
Não adianta a atual direção gremista repassar a responsabilidade pela perda de Jonas para os dirigentes anteriores. Não adianta culpar o Assis pela não contratação de Ronaldinho. Não adianta apontar o dedo para os procuradores de Jonas. O Grêmio precisa aprender a gerir com inteligência e profissionalismo o seu departamento de futebol. Jonas é, apenas, a sua última perda. Existe um histórico recheado de exemplos, em que o Grêmio se coloca como marido traído. Esta imagem é desabonadora, não condiz com a grandeza do clube.
Ânderson Polga, zagueiro da Seleção Brasileira, voltou do Mundial e pouco tempo depois se mandou do Olímpico sem deixar um centavo nos cofres do clube. Tinga, formado no Grêmio, jogador valorizado, seguiu os passos de Polga. Saiu e nada ficou. Quando o ex-presidente Alberto Guerreiro fixou na entrada do Olímpico uma faixa dizendo “Aqui não se vendem craques”, ensejou a piada: “se vende, doa-se”. Tempos depois, Ronaldinho se mudava para a França deixando para o Grêmio meia dúzia de tostões. Adriano era um zagueiro promissor. O Grêmio não depositou o Fundo de Garantia e o rapaz se mandou para a Itália. De graça, claro. Grafite foi outro jogador que o Grêmio perdeu nas mesmas condições. E, quem não lembra de Roger, aquele da Débora Seco? Recuperou-se no Grêmio e quando voltou a se destacar no mercado, deixou poucos trocados no Olímpico e foi embora. Agora é Jonas quem sai, por mísero valor. Está na hora de o Grêmio parar de culpar terceiros por suas perdas históricas.
Fixa-se multa rescisória por comum acordo entre jogador e clube. Se o jogador exige que o valor seja baixo, ameaçando não renovar seu contrato se não for atendido, o clube obriga-se a ceder ou perder o jogador, imediatamente. Jonas não é o primeiro caso de coerção e nem será o último. Os clubes tornaram-se reféns dos jogadores.
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