
Nada abate tanto o ânimo de um homem do que a desesperança. Ver os sonhos se diluindo provoca dor e indignação. São os sentimentos predominantes nos e-mails enviados por torcenautas gremistas após o vexame de Santa Cruz de La Sierra. O blog reservou algumas destas correspondências que são, a seguir, publicadas:
“Boa noite Wianey, se há como ser boa uma noite como esta!
Sou seu admirador há anos, e leio seu blog diariamente. Estou lhe escrevendo para que você publique, pois com certeza chegará aos ouvidos dos jogadores. Esta é a única forma da torcida se manifestar. Estou indignado, não consigo dormir depois deste fiasco protagonizado pelo Grêmio, com esta atuação inadmissível, inaceitável, contra o Oriente Patroleiro (simplesmente patrolou o meu tricolor).
Gostaria de mandar um recado para o Rodolfo, que está vulgarizando o termo imortal, tão adequado para o meu Grêmio. O Rodolfo toda hora está se auto-definindo como "imortal" em seu twitter e está esquecendo de jogar bola! Feche a boca e trabalhe!
Outro que merece críticas é o presidente Odone, pois sua primeira manifestação após a partida é absurda, ridícula. Falar que é difícil motivar o grupo de jogadores devido a uma improvável combinação de resultados para ficar em primeiro....ou ser o melhor segundo colocado....só pode ser brincadeira! O presidente está gozando da cara do torcedor, não tem outra explicação, está tapando o sol com a peneira!
Eu, assim como a grande maioria da torcida tricolor, tenho que ter motivação para trabalhar amanhã (daqui a pouco). Sou bancário, ganho em torno de R$ 1.400,00 mensais, suficientes para pagar meu aluguel e minha faculdade (e olhe lá) e preciso estar motivado para o trabalho, pois a cobrança diária é muito grande. Aí vem o presidente e diz que é difícil motivar um grupo de jogadores com salário médio de R$ 70.000,00 mensais? Palhaçada!!! Gostaria muito de receber "apenas" 10% do que recebem os jogadores do Grêmio. Com certeza conseguiria ter uma vida muito mais tranquila, minha MOTIVAÇÃO seria muito grande. Vamos agir presidente, chega de conversa!!! Cadê os reforços??
Wianey, desculpe pelo desabafo. Gostaria que você publicasse, se possível. Vamos lá Grêmio!!! Eu acredito!!!
Agora vou tentar dormir.
Um grande abraço!!!
Leandro Rafael Wobeto - Cândido Godói – RS”.
Escrito, percebe-se, logo após o jogo. Agora, outra manifestação:
“Preclaro Wianey, permita-me tecer alguns comentários sobre a atual situação do meu time, o Grêmio. Assistindo ao jogo de ontem/hoje, percebi algumas coisas intrigantes. A primeira delas é a teimosia de Renato. Como tu já bem disseste dias atrás, esta era com a escalação do Gilson (o qual pertencia ao Paraná, hoje virtualmente rebaixado para a série B do paranaense). Porém esta teimosia, a meu ver, ganhou proporções preocupantes. E pior: agora vem acompanhada de invenções mirabolantes. Gabriel no meio? Seu futebol (e até mesmo sua vontade) está escasso na lateral direita, quiçá em uma função que nunca a exerceu. Outra teimosia: Lúcio. Já há bom tempo não apresenta bom futebol. Diego Clementino não merece vaga no rebaixado Porto Alegre, haja vista, pois, ser desengonçado e com futebol de segunda (talvez terceira) divisão. Rodolfo “se acha”, como dizem na gíria popular. Não dá conta do recado lá atrás, e tenta atacar, deixando ainda mais brechas em nossa tão famigerada defesa. Borges? Prefiro um milhão de vezes André Lima, pois este, ao menos, é esforçado, tromba, divide, e, por incrível que pareça, aparenta ser um centroavante presente, e não isolado. Tem menos qualidade, é verdade, mas para quem foi campeão em 1995 com Jardel de centroavante, ele é o cara certo. A implicância de Portaluppi com Vinícius Pacheco também é estranha. E o garoto Maylson? A verdade é que Renato precisa um puxão de orelhas, uma chamada, um pedido, uma luz, para, quem sabe com isso, tente não inventar e organize equipes ofensivas, porém bem postadas defensivamente. Ora, até final do ano passado jogávamos sem inovações, em esquemas táticos ofensivos, porém simples, sem peripécias. A sensação que tive é de que, de um tempo pra cá, tivemos um Paulo Autuori no Banco: discurso bonito, posições novas para jogadores e futebol zero. “Nadica de nada”. Sorte, talvez. O ponto que entendo positivo, a meu ver, e talvez até sirva de exemplo, é o zagueiro Rafael Marques. Quieto, jogando sua bola, fazendo o feijão com arroz, e principalmente: não comprometendo a equipe. Rochemback me pareceu nervoso. Talvez apenas uma má partida. Adilson convive com o desgosto do técnico, só pode. Torço para que não cruzemos o caminho do Inter no Gauchão, senão, nem este não ganharemos. Por fim, gostaria de uma explicação do motivo de estarmos, quando da saída do Bruno Colaço, com três volantes, Gabriel e Lúcio (ambos laterais) no meio campo, e Pacheco no banco? Perdoe-me a franqueza e uma análise tão tática, mas acredito que se a direção do Grêmio não acordar logo, poderá ser tarde demais.
Abraços
Heber Sutili - Gremista revoltado com a teimosia de Renato”.
E mais este e-mail:
“Amigo Wianey, nao aguento mais ouvir falar em quem vai ser o companheiro do Borges no ataque gremista. Borges é enganador, faz 3 gols em um jogo e fica oito sem marcar. Fora a falta de qualidade tecnica e a incapacidade de prender a bola no ataque, e nenhum parceiro que jogou ao seu lado vingou. Será que todos os outros é que são tão ruins ou é um a menos mesmo?
Um Abraço, Samuel”.
Tão ruim foi a atuação do Grêmio, que a reação da torcida gremista só poderia ser esta.

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