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Posts do dia 8 fevereiro 2010

Forte calor resgata o melhor da demagogia

08 de fevereiro de 2010 113

Sabem, não sei se detesto mais a demagogia ou o “politicamente correto”. Ou ambas as posições confrontadas com este populismo execrável que está enraizado na cultura Sul-Americana. Não gosto porque qualquer uma destas posições escamoteia o justo e o verdadeiro. O objetivo é sempre o mesmo: capitalizar simpatias, quase sempre de massas intelectualmente comprometidas com conceitos equivocados ou por limitação de consciência.

Restou deste episódio que focou a onda de calor um leque de considerações que não resistem a uma filtragem mínima praticada em balcão de boteco. Elas saíram de todos os lados e não mereceram um dedo de aprofundamento. Relaciono algumas:

- Televisão vilã: Como sempre, sobrou para a Rede Globo. Cabe, aqui, uma informação extra-tema: quando os jogos da Dupla estão disponíveis apenas pelo pay-per-view, direciona-se a responsabilidade para a televisão. Todo o mundo fala, mas poucos sabem que esta é uma escolha dos clubes, interessados na participação dos dividendos proporcionados pelo pay-per-view. Mas voltemos ao nosso foco.

- Terminado o contrato que os clubes, através do Clube dos 13, mantinham com a Globo, foi aberta concorrência entre as redes nacionais. Perguntem ao presidente da entidade, Fábio Koff, quantas propostas foram apresentadas. Antecipo-lhes a resposta: apenas uma. Mesmo sendo única, a televisão aceitou majorar valores sem tirar vantagem da falta competição. Já faz tempo que a receita proveniente da comercialização de imagens significa parte significativa dos orçamentos dos clubes. Para muitos deles, mais de 50% dos seus orçamentos são cobertos pela televisão que, em contrapartida, define os horários dos jogos, com a concordância plena dos clubes.

- Com relação a venda do Gauchão, repetiu-se a história: nenhuma proposta foi apresentada, além daquela oferecida pela Globo. Para se ter uma ideia clara sobre o que representam os valores pagos aos clubes do Interior, basta lembrar que eles cobrem as folhas de pagamentos. Hoje, salário em dia é sinônimo de verba da TV. Esta televisão é, mesmo, uma vilã.

- Calor elevado impõe riscos aos jogadores. É desconfortável, sem dúvida. Mas os alegados riscos só foram descobertos agora, após um século de futebol, muitas vezes disputado sob calor intenso, neve, campos embarrados, etc. É dose!

- Muito calor derruba a qualidade técnica do espetáculo. Pura verdade. O mesmo efeito, entretanto, é produzido por frio intenso, chuvas, salários atrasados, noitadas, etc. Para não falar da desqualificação técnica, pura e simples.

Na liminar concedida ao Sindicato dos Atletas, constam argumentações como: o ser humano “não é peça para enriquecimento das elites” e esta: é o jogador quem paga “com o seu suor os lucros das redes de televisão”. Discurso lindíssimo, mas totalmente apartado da realidade. Se existe uma elite no futebol, esta é formada por jogadores que se tornam milionários, da noite para o dia. Quanto à segunda afirmação, o equilíbrio mínimo de uma análise racional indica que as televisões ajudam a remunerar o suor dos jogadores. Trata-se de um jogo de contrapartidas.

Sinceramente, acho muito desgradável jogar futebol sob calor de 40 graus. Pena que nunca houve um advogado, sequer, interessado em preservar a saúde de tantos trabalhadores que labutam sob sol escaldante, sem contar com preparação física, alimentação adequada, recursos medicinais e acompanhamento especializado de jogadores de futebol. Mas é fácil entender: nenhuma atividade, como o futebol, garante tanto espaço na mídia. E não se tratam de meros 15 minutos de fama.

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Trapalhadas que o calor provocou fora de campo

08 de fevereiro de 2010 131

Após a rodada de quarta-feira passada, Rafael Marques foi levado para passar por exames hospitalares. Imediatamente debitou-se o problema na conta do calor. Ontem, o jogador esclareceu que estava com sinusite e, assim mesmo, foi liberado para jogar sob altíssima temperatura.

Desde sexta-feira, quando o Sindicato dos Atletas Profissionais obteve, liminarmente, o direito de não jogar entre 10hs e 18hs, uma legião de leigos opinou sobre o tema. Ânderson Paixão, preparador físico do Grêmio, foi uma das raras autoridades no assunto, a se manifestar, antes da rodada deste fim de semana. Paixão admitiu o desconforto de jogar com temperatura de 40 graus, mas garantiu existirem recursos para preservar a saúde dos jogadores.

Paulo Paixão, ontem, alertou que um jogador de limiar baixo correria risco jogando sob alta temperatura. Risco de quê? Paixão não explicou. Pode-se dizer, creio, que um jogador de limiar baixo corre riscos sempre.

Quarta-feira passada, Inter e Novo Hamburgo jogaram sob temperatura superior a 39 graus, pouco menos do que o calor da tarde do mesmo dia. Antes do jogo, o árbitro consultou as duas equipes: desejariam paradas técnicas de reidratação? Jogadores do Inter quiseram, mas os do Noia rejeitaram a oferta, confrontando o discurso candente sobre proteger a integridade física dos profissionais.

Se os jogos de ontem tivessem começado às 17hs, como marcara a FGF, a temperatura seria de 39,5°C. Às 18 hs, como permitia a Justiça, o calor era de 40,3°C. A liminar foi, portanto, inútil. Grêmio e Universidade jogaram às 19hs, quando a temperatura era de 37,3 °C. Em qualquer um dos horários, fazia calor intenso.

Não faz sentido determinar horários quando o fenômeno El Niño produz situações com as quais ninguém sabe lidar. Já se viu que é quase ridículo proibir jogar às 17hs e autorizar às 18hs. Ou se joga ou não se joga, é simples.

Outra coisa: desconfortos laborais provocados pelo clima atingem inúmeras profissões. Nenhuma delas, porém, proporciona espaços da mídia. O calor provocou mais trapalhadas em refrigerados gabinetes do que dentro do campo. Hoje, Sindicato e FGF reúnem-se para acabar com a confusão.

A verdade é que dá para jogar sob intenso calor. Já foi provado mil vezes. Desconfortável, sim, mas possível. E se alguém acha que é desumano, posso lembrar inúmeras outras situações em que trabalhadores operam sob temperaturas extremas, por salários indignos. Não o faço porque os internautas que prestigiam este blog são inteligentes e capazes de saber do que estou falando.

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