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Posts do dia 29 dezembro 2010

Os absurdos salários do futebol

29 de dezembro de 2010 3

Apesar de ter faturado 125 milhões de libras na temporada 2009/ 2010, o rico Manchester City, Inglaterra, teve 121,3 milhões de prejuízo, quase empatando com a receita. As despesas do clube inglês aumentaram 90,6 milhões de libras da temporada 2008/ 2009 para a passada. Mais da metade dos 251,2 milhões de libras gastos na última temporada (133,3 milhões) foram com pagamento de salários de jogadores e comissão técnica.

Em São Paulo, Andrés Sanchez, presidente do Corinthianas, revela-se apavorado com os salários pedidos pelos jogadores. Em Porto Alegre, Inter e Grêmio tratam de enxugar suas folhas de pagamentos mas precisam contratar e, consequentemente, submeter-se as estratosféricas pretensões salariais dos candidatos.

O diabo é que as loucuras cometidas pelos clubes europeus acabam repercutindo no mundo inteiro, em efeito cascata. O Cruzeiro pretendia recontratar Kleber mas desistiu quando soube que o atacante recebe R$ 300 mil mensais, no Palmeiras. Não é menor o salário que Souza recebia no Grêmio. O cenário não se altera no Beira-Rio.

Se os clubes brasileiros não moderarem os seus gastos, será inevitável o aprofundamento das suas dívidas. No ritmo atual, por mais que as receitas evoluam, elas sempre serão insuficientes para cobrir as despesas com as folhas de pagamento.

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Corinthians a mil pela Libertadores

29 de dezembro de 2010 0

A exemplo do Grêmio, o Corinthians também terá que superar a pré-Libertadores para ingressar na fase de grupos. Mas, diferente do Grêmio, a mobilização corintiana é absoluta para os dois jogos decisivos que terá contra o Tolima, da Colômbia. O clube divulgou que não há mais ingressos para o setor da arquibancada, no dia 26 de janeiro, no estádio  do Pacaembu, pela fase preliminar da Libertadores. Segundo o Corinthians, 11 mil ingressos foram vendidos aos torcedores cadastrados no programa Fiel Torcedor. A venda continuará exclusiva a eles até o dia 20 de janeiro.

Diferente do Corinthians, o Grêmio disputará o seu primeiro jogo em Montevideu, contra o Liverpool. A decisão será em Porto Alegre, no Olímpico Monumental.

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Esclarecimento sobre cocos

29 de dezembro de 2010 0
Em relação ao post Odeio o Verão, o leitor Jorge Brown Segui faz a seguinte observação:
"Oi Wianey,
Te acompanho há muitos e muitos anos, mas nunca te escrevi.
Porém, hoje, ao ler a tua crônica Odeio o Verão deparei com um erro muito comum entre nós brasileiros.
Vou direto ao assunto.
Até o Brasil ser descoberto, não havia cocos por aqui.
Assim como não havia tabaco na Europa, nem tomates, nem batatas, nem milho, entre outros vegetais.
Então, podes corrigir e fazer o favor de espalhar esse conhecimento que nos é negado desde a escola com inúmeras pinturas mostrando os índios entre coqueiros já na chegada de Cabral?
Te cito a fonte (e vale muito à pena ler!).
Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil.
Escrito pelo Leandro Narloch.
Recomendo.
Saudações australianas.
Um feliz, próspero e saudável 2011."
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Ronaldinho torrou o bife à milanesa

29 de dezembro de 2010 1

Até agora, apenas Ronaldinho e Grêmio estavam acertados, segundo vem repetindo a direção do clube gaúcho. Faltava, ainda, a liberação do Milan e esta parece ter emperrado após o primeiro encontro entre Assis e o representante milanês. Assis pretendia receber quatro milhões de euros e a liberação do jogador, sem custos. O Milan respondeu exigindo o pagamento de oito milhões de euros, valor que Ronaldinho receberia até o final do seu contrato. O Grêmio, como se sabe, não tem este dinheiro para investir. Neste caso, só restaria uma saída, aparente: Ronaldinho abrir mão dos seus créditos futuros para acertar, logo, sua vinda para o Grêmio. Se não surgir alguma novidade nas próximas horas ou dias, este parece ser o único caminho. É preciso considerar, igualmente, que o Milan poderá receber alguma oferta superior a oito milhões de euros. Se acontecer, o Grêmio ficará dependendo da vontade, exclusiva, de Ronaldinho

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Eu odeio verão

29 de dezembro de 2010 5

Não posso esbarrar na contradição, tampouco desmentir o que já proclamei. Fiel ao meu compromisso com a coerência, reitero a hierarquia que concedo às estações do ano, pela ordem:

1º lugar – Outono

2º lugar  - Primavera

3º lugar  - Inverno

4º lugar  - Verão

E se a gentil mãe natureza inventasse outras estações, a última seria, sempre, o Verão. Não me faltam argumentos para justificar minha desafeição pelo calor. Começo por um histórico e incontestável. Os pioneiros norte-americanos bateram de frente com gelado inverno, circunstância que os obrigou a desenvolver tecnologias para aquecer suas residências, posteriormente aplicadas no processo de industrialização do país. O progresso, portanto, veio do frio. Enquanto isso, os desbravadores brasileiros desembarcaram na calorenta Bahia e sob o sol causticante do Nordeste deixaram-se quedar à sombra das palmeiras, coqueirais, miolos derretidos e músculos abatidos, a espera da chuva e do côco que alimentaria. Nenhuma necessidade de buscar técnicas que produzissem o que já havia em abundância e de graça: o calor. Passados mais de 500 anos, o Nordeste continua quente e subdesenvolvido. É verdade que basta vestir um calção em janeiro e com ele atravessar o ano inteiro, sem a necessidade de trabalhar para manter quatro guarda-roupas, despesa que o gaúcho conhece tão bem.

Mas, o que significa o verão para os aflitos residentes neste extremo meridional do Brasil? A lista de dissabores é extensa.

Gaúcho é louco por mar. Basta o Cléo Kuhn anunciar que a temperatura subirá no fim de semana para que o gaudério comece a preparar mochila e apetrechos que levará para o Litoral. E no fim da sexta-feira e manhã de sábado, lá se vai o distinto cidadão. Lota o carro de familiares, parentes e vizinhos e mete-se nas inchadas rodovias que o levarão até as delícias de um mar cor de chocolate, água fria, nordestão canalha e areias cobertas de cocô de cachorro, papel de picolé, sabugos, etc. Neste paradisíaco cenário ele se refestelará durante o restante do sábado e parte do domingo quando, então, torrado como pastel que passou do ponto, enfrentará algumas horas de exaustivo e exasperante engarrafamento, de volta para casa. Na segunda-feira, comentará com os amigos:

- A água estava uma delícia. Sábado que vem, Cidreira que me aguarde.

O verão também fomenta mudança de hábitos. A gauchinha, depois de atravessar o ano afundando o garfo em lasanhas, massas, big lanches e picanhas, dá-se conta de que o verão se aproxima e é preciso passar por uma recauchutagem corporal que incluirá dietas alimentares radicais e neuróticas horas de malhação. Após algumas semanas de intensa preparação, chega a hora de estrear o biquíni novo. Neste momento, descobre que os esforços dos últimos tempos foram insuficientes. Uma avalanche de pelancas despenca corpo abaixo e a pobrezinha percebe que a camada de celulite e estrias cobre a pele da bunda gelatinosa como reboco salpicado em parede. O desespero que se segue é substituído por uma providência paliativa: troca o biquíni por um maiô apertado e vai saracotear nas areias escaldantes da praia. Boquiabertos, os varões pampeanos são nocauteados pela realidade: aqueles corpinhos modelados pelo jeans, semi-expostos, revelam curvas, aclives e declives que lembram o caminho velho para Vacaria.

Neste verão, espraia-se a grande qualidade do verão: sua transparência. Ninguém mais consegue enganar ninguém.

O bom do verão está em Porto Alegre. Enquanto metade da população se arrasta no trânsito caótico das cidades litorâneas, as ruas e avenidas da Capital estão, deliciosamente, desimpedidas. Não faltam mesas vagas nos restaurantes e sempre se encontrará ingressos disponíveis nos cinemas e teatros, no horário desejado. Como em nenhuma outra época do ano, a cidade justifica o seu nome: Porto Alegre. Ainda que o calorão umedecido pelo Guaíba empurre o sujeito para ambientes refrigerados. Porém, pela falta de população, até passeio em supermercado revela encantos proibidos durante os nove meses restantes do ano.

É fácil perceber que detesto o verão. Se fosse possível uma troca, mesmo radical, eu preferiria um inverno de terras erguidas pela geada, granizo salpicando de pedras nosso chão, neve branqueando telhados e minuano transformando orelhas em congelados pingentes. Qualquer coisa, menos calor de 38 gráus.

EU ODEIO VERÃO!

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