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Um Bagre lembra história de Copa

18 de junho de 2010 6

Bagre Fagundes, um dos autores do Canto Alegretense, verdadeiro hino pampeano, enveredou pelo futebol na coluna que assina no jornal A Gazeta de Alegrete. Ficou bonito como laranja de amostra. Por isto, este blog reproduz o texto deste bagre metido:

“De repente é aquela 
corrente pra frente 
parece que todo o Brasil deu a mão. 
Todos unidos na mesma emoção, 
todos num só coração !”

A PROMESSA DO JOÃO SALDANHA

Bagre Fagundes

O jornalista João Saldanha era nascido no Alegrete. Não apenas nascido, ele se orgulhava uma barbaridade de ser alegretense. Proclamava aos quatro cantos do mundo esse fato. Eu não sei qual é o mistério que existe que todo mundo faz questão de dizer que é alegretense. Alguma coisa há!  Eu até brinco quando encontro alguém que me diz que é do Alegrete.

- TU ÉS MESMO DO ALEGRETE OU ESTÁS DIZENDO APENAS PRA TE ENGRANDECER?

O João Saldanha era, mesmo, do Alegrete. Desses nossos Saldanhas, do Velho Alipio, tão esperto e inteligente que casou com a Dona Mimosa. Bôbo que era esse Velho Alipio!!! Imaginem só o cara: marido da Dona Mimosa e pai da Aretê, pra não falar nos outros…

Pois, foi com esse João Saldanha que eu marquei um encontro em Porto Alegre, mais precisamente, no Hotel Everest, na Rua Duque de Caxias, em cima do Viaduto. Ele era o treinador da Seleção Brasileira, daquela extraordinária seleção que ganhou o Tri-Campeonato Mundial de Futebol no México e eu chefiava uma pequena, mas ousada, delegação do Alegrete que tinha um só propósito: arrancar uma promessa do João na base do “corassonaço” e da emoção que eram marcas da personalidade do grande conterrâneo.

E qual era essa promessa? Que ele levasse o selecionado brasileiro para jogar uma partida contra uma seleção de alegretenses no nosso Estádio Municipal Farroupilha, onde ele tantas vezes tinha jogado bola! Eu conhecia mais ou menos o tipo de homem que era João Saldanha, pois, acompanhava suas peleias como comentarista esportivo lá no Rio de Janeiro. A promessa que ele deveria assumir somente valeria SE A SELEÇÃO BRASILEIRA VENCESSE O CAMPEONATO MUNDIAL E VOLTASSE TRI-CAMPEÃ DO MEXICO!

Era um senhor desafio, mas, naquela época não era o Presidente da CBF que mandava, mas o treinador. E eu tinha um fato anterior que me autorizava tamanha audácia: em 50 o treinador do Uruguay – que eu não me lembro o nome – prometeu a uma delegação de sua terra natal – ARTIGAS – que se a “Celeste Olímpica” vencesse no Brasil ela se apresentaria na cidade em que nasceu o seu treinador. Os uruguaios venceram a copa naquele inesquecível jogo final contra o próprio Brasil, em pleno Maracanã, diante de mais de duzentas mil pessoas.  E a Celeste Olímpica se apresentou em Artigas com todos os seus jogadores titulares!!!

Era forte o meu pedido, em nome do Alegrete, e o João Saldanha nem titubeou: ao lado de PELÉ, o maior ídolo do futebol brasileiro de todos os tempos, ele me apertou a mão e disse:

- “GARANTE PARA O POVO DA NOSSA TERRA QUE A SELEÇÃO BRASILEIRA, COM TODOS OS SEUS JOGADORES TITULARES, ESPECIALMENTE, ESTE AQUI AO MEU LADO, (PELÉ) JOGARÁ UMA PARTIDA NO ESTÁDIO MUNICIPAL FARROUPILHA, PORQUE NÓS VAMOS CONQUISTAR O TRI-CAMPEONATO!!!”

Logo depois, aconteceu um fato profundamente lamentável. O Presidente da República, General Emilio Garrastazu Médici exigiu a convocação do jogador DARIO, do Clube Atlético Mineiro e o João Saldanha, com a personalidade que o caracterizava, respondeu em entrevista:

- “O PRESIDENTE ESCALA O SEU MINISTÉRIO, EU ESCALO A SELEÇÃO!”

O regime militar não aceitava discordância de nada e o que se viu foi a substituição do João Saldanha pelo Mário Lobo Zagalo que estava no lugar certo, na hora certa e com o time certo para vencer: AS FERAS DO SALDANHA!!!

O João Saldanha não cumpriu a promessa, mas, a culpa não foi dele. Dele foi a convocação dos melhores jogadores para defender a camisa do Brasil que voltaram tri-campeões do México. E o Dario – no banco – foi campeão, como queria o General!!!

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Comentários (6)

  • pedro lapinscki jr. diz: 18 de junho de 2010

    é isso aí, alemanha fez fiasco e vc vem desconversar com bagre…

    parabéns…

  • Fábio Basso diz: 18 de junho de 2010

    O Bagre é daqueles que escreve da mesma forma com que fala. Lendo o texto pareço estar ouvindo o Bagre falar. E que linguajar maravilhoso. Parabéns pela idéia de publicar esta preciosidade.

  • luiz carlos pauli diz: 18 de junho de 2010

    Bagre FAgundes…esse é show de bola. Admiro demais ele, como pessoa, sempre com aquele estilo gozador. Grande pessoa.

  • josé ernani freitas diz: 20 de junho de 2010

    Bagre Fagundes tem tudo de bom. É um grande compositor, seu texto é ótimo e, ainda
    por cima, é colorado escrachado.
    Com relação à letra da música que todos cantamos entusiasmados em 1970, uma das coisas
    que chama a atenção, em particular, é que naquela época ‘éramos 90 milhões em ação’, hoje,
    somos mais de 192 milhões de brasileiros.

  • Igor Dornelles diz: 21 de junho de 2010

    Wianey e Bagre… como é bom ser ALEGRETENSE … Alegrete está para o RS assim como o RS está para o Brasil, o mesmo sentimento que nós Gaúchos temos de chegar em qualquer lugar e dizer que somos Gaúchos, nós Alegretenses temos de dizer que somos do ALEGRETE !!!

  • e.fernando diz: 22 de junho de 2010

    não conheço o bagre pessoalmente, sou do alegrete mas sai de lá com 5 anos de idade, mas tenho a satisfação de dizer e comprovar que o Bagre foi “testemunha” quando meu pai foi fazer a minha certidão de nascimento a 51 anos atras, ta alí o nome dele como testemunha Euclides Fagundes. abraço a ele.

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