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A perfídia se esconde na Internet

25 de junho de 2010 3

Faço uma singela confissão: eu não saberia mais viver sem a Internet. Para ser mais específico: sem o doutor Google. Entre todas as invenções da humanidade, a Internet coloca-se como, possivelmente, a mais espetacular. Nela encontro fontes de pesquisa, informação, canais de comunicação que, antes, tomavam-me horas e, às vezes, dias de busca. Hoje, em poucos segundos, capturo o mundo. Viva a Internet!

Porém, o ser humano e a sua inesgotável propriedade de “Midas do avesso” está transformando esta maravilhosa ferramenta em uma arma mortífera. O anonimato garantido está fomentando a falta de escrúpulos e a covardia. Atrás de um apelido, ou nem isso, ofende-se e destroem-se reputações sem qualquer risco. A Internet já se tornou uma arma mortífera, escudo dos pérfidos e inocentes úteis.

Quem quiser joga na rede de computadores uma história escabrosa que ela, rapidamente, será reproduzida por milhões de internautas sem a menor preocupação de conferir se a notícia tem fonte, procedência etc. E como as pessoas ouvem, lêem e acreditam no que querem acreditar, a maledicência transforma-se em verdade.

Circulou pela Internet, sem autoria, que Fátima Bernardes, apresentadora da Globo, comparecera à concentração da Seleção Brasileira para realizar uma reportagem exclusiva. No texto constam diálogos, bom artifício para tornar a história verossímil. Na terça-feira, Reinaldo Salomão, ex-preparador físico do Inter e grande amigo de Dunga, telefonou-me para dizer que reenviara para Dunga o texto e este respondera que o fato jamais acontecera. No dia seguinte, David Coimbra procurou Fátima Bernardes, na África, para conferir a história. Mesma resposta. As pretensas vítima e vilão negaram, peremptoriamente, o que já se transformou em fato.

Quando me equivoco em alguma informação ou opinião, os leitores identificam a autoria do erro, pois este blog leva assinatura. Porém, quando um mau caráter joga na rede uma história escabrosa, sua falha moral se reproduz em cada internauta que repassa a informação. Este goza a mais absoluta impunidade, protegido pelo anonimato.

Não me move qualquer interesse em defender Fátima Bernardes ou qualquer profissional da Globo. Não trabalho nesta emissora, não tenho qualquer vínculo que pudesse me constranger a uma posição. Meu salário é pago pela RBS. Jamais, em quase 25 anos de atividade nesta empresa, foi-me sugerido, sequer, que defendesse ponto de vista que não fosse o meu. Não precisam acreditar mas, por favor, antes de dar crédito a uma informação apócrifa, tenham o cuidado de conferir autoria, fonte e procedência. Não sejam cúmplices da maledicência.

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Comentários (3)

  • Julio Aguiar diz: 28 de junho de 2010

    se não postou os comentários é porque o PaTrão não gostou!!! Democracia na imprensa? Só da boca para fora…

  • Raukores diz: 29 de junho de 2010

    É, odeio essas pessoas que replicam notícias baseadas em rumores da internet, sem a menor fonte confiável para garantir legitimidade.
    Alias, o que ouve com os 4 norte coreanos sumidos? Eles foram deportados? hehehehe

  • Ivan diz: 30 de junho de 2010

    É verdade, agora a calúnia, a difamação e a má notícia não são mais exclusividade da imprensa formal.

    Casos como o dossiê falso sobre a candidata Dilma – que teria participado de assassinatos e roubos quando atuava contra o regime militar – ou, ainda em relação as eleições, a recente acusação de que o PT estaria preparando um dossiê a respeito do candidato Serra, demonstram bem que não é somente na internet que se fabricam notícias e causos.

    A concorrência está acirrada. Seja para o bem, seja para o mal.

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