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Posts de janeiro 2010

Robinho prova que ninguém engana para sempre

26 de janeiro de 2010 233

Pelé foi o descobrir de Robinho, não poderia haver melhor padrinho. Galvão Bueno consagrou a expressão “pedala, Robinho!” e as estripulias inconseqüentes do jogador acabaram cruzando o planeta com a marca de virtudes raras. Caso típico de propaganda enganosa. Foi comprado pelo futebol espanhol e rapidamente desmascarado. Mesmo assim, o mercado ainda aplaudia o Robinho da propaganda brasileira e o Manchester City, como acontece com tem muito dinheiro sobrando, investiu 40 milhões de euros para ter o pedalador brasileiro. Rasgou dinheiro.

Foto: Divulgação, CBF

Agora que os ingleses, como os espanhóis, descobriram que foram logrados pela falsa publicidade brasileira, Robinho está voltando para casa. Como não pode admitir que fracassou, justifica seu retorno dizendo que aqui estará mais próximo da Seleção Brasileira, etc e tal. No fundo, bem fundo, ele também descobriu que ninguém engana para sempre. Exponho-me emitindo esta opinião mas com a certeza que na primeira pedalada de Robinho choverão e-mails cobradores. Faz parte do jogo. Já me acostumei.

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Faltam cinco dias para a janela fechar

26 de janeiro de 2010 9

Poucas coisas inquietam tanto o torcedor brasileiro como as “janelas” de janeiro e agosto. Por elas, saem os principais jogadores para desembarcar em ricos destinos europeus, asiáticos, orientais, etc. É por ela que está saindo Rever e não existem garantias de que não sairão outros mais.

Aliás, a questão envolvendo Sandro, Inter e o Totenham está em pleno cochilo. Tudo indica que, a qualquer momento, teremos a explosão da notícia dando conta de que Sandro está se despedindo. Para que teria sido contratado Wilson Mathias se não para substituir Sandro?

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David Coimbra, um provocador apressado

26 de janeiro de 2010 21

Como me atrevi a escrever que, NO PAPEL, o Grêmio deste ano poderia vir a ser o melhor Grêmio deste novo século. Superior, até, aquele que conquistou o tetracampeonato da Copa do Brasil, em 2001. A publicação desta opinião coincidiu com o empate do Grêmio diante do Veranópolis. Pronto, foi suficiente para surgirem as garras do oportunismo. O David me provocou, cordialmente, e muita gente está me escrevendo, contestando o que escrevi. Engraçado, por que não escreveram ANTES do jogo com o Veranópolis? A edição dominical de ZH circula no sábado à tarde. Houve tempo suficiente para contestações antes do empate.

Foto: Valdir Friolin

O David está seriamente preocupado com alguns pontos que considera vulneráveis, no Grêmio.  Principal deles: Souza e Hugo são coadjuvantes, não podem ser centro técnico do time. Não discordo do David e acho que Douglas mandará um deles para a reserva. Quanto ao Souza, tenho severas restrições, também, ao seu futebol. Acho-o individualista demais, pouco coletivo e costuma esmorecer quando o jogo é fora de casa. Mas, de tanto ouvir o Cacalo dizer que Souza é o melhor jogador do Grêmio, opinião partilhada por gremistas que me escrevem, estou me contendo. Vai ver que o cara joga muito e eu estou sendo impertinente.

Mas, acima de opiniões discordantes, acho que é preciso haver uma certa paciência. Esperem Douglas, chegar, Mario Fernandes jogar e Willian Magrão ficar disponível. Ainda acho que o Grêmio deste ano, segundo sugere o papel, poderá ser o melhor Grêmio deste início de século. Não dá para mudar de opinião por causa de um empate no terceiro jogo da temporada.

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Marasmo que inquieta os colorados

26 de janeiro de 2010 33

O mês de janeiro está terminando e só agora o Internacional se dá conta de que o elenco carece de mais um atacante, pronto para ser titular. Jorge Fossati não faz segredos, já declarou que precisa de um avante para chegar, vestir a camisa vermelha e sair jogando. Fernando Carvalho garante que este jogador será contratado, mas pede calma. O Inter tem prazo até 23 de fevereiro para contratar e apresentar a lista definitiva para a Libertadores.

Foto: Divulgação, Al-Jazira

Rafael Sobis continua sendo o alvo preferencial do Inter. Mas, quais seriam as outras opções? Cleber Santana foi parar no São Paulo e não se vislumbram alternativas confiáveis, no mercado. Edu deveria começar o ano como companheiro de Alecsandro. Entretanto, ele mais tem sido parceiro dos médicos do que um atuante atacante. Mal começou a temporada e já está no Departamento Médico. Taison começou 2010 como terminou 2009: jogando pouco. O que terá acontecido com o garoto? Walter deve ser experimentado mas não é uma garantia de solução. Léo não vinha sendo titular nem no Inter B. Minguaram as opções de Fossati. E o Inter recém está admitindo a necessidade de contratar. Se conseguir, dificilmente será um jogador para encher aeroporto. Parece ter ficado no passado a época em que o Inter contratava jogadores de inquestionável notoriedade. Terminou o dinheiro? Os recursos estão sendo guardados para a reforma do Beira-Rio? Aliás, não andam nem as obras de modernização do Beira-Rio. Da venda dos Eucaliptos, essencial para a cobertura do estádio, não se fala. Há um marasmo inquietante à beira do Guaíba.

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Duas bombas explodem no Olímpico

26 de janeiro de 2010 23

O Olímpico viveu uma segunda-feira explosiva. Começou o dia com a preocupante notícia de que Rever ficaria em tratamento médico durante seis semanas. Fora do Gre-Nal, portanto. Foi a primeira bomba. Nas primeiras horas da noite, explodiu a segunda bomba: Rever estava sendo vendido para o futebol alemão. Esta notícia deverá se confirmar hoje, significando que o Grêmio, que antes anunciava a nece4ssidade de contratar um zagueiro, agora terá que buscar dois sendo que um terá que estar à altura de Rever.

Foto: Tatiana Lopes

Luiz Onofre Meira, diretor de futebol do Grêmio, confirmou o andamento da negociação. O Grêmio pouco poderá fazer. O Paulista de Jundiaí é dono da metade do “passe” de Rever e está louco para fazer o negócio. O próprio jogador está empolgado pela possibilidade de embolsar uma fortuna com a transferência. As próximas irão clarear o assunto. Porém, não se recomendam grandes esperanças. Rever deve sair, mesmo. O pavio da terceira bomba está aceso.

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Vem aí o Inter de Jorge Fossati

25 de janeiro de 2010 4

No fundo, bem no fundo das teorias táticas, representar esquemas com números – 4-4-2, 3-5-2, 3-6-1, 3-4-3, etc – tem significado relativo. O que importa, mesmo, é que um time ocupe todos os espaços do campo, tenha velocidade para contra-atacar e voltar para se defender e que marque, articule e ataque com a mesma eficiência. O segredo está em organizar uma proposta tática na qual os jogadores ofereçam o máximo das suas virtudes e o mínimo das suas deficiências. Atendidas estas condições, temos um time equilibrado. Só então se verá, em números, qual é o esquema tático.

Foto: Alexandre Lops, Vipcomm, Divulgação

Jorge Fossati quer jogar com apenas um atacante de ofício, Alecssandro, e dois meias capazes de ingressar na área adversária, tornado-se parceiros próximos do centroavante e participante das tarefas ofensivas.  D´Alessandro e Giuliano foram escolhidos para desempenhar a dupla função: armação ofensiva e ataque. E ainda não estarão dispensados de controlar os volantes adversários.  Fossati acha que é possível. Eu tenho dúvidas, principalmente com relação ao D´Alessandro. Não vejo no argentino vocação e disposição para realizar tantas funções. Principalmente, a de juntar-se ao centroavante. D´Alessandro gosta de se movimentar, principalmente pelos lados, e nunca demonstrou grande apetência pela área adversária. Mas, Fossati acredita e o time é seu. Uma boa sequência de jogos mostrará se o treinador está certo.

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As opções de laterias que atrapalham Silas

25 de janeiro de 2010 1

Foto: Tatiana Lopes

O torcedor gremista, maioria, fez a sua opção: Lúcio deve ser o lateral-esquerdo. Por duas razões: o lateral fez bonita campanha antes de se transferir para a Alemanha e, principal, é exímio apoiador. As arquibancadas têm sempre ampla preferência por quem ataca. Fábio Santos é diferente. Tem boa compreensão tática, sabe marcar e o apoio está longe de ser sua principal virtude.

Quem deve jogar? Se Silas ouvir a torcida, joga Lúcio. Se priorizar os interesses táticos do Grêmio, o titular é Fábio Santos. A torcida faz oposição tão forte à Fabio Santos, que viu falha dele no gol do Veranópolis. Quem errou, na verdade, foi Réver.  Pressão de um lado e necessidades do outro, assim está posicionado o treinador do Grêmio. Com duas alternativas de características tão opostas, escolher é tarefa complicada.

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Réver, marcha lenta para entrar em forma

25 de janeiro de 2010 2

O grande time colorado dos anos de 1970 tinha um titular que precisava de 4 a 5 meses de atividade para entrar em forma. Refiro-me a Vacaria, lateral esquerdo de virtudes técnicas médias mas considerado a muleta de Lula, genial ponteiro-esquerdo daquela época. Vacaria treinava, jogava, treinava e jogava mas só atingia o máximo da sua forma técnica e física lá por maio ou junho. Até hoje não obtive explicação para o seu caso.

Foto: Valdir Friolin

Rever é muito mais técnico do que foi Vacaria, por isso não precisa de tanto tempo para se recondicionar. Entretanto, seu condicionamento atlético anda em marcha lenta. Talvez não seja preciso esperar pelo outono para ver Réver jogando o que sabe e pode. Mas, certamente não será na abertura da temporada. A torcida sabe que o seu zagueiro vai deslanchar e por esta razão poupa-o das vaias, concentrando sua inconformidade em Fábio Santos. Porém, neste momento, o zagueiro anda pior do que o lateral. É moléstia que só o tempo vai curar.

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Promessas que brotam do Inter B

25 de janeiro de 2010 0

Foto: Charles Guerra

O empate em Santa Maria poderia ter sido a terceira vitória do Inter e não seria injusto. A gurizada colorada fez o suficiente para merecer os três pontos. Mesmo assim, ganhar sete pontos em nove disputados foi elogiável. E, mais importante, o conjunto de três atuações ofereceu uma idéia clara de que está funcionando a pleno a fábrica de jogadores instalada no Beira-Rio. Vários garotos se inscreveram como promessas que deverão ser muito bem observadas em futuro próximo:

WALTER – O mais conhecido de todos. Está pronto para merecer uma vaga no grupo principal. Jorge  Fossati, entretanto, deverá ser mais cuidados ao determinar posicionamento e funções para Walter. O garoto tem um dos chutes mais poderosos entre todos os jogadores que estão no Beira-Rio. Bate de qualquer distância, lugar e com boa direção. Porém, jogando pelos flancos, buscando o fundo e não a entrada em diagonal para ficar diante da área adversária  para explorar a sua principal virtude, Walter quase se anula. NO Inter , não está sendo bem aproveitado.

LEANDRO DAMIÃO – Outro garoto promissor, mas ainda não está pronto. Precisa adquirir maturidade para decidir com inteligência o momento e a forma da execução final. Ainda se precipita e desperdiça ações ofensivas. Um pouco mais de experiência e poderá ser testado no time principal.

ÍTALO – Também sugere que dali poderá sair um meia-atacante habilidoso, técnico e boa visão de jogo. Também pode ser segundo atacante. É outro que ainda carece de maturidade.

AGENOR – Está pronto para alinhar entre os principais goleiros do Inter. Não é promessa mas, sim, uma boa realidade.

Fico por aí, embora outros jogadores tenham se destacado. Estou mais do que ressabiado com revelações que despontam no Gauchão. Com diz o ditado: cachorro picado por cobra tem medo de linguiça.

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Grêmio: não se faz um time em três jogos

25 de janeiro de 2010 1

Foto: Daniel Marenco

Mais do que o empate, o desempenho do Grêmio contra o Veranópolis deixou muitos gremistas com o cabelo em pé. Sofreriam menos se admitissem que um time se forma com tempo e jogos. Repito o que escrevi domingo: NO PAPEL, a nominata de jogadores que o Grêmio tem mais os que ainda vão chegar e outros que estão se recuperando de lesões, vai disputar a condição de melhor Grêmio deste novo milênio. Neste momento, nem todos os jogadores estão disponíveis e tampouco se pode exigir entrosamento de um conjunto que, por estar se formando, vem sofrendo modificações.

Não sei se Silas é o treinador apropriado mas tenho convicção de que ele só poderá dar uma resposta satisfatória quando conhecer todos os profissionais com os quais trabalhará. Por enquanto, Silas anda meio perdido, o que é natural. Não tem e nem pode ter certeza sobre titularidades e, menos ainda, qual será o esquema tático apropriado. Ainda existe muito trabalho pela frente. Mas, se as pressões forem muito fortes, o tempo para o Grêmio se ajustar será ainda maior. Ainda não é hora de cobrar. Paciência e chá de camomila ajudariam.

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O Grêmio do milênio

23 de janeiro de 2010 26

Quando se inicia uma temporada, um time será candidato a fazer história ou a fracassar em todas as competições. Pode-se, portanto, buscar indícios que apontem os prováveis e diversos caminhos e chegadas. Foi o que fiz esta semana, firmando atenção sobre o Grêmio no papel. Fará história, concluí após analisar as individualidades.

Como megalomania pouca é bobagem, proclamei: será o melhor Grêmio deste milênio. Algumas pessoas esqueceram que o novo milênio ainda não fechou uma década e contestaram o excesso. Que ainda pode ser, admito. Porém, no papel, contenho a empolgação.

Victor; Saimon, Mario Fernandes, Réver e Lúcio; Willian Magrão, Adilson, Souza e Douglas (Hugo); Borges e Jonas. Um time assim poderá fazer menos do que uma grande campanha?

Time do tetra

Basta perguntar para qualquer gremista quais os melhores times formados neste milênio e ele começará pelo de 2001, tetracampeão da Copa do Brasil. Que grande equipe, lembrará entre suspiros. Realmente, o treinador Tite armou um conjunto magnífico. Há quem garanta ter sido um dos raros times de três zagueiros que esbanjava eficiência. O Grêmio disputou 12 jogos da Copa do Brasil vencendo oito, empatando dois e perdendo apenas dois. O astro daquela equipe era Marcelinho Paraíba, artilheiro com seis gols. Com um gol menos, cinco, Zinho, o “arrumador” de times.

O Grêmio buscou longe do Olímpico aquele que foi o primeiro grande título conquistado nos últimos 10 anos. Decisão contra o Corinthians, no Morumbi. Uma vitória pelo escore clássico de 3 a 1, gols de Marinho, Zinho e Marcelinho. Marinho, dizia-se, era um perigo nas duas áreas. Tanto podia marcar gol contra como para o Grêmio. Lembram a escalação contra o Corinthians? Lá vai:

Danrlei; Marinho, Mauro Galvão (que classe, amigo!) e Ânderson Polga; Ânderson Lima (implacável em bolas paradas), Tinga, Roger, Zinho e Rubens Cardoso; Luiz Mário e Marcelinho Paraíba.

Era mesmo uma bela equipe.

Duplamente vice

2005 foi o ano da Batalha dos Aflitos. O Grêmio renascia para a Série A. Quanto tempo levaria para reassumir uma posição destacada no futebol brasileiro? Não demorou muito. Em 2007, revelando Mano Menezes como um dos principais treinadores do país, o Grêmio surpreendeu chegando a ser vice-campeão da Libertadores da América. A decisão foi contra o Boca Juniors, no tempo em que La Bombonera abrigava uma das melhores equipes do mundo. A escalação da decisão:

Saja; Patrício, William, Teco, Lúcio; Gavilán, Lucas, Diego Souza, Tcheco; Carlos Eduardo e Tuta.

Um ano depois, 2008, tendo Celso Roth no comando, o Grêmio chegou ao vice-campeonato brasileiro. Time-base daquela campanha:

Victor; Pereira, Leo e Rever; Souza, Willian Magrão, Rafael Carioca, Tcheco, Felipe Mattioni; Perea e Marcel.

Importante destacar que até 2008 o time ia sendo formado durante as competições. Diferentemente deste ano, em que o elenco já começa definido.

Grêmio pode ter dois volantes contra o VEC

Penúltimo teste antes do Gre-Nal de Erechim, no dia 31, o jogo contra o Veranópolis, neste domingo, no Olímpico, poderá marcar uma alteração tática no Grêmio. Silas não descarta maiores cuidados defensivos, para não correr os mesmos riscos das duas primeiras partidas do Gauchão, em que sofreu quatro gols.

Ao mesmo tempo em que se preocupa com a fragilidade da defesa, o torcedor não cogita que o time perca força no ataque. Assim, fica difícil optar entre Souza, Hugo, Leandro, Jonas ou Borges para saber quem sairia para a entrada de um volante.

O Veranópolis está invicto. Goleou o Porto Alegre (5 a 1) e empatou com o Novo Hamburgo (2 a 2). O técnico Gilmar dal Pozzo completa a terceira temporada no clube.

*Texto publicado hoje em Zero Hora

Qual é o melhor?

Você pode lembrar os três melhores times do Grêmio, neste milênio. Pode, agora, compará-los entre si e com o atual, que ainda está apenas no papel. Em qual deles você votaria para melhor dos últimos 10 anos? O de 2001? Quem sabe o de 2007? Talvez o de 2008? Ou será este, de 2010? Algum outro escrete do Grêmio ficou na sua memória? Opine nos comentários!

 

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O desabafo de um comandante da Brigada

22 de janeiro de 2010 40

Foto: Daniela Xu, Banco de Dados

A violência no futebol não reflete mais do que a violência das ruas. E se existe ameaça que tira o sono de todos, é a possibilidade de ser ou ter um familiar ou amigo vítima da selvageria que predomina e cresce na nossa sociedade. Este blog reproduz, abaixo, uma entrevista concedida pelo Tenente-coronel Sérgio Lemos Simões, Comandante do 11 BPM, localizado na Zona Norte de Porto Alegre, ao repórter Daniel Corrêa do jornal caxiense PIONEIRO. Mais do que uma entrevista, um desabafo que, entretanto, não omite propostas. Leia com vagar e atenção. Você ficará ainda mais aterrorizado com a realidade:

A SOCIEDADE ESTÁ EXPOSTA

Cansado de prender sempre os mesmos bandidos e indignado com a falta de envolvimento da Justiça, dos políticos e da Igreja com o problema da segurança pública, um dos oficiais mais importantes da Brigada Militar estuda uma medida drástica. O tenente-coronel Sérgio Lemos Simões, 48 anos e há três décadas atuando no combate à criminalidade, pretende impedir seus subordinados de participar de reuniões comunitárias sobre a violência, se não houver a presença de um deputado (estadual ou federal), um juiz e um representante da Igreja.

Comandante do 11º BPM, em Porto Alegre, o oficial mantém-se atento à evolução da criminalidade em todo o Estado. Prova disso é que o desabafo público mais contundente sobre o assalto com morte do estudante Diogo Cruz Pinheiro, 19 anos, na semana passada, em Caxias do Sul, partiu dele:

– Para cada delinquente solto estamos condenando ao sofrimento, a dor e quem sabe até a morte milhares de pessoas inocentes, como aconteceu no caso do Diogo.

Nesta entrevista concedida ao Pioneiro, o comandante que responde pela populosa zona norte da Capital assegura que a Brigada Militar tem feito a sua parte. Porém, reconhece, isso não basta.

Pioneiro: O senhor quer impedir que subordinados seus participem de reuniões comunitárias sobre segurança sem que também estejam presentes um deputado federal ou estadual, um juiz e um representante da Igreja. Por quê?

Tenente-coronel Sérgio Lemos Simões: Invariavelmente vamos para ouvir queixas de coisas que não são de competência da Brigada. Desde problemas com iluminação pública, mendigos, flanelinhas, menores abandonados, moradores de rua, gente que mora debaixo de ponte. Sirvo de anteparo para coisas que não tenho como resolver. Nem eu nem meus oficiais. Penso em tomar uma medida como essa porque não vejo mais solução.

Pioneiro: Essa decisão será tomada quando?

Tenente-coronel Sérgio: Vou conversar com o comandante do policiamento da Capital antes de tomar qualquer medida.

Pioneiro: Qual a realidade da violência de Porto Alegre?

Tenente-coronel Sérgio: A realidade de Caxias não deve ser diferente. Em Porto Alegre, eu atuo do luxo ao lixo. Quando falo lixo, não é menosprezando, mas é porque aqui tenho lugares como a Vila Areia, onde as pessoas convivem no meio de lixo, catadores, crianças, cachorros. Parece um país de quinto mundo. Eu atuo do bairro Petrópolis, Bela Vista e Mont’Serrat, onde está o luxo, e também pego as vilas periféricas. As reuniões com a Brigada são feitas nos dois lugares. E as queixas são as mesmas: delinquentes soltos, um cara que rouba na parada de ônibus, que leva o carro, assalta o filho… Para você ter uma ideia, no Petrópolis, de classe média alta, tem um cidadão que foi preso nove vezes em um ano. Nas oito primeiras vezes, eu tenho certeza de que foi solto. Pergunto: tem polícia no mundo que aguenta uma coisa dessas?

Pioneiro: A Brigada Militar é cobrada como sendo a grande responsável pela insegurança. Qual a real responsabilidade da corporação?

Tenente-coronel Sérgio: A comunidade tem de nos cobrar. Eu emprego na rua todos os meios que tenho: horas extras, viaturas, armamentos e equipamentos de proteção individual. Agora, tem coisa que foge ao controle: em média, tenho 100 pessoas presas por mês na minha área de atuação. Dessas, entre 70% e 80% têm ficha criminal. Em um mês, dos 100 que foram presos, 60 estão na rua. E aí vêm as mais variadas desculpas: não tem vaga na cadeia, o crime não foi grave, pobrezinho isso, pobrezinho aquilo… Todo o agente público tem de ter uma atitude pró-sociedade. Entre o preso ficar amontoado, dormindo no chão, ou estar solto, colocando em risco a vida da minha família, dos meus amigos, ele deve ficar preso.

Pioneiro: A corrente jurídica chamada Garantismo tem muita força em Caxias. O que o senhor pensa dela?

Tenente-coronel Sérgio: O Garantismo nada mais é do que a garantia legal do criminoso de ter um julgamento justo, ao contraditório, a ter advogado de defesa. Mas o que temos no Rio Grande do Sul se chama impunidade, e não Garantismo. Que Garantismo é esse que expõe uma sociedade inteira ao bandido enquanto o criminoso deveria estar preso pelos delitos que cometeu? Que Garantismo é esse que não pune a reincidência contumaz, na qual o cara é preso quatro, cinco, 10 vezes? Ontem (quarta-feira) quando você telefonou, eu estava na (Rua) Protásio Alves com três delinquentes presos por roubo de automóvel. Todos tinham passagens policiais. Dois tinham ficado preso um e três dias depois de serem detidos pela última vez. O terceiro ficou um pouco mais na cadeia, quatro meses.

Pioneiro: A legislação atual é adequada para tratar questões como maioridade penal, reincidência contumaz e direitos da criança e adolescente?

Tenente-coronel Sérgio: Não é adequada. Não podemos falar em maioridade ou menoridade penal com o número de menores de 18 anos que estão nas ruas cometendo crimes. Eles têm de ser tratados como delinquentes e perigosos. O Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo, é um absurdo, tem de ser modificado. Por que nossos deputados não agilizam a modificação?

Pioneiro: Modificado em quais pontos?

Tenente-coronel Sérgio: Em primeiro lugar, baixar a maioridade penal. Depois, tirar o termo apreensão de menor e colocar prisão de menor. Ele deveria cumprir a pena de acordo com o crime. Hoje ele cumpre pena de, no máximo, três anos. A maioridade penal deveria ser aos 16 anos e, olha, pensando bem, quem sabe aos 15. É só sair nas ruas é ver quem está assaltando e matando.

Pioneiro: Em entrevista recente, o ex-presidente da Ajuris, Carlos Marchionatti, declarou que juizes decidem a pena com base no caso individual que lhes é apresentado, quer dizer, não julgam o passado do suspeito. O que o senhor pensa a respeito?

Tenente-coronel Sérgio: Não consigo entender como um juiz não leva em conta os antecedentes, o passado, os crimes que cometeu. Como é que não se vai olhar o que alguém fez de ruim? O que temos de esperar para manter alguém efetivamente preso? Que mate um inocente, como morreu o Diogo em Caxias? O Diogo tinha o mesmo nome e quase a idade do meu filho. Quando eu vi no jornal a fotografia do pai e da mãe do Diogo chorando, eu me coloquei no lugar deles. Isso aconteceu porque alguém achou que esse sem-vergonha e delinquente (Rodrigo Hofman Góis, o Diguinho, 24 anos, um dos envolvidos) cometeu um crime de menor potencial ofensivo quando foi flagrado anteriormente com uma arma. Por que um deles estava com a arma na mão? Pra bonito?

Pioneiro: O que o senhor acha do cumprimento da pena por condenados?

Tenente-coronel Sérgio: Acho que esse 1/6 da pena (que alguns condenados cumprem para poder progredir, dependendo o crime que cometem) é absurdo. Tinha de começar pela metade. A partir desse cumprimento, poderia progredir para o semiaberto depois de atingir requisitos como bom comportamento e exame psicológico. Por que os deputados não modificam isso?

Pioneiro: Em Caxias, um dos jovens que matou Diogo (Diguinho) estava em liberdade, mesmo tendo sido condenado a uma pena de cinco anos de prisão por assalto, porque estava recorrendo da decisão judicial. Ele também não tinha sido julgado por outro roubo ocorrido em 2004. Fatores como esses aumentam a sensação de impunidade?

Tenente-coronel Sérgio: Um cara envolvido em um crime em 2004 ainda não foi a julgamento? Por favor! Aí eu vou mandar meus oficiais para reuniões comunitárias para ouvir o quê? Para tentar explicar o inexplicável? Não tem como. Nessas reuniões, o juiz é quem poderá dar uma aula para o povo sobre o que é o Garantismo, sobre porque soltou o cara. Ele poderá explicar melhor do que eu. Não sei o que dizer, não tenho mais o que falar. Já gastei o meu verbo. São 30 anos que uso coturno e cansei de ir em reuniões comunitárias e ficar explicando algo para a população que não tem mais como explicar.

Pioneiro: Em Caxias, a exemplo do que ocorre na Capital, assaltantes são presos pela manhã e soltos à tarde. Como impedir que isso ocorra?

Tenente-coronel Sérgio: A lei precisa ser modificada, deve-se punir reincidência contumaz. Onde estão nossos deputados federais? Por que eles não entram de cabeça para modificar o Código Penal? Sabe por quê? Porque eles estão se lixando para nós, essa é a verdade. Não estão preocupados. Tenho inúmeros casos de reincidência aqui. A reincidência, pelo Código Penal, só será computada após o crime transitar em julgado. A Justiça tem que ter celeridade, tem de ser ágil. Como vou explicar para um pai e uma mãe que todo dia se queixam que o filho é assaltado na parada de ônibus? Vou dizer que é sempre o mesmo cara e que se eu prender ele à tarde, de noite ele estará solto? Esses pais vão me entender? É o policial militar que eles enxergam na rua, ou você acha que enxergam o juiz, o deputado?

Pioneiro: O senhor também quer a presença da Igreja nessas reuniões comunitárias…

Tenente-coronel Sérgio: O padre poderá dizer por que é contra o uso da camisinha, contra os meios contraceptivos e por que aquelas pessoas miseráveis, que têm 10 filhos convivendo com cães e porcos não podem ter controle de natalidade. Como elas farão planejamento familiar? Isso é para quem entende, para quem tem discernimento. Esse é um problema social que eu não tenho como resolver. Quem é que me ajuda?

Pioneiro: O senhor, que comanda 300 PMs, tem percebido um desânimo da tropa em relação ao prende e solta?

Tenente-coronel Sérgio: Claro. Prendemos um sujeito nove vezes em um ano e em oito vezes ele foi solto. Isso é dinheiro da sociedade colocado fora, que poderia ser investido em saneamento básico, em compra de viaturas, em equipamentos de proteção. Dinheiro posto fora porque a sociedade não é séria. Essa é a grande verdade.

Pioneiro: O governo federal afirma que há milhões de reais disponíveis para a construção de presídios no Estado. Embora essa seja uma decisão da governadora Yeda Crusius (PSDB), na sua visão por que esses recursos não são aplicados?

Tenente-coronel Sérgio: Por isso que eu quero que deputados estaduais e federais estejam nas reuniões comunitárias. Aí eles terão de explicar, porque eu não tenho essa resposta.

Pioneiro: Com mais presídios, os efeitos da violência seriam minimizados?

Tenente-coronel Sérgio: Quanto mais presídios melhor. Não quero que os presos fiquem amontoados, mas que fiquem presos.

Pioneiro: O senhor é a favor da pena de morte?

Tenente-coronel Sérgio: Sou contra, porque ela é uma decisão irreversível. Em muitos casos, com o passar do tempo, com os métodos de investigação, ficou comprovado que pessoas acusadas de crimes não os cometeram. Mas sou a favor da prisão perpétua. Vamos falar sério: se há alguém analfabeto, sem qualificação alguma, que a única coisa que sabe fazer é roubar, cada vez que ele for solto vai sair pior. Vamos esperar ele matar um familiar teu? Por mais humanista, sociólogo, pedagogo que você seja, vai querer que ele fique solto com o risco de um familiar teu morrer? Esperamos que haja dor, sofrimento e morte para tomarmos uma decisão.

Pioneiro: O senhor disse recentemente que a sociedade tem aplaudido quando assaltantes são mortos. Isso não estimula a reação popular, colocando a vida das vítimas em risco?

Tenente-coronel Sérgio: Você não está acompanhando o que está acontecendo na praia (em Imbé, no Litoral Norte), com os casos de linchamento? Está respondido. O Brasil é o país da impunidade. É impossível que alguém que comete tantos crimes em curto espaço de tempo fique solto, causando dor e sofrimento.

Pioneiro: Mas e os riscos às vítimas? No caso do rapaz Diogo, em Caxias, ele voltou para tentar reaver o dinheiro roubado (R$ 500) e foi assassinado…

Tenente-coronel Sérgio: Digo todos os dias para os meus filhos (um rapaz de 16 anos e duas jovens, de 19 e 23 anos). Cuidado na rua, se forem assaltados, entreguem tudo. Bens materiais, a gente recupera, mas a vida não tem volta. Em hipótese alguma a vítima pode reagir.

Pioneiro: O que pode ser feito para prevenir a violência?

Tenente-coronel Sérgio: Estamos conflagrados. Já que não construímos escolas no momento adequado, temos de construir presídios. Porém, não podemos deixar de construir escolas. Se não tivermos investimentos em educação, estamos perdidos. Se eu tivesse poder, construiria presídios. Vamos dar paz às ruas. Ainda modificaria o Código Penal e reduziria a maioridade penal.

Pioneiro: O senhor está sozinho nessa luta contra a violência?

Tenente-coronel Sérgio: Acho que não, mas às vezes tenho a sensação de estar sozinho. O meu intuito é buscar uma solução. Antes de mais nada, eu sou um cidadão. Pago meus impostos, quero segurança. E se eu, que sou tenente-coronel da Brigada, estou sem segurança, o que vou dizer para a população?

BOA PERGUNTA, COMANDANTE, BOA PERGUNTA

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Gente boa na reserva do Grêmio

22 de janeiro de 2010 14

Foto: Valdir Friolin

Mais do que um bom time, um elenco numérica e qualitativamente superior também é indispensável para uma boa campanha. O Grêmio está levando a sério esta verdade e está montando, além de uma boa equipe (no papel, cabe destacar), também um grupo de jogadores suficiente para oferecer boas alternativas ao treinador. Tomara que Silas não integre aquele time de técnicos que se atrapalha quando são fartas as opções. Se prevalecerem coerência e racionalidade, ao treinador do Grêmio não faltará coragem para escalar um time equilibrado, mesmo que signifique mandar para o banco de reservas jogadores com habilitação técnica para serem titulares.

É fácil projetar.  Time terá que ter um goleiro, dois zagueiros, dois laterais e dois atacantes. Como já se viu que é perigoso demais jogar com um volante, apenas, dois jogadores desta função inicial terão que ser escolhidos. Assim, estarão preenchidas nove das 11 posições do time. Restarão duas vagas para Silas formar a sua linha de armação ofensiva, que serão disputadas por Douglas, Leandro, Souza e Hugo, sem contar com Mailson e outros. Só neste setor, dois medalhões terão que sentar no banco de reservas.

Também haverá um concurso para que sejam apurados os dois volantes titulares. Concorrerão Túlio, Adilson, Ferdinando, Wilian Magrão e Rochemback, cinco candidatos para duas vagas. Como diz o narrador Marco Antônio Pereira, vida competitiva para todos.

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Lauro, uma convicção de Fernando Carvalho

22 de janeiro de 2010 28

Foto: Vipcomm, Divulgação

Após ter se destacada na campanha que levou o Inter ao título da Copa Sul-Americana, o goleiro Lauro terminou a temporada passada cumprindo atuações inseguras, pontilhadas por falhas que multiplicaram as apreensões dos colorados. Nada, entretanto, que abalasse a convicção de Fernando Carvalho sobre o seu goleiro titular. O dirigente acredita e repete a quem quiser ouvir, que Lauro é um bom goleiro. Obviamente, Jorge Fossati terá que descobrir, sozinho, a verdade sobre o seu goleiro, que até poderá confortar  a posição de Carvalho.

Especula-se que o Inter poderá contratar um goleiro para ser reserva. Interessante. Muriel era uma das promessas mais festejadas da indústria colorada de talentos. Foi derrubado pela hepatite que grassou no Beira-Rio, ficou longo tempo parado e quando voltou, o Inter preferiu emprestá-lo para quem retomasse a sua carreira jogando. Muriel foi jogar, então, no Caxias, onde teve brilhantes atuações. Do Centenário migrou para o Canindé onde, novamente, cumpriu uma temporada esplendorosa. Tanto que o Inter não renovou o empréstimo, preferindo trazê-lo para o Beira-Rio. Muriel está na casa, poderia começar o ano como titular. No Beira-Rio, porém, por razões que não podem ser técnicas – afrontaria o consenso que não vê em Lauro um bom goleiro – Muriel permanece na reserva enquanto o goleiro contestado fica no time.

Resta aos colorados torcer para que em 2010, Lauro repita o ano do Inter campeão da Sul-Americana e, não, a temporada passada.

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Silas prefere viver perigosamente

22 de janeiro de 2010 25

Foto: Jefferson Botega

Quando treinava o Avaí, Silas era uma treinador prudente no seu 3-6-1. O objetivo, consideradas as possibilidades, era permanecer na Série A, nada mais. Agora, no Grêmio, Silas radicalizou em direção contrária. Para enfrentar o Caxias, improvisou na lateral-esquerda e escalou o time com um único volante. O resultado é conhecido: saiu atrás no placar e precisou fazer um grande esforço para não tropeçar dentro de casa. Silas chegou a justificar sua escolha com a gripe de Rochemback. Mas, e o Túlio, que acabou entrando, na etapa final, não poderia ter começado o jogo?

Silas cedeu aonde os treinadores cedem, frequentemente: tentou acomodar todas as contratações no mesmo time. Em Pelotas, largou com um atacante, só. Teve que mudar, fazendo Jonas entrar. No Olímpico, escalou apenas um volante, Adilson, ajeitando o time com Jonas e os recém chegados. Quase deixou escapar os três pontos.

Foi um susto e uma lição. Terminada a partida contra o Caxias, Luiz Onofre Meira  apressou-se a garantir que o Grêmio não irá para o Gre-Nal com apenas um volante. Como já dizia minha avó, a dor ensina a gemer.

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