
Todos os jogos desta rodada, que será realizada integralmente no sábado, estão marcados para às 16 horas. O Sindicato dos Atletas, que não queria jogo às 17 horas, recuou e aceitou antecipar em uma hora o início das partidas. Desconheço e nem consigo atinar para as razões desta decisão dos atletas.
Há, entretanto, uma condição aberta para que os jogos desta rodada comecem no horário estabelecido. O Juiz do Trabalho, doutor Rafael da Silva Marques, homologou o acordo mas exigiu que seja medida a temperatura, na hora marcada. Se o termômetro marcar temperatura igual ou superior a 35 graus, o árbitro terá que esperar até o calor ceder e atingir o limite permitido.
É provável que não esteja mais quente do que o permitido para sair o jogo no horário. Entretanto, se a temperatura for superior ao limite estabelecido (só vale para esta rodada), talvez tenhamos um formidável atraso para o início do jogo. Sabemos, por experiência, que a temperatura sobe até por volta das 19hs. Significa que se o termômetro estiver marcando 35, 5 °C, às 16hs, provavelmente subirá nas horas seguintes. Se acontecer, qual é o horário limite? Antes era 19h30m, continua valendo? Se a resposta for positiva, poderíamos ter um atraso de três horas e meia para o início do jogo.
Alguém se atreveria a imaginar a reação do público sentado nas arquibancadas e, com paciência de pescador, aguardando o calor diminuir? Podendo esta espera durar mais de três horas?
Mais: de onde saiu este limite de 35°C como sendo temperatura de risco para a prática do futebol? O Ministério do Trabalho criou Normas Reguladoras, se não me engano em número de 33, que tratam de insalubridade. Uma delas fala em trabalho externo sob altas temperaturas. Técnicos altamente especializados criaram uma fórmula complexa e uma tabela que determina procedimentos a serem adotados. Exemplo: se o número saído dos cálculos indicar calor acima do razoável, deve-se adotar procedimentos do tipo: duas horas de trabalho, 15 minutos de descanso. E assim por diante, variando a orientação de acordo com os resultados apurados. Este cálculo foi feito e o resultado encontrado indicou inviabilidade de se jogar futebol com mais de 35 graus?
Que o calor é desconfortável, sabemos todos. Eu mesmo tenho preferência histórica pelo inverno, comparando esta estação ao verão. O outono e a primavera são melhores, claro. Mas, não cabe usar o “chutômetro” para estabelecer limites. Pode ser, até, que os cálculos dos técnicos indiquem que não é possível jogar futebol com temperatura inferior a 35 graus, pode ser. Mas é preciso seguir as normas.
Lembrou-me o médico, jornalista, escritos e imortal, Moacyr Scliar, que jogar futebol é exercer um prazer, diferente do sujeito que quebra pedras ao sol. E o organismo torna-se menos sensível ao calor, por exemplo, quando se faz algo prazeroso. Além disso, um jogo de futebol não é disputado durante oito horas mas, sim, durante noventa e poucos minutos, uma ou duas vezes por semana. Nenhum jogador corre o tempo todo. É uma corridinha, uma parada, mais uma corridinha, etc. Considere-se, ainda, que os atletas recebem preparação física, alimentação, assistência médica, etc, como nenhuma outyr4a pessoa. Estão habilitados a suportar muito mais calor do que um vivente qualquer.
O Scliar conclui opinando que esta questão deveria ficar para os médicos dos clubes. Eles, melhor do que ninguém, saberiam identificar riscos. Ou alguém pensa que algum médico de Inter e Grêmio, por exemplo, permitiria que um jogo saísse se houvesse riscos graves para os seus jogadores?
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