Não sei se houve pênalti sobre Maiquel (Novo Hamburgo) ou se o jogador simulou a falta, fato que levou o árbitro a aplicar-lhe o segundo cartão amarelo, tirando-o do jogo. Eu estava na cabina da Gaúcha, no Estádio do Vale, de onde se podia ter a impressão mas nunca a certeza. No momento, pensei que tivesse acontecido a falta. No mesmo instante, o Francisco Garcia, nossos colega que analisa arbitragem com a habilitação de quem fez o curso de árbitro, esclareceu que Maiquel, antes mesmo encontrar-se com o adversário, dobra os joelhos favorecendo a própria queda. Um detalhe decisivo que só pode ser constatado pelas imagens da televisão e por olhar atento de quem aprendeu no curso de arbitragem a fixar atenção em detalhes que, normalmente, não são percebidos.
No programa Sala de Redação, o meu colega e querido amigo, Cacalo, classificou o lance como tendo sido um “pênalti escandaloso”. Amavelmente, discordei do Cacalo quanto a adjetivação. O termo “escandaloso”, segundo entendo, ofendia o Francisco Garcia pois sugeria que ele, com a especialização que lhe conferiu o diploma de árbitro, não viu com clareza o que, para o Cacalo, fora escandalosamente claro. E não foi. O colunista Mario Marcos, edição de ZH desta sexta-feira, aborda o assunto entendendo que nem a televisão esclarece, definitivamente, se foi falta ou simulação.
Pode ter sido e pode não ter sido. Se eu fosse o árbitro e estivesse apitando da cabina do Estádio do Vale, teria marcado falta dentro da área. Foi o que falei na hora do fato. Mas, teria sido uma marcação por impulso, impressão do momento. Dentro do campo, próximo da jogada, o árbitro entendeu que foi simulação e o Garcia, valendo-se da repetição das imagens, chegou a mesma conclusão do árbitro.
A minha única conclusão é que não foi “escandalosamente pênalti e, tampouco, escandalosamente simulação”. O adjetivo está mal colocado, é inconveniente e só reforça, quando não representa, a face mais negativa de uma rivalidade que, muitas vezes, rasga os limites da civilidade e da racionalidade. Adoro adjetivos, quando servem para destacar positivamente algum feito. Eles também podem ser aplicados a determinados lances de arbitragem, que são em número bem menor ao que sugere a sua aplicação freqüente. Quando se diz que um árbitro não marcou um pênalti escandaloso e o analista de arbitragem concordou com o apitador, está se ofendendo e desmerecendo o trabalho dos dois profissionais. Não foi o caso do Cacalo, uma figura sociável e doce, cuja amizade desfruto à décadas. Ele é, apenas, parte importante desta cultura regional que faz todas as concessões a rivalidade Gre-Nal. Mas, acho que está na hora de eliminar o termo “escandaloso” quando se discorda do árbitro. Ou, pelo menos, usá-lo mais criteriosamente. No fundo, o que se pretende, sempre, é diminuir os méritos do time adversário. Esta moda já deveria ter passado.




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