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Torcedores questionam decisão de Rafael da Silva Marques

Foto: Fernando Gomes

Se eu fosse postar todos os e-mails que chegaram durante o dia, ampla maioria questionando a decisão do Juiz do Trabalho, Rafael da Silva Marques, subordinando a realização dos jogos a temperatura e determinando horários da partidas, o torcenauta tomaria algumas horas para fazer a leitura. Selecionei algumas correspondências que vão de encontro ao pensamento majoritário:

“Prezado Wianey,

Acabo de ler o comentário que escreveste na ZH de hoje. Gostaria de parabenizá-lo pelo seu estilo franco e direto.. Fico estarrecido por um um juiz de trabalho tomar atitude como esta. Trabalho em uma empresa há mais de 35 anos e durante o verão a temperatura chega, às vezes, a 50ºC e nem por isso os trabalhos são suspensos. Este senhor que tomou esta atitude deverá, tambem, estender este benefico a todos os trabalhadores que tambem sofrem com o calor, como por exemplo: construção civil, padeiros, garis, motoboys, Durante o campeonato brasileiro do ano passado dispotou-se partidas em que os riscos de lesões eram bem maiores que o calor, cito como exemplo e futebol aquático entre Inter e Flamengo e não houve nenhuma manifestação por parte do Sindicato dos Atletas.

Há tantas coisas que são mais importantes acontecendo neste pais, como a falta de segurança, desemprego, saúde sucateada, educação em declínio acentuado e aqui no Rio Grande do Sul discute-se horário do futebol. Ia me esquecendo, este horário também é valido para os treinos das equipes?

Saudações,

Vicente D`Aló

Santa Cruz do Sul _ RS”.

“Prezado Wianey,

Auxiliando na tua coluna de hoje, 9 de fevereiro, dentro da linha de raciocínio do Juiz Rafael da Silva Marques, é preciso que sejam extintos o vôlei de praia e o futebol de areia, pois são jogados sob intenso calor, geralmente às 11 da manhã e num piso que dispensa comentários.

Ah, porque ele não proíbe também os treinos coletivos e de preparação física das equipes de futebol antes das 19 horas? Tudo isto também afeta “a dignidade humana”.

A decisão do Doutor passará (ou já passou), por certo, para o folclore do futebol.

Att,

Evandro Zamberlan”.

“Caro Wianey

Lendo as notícias sobre a decisão judicial que impede a realização de partidas oficiais de futebol, no Estado, em determinados horários e sob temperaturas acima dos 35°, invadiu-me uma dúvida: será que no inverno, o Sindicato ingressará em juízo para tentar proibir a realização de jogos (campeonato Nacional, Copa do Brasil e Libertadores) após as 21hs e com menos de 5° nos termômetros?

Se o motivo é resguardar a saúde dos atletas, nada mais coerente do isso, não acha?

Abraço

Marcelo Aiquel”.

“Olá Wianey espero que leia este e-mail. Fostes o primeiro a ir contra a toda esta palhaçada da Associação dos Atletas . Tens opinião forte e decidida sobre o assunto. Pergunto: se conclamasses toda a classe jornalística, toda a imprensa, seria mais fácil de seres ouvido. Como falaste no teu comentário sobre o Estatuto do Torcedor, é lei federal, fica um questionamento: pode uma lei estadual sobrepor-se a uma federal? E se de repente, pois foi uma decisão da Justiça do Trabalho, os carteiros não pudessem trabalhar das 10 às 18:00 horas? Se a onda pega, os motoristas de ônibus ser ar condicionado também desejarão para, os garis, os porteiros, os ofice boys, os trabalhadores do porto, da rodoviária, do aeroporto que ficam retirando bagagens dos aviões, quando acabar o efeito dominó quem restará trabalhando? Portanto chame-nos para compor um mutirão, um abaixo-assinado ou o que for necessário para que tua luta seja vitoriosa. Parabéns pela bravura de enfrentar de frente a esta vergonha a que o Rio Grande está sendo submetido.

Atenciosamente

Leandro Miguel de Souza

Sócio-Proprietário”.

Opinião do blogueiro: esta situação será corrigida na reunião de conciliação proposta pelo juiz, dentro de duas semanas. Acho que não é o caso de se promover uma revolução. Lamento, apenas, que mais uma vez sejamos colocados em situação ridícula. É espantoso que se queira subordinar o início dos jogos a temperatura da hora. Árbitros com termômetros. É, no mínimo, uma decisão extravagante.

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Kléber Pereira e Alecsandro a 30 quilômetros por hora

Fotos de Fernando Gomes

A questão é discutida na imprensa e na torcida colorada: Fossati admite escalar Kléber Pereira e Alecsandro, juntos, no ataque colorado. Seria conveniente? — perguntam todos. Não tenho esta resposta. Acho que nem Fossati tem. Será preciso vê-los em campo para se obter uma resposta definitiva. Em princípio, podem jogar juntos, claro. Basta que não ocupem o mesmo espaço. Um deles terá que ficar mais projetado e o outro recuado. Kléber na frente e Alecsandro mais, teoricamente, seria o ideal.

Acho, entretanto, que a experiência terá poucas possibilidades de dar certo. Ronaldo Nazário e Adriano, por exemplo, poderiam jogar juntos, embora sejam jogadores de frente. Ocorre que são atacantes diferenciados. Não são os casos de Kléber e Alecsandro. Muito mais possibilidades de dar certo seria escalar a dupla ao lado de Edu ou outro atacante de movimentação. Ah, com Kléber e Alecsandro, o ataque do Inter se movimentaria a 30 quilômetros por hora.

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Informações erradas, opiniões equivocadas

Foto: Mauro Vieira

Aos final do jogo entre Novo Hamburgo e Internacional, o preparador físico colorado, Fábio Mahseredjian, concedeu uma entrevista aterradora. Estimou que os jogadores, tendo atuado sob forte calor, poderiam ter perdido 4% de massa corporal. Informou que quando esta perda atinge 5% pode haver colapso físico. E finalizou dizendo que este fora o problema da maratonista Gabriele Andersen, na Olimpíada de Los Ângeles (entrou no estádio em último lugar, completamente desarticulada) e, segundo Mahseredjian, teria ficado paraplégica.

Escutei a entrevista com os cabelos em pé. Preocupado, escrevi no dia seguinte que era indispensável mudar os horários dos jogos, antes que acontecesse uma tragédia. Mal havia postado o texto, começaram a chegar e-mails, alertando-me para um grave equívoco: a referida atleta não tivera nenhuma sequela e, felizmente, gozava de ótima saúde. Fui conferir. Batata! Mahseredjian tinha se equivocado e me arrastado junto. Como não acreditar em um especialista da educação física? Desconfiado, comecei a consultar médicos sobre os efeitos do calor. Todos mencionaram o grande desgaste, informaram que não estava afastada a possibilidade de algum problema mas que a rehidratação dos atletas, durante os jogos, praticamente eliminava qualquer risco. Mudei de opinião? Claro. Queriam que eu mantivesse uma posição que se apoiava em equívocos e exageros?

Nos dias seguintes, circularam notícias de que Rafael Marques precisara ser hospitalizado, após o jogo. Culpa do calor, diziam todos. No domingo, o próprio jogador esclareceu que jogara com sinusite. Ora, então o clube libera para jogar um atleta doente? E a culpa é da temperatura? Aliás, neste jogo, Hugo atuou, também, com febre.

Muitas vezes, corrigir uma posição, admitindo que estava contaminada por informação equivocada, acaba se tornando defeito. Este foi um caso. Não importa. Sempre que acontecer algo semelhante, não terei nenhum constrangimento em reconsiderar. Pena que certas pessoas tenham a mente afetada por imaginação negativa. Para elas, informo que não trabalho na Globo, sequer na RBS TV. Faço questão de dizer, também, que não recebi da empresa nenhuma consideração, reprimenda ou coisa do gênero, pela primeira opinião. Aliás, trabalho na RBS há mais de 23 anos e JAMAIS tive uma única opinião questionada pela empresa. Se consultarem meus colegas comentaristas, de todas as áreas, receberão a mesma informação. Muitas vezes, a falsa esperteza é apenas sintoma de caráter duvidoso.

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A espantosa decisão do juiz do Trabalho

O juiz do Trabalho, doutor Rafael da Silva Marques, determinou que os jogos não sejam marcados para antes das 18h e que o árbitro leve um termômetro para o campo. Se a temperatura for superior a 35 ° C, deverá esperar que diminua até o limite permitido. Se, entretanto, até às 19h30min, o calor não ceder, o árbitro poderá iniciar o jogo com qualquer temperatura. O magistrado poderia estender a sua sapientíssima decisão para outros casos em que a “dignidade do trabalhador”, conforme conceito da excelentíssima autoridade, também é atingida. Exemplos:

Sabe-se que a nossa ginasta Daiane dos Santos é submetida a treinamentos extenuantes, deles saindo com dores quando não lesionada. Proíba o rigor destes treinamentos, doutor!

Embora fuja da sua jurisdição, também deveria ser proibida a Corrida de São Silvestre, disputa que acontece no último dia do ano, no auge do verão. As mulheres correm às 15h e os homens às 17h. São 15 quilômetros sob temperaturas muito altas. Leve a sua ideia para São Paulo, doutor!

A iniciativa é tão iluminada, que caberia levá-la para o Exterior. Olimpíada, no Hemisfério Norte, teria que mudar de data (acontece no meio do ano, alto verão) ou provas como a maratona deveriam ser proibidas. Imaginem, correr 42 quilômetros sob sol causticante. Não é submeter o ser humano aos interesses financeiros das elites, doutor?

Copa do Mundo também não poderia ser realizada no Hemisfério Norte, na metade do ano. É inadmissível que jogos sejam realizados ao meio dia, apenas para atender os interesses das redes de televisão do mundo.

É verdade que jamais, na história do esporte, algum atleta tenha sofrido problemas de saúde por efeito do calor, mas o senhor quer prevenir, não é doutor?

A hora é de absoluto espanto. O Estatuto do Torcedor, Lei Federal que impõe máximo respeito aos direitos do torcedor, exige que as competições se realizem nos horários marcados. Como será possível conciliar esta lei com a do nosso doutor?

O torcedor gaúcho, doravante, terá que adquirir um termômetro e consultá-lo antes de sair de casa, rumo ao estádio.

Convém, doutor, comunicar a Fifa que o equipamento do árbitro também foi alterado no extremo Meridional do Brasil. Agora, além de apito, cartões, cronômetro, etc, também deverá constar um termômetro.

Também seria interessante, doutor, acertar com a Brigada Militar quem pagará as horas extras que os brigadianos farão, quando os jogos tiverem horário protelado. Afinal, nós defendemos a dignidade do trabalhador. Não queremos que os soldados trabalhem além dos seus horários, de graça, não é verdade doutor?

Para finalizar, os gaúchos devem render homenagens à proibição do doutor Marques. Ela nos coloca como pioneiros no desporto mundial. E não nos aborreçamos se no resto do país disserem que os gaúchos têm medinho do calor.

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Forte calor resgata o melhor da demagogia

Sabem, não sei se detesto mais a demagogia ou o “politicamente correto”. Ou ambas as posições confrontadas com este populismo execrável que está enraizado na cultura Sul-Americana. Não gosto porque qualquer uma destas posições escamoteia o justo e o verdadeiro. O objetivo é sempre o mesmo: capitalizar simpatias, quase sempre de massas intelectualmente comprometidas com conceitos equivocados ou por limitação de consciência.

Restou deste episódio que focou a onda de calor um leque de considerações que não resistem a uma filtragem mínima praticada em balcão de boteco. Elas saíram de todos os lados e não mereceram um dedo de aprofundamento. Relaciono algumas:

- Televisão vilã: Como sempre, sobrou para a Rede Globo. Cabe, aqui, uma informação extra-tema: quando os jogos da Dupla estão disponíveis apenas pelo pay-per-view, direciona-se a responsabilidade para a televisão. Todo o mundo fala, mas poucos sabem que esta é uma escolha dos clubes, interessados na participação dos dividendos proporcionados pelo pay-per-view. Mas voltemos ao nosso foco.

- Terminado o contrato que os clubes, através do Clube dos 13, mantinham com a Globo, foi aberta concorrência entre as redes nacionais. Perguntem ao presidente da entidade, Fábio Koff, quantas propostas foram apresentadas. Antecipo-lhes a resposta: apenas uma. Mesmo sendo única, a televisão aceitou majorar valores sem tirar vantagem da falta competição. Já faz tempo que a receita proveniente da comercialização de imagens significa parte significativa dos orçamentos dos clubes. Para muitos deles, mais de 50% dos seus orçamentos são cobertos pela televisão que, em contrapartida, define os horários dos jogos, com a concordância plena dos clubes.

- Com relação a venda do Gauchão, repetiu-se a história: nenhuma proposta foi apresentada, além daquela oferecida pela Globo. Para se ter uma ideia clara sobre o que representam os valores pagos aos clubes do Interior, basta lembrar que eles cobrem as folhas de pagamentos. Hoje, salário em dia é sinônimo de verba da TV. Esta televisão é, mesmo, uma vilã.

- Calor elevado impõe riscos aos jogadores. É desconfortável, sem dúvida. Mas os alegados riscos só foram descobertos agora, após um século de futebol, muitas vezes disputado sob calor intenso, neve, campos embarrados, etc. É dose!

- Muito calor derruba a qualidade técnica do espetáculo. Pura verdade. O mesmo efeito, entretanto, é produzido por frio intenso, chuvas, salários atrasados, noitadas, etc. Para não falar da desqualificação técnica, pura e simples.

Na liminar concedida ao Sindicato dos Atletas, constam argumentações como: o ser humano “não é peça para enriquecimento das elites” e esta: é o jogador quem paga “com o seu suor os lucros das redes de televisão”. Discurso lindíssimo, mas totalmente apartado da realidade. Se existe uma elite no futebol, esta é formada por jogadores que se tornam milionários, da noite para o dia. Quanto à segunda afirmação, o equilíbrio mínimo de uma análise racional indica que as televisões ajudam a remunerar o suor dos jogadores. Trata-se de um jogo de contrapartidas.

Sinceramente, acho muito desgradável jogar futebol sob calor de 40 graus. Pena que nunca houve um advogado, sequer, interessado em preservar a saúde de tantos trabalhadores que labutam sob sol escaldante, sem contar com preparação física, alimentação adequada, recursos medicinais e acompanhamento especializado de jogadores de futebol. Mas é fácil entender: nenhuma atividade, como o futebol, garante tanto espaço na mídia. E não se tratam de meros 15 minutos de fama.

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Trapalhadas que o calor provocou fora de campo

Após a rodada de quarta-feira passada, Rafael Marques foi levado para passar por exames hospitalares. Imediatamente debitou-se o problema na conta do calor. Ontem, o jogador esclareceu que estava com sinusite e, assim mesmo, foi liberado para jogar sob altíssima temperatura.

Desde sexta-feira, quando o Sindicato dos Atletas Profissionais obteve, liminarmente, o direito de não jogar entre 10hs e 18hs, uma legião de leigos opinou sobre o tema. Ânderson Paixão, preparador físico do Grêmio, foi uma das raras autoridades no assunto, a se manifestar, antes da rodada deste fim de semana. Paixão admitiu o desconforto de jogar com temperatura de 40 graus, mas garantiu existirem recursos para preservar a saúde dos jogadores.

Paulo Paixão, ontem, alertou que um jogador de limiar baixo correria risco jogando sob alta temperatura. Risco de quê? Paixão não explicou. Pode-se dizer, creio, que um jogador de limiar baixo corre riscos sempre.

Quarta-feira passada, Inter e Novo Hamburgo jogaram sob temperatura superior a 39 graus, pouco menos do que o calor da tarde do mesmo dia. Antes do jogo, o árbitro consultou as duas equipes: desejariam paradas técnicas de reidratação? Jogadores do Inter quiseram, mas os do Noia rejeitaram a oferta, confrontando o discurso candente sobre proteger a integridade física dos profissionais.

Se os jogos de ontem tivessem começado às 17hs, como marcara a FGF, a temperatura seria de 39,5°C. Às 18 hs, como permitia a Justiça, o calor era de 40,3°C. A liminar foi, portanto, inútil. Grêmio e Universidade jogaram às 19hs, quando a temperatura era de 37,3 °C. Em qualquer um dos horários, fazia calor intenso.

Não faz sentido determinar horários quando o fenômeno El Niño produz situações com as quais ninguém sabe lidar. Já se viu que é quase ridículo proibir jogar às 17hs e autorizar às 18hs. Ou se joga ou não se joga, é simples.

Outra coisa: desconfortos laborais provocados pelo clima atingem inúmeras profissões. Nenhuma delas, porém, proporciona espaços da mídia. O calor provocou mais trapalhadas em refrigerados gabinetes do que dentro do campo. Hoje, Sindicato e FGF reúnem-se para acabar com a confusão.

A verdade é que dá para jogar sob intenso calor. Já foi provado mil vezes. Desconfortável, sim, mas possível. E se alguém acha que é desumano, posso lembrar inúmeras outras situações em que trabalhadores operam sob temperaturas extremas, por salários indignos. Não o faço porque os internautas que prestigiam este blog são inteligentes e capazes de saber do que estou falando.

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Grêmio arrasa e Inter passa mal

O Grêmio, como se previa, não teve dificuldade alguma para golear o fraco time da Universidade. Foi um passeio. Douglas confirmou suas virtudes técnicas. Mailson deu dinâmica ao lado direito e até Rochemback teve bom desempenho. Borges perdeu gols imperdíveis mas reabilitou-se com vantagem, marcando três vezes. A Universidade não é parâmetro para conclusões definitivas, mas o 4-4-2 de Silas melhorou o time.

Borges marcou três gols e anunciou a música que pediria para tocar no Fantástico: Última Chance, com o grupo Gospel Ministério Ipiranga. Ninguém, na Gaúcha, conhecia.


O Inter conseguiu jogar pouco, apesar das fragilidades do Avenida. Começou no 3-5-2, passou para o 4-3-3 e a nhaca não passou. Está na hora de Jorge Fossati definir esquema e escalação e botar o time para jogar. Com o futebol apresentado neste jogo, as dificuldades na Libertadores serão gigantescas. Lauro engoliu um frango constrangedor, aumentando as suspeitas da torcida. Só para lembrar: Muriel teve grande atuação contra o Novo Hamburgo.

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Arbitragem: escândalos nada escandalosos

Não sei se houve pênalti sobre Maiquel (Novo Hamburgo) ou se o jogador simulou a falta, fato que levou o árbitro a aplicar-lhe o segundo cartão amarelo, tirando-o do jogo. Eu estava na cabina da Gaúcha, no Estádio do Vale, de onde se podia ter a impressão mas nunca a certeza. No momento, pensei que tivesse acontecido a falta. No mesmo instante, o Francisco Garcia, nossos colega que analisa arbitragem com a habilitação de quem fez o curso de árbitro, esclareceu que Maiquel, antes mesmo encontrar-se com o adversário, dobra os joelhos favorecendo a própria queda. Um detalhe decisivo que só pode ser constatado pelas imagens da televisão e por olhar atento de quem aprendeu no curso de arbitragem a fixar atenção em detalhes que, normalmente, não são percebidos.

No programa Sala de Redação, o meu colega e querido amigo, Cacalo, classificou o lance como tendo sido um “pênalti escandaloso”. Amavelmente, discordei do Cacalo quanto a adjetivação. O termo “escandaloso”, segundo entendo, ofendia o Francisco Garcia pois sugeria que ele, com a especialização que lhe conferiu o diploma de árbitro, não viu com clareza o que, para o Cacalo, fora escandalosamente claro. E não foi. O colunista Mario Marcos, edição de ZH desta sexta-feira, aborda o assunto entendendo que nem a televisão esclarece, definitivamente, se foi falta ou simulação.

Pode ter sido e pode não ter sido. Se eu fosse o árbitro e estivesse apitando da cabina do Estádio do Vale, teria marcado falta dentro da área. Foi o que falei na hora do fato. Mas, teria sido uma marcação por impulso, impressão do momento. Dentro do campo, próximo da jogada, o árbitro entendeu que foi simulação e o Garcia, valendo-se da repetição das imagens, chegou a mesma conclusão do árbitro.

A minha única conclusão é que não foi “escandalosamente pênalti e, tampouco, escandalosamente simulação”. O adjetivo está mal colocado, é inconveniente e só reforça, quando não representa, a face mais negativa de uma rivalidade que, muitas vezes, rasga os limites da civilidade e da racionalidade. Adoro adjetivos, quando servem para destacar positivamente algum feito. Eles também podem ser aplicados a determinados lances de arbitragem, que são em número bem menor ao que sugere a sua aplicação freqüente. Quando se diz que um árbitro não marcou um pênalti escandaloso e o analista de arbitragem concordou com o apitador, está se ofendendo e desmerecendo o trabalho dos dois profissionais. Não foi o caso do Cacalo, uma figura sociável e doce, cuja amizade desfruto à décadas. Ele é, apenas, parte importante desta cultura regional que faz todas as concessões a rivalidade Gre-Nal.  Mas, acho que está na hora de eliminar o termo “escandaloso” quando se discorda do árbitro. Ou, pelo menos, usá-lo mais criteriosamente. No fundo, o que se pretende, sempre, é diminuir os méritos do time adversário. Esta moda já deveria ter passado.

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Mailson e Douglas podem melhorar o Grêmio

Silas, finalmente, viu Mailson e manifesta disposição de dar ao jogador uma sequência de jogos capaz de fixá-lo como titular do time. Douglas chegou e também representa uma possibilidade de qualificação da equipe. Tudo indica que o esquema tático mudará para que seja possível abrigar jogadores que acrescentem qualidade ao time, emprestando o indispensável equilíbrio. Segundo se especula, os armadores ofensivos seriam Douglas e Mailson, tendo atrás dois volantes. Teoricamente, uma proposta suficiente para definir o time com vantagens sobre as experiências feitas até agora. Isto acontecerá se Silas firmar convicção e permitir que o Grêmio ganhe força coletiva.

Mas falta ainda definir a lateral direita. Mário Fernandes ou Saimon, não vejo melhores soluções. Está faltando que Silas descubra Saimon.

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Horário dos jogos vira debate oportunista

Ao cronista esportiva cabe constatar e, até, sugerir. Foi o que aconteceu após os jogos do meio da semana terem sido disputados sob inédito calor. Grêmio e São Luiz, 17 horas de quarta-feira, foi jogo disputado sob sensação térmica superior a 40 graus centígrados. À noite, em Novo Hamburgo, Inter e Nóia se enfrentaram sob temperatura minimamente inferior. Terminado este jogo, o preparador físico do Inter, Fábio Mahseredjian, alertou para severos riscos de saúde a que estariam submetidos os jogadores tendo que jogar sob aquelas circunstâncias climáticas.

Para ilustrar sua opinião, Fábio cometeu um erro de informação. Lembrou que a maratonista suíça, Gabriele Enderson, que terminou a prova na Olimpíada de Los Ângeles em colapso físico, carregava seqüelas gravíssimas, até hoje. Não é verdade, Gabriele, felizmente, é uma pessoa saudável que superou, integralmente, os problemas decorrentes daquela situação. Como a informação vinha de uma autoridade no assunto, não me preocupei em confirmar e dei trânsito ao equívoco. Peço desculpas pela mancada. Mas, restou da quarta-feira a certeza de que, enquanto persistir esta onda de calor, não devem ser disputados jogos às 17hs e 11hs da manhã.

Na tarde de ontem, o advogado do Sindicato dos Atletas, Décio Neuhaus, anunciou que entraria com uma ação na Justiça do Trabalho, pedindo a mudança dos horários. Justificou a sua iniciativa lembrando que ela se impunha pois, até, jornalistas da RBS identificavam esta necessidade. Por que “até jornalistas da RBS”? Simples, porque a detentora dos direitos do Gauchão é a TV Globo e nós somos servidores de uma empresa que têm ligações com esta rede de televisão.

Nuehaus foi oportunista e injusto com a imprensa gaúcha, levando em conta somente as opiniões dos jornalistas da RBS. Não somos melhores do que ninguém, todas as opiniões são respeitáveis.  O atilado advogado pretendeu, com esta lembrança, criar indisposições entre os profissionais e a empresa, aproveitando a liberdade plena de opinião que é exercida na RBS. Oportunismo inconsequente.  Não precisava usar nossas opinião para justificar a sua iniciativa na condição de advogado que representa os jogadores gaúchos. Porém, este não foi o único deslize de Neuhaus. O advogado garante que ouviu os principais capitães dos times que estão disputando os campeonatos da primeira e segunda divisão e deles obtivera plena concordância para a sua iniciativa. Faltou-lhe explicar para os jogadores do Interior, principalmente, que não respeitar os horários marcados seria quebrar, unilateralmente, o contrato firmado entre os clubes e a televisão, fato que liberaria a parte contratante dos pagamentos previstos. Grêmio e Inter sobreviveriam sem o dinheiro da TV mas os clubes do Interior teriam dificuldades para pagar os salários dos seus jogadores se, rompendo o que estabelece o contrato, deixassem de receber as suas cotas financeiras. Se soubessem, será que os capitães teriam concordado com a ação do Sindicato?

Jornalista opina sem preocupar-se com contratos firmados entre clubes, televisão, jogadores, etc. O Sindicato, entretanto, tem o dever de levar em conta os interesses dos seus associados. E não é interessante para os profissionais do Interior não receber os seus salários porque o seu sindicato resolveu induzir a quebra de contrato entre os clubes e a televisão. Se alguém duvidar, pergunte aos jogadores do Interior.

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Fossati no filme “De Volta para o Futuro”

O leitor Marcus Marx, residente em Belo Horizonte, identificou semelhanças físicas entre o treinador do Inter e o protagonista do filme “De volta para o Futuro”. O torcenauta enviou para o blog a arte que criou para ilustrar o tema:

“Bom Dia Wianey.
Primeiro gostaria de parabenizar-lhe por ser um exemplo para os estudantes de jornalismo, assim como eu. Te envio esta arte para mostrar a semelhança entre o nosso técnico colorado e o Dr. Emmett Brown, do filme De Volta para o Futuro.
Se puder, comenta no sala e mostra pra mesa, eu não perco um desde 88.
Forte abraço
Marcus Marx
Soteropolitano, colorado, residente em BH”.

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Titulares que são reservas de Fossati

Foto: Valdir Friolin
Foto: Valdir Friolin

Colorados perguntam, faz tempo, se Andrezinho não deveria ser titular do Inter. O prestígio do jogador junto à torcida só cresce. Andrezinho poderia, sim, ser titular, mas quem deveria deixar o time? D´Alessandro? Giuliano? Quem? Outros jogadores vivem e viverão a mesma situação. Wilson Mathias é um deles. Por enquanto, será um ilustre reserva, com virtudes mais do que suficientes para ser titular. E o Danilo Silva, não mereceria ocupar o lugar de Fabiano Eller?

Estes e outros profissionais do Inter somam méritos para merecer titularidade. Entretanto, não há espaço para todos e muitos, quase todos, terão que se conformar em esperar pela oportunidade. Um grande e qualifi9cado elenco só se transforma em problema quando o treinador quer acomodar todos no time ou se atrapalha por não identificar os que são, verdadeiramente, melhores.

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Jogadores vão a Justiça para mudar horários dos jogos

O Sindicato dos Atletas Profissionais notificou a Federação Gaúcha de Futebol solicitando a troca de horário dos jogos da próxima rodada das séries A e B. Independentemente da decisão da FGF, o advogado do Sindicato, Décio Neuhaus, ingressará amanhã com ação cautelar na Justiça do Trabalho pedindo a modificação dos horários. Alega que a ação visa à integridade da saúde dos jogadores.

- Nossa preocupação inicial era com os jogos das 11h. Agora, é com todos os que forem começar às 16h, 16h30min (Segundona) e 17h - diz Décio.

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Preterições que Silas não explica

Montagem de fotos de Diego Vara e Valdir Friolin
Montagem de fotos de Diego Vara e Valdir Friolin

É preciso dar tempo ao Silas, ter paciência e conceder-lhe o direito, até, de errar. Todavia, alguns equívocos de escolhas são inaceitáveis. Dois exemplos: Saimon, zagueiro que também joga na lateral-direita, teve elogiado desempenho na Seleção Sub-20 e antes, no próprio Grêmio, mostrara virtudes na lateral-direita. Por que Silas continua mantendo Saimon na reserva? Pior, entretanto, acontece com Maylson. Somente agora, após várias participações elogiáveis, o meio-campista poderá receber oportunidade como titular. Este jogador está mostrando o seu valor, diretamente, para o Silas. O treinador nem precisa de recomendações e vídeos para saber que é melhor do que Ferdinando.

Silas tem direito de errar mas, por favor, esta prerrogativa não é ilimitada.

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Dupla: esquemas iguais, resultados diferentes

Foto: Genaro Joner
Foto: Genaro Joner

Silas e Jorge Fossati estão utilizando esquemas táticos iguais: três zagueiros e dois volantes defensivos. Trata-se de um rematado exagero defensivo, tratando-se de Campeonato Gaúcho. Os resultados, entretanto, são diferentes, embora o Grêmio já esteja classificado e o Inter não. A explicação está na concorrência, dentro dos grupos. A chave 2, onde está o Inter, soma o triplo de pontos somados da chave 1, do Grêmio. Mas, existem explicações para a diferença dos resultados:

1 – Qualidade dos elencos. O Inter ainda tem grupo maior e mais qualificado

2 – Adversários. O Grêmio está enfrentando adversários do grupo 2, mais forte, e o Inter anda pegando os fracos times do grupo 1

3 – Fossati está escalando melhor enquanto Silas manifesta preferências extravagantes. Exemplos: Ferdinando no campo e Mailson no banco. Joilson no time e Saimon na reserva.

4 – Fossati é um treinador experiente e Silas ainda um emergente.

Jogar com três zagueiros e dois volantes, no Gauchão, é um erro que a Dupla está cometendo. Porém, a diferença técnica entre Inter, Grêmio e os times do Interior é tão favorável aos grandes da Capital, que até com idéias equivocadas cabe-lhes o dever de vencer. É o que o Inter está fazendo.

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