Poucas vezes, um torcedor apaixonado fez auto-crítica tão bem elaborada quanto este, cujo e-mail reproduzimos a seguir:
“Amigo Wianey, tudo bem?
E foram-se por terra todos os erros! Que me importa se Pinga já vestiu a camisa do Internacional ou se Pato foi reserva de um time treinado por Alexandre Galo? Não me interessa mais se tivemos Rafael Santos como zagueiro em uma Libertadores, da qual fomos eliminados na primeira fase. Não lembro-me mais que o Presidente Vitório Piffero pediu-me, enquanto torcedor, apenas para torcer, enquanto ele "dirigia" o clube e o Sr. Fossati o treinava. Listei apenas alguns erros pós-2006... O que não faz um resultado importante, não é?
Mas, agora, posso estufar o peito para rasgar elogios à algumas decisões acertadas, pois, como simples torcedor, sou movido a paixão e a resultados. Não posso me encabular de tecer alogios a todos aqueles, jogadores e direção, que nos classificaram para mais uma decisão Continental. Apenas torço, sou passional. Posso, acima de tudo, elogiar aquele que critiquei, mas que reconheço ser o maior responsável pela glória ontem alcançada: Celso Roth. O treinador, antes achincalhado pela nação colorada, recuperou o sistema de jogo do Internacional, assim como recuperou tecnicamente Taison, Índio e Kléber. O padrão de jogo utilizado ontem, diante do São Paulo no Morumbi, enchou de orgulho os corações vermelhos, pois, o Inter foi grande ao longo dos noventa minutos, jamais abdicando de agredir o tricolor paulista, honrando seu "poncho e sua adaga". A Direção, muito contestada por inúmeros erros de avaliação, acertou ao manter Índio, após o episódio, até hoje obscuro, do corte em sua mão.
Com a demissão do Sr. Fossati, todos pediam, torcedores e imprensa em geral, por um treinador com grife, capaz de comandar o estrelado vestiário vermelho, com suas cobras criadas e grupinhos contrários. E não é que Celso Roth o fez, após 40 dias de trabalhos silenciosos e discretos, na pausa da Copa do Mundo? Agora, amigo Wianey, o Internacional decidirá a Libertadores já classificado para o Mundial de Clubes, aproximando-se de mais um feito histórico, alçando-o novamente ao cenário mundial, lugar no qual estamos nos acostumando a transitar.
Que orgulho! Que raça demonstrada! Que organização tática! Que expulsão do Tinga (até esta coincidência!) Que monstro foi Guiñazu e que leão foi Sandro! Que capitão é Bolívar e que estrela tem Renan!
Tudo será Chivas, nossos sonhos, cotidianos, trabalhos, famílias, enfim, flutuaremos no ar pensando nesta finalíssima, que mais uma vez se decidirá no Gigante da Beira-Rio. Pergunto-te Wianey, não seria este o motivo de adorarmos o esporte bretão? Não seria por isto, por um dia odiarmos Carvalho, Píffero, Índio e Roth para, no outro, amarmos todos eles e querermos acampar no Beira-Rio, aguardando a partida de volta desta grandiosa final?
Seria isto incoerência? Não creio, isto é FUTEBOL, que rima com MUNDIAL, que rima com INTERNACIONAL, que rima com AMOR INCONDICIONAL.
Um grande abraço,
Roberto Salami”.






Comentários