100 que foram presos, 60 estão na rua. E aí vêm as mais variadas desculpas: não tem vaga na cadeia, o crime não foi grave, pobrezinho isso, pobrezinho aquilo… Todo o agente público tem de ter uma atitude pró-sociedade. Entre o preso ficar amontoado, dormindo no chão, ou estar solto, colocando em risco a vida da minha família, dos meus amigos, ele deve ficar preso.

Pioneiro: A corrente jurídica chamada Garantismo tem muita força em Caxias. O que o senhor pensa dela?

Tenente-coronel Sérgio: O Garantismo nada mais é do que a garantia legal do criminoso de ter um julgamento justo, ao contraditório, a ter advogado de defesa. Mas o que temos no Rio Grande do Sul se chama impunidade, e não Garantismo. Que Garantismo é esse que expõe uma sociedade inteira ao bandido enquanto o criminoso deveria estar preso pelos delitos que cometeu? Que Garantismo é esse que não pune a reincidência contumaz, na qual o cara é preso quatro, cinco, 10 vezes? Ontem (quarta-feira) quando você telefonou, eu estava na (Rua) Protásio Alves com três delinquentes presos por roubo de automóvel. Todos tinham passagens policiais. Dois tinham ficado preso um e três dias depois de serem detidos pela última vez. O terceiro ficou um pouco mais na cadeia, quatro meses.

Pioneiro: A legislação atual é adequada para tratar questões como maioridade penal, reincidência contumaz e direitos da criança e adolescente?

Tenente-coronel Sérgio: Não é adequada. Não podemos falar em maioridade ou menoridade penal com o número de menores de 18 anos que estão nas ruas cometendo crimes. Eles têm de ser tratados como delinquentes e perigosos. O Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo, é um absurdo, tem de ser modificado. Por que nossos deputados não agilizam a modificação?

Pioneiro: Modificado em quais pontos?

Tenente-coronel Sérgio: Em primeiro lugar, baixar a maioridade penal. Depois, tirar o termo apreensão de menor e colocar prisão de menor. Ele deveria cumprir a pena de acordo com o crime. Hoje ele cumpre pena de, no máximo, três anos. A maioridade penal deveria ser aos 16 anos e, olha, pensando bem, quem sabe aos 15. É só sair nas ruas é ver quem está assaltando e matando.

Pioneiro: Em entrevista recente, o ex-presidente da Ajuris, Carlos Marchionatti, declarou que juizes decidem a pena com base no caso individual que lhes é apresentado, quer dizer, não julgam o passado do suspeito. O que o senhor pensa a respeito?

Tenente-coronel Sérgio: Não consigo entender como um juiz não leva em conta os antecedentes, o passado, os crimes que cometeu. Como é que não se vai olhar o que alguém fez de ruim? O que temos de esperar para manter alguém efetivamente preso? Que mate um inocente, como morreu o Diogo em Caxias? O Diogo tinha o mesmo nome e quase a idade do meu filho. Quando eu vi no jornal a fotografia do pai e da mãe do Diogo chorando, eu me coloquei no lugar deles. Isso aconteceu porque alguém achou que esse sem-vergonha e delinquente (Rodrigo Hofman Góis, o Diguinho, 24 anos, um dos envolvidos) cometeu um crime de menor potencial ofensivo quando foi flagrado anteriormente com uma arma. Por que um deles estava com a arma na mão? Pra bonito?

Pioneiro: O que o senhor acha do cumprimento da pena por condenados?

Tenente-coronel Sérgio: Acho que esse 1/6 da pena (que alguns condenados cumprem para poder progredir, dependendo o crime que cometem) é absurdo. Tinha de começar pela metade. A partir desse cumprimento, poderia progredir para o semiaberto depois de atingir requisitos como bom comportamento e exame psicológico. Por que os deputados não modificam isso?

Pioneiro: Em Caxias, um dos jovens que matou Diogo (Diguinho) estava em liberdade, mesmo tendo sido condenado a uma pena de cinco anos de prisão por assalto, porque estava recorrendo da decisão judicial. Ele também não tinha sido julgado por outro roubo ocorrido em 2004. Fatores como esses aumentam a sensação de impunidade?

Tenente-coronel Sérgio: Um cara envolvido em um crime em 2004 ainda não foi a julgamento? Por favor! Aí eu vou mandar meus oficiais para reuniões comunitárias para ouvir o quê? Para tentar explicar o inexplicável? Não tem como. Nessas reuniões, o juiz é quem poderá dar uma aula para o povo sobre o que é o Garantismo, sobre porque soltou o cara. Ele poderá explicar melhor do que eu. Não sei o que dizer, não tenho mais o que falar. Já gastei o meu verbo. São 30 anos que uso coturno e cansei de ir em reuniões comunitárias e ficar explicando algo para a população que não tem mais como explicar.

Pioneiro: Em Caxias, a exemplo do que ocorre na Capital, assaltantes são presos pela manhã e soltos à tarde. Como impedir que isso ocorra?

Tenente-coronel Sérgio: A lei precisa ser modificada, deve-se punir reincidência contumaz. Onde estão nossos deputados federais? Por que eles não entram de cabeça para modificar o Código Penal? Sabe por quê? Porque eles estão se lixando para nós, essa é a verdade. Não estão preocupados. Tenho inúmeros casos de reincidência aqui. A reincidência, pelo Código Penal, só será computada após o crime transitar em julgado. A Justiça tem que ter celeridade, tem de ser ágil. Como vou explicar para um pai e uma mãe que todo dia se queixam que o filho é assaltado na parada de ônibus? Vou dizer que é sempre o mesmo cara e que se eu prender ele à tarde, de noite ele estará solto? Esses pais vão me entender? É o policial militar que eles enxergam na rua, ou você acha que enxergam o juiz, o deputado?

Pioneiro: O senhor também quer a presença da Igreja nessas reuniões comunitárias…

Tenente-coronel Sérgio: O padre poderá dizer por que é contra o uso da camisinha, contra os meios contraceptivos e por que aquelas pessoas miseráveis, que têm 10 filhos convivendo com cães e porcos não podem ter controle de natalidade. Como elas farão planejamento familiar? Isso é para quem entende, para quem tem discernimento. Esse é um problema social que eu não tenho como resolver. Quem é que me ajuda?

Pioneiro: O senhor, que comanda 300 PMs, tem percebido um desânimo da tropa em relação ao prende e solta?

Tenente-coronel Sérgio: Claro. Prendemos um sujeito nove vezes em um ano e em oito vezes ele foi solto. Isso é dinheiro da sociedade colocado fora, que poderia ser investido em saneamento básico, em compra de viaturas, em equipamentos de proteção. Dinheiro posto fora porque a sociedade não é séria. Essa é a grande verdade.

Pioneiro: O governo federal afirma que há milhões de reais disponíveis para a construção de presídios no Estado. Embora essa seja uma decisão da governadora Yeda Crusius (PSDB), na sua visão por que esses recursos não são aplicados?

Tenente-coronel Sérgio: Por isso que eu quero que deputados estaduais e federais estejam nas reuniões comunitárias. Aí eles terão de explicar, porque eu não tenho essa resposta.

Pioneiro: Com mais presídios, os efeitos da violência seriam minimizados?

Tenente-coronel Sérgio: Quanto mais presídios melhor. Não quero que os presos fiquem amontoados, mas que fiquem presos.

Pioneiro: O senhor é a favor da pena de morte?

Tenente-coronel Sérgio: Sou contra, porque ela é uma decisão irreversível. Em muitos casos, com o passar do tempo, com os métodos de investigação, ficou comprovado que pessoas acusadas de crimes não os cometeram. Mas sou a favor da prisão perpétua. Vamos falar sério: se há alguém analfabeto, sem qualificação alguma, que a única coisa que sabe fazer é roubar, cada vez que ele for solto vai sair pior. Vamos esperar ele matar um familiar teu? Por mais humanista, sociólogo, pedagogo que você seja, vai querer que ele fique solto com o risco de um familiar teu morrer? Esperamos que haja dor, sofrimento e morte para tomarmos uma decisão.

Pioneiro: O senhor disse recentemente que a sociedade tem aplaudido quando assaltantes são mortos. Isso não estimula a reação popular, colocando a vida das vítimas em risco?

Tenente-coronel Sérgio: Você não está acompanhando o que está acontecendo na praia (em Imbé, no Litoral Norte), com os casos de linchamento? Está respondido. O Brasil é o país da impunidade. É impossível que alguém que comete tantos crimes em curto espaço de tempo fique solto, causando dor e sofrimento.

Pioneiro: Mas e os riscos às vítimas? No caso do rapaz Diogo, em Caxias, ele voltou para tentar reaver o dinheiro roubado (R$ 500) e foi assassinado…

Tenente-coronel Sérgio: Digo todos os dias para os meus filhos (um rapaz de 16 anos e duas jovens, de 19 e 23 anos). Cuidado na rua, se forem assaltados, entreguem tudo. Bens materiais, a gente recupera, mas a vida não tem volta. Em hipótese alguma a vítima pode reagir.

Pioneiro: O que pode ser feito para prevenir a violência?

Tenente-coronel Sérgio: Estamos conflagrados. Já que não construímos escolas no momento adequado, temos de construir presídios. Porém, não podemos deixar de construir escolas. Se não tivermos investimentos em educação, estamos perdidos. Se eu tivesse poder, construiria presídios. Vamos dar paz às ruas. Ainda modificaria o Código Penal e reduziria a maioridade penal.

Pioneiro: O senhor está sozinho nessa luta contra a violência?

Tenente-coronel Sérgio: Acho que não, mas às vezes tenho a sensação de estar sozinho. O meu intuito é buscar uma solução. Antes de mais nada, eu sou um cidadão. Pago meus impostos, quero segurança. E se eu, que sou tenente-coronel da Brigada, estou sem segurança, o que vou dizer para a população?

BOA PERGUNTA, COMANDANTE, BOA PERGUNTA

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Comentários (40)

  • Jorge diz: 22 de janeiro de 2010

    Só não entendi a preocupação do comandante com a proibição da Igreja ao uso da camisinha e contra os meios contraceptivos ??

    O que eu ouço as pessoas diseer por ai é que não obedecem a Igreja! Ou alguém deixa de fazer alguma coisa por ser Catolico ?

    Sim os catolicos de verdades fiéis seguem os preceitos … mas são a minoria da minoria !!!

    Por favor colocar a culpa na IGREJA !!!

    Sendo assim com o crescimento das demais religiões a violencia deveria ter diminuido ….conclusão logica!

  • Emerson diz: 22 de janeiro de 2010

    Wianey,

    Enquanto lia o texto, em cada frase forte que o comandante dizia, sentia como se tivesse sofrido um golpe. Sabe aquela sensação que sentíamos quando éramos crianças, quando nossos pais nos repreendiam com firmeza por algo que tivéssemos feito de errado, e cada palavra dita por eles doía muito porque sabíamos, no fundo, que era verdade tudo aquilo de que eramos repreendidos? Esse é o sentimento. O comandante tem razão, e isso dói muito.

    Infelizmente, estou naquele grupo dos que não têm esperança de que a coisa melhore. Só se acontecer alguma coisa muito séria. Talvez um milagre, quem sabe…

  • Ricardo NH diz: 22 de janeiro de 2010

    Esse é o sentimento geral, mas a farra política continua (sim! essencialmente a culpa é deles)…
    Pode escrever Wianey, o que aconteceu em Imbé vai virar moda! A impunidade vai criar um desejo de se “fazer justiça com as próprias mãos”, e a inconseqüência dos jovens não impõe limites pra isso.

  • joao carlos diz: 22 de janeiro de 2010

    Por favor, enviem uma cópia desta belíssima entrevista aos nossos deputados. Joao

  • ALDEMIR diz: 22 de janeiro de 2010

    ESSE BRILHANTE CIDADÃO SOZINHO não consiguirá fazer nada, sabe porque ? porque vivemos numa sociedade em que os que mandam ( os peixes grandes ) não andam na rua, não pegam onibus, não estacionam na rua, não estudam nas nossas escolas. O mundo deles é outro, e quando visitam o nosso mundo sempre estão com seguranças. ELES QUE SÃO OS VERDADEIROS BANDIDOS PORQUE ROUBAM NOSSO DINHEIRO não são cassados muito menos presos. PORQUE WIANEY NOSSAS ESCOLAS NÃO SÃO BOAS, NÃO TEM CURSOS PROFISSIONALIZANTES E PROFESSORES SÃO MAL PAGOS ? é pra maioria da população ficar na miseria e em TROCA DE UM VOTO GANHAR UMA BOLSA FAMILIA, AUXILIO GAS E POR AI VAI… ou você pensou que esses auxilios ( com nosso dinheiro é claro ) seria porque as pessoas são pobres mesmas.

  • Paulo Roberto Pires diz: 22 de janeiro de 2010

    Não sei se parabenizo a você Wianey ou ao comandante Sérgio. Pois bem, parabenizo os dois. Um pelo tino jornalistico de divulgar no seu blog a entrevista e ao comandante pela forma sensata como abordou e respondeu cada pergunta do repórter. É o tipo de entrevista que precisa chegar ao maior número de pessoas possível neste Estado. Agora mesmo estou enviando para todos os meus contatos essa preciosidade. Acorda Rio Grande!

  • SILMAR BOHRER diz: 22 de janeiro de 2010

    Meus parabéns, CORONEL, tem que meter a boca no trombone mesmo ! A politicada não está nem aí com a população, como o Senhor mesmo diz. Apoio totalmente suas palavras. A verdade é nua e crua.

  • MARCIO WILK diz: 22 de janeiro de 2010

    Acho que o Tenente-Coronel será demitido nas próximas horas…..

  • Mauro diz: 22 de janeiro de 2010

    Finalmente, Wianey, alguma coisa que preste. Este oficial da BM fala com conhecimento de causa. Sua decisão é mais do que perfeita, pois é nele que estoura todaa ruína da sociedade tal qual a conhecemos. Ele não deve explicar a incompetência dos demais “poderes”, pois se o fizer estará coadunando com eles. parabéns, coronel. Uma voz que fala a verdade é sempre maior do que centenas que repetem a mentira como papagaios.
    De qualquer forma, sua última frase é alarmante. O que a Sra. governadora, o poder Judiciário, o legislativo estadual e federal tem a dizer sobre isso???
    Mauro

  • pedro diz: 22 de janeiro de 2010

    se eu que sou soldado da brigada estou a merce disso tudo imagina a população.

    Falou tudo, convivo (pela minha profissão) com isso todo dia e garanto que nenhum mestre da doutrina entende disso mais do que eu e meus colegas a respeito dessa situação.

  • Jorge Vaz diz: 22 de janeiro de 2010

    Parabéns para o Tte.Cel pela sua lucidez e coragem em dizer o que pensa, mais como cidadão,do que como comandante do 11º Batalhão. Será que os srs. deputados federais/estaduais, o governo federal/estadual/municipal, o judiciário, OAB, igreja e outros orgãos teraim coragem de se manifestar ou vão se esconder para fugir de suas responsabilidades ? E ainda nós votamos neles. Pra que?

  • Daniel Mello diz: 22 de janeiro de 2010

    Incrível esta entrevista! É exatamente o que 99% da população pensa!
    Apenas poucos humanistas radicais acham que se resolve a questão da violência com ‘aspirina”. Concordo com o coronel, mudança no código penal urgente! Maioridade reduzida para 15 anos! Leis mais severas! Fim da progressão de regime com 1/6 da pena cumprida para crimes de maior potencial de violência! Acorda, população: neste ano tem eleição p/ deputado federal: eles que fazem as leis! Vote em quem está preocupado com este problema. Chega de passividade!

  • Denis diz: 22 de janeiro de 2010

    Wianey, parabéns pela iniciativa. É a mais pura verdade!

  • Gilberto diz: 22 de janeiro de 2010

    Wianey, excelente a sua ideia de reproduzir esta reportagem. Isso deveria estar na primeira pagina do Zero Hora. O oficial retratou de forma magnifica a situaçao e colocou as responsabilidades nos devidos lugares. Mais presidios sim, porque lugar de criminoso é na cadeia, com tratamento digno de ser humano, embora muitos deles nem isso mereça.

  • antonio diz: 22 de janeiro de 2010

    Vianey,
    muito bom colocar um entrevista deste quilate num blog de esportes.
    A entrevista mais lúcida que li nos últimos tempos.
    Parabéns ao reporter e ao Tenente-Coronel.
    É disso que precisamos, pessoas que digam o que tem de ser feito, sem subterfúgios, e chamem todos os que tem de dar explicações, para explicar, e não se esconder em gabinetes.
    P A R A B É N S.

  • Evaldo diz: 22 de janeiro de 2010

    Parabéns Coronel Sergio.Quanto a igreja, ela é contra a camisinha porque quanto mais pobre a população e quanto mais analfabeta é melhor.Quem é que compra santinho? é quem está bem de vida ou quem está ferrado? Quanto aos políticos, eles não modificam as leis , porque pode servir para eles mesmos.

  • Rodrigo Gehrke diz: 22 de janeiro de 2010

    Senhoras e senhores, ouçamos com atenção o desabafo deste profissional. A situação da segurança neste país precisa melhorar muito para ficar deplorável. Nos acostumamos com crimes hediondos cotidianos. É realmente uma vergonha a licensiosidade com que se libertam criminosos contumases. Estamos estregues à violência e seguimos passivos. Parabéns ao ilustre Coronel que teve coragem para “colocar o dedo na ferida”. Me orgulho da nossa Brigada.

  • Luzmar diz: 22 de janeiro de 2010

    Sou Sargento da BM e sei muito bem do que o Ten. Coronel falou, enfrentamos nas ruas estes problemas todos, por que é nós que somos vistos nas ruas, somos nós que os mais velhos respeitam e tentam passar aos filhos o respeito pela policia, já PRENDI numa tarde um menor, desculpe o correto é APREENDI, pois apesar de qualquer crime que cometa, deve ser diferenciada sua detenção, mais de 03 vezes, e por pouco não fomos processados, por que na última vez o menor reagiu e teve que ser contido. Se as estatisticas comprovam que a maioria dos crimes cometidos são de apenados em regime semi aberto por não rever a questão do regime progressivo? ta certíssimo o Coronel em se aborrecer assim, por que a população acha que somos nós os responsáveis por esta impunidade, somos nós que estamos alerta nas 24 horas, quem conhece outro numero que não seja o 190 quando precisa? mas fizemos parte desta sociedade e não raras vezes me assusto com a criminalidade, então o que dizer do cidadão, fazemos a prevençaõ, mas não milagres.

  • Fabricio Bueno – de Curitiba diz: 22 de janeiro de 2010

    Impressionante realidade. Essa política imunda na qual vivemos não é capaz de mirar o interesse da sociedade. Somos um país progressista, com olhares para um momento melhor e soterrados por uma política porca e corrupta. De norte a sul desse país sofremos as mesmas mazelas. Tiro o chapéu para o TC Sérgio. De onde menos se espera sai um desabafo que fala por toda uma nação. PARABÉNS CORONEL.

  • RONALDO KERN diz: 22 de janeiro de 2010

    QUEM É QUE ME AJUDA ??????
    Este clamor do Coronel foi magnífico….
    Deputados, Juizes quem sabe vocês ????
    Estão com a palavra !!!!

  • LEANDRO diz: 22 de janeiro de 2010

    …..

  • LEANDRO diz: 22 de janeiro de 2010

    Boa tarde. Como cidadão, e com sentimento de impunidade e medo, apoio todas as palavras deste militar. Parabéns! Este é o sentimento de pessoas sensatas, pessoas reais, que realmene se preocupam com o bem da sociedade, que vivem no mundo real e não na realeza de Brasília e dos ricos gabinetes de desembargadores. Obrigado

  • Mário José Lacerda diz: 22 de janeiro de 2010

    Quando um colunista esportivo, abre espaços para um assunto que não é da sua lide diária, estamos no fundo do poço. Parabéns ao Cel da BM. Disse tudo oque eu penso: o caos que estamos hoje, não só na área de segurança, mas em outras áreas críticas(educação, saúde,política externa), tem a culpa exclusiva da nossa classe política. Precisamos de educação, controle urgente da natalidade, leis mais rigídas. Mas pergunto: Se a classe política está corrupta, como eles farão leis que se voltem contra eles mesmos? Não vislumbro luz no fim do túnel…

  • Jonas Bernardes Silveira diz: 22 de janeiro de 2010

    de modo a garantir a laicidade e a liberdade religiosa dentro do Estado, acho que é prudente distanciar qualquer igreja desse processo de desenvolvimento social… a caridade que as igrejas prestam é válida, mas não é política pública, nem deve ser.

  • Arlindo Rese diz: 22 de janeiro de 2010

    Prezado Wianey Carlet.
    Com referência ao depoimento do Ten.Coronel Sérgio é precioso. Relata a realidade da nossa sociedade, nua e crua. Parece que nesse tunel não tem luz no fundo. Ainda hoje, tive acesso a Portaria 350 da P. Social (30/12/09) que, em seu art.quinto aumento o AUXILIO RECLUSÃO para R$ 798,30. Assim, a criminalidade não diminui. Ela da lucro. Justifica, também, em parte, a falência do INSS. E a pergunta que não quer calar: As famílias das vitimas (como no caso do Diogo em Caxias do Sul) o INSS tem algum auxílio? E os peões que tem que ralar pra ganhar R$ 510,00, como é que fica? Ái meu Brasil, a onde fui amarrar o meu burro….Grato. AR.

  • Lucas Vargas diz: 22 de janeiro de 2010

    Esse depoimento reflete exatamente o que sinto.
    Hoje, estou realizando um estagio nos EUA ate marco e posso perceber a real diferenca que tanto ouvimos e vemos nos filmes americanos! Aqui a lei e cumprida ( em todos os setores) e vagabundo nao tem regalia.
    Fico impressionado como as coisas sao diferentes e de como sao melhores, e fico me perguntando sera que algum dia vou viver essa seguranca no Brasil?
    Sinceramente, acho que nao…E comeco a reavaliar minha vida e tentar buscar oportunidades para abandonar meu pai’s.
    E respondendo a pergunta da reporte ( se o oficial achava que a populacao comemorava a cada bandido morto): Sim!!! Comemoro e dou fico um pouco melhor em saber que existe menos um vagabundo nas ruas que poderia me assaltar ou a meus familiares.

    Grato pelo espaco.
    E desculpe pela falta de acentuacao, teclado americano.=\

    Lucas.

  • Gabriel Santos diz: 23 de janeiro de 2010

    Tenho 21 anos e tenho certeza que este quadro só vai piorar e a tão sonhada reforma do código penal quando acontecer será branda e ultrapassada como sempre. Sonho poder caminhar a noite em Porto Alegre tranquilamente na rua em que eu quiser… Eu sonho e talvez continue sonhando por toda uma vida! Abraço Wianey, sempre leio teu blog contudo está é a primeira vez que permito-me fazer um comentário. Ótima Matéria!!! Coronel Lemos está de parabéns pelo seu trabalho na Zona Norte.

  • Marchiori diz: 23 de janeiro de 2010

    Brilhantes o post e a declaração do tenente-coronel Sérgio Simões.

    É evidente que a classe política e outras instituições deixaram a Brigada Militar sozinha no combate à criminalidade. Pior: amiúde prejudicam-lhe o trabalho.

    Enquanto nós não pressionarmos as autoridades para a questão – votando apenas em candidatos realmente comprometidos com um mínimo de segurança – e não pararmos de consumir desenfreadamente – seja carros, ténis, celulares – para pressionarmos as empresas, que assim pressionarão o governo, a guerra contra a criminalidade sempre será perdida.

  • Didio diz: 23 de janeiro de 2010

    O que mais há para dizer, só quem trabalha na Insegurança Pública deste país para saber. Eu e inúmeros colegas vivemos isso todos os dias… faço minhas as palavras do coronel…

    Agente Prisional Floriánópolis -SC

  • Neri Carlinhos Ramborger diz: 23 de janeiro de 2010

    Sensacional. Até que enfim a lucidez teve voz. Nada a ser reparado este podem ter certeza é o pensamento dos cidadãos de bem que tenham um mínimo de esclarecimento. Contestar alguma vigula do que foi dito é pura demagogia o que alias impera nos integrantyes de instituiçõies instituições que tiram o corpo fora no momento de assumirem suas responsabilidades.

  • milton garcia diz: 23 de janeiro de 2010

    deveriam existir HOMENS que se escondem atrás de togas e ternos que tivessem a metade da coragem do tenente coronel, pois além de estar coberto de razão tem a lucidez de apontar para quem realmente deveria estar resolvendo os problemas da sociedade ao invés de estarem apenas usufruindo dos benefícios de seus cargos.

  • Lucas Colferai diz: 23 de janeiro de 2010

    O desabafo do Tenente-Coronel Sérgio é um bom retrato da realidade: sobra sempre a culpa pra polícia. É realidade no Brasil todo que os juízes abrandam penas, que as cadeias são super-lotadas e que os presos tem excesso de regalias motivada pela suposta “recuperação” do condenado. Claramente isso não tem funcionado. Dispositivos como progressão de pena, prestação de serviços comunitários e outros, deveriam ser usados apenas nos casos de crimes leves e onde NÃO HÁ REINCIDÊNCIA. Do contrário, fica preso a pena toda.

    Só não concordo com a forma como o Sr. Tenente-Coronel Sérgio coloca a participação da Igreja. Primeiro que ela não é o Estado (e nem deve ser). Os agentes públicos (Conselho tutelar, BM, Justiça, Legislativo, Secretarias de Educação, etc, etc) é que tem por obrigação resolver esse problema. Mesmo na questão de planejamento familiar.

    Claro, a Igreja pode ajudar, mas tem que se lembrar que estamos falando de religiosidade e que questões como preservativos e pílulas anti-concepcionais ferem os princípios da fé cristã. É como pedir pra um Colorado torcer para o Grêmio numa final de campeonato. Fere com seus princípios. Eles podem e devem conviver pacífica e respeitosamente, mas ambos com seus princípios. E só pra deixar claro, a Igreja é a favor do Planejamento Familiar. Essa não é a questão.

    E pra ilustrar o quê estou dizendo: minha esposa é enfermeira e atua no Programa Saúde da Família (PSF) em um bairro pobre de nossa cidade (como os citados pelo Tenente). A miséria e a violência são presentes no dia-a-dia. O município tenta trabalhar o planejamento familiar, mas aí entram questões culturais. Por exemplo, vasectomia e laqueadura. Os homens acham que vão ficar impotentes e não querem. As mulheres acham que vão ficar frígidas, frias e que seus maridos vão perder interesse nelas, e também não querem.

    E aí? Solução? É complexo, mas na minha opinião, o caminho começa pela EDUCAÇÃO. Não a educação que os governos dão, que só se preocupam com os números de aprovação e frequência escolar, mas educação integral do ser humano, impondo LIMITES ÀS CRIANÇAS E AOS JOVENS. Sou professor da rede pública e sei do quê estou falando.

    Desculpe a resposta longa, mas para um post também longo não tive como evitar.

  • Juares Nascimento da Silva diz: 23 de janeiro de 2010

    Sou oficial da reserva da Brigada Militar e me solidarizo com o Coronel Sergio Lemos, esse tipo de manifestação tem que ser feita, pois se nós pessoas de bem nos calarmos o mal cada vez mais triunfará, somos o País da Impunidade isso é fato e tentamos vender uma imagem lá fora da oitava maravilha do mundo, é certo que temos potencialidade, somos um País maravilhoso, mas segurança pública não da “voto” nosso sitema infelizmente é viciado, precisamos de reformas não só no Judiciário mas em todos os setores, principalmente reforma Política. Como disse o Coronel, se não construímos Escolas temos que construir Presídios, pois esta é a solução a curto prazo, lugra de criminoso é na cadeia, mas a depuração da sociedade perpassa pela educação.

    Parabéns Coronel Sergio, e que o Grande Arquiteto do Universo o proteja

  • Alessandro diz: 23 de janeiro de 2010

    Acho que essa entrevista tinha que virar reportagem de capa, tema de debate na TV. O tenente falou tudo. Nao adianta prender e a justiça soltar. Sem reforma penal não há solução para crime. De fato, os politicos nao sao serios, a justiça nao é seria. A bagunça e desordem desse pais tem culpado, e sao aqueles que estao em Brasilia. A Midia deveria fazer mais pressao e lobby para essa mudanca penal.

  • Joao Fernando diz: 23 de janeiro de 2010

    Caro Wianey ,

    Sugiro que incluam nas reuniões comunitarias o Chefe da Casa Civil do Estado, A governadora e o Presidente da Republica e o Papa também!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Pena de Morte incluam nas Novas Leis !!!!

    É a vergonha REAL do nosso dia a dia!!!!!

    Fernando

  • CLAIMAR CERUTTI diz: 23 de janeiro de 2010

    Caro Wianey, Este tipo de assunto deveria tomar mais tempo na mídia para a sua discussão, pois do jeito que está, não da mais para aceitar.

  • leonardo diz: 23 de janeiro de 2010

    é a realidade nua e crua.

  • Daniel Peccini Correa diz: 24 de janeiro de 2010

    Entrevista exemplar do meu charà caxiense.
    O que mais me chamou a atençao foi a parte em que diz:

    “E aí vêm as mais variadas desculpas: não tem vaga na cadeia, o crime não foi grave, pobrezinho isso, pobrezinho aquilo…”

    Quando vamos parar de passar a mao na cabeça de delinquentes e puni-los?

  • vera marta diz: 26 de janeiro de 2010

    Nunca havia visto um cara com tanta coragem para dizer a verdade com clareza e objetividade.Parabens ao tenente coronel Sergio Lemos Simoes. É de personalidades assim que este país precisa .Espero que a coragem e determinação do tenente coronel sensibilize as demais autoridades e que ele nao seja alvo de nenhuma represália.

  • Rocha diz: 1 de fevereiro de 2010

    Gostaria de parabenizar o Ten Cel pelas palavras, pois sou praça da BM, e ate hoje não entendo como que a nossa corporação não se manifesta a respeito deste assunto, pois como o senhor relata a sociedade cobra sempre do policial, e nunca do juís, do deputado em fim, sobra sempre para o soldado, que chegou na ocorrencia 2 ou 3 minutos apos um cidadão ter sido vitima de um roubo ou outro crime qualquer, espero que alguem consiga entrevistar outras pessoas que pertencam aos demais segmentos da sociedade…
    Tambem é importante lembrar que a mesma sociedade que quer ver preso um delinquente o quer solto quando este e de seu convivio, não vamos esquecer que “criminoso” não é so aquele que mata……

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