É isso mesmo: o time do Grêmio está doente e, até agora, tratamento algum faz com que melhore.
Desde o início do Gauchão, sofre gols em todas as partidas. Apenas uma vez, contra o Universidade, não saiu perdendo. Em todos os outros jogos, no Olímpico ou fora de casa, os adversários marcaram primeiro, levando o Grêmio a um desgaste físico e mental maior, na busca pela recuperação.
Silas responsabiliza a inexperiência dos defensores mas não se ouve uma única entrevista em que o treinador seja claro nas suas pretensões táticas, definições funcionais, etc.
O meio-campo não funciona e a defesa vaza. Por enquanto, o ataque está salvando a pátria tricolor. Ou melhor, Borges. Silas terá que fazer algumas reavaliações. Até Mário Fernandes, uma unanimidade gremista, está tendo desempenhos comuns, quase invisíveis.
Nenhum clube gaúcho teve uma pré-temporada como o Inter. O seu time principal só entrou no Gauchão na quarta rodada e, até aquele momento, apenas treinou e se preparou. Agora, aproximando-se a decisão da Taça Fernando Carvalho, impõe-se a constatação: a equipe de Jorge Fossati não evoluiu. É possível, inclusive, que esteja regredindo.
As últimas atuações desgostaram o próprio treinador. E não cabe ignorar que o Inter está enfrentando os times mais fracos da competição.
As razões para a estagnação do Inter podem ser muitas. As lesões, atrapalham, claro. Mas se elas não são superadas em um torneio menor, como será na Libertadores? Fossati insiste em jogar com três zagueiros, dois volantes e um armador ofensivo. As explicações podem começar pelo esquema tático. Aposto que sim.
Foto: Ronaldo Bernardi, Banco de Dados - 19/10/2008
Sábado, logo após o jogo no Olímpico, o presidente Duda Kroeff, questionado sobre a possibilidade de inverter as datas dos jogos da próxima semana, o Grêmio indo para quinta-feira e o Inter recuando para quarta-feira, deu a seguinte resposta:
- Prefiro, sempre, que sejam mantidas as coisas como estão programadas. Mas, o Grêmio já disputou muitas Libertadores e não vejo razão para que não favorecesse o Inter.
No dia seguinte, César Pacheco, vice-presidente do Grêmio, negou qualquer possibilidade de modificar as datas. Diante das posições diferentes, ficou a dúvida: quem manda no Grêmio, afinal?
A intransigência do Grêmio já foi a intransigência do Inter, em outras ocasiões. Os dois clubes fazem questão de manter o ódio que alimenta as duas rivalidades. São iguais. Hoje, o Grêmio tenta atrapalhar o Inter. Amanhã, será a vez de o Inter não favorecer o Grêmio. Se colorados e gremistas acham bonito este tipo de comportamento, não reclamem e nem coloquem a culpa em terceiros. Se fazem questão de ser mesquinhos, não é problema meu. Como diz, sempre, o meu colega e amigo Guerrinha: com colorados e gremistas, não é possível fazer filme de bang-bang. Não existem mocinhos. É bem isso.
São inúmeros os casos de atletas brasileiros que orgulham o nosso esporte conquistando medalhas e carregando o peso imenso da indiferença nacional. Heróis movidos pela paixão que dedicam ao esporte mas que não conseguem sensibilizar governos e empresas e assim cumprem uma trajetória de sacrifícios, sem patrocínios o que, muitas vezes, os levam a comprometer seus patrimônios, quase sempre salários, para seguir lutando e sonhando que, um dia, esta insensibilidade acabará.
Além da alegria de competir, resta-lhes a gloria de ver seus feitos registrados na imprensa, para reconhecimento dos seus familiares, amigos e futuras gerações. Outros, entretanto, nem esta satisfação desfrutam. As suas proezas acabam escondidas na mais absoluta clandestinidade. São Heróis anônimos que somente se mantém em atividade porque são movidos por um idealismo que a maioria das pessoas sequer consegue imaginar que exista. É o caso do Carlos Roberto Oliveira, portoalegrense, meu colega de jornal. Há três semanas, o Carlão conquistou o terceiro lugar na maratona de cadeirantes de Miami. Sim, ele é deficiente físico e corre em cadeira de rodas. Pouca gente ficou sabendo. Acompanhe a entrevista que o Carlão concedeu logo após a prova, nos Estados Unidos:
Agora, o depoimento do Carlão ao blog do Wianey:
"Wianey, eu não quero dinheiro para mim, sempre consigo apoiadores para comprar e fazer manutenção do meu equipamento que é caro, preciso, no momento, somente apoio para custear passagens e hospedagens em 04 competições internacionais até o final do ano.
Orlando
Boston
Berlim
Oita/Japão a principal prova no mundo para cadeirantes na qual fiquei em 15º no último ano, haviam mais de 1.000 corredores do mundo todo.
Sei que para muitas pessoas pode parecer irracional ou até irresponsável eu comprometer meu salário com viagens para competir que em muitos casos não consigo vitória e portanto tenho de pagar os financiamentos, como foi o caso desta última agora de Miami, em que somente o 1º colocado recebe premiação em dinheiro, mas por outro lado entendo que tenha uma responsabilidade social de demonstrar a potencialidade das pessoas com deficiência. É uma luta grande, mas uso essas minhas vitórias para poder aparecer na mídia e assim chegar aos mais longínquos confins com a mensagem às pessoas com deficiência de que "É POSSÍVEL", ser homem em todos os sentidos da palavra, ser competitivo e principalmente produtivo no mercado de trabalho e, com todas as dificuldades, ainda poder ser atleta. É uma coisa que gosto de fazer, demonstrar às pessoas que se as oportunidades forem criadas é possível ter o seu lugar de destaque na sociedade.
Fico sempre grato à RBS por me proporcionar condições para que possa continuar na minha "caminhada". Um forte abraço e sorte para nós - Carlão".
O Carlão é um cara muito forte, física e espiritualmente. Seus problemas físicos não inibem a alegria que distribui por onde passa. Sempre sorrindo, brincando e sonhando, ele continua acreditando que um dia tudo possa mudar e ele não precise mais fazer empréstimos para pagar suas passagens e hospedagens.
Perfil
Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, nascido em Três Passos (RS), na longínqua data de 16 de julho de 1949. Na minha carteira profissional está escrito: jornalista e radialista.
Wianey por Rosane:
"Ele é o multimídia incansável. Trabalha sete dias por semana e briga com tanta convicção por suas ideias que eu não sei de onde tira tanta energia."
Wianey por David:
"Quando o Wianey chega agitado aqui, no Esporte da Zero, a gente já sabe: a coluna dele vai provocar jogadores, técnicos, torcedores, juízes, todo mundo. O problema é que o Wianey chega todos os dias agitado aqui, no Esporte da Zero."
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