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Lei Seca: mais incômodos que vantagens

23 de novembro de 2010 12


Está plenamente demonstrado que a lei seca dos estádios de futebol não produziu os bons efeitos esperados. Quem gosta de assistir aos jogos alcoolizado, fica “enchendo o taque” nos botecos em torno dos estádios e só entra quando já estiver devidamente turbinado, próximo ao início dos jogos, causando transtorno nos portões de acesso. Outro transtorno provocado pela proibição de bebidas alcoólicas nos estádios é contado por um torcenauta, cujo e-mail reproduzimos, a seguir:

“Sr. Wianey,

Por saber que sua coluna (blog) é uma das mais lidas, estou fazendo esse desabafo. Pode parecer irônico, porque sou torcedor do Grêmio e o time encontra-se em grande fase… mas realmente vivencio – e acredito que outras pessoas também – um verdadeiro drama.

Sou morador de uma rua próxima do Estádio Olímpico (R. Afonso Pena) e em dias de jogos, de uns tempos para cá, tenho que aguentar esse drama.

Minha casa é próxima a um armazém onde a torcida literalmente toma conta. Antigamente, compravam uma cerveja e se dirigiam ao estádio. Agora, graças a lei seca dos estádios, o pessoal enche a cara na frente do armazém, jogam copos e garrafas de vodka pelo chão, urinam nos muros, nas grades… até churrasco fazem no cordão da calçada.  Ninguém respeita nada, fazem gracinhas com os passantes, brigam entre si e depois de tudo, quando vão para o jogo, deixam aquela sujeirada na rua.

Acho um desrespeito eu ter que sair de casa para poder ter tranquilidade, ter que pedir “por favor, com licença” para passar com minha filha pequena no meio desses desocupados. A última foi quando um moleque vomitou na frente do meu portão, completamente bêbado. Gostaria de saber se alguns desses inconsequentes ficaria feliz, seja na frente da sua casa, seja na frente do seu condomínio de luxo, se eu bebesse, urinasse e importunasse quem mora ali.

Deixei de ir aos jogos desde 2008. Sempre fui um torcedor fiel (beneficiado por morar perto), não sou desses confeiteiros que aparecem agora na boa fase; acompanhei dramas tricolores como 1991 e 1992 enquanto muitos nem eram nascidos e agora enchem a cara na frente de casa e fazem essa gritaria “castelhana” ridícula. Pergunto Wianey… quem é que consegue assistir um jogo completamente alcoolizado? Por que não bebem nos bares próprios para isso? Não vou por protesto pela falta de consideração, de ter meu direito de ir e vir constrangido por essa turma ridícula. E se eu fosse colorado? Seria linchado por colocar uma bandeira em frente de casa?

Já fiz denúncia para a SMIC, mas dizem que o armazém pode vender (não é culpa dele se bebem na frente do estabelecimento). A Brigada Militar só apareceu uma vez, quando os imbecis jogaram papel higiênico e fitas nos fios de luz, e outros idiotas tentaram colocar fogo.

Peço-te auxílio para ajudar nesse problema, não sou eu apenas, mas outros moradores do local também sofrem com esse desrespeito absoluto…

Te peço anonimato (imagine minha situação se pegam meu nome no guia).

Att

Um morador da rua Afonso Pena”.

Está feito o registro. Duvido, sinceramente, que encontrem uma solução, seja por falta de vontade ou descaso, simplesmente.

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Comentários (12)

  • peixoto diz: 23 de novembro de 2010

    o pior não é a venda nas proximidades do estádio. O pior mesmo é que não se pode beber, e nem entrar com bebidas alcoolicas nos estadios, mas maconha e outras drogas passam pela revista e são consumidas no interior dos estádios.

  • Lucas Colorado diz: 23 de novembro de 2010

    Além de tudo isso que o gremista que enviou a carta explana, podemos notar nos estádios que a única coisa proibida de fato foi o álcool, pq outras drogas “ilegais” como maconha, cocaina e outras ainda são usadas livremente nas arquibancadas. E tem os espertos que pegam aqueles saquinhos de “sacole” e colocam vodka dentro.
    Podesse notar que os bons (eu incluso, que adorava tomar a minha cerveja enquanto cantava) pagamos pelos maus (aqueles que bebem até sair de si e criam confusão)…
    E na copa, como vai ser? Tu achas que os ingleses, alemães e etc… vão querer ficar de bico seco? Nunca, ainda mais com uma marca de cerveja como patrocinadora… depois da copa volta tudo ao normal!

  • Levi Coelho diz: 23 de novembro de 2010

    Vai catar coquinhos “morador” da rua Afonso Pena. Os incomodados que se retirem. Não há nada de ilegal, nada de má índole. Cada um consome bebida alcóolica onde preferir. Falso gremista. Literalmente, um CHATO.

  • Gilberto Jasper diz: 23 de novembro de 2010

    Amigo Wianey! Vou frequentemente ao Beira-Rio com meu filho de 15 anos. Fico impressionando com a turba de jovens que equilibram três, quatro enormes copos até a borda de cerveja. Ora… instalar quiosquer ao pé das rampas é uma afronta. Por isso, a venda deveria ser proibida num raio maior di entorno e não apenas dentro do estádio. Lamentavelmente há milhares de “torcedores” incapazes de permanecer duas ou três horas abstêmios. Concordo com teu comentário: quem bebia antes, hoje bebe muito mais. Antes e depois dos jogos. Sem falar no consumo de maconha que espanta torcedores “normais” (ou “caretas”) em algumas dependências bem conhecidas da Brigada Militar e de frequentadores do Beira-Rio. A intenção da “Lei Seca” foi ótima, mais o tiro saiu pela culatra.

    GILBERTO JASPER
    Porto Alegre

  • Roberto diz: 23 de novembro de 2010

    A situação que este torcedor enfrenta é terrível, sem dúvida, mas era pior no tempo em que esses gambás se emborrachavam dentro dos estádios. As autoridades têm que deixar de se omitir. Quem sabe o torcedor procura o Ministério Público, ali na Rua Santana?

  • Volnei W. diz: 24 de novembro de 2010

    Sempre gostei de assistir um jogo de futebol tomando uma cervejinha, geralmente vou nas cadeiras superiores, onde bebia de 2 a 3 latinhas em um jogo. Pra mim, olhar futebol em um domingo ensolarado tomando uma cervejinha faz parte da CULTURA brasileira (e da européia e americana também). Lembro-me ainda que quem concordava em acabar com a cerveja nos estádios, diziam que a FIFA era contra a venda de bebidas, e assim o Brasil já estaria se preparando para a Copa, baboseira, um dos maiores patrocinadores da FIFA é uma cervejaria e a FIFA OBRIGA vender cerveja dentro de estádios na Copa. Bem, hoje como é proibido beber dentro dos estádios, bebo fora, antes do jogo, rapidamente 2 ou 3 latões de cerveja, e entro dentro do estádio em cima da hora para acompanhar o futebol. E tem mais, quem conseguia se embebedar de cerveja dentro do estádio? o acesso a cerveja naum era dos mais fáceis, tinha filas e a preocupação com o jogo, quem se embebedava já chegava pronto de fora.

  • wilson diz: 24 de novembro de 2010

    Já que os pais destes ” mocinhos” não deram educação à eles, deixem a Brigada educar .
    Seja Gremista ou Colorado .
    Eduquem em casa e evitem que a Brigada ( com toda razão ) faça isso.
    Aconselho à este Sr. que recolha o lixo produzido por estes ” anjinhos” e o despeje na frente da Smic.

  • Marco diz: 24 de novembro de 2010

    Óbvio que minha intenção não é imputar responsabilidades as coberturas da rádio, mas lembro de já ter ouvido o Luciano Périco num desses churrascos no cordão da calçada, numa pré-jornada de algum jogo do Grêmio na Gaúcha…

  • Letícia diz: 24 de novembro de 2010

    Concordo plenamente que a Lei Seca não adiantou de nada… Mas discordo deste “morador da rua Afonso Pena” que SE DIZ gremista!
    Se tem um armazém ali, pode-se comprar bebida. E até onde se sabe, não é proibido beber na rua.
    Se quiserem resolver o problema deste cidadão ai, vao ter que fechar todas as ruas próximas dos estádios. Poque isso, meu querido, tem diversas ruas.
    E agora eu pergunto, será que um gremista iria se importar em perguntar com um torcedor do inter que quer botar sua bandeira na frente de casa? Acho que não!
    Até porque experimenta botar uma bandeira do Grêmio perto do Beira-Rio, e tirem suas conclusões!
    Acho que esta pessoa ai que se diz gremista, de gremista não tem nada. E isso não tem nada a ver com a Lei Seca, pois se liberarem bebida no estádio novamente, o armazém vai continuar ali, e os gremistas também!

  • Claudiopoa diz: 25 de novembro de 2010

    Concordo: quem gosta de beber e acha que isso é mais importante que torcer para seu clube, que vá para os bares assistir os jogos de futebol. Mas, se gosta de futebol sem brigas, discussões e selvagerias vá ao estádio, e leve seus filhos.

    Já a polícia e smic deve fazer a sua parte.

  • Xiquito diz: 26 de novembro de 2010

    Esse ai ta envelhecendo e abandonando o time. Para passar 90 minutos fazendo o que nenhuma torcida faz no brasil (os cantos que ele chama de ridiculos) e preciso estar turbinado.

  • Felipe diz: 29 de novembro de 2010

    Wianey, a solução pra isso é até simples, embora fosse complicar bastante a entrada nos estádios: bafômetros. Pra minimizar os problemas na entrada, os torcedores poderiam ser escolhidos por amostragem e/ou por suspeita de embriaguez pra passar pelo bafômetro. Mas, enfim, imagina uma galera reunida que bebeu além da conta ter que passar por bafômetro, o rolo que não ia ser. No mínimo a brigada ia ter mais trabalho… mas enfim, soluções existem. Abraço.

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