Torcedores questionam decisão de Rafael da Silva Marques
Foto: Fernando Gomes
Se eu fosse postar todos os e-mails que chegaram durante o dia, ampla maioria questionando a decisão do Juiz do Trabalho, Rafael da Silva Marques, subordinando a realização dos jogos a temperatura e determinando horários da partidas, o torcenauta tomaria algumas horas para fazer a leitura. Selecionei algumas correspondências que vão de encontro ao pensamento majoritário:
“Prezado Wianey,
Acabo de ler o comentário que escreveste na ZH de hoje. Gostaria de parabenizá-lo pelo seu estilo franco e direto.. Fico estarrecido por um um juiz de trabalho tomar atitude como esta. Trabalho em uma empresa há mais de 35 anos e durante o verão a temperatura chega, às vezes, a 50ºC e nem por isso os trabalhos são suspensos. Este senhor que tomou esta atitude deverá, tambem, estender este benefico a todos os trabalhadores que tambem sofrem com o calor, como por exemplo: construção civil, padeiros, garis, motoboys, Durante o campeonato brasileiro do ano passado dispotou-se partidas em que os riscos de lesões eram bem maiores que o calor, cito como exemplo e futebol aquático entre Inter e Flamengo e não houve nenhuma manifestação por parte do Sindicato dos Atletas.
Há tantas coisas que são mais importantes acontecendo neste pais, como a falta de segurança, desemprego, saúde sucateada, educação em declínio acentuado e aqui no Rio Grande do Sul discute-se horário do futebol. Ia me esquecendo, este horário também é valido para os treinos das equipes?
Saudações,
Vicente D`Aló
Santa Cruz do Sul _ RS”.
“Prezado Wianey,
Auxiliando na tua coluna de hoje, 9 de fevereiro, dentro da linha de raciocínio do Juiz Rafael da Silva Marques, é preciso que sejam extintos o vôlei de praia e o futebol de areia, pois são jogados sob intenso calor, geralmente às 11 da manhã e num piso que dispensa comentários.
Ah, porque ele não proíbe também os treinos coletivos e de preparação física das equipes de futebol antes das 19 horas? Tudo isto também afeta “a dignidade humana”.
A decisão do Doutor passará (ou já passou), por certo, para o folclore do futebol.
Att,
Evandro Zamberlan”.
“Caro Wianey
Lendo as notícias sobre a decisão judicial que impede a realização de partidas oficiais de futebol, no Estado, em determinados horários e sob temperaturas acima dos 35°, invadiu-me uma dúvida: será que no inverno, o Sindicato ingressará em juízo para tentar proibir a realização de jogos (campeonato Nacional, Copa do Brasil e Libertadores) após as 21hs e com menos de 5° nos termômetros?
Se o motivo é resguardar a saúde dos atletas, nada mais coerente do isso, não acha?
Abraço
Marcelo Aiquel”.
“Olá Wianey espero que leia este e-mail. Fostes o primeiro a ir contra a toda esta palhaçada da Associação dos Atletas . Tens opinião forte e decidida sobre o assunto. Pergunto: se conclamasses toda a classe jornalística, toda a imprensa, seria mais fácil de seres ouvido. Como falaste no teu comentário sobre o Estatuto do Torcedor, é lei federal, fica um questionamento: pode uma lei estadual sobrepor-se a uma federal? E se de repente, pois foi uma decisão da Justiça do Trabalho, os carteiros não pudessem trabalhar das 10 às 18:00 horas? Se a onda pega, os motoristas de ônibus ser ar condicionado também desejarão para, os garis, os porteiros, os ofice boys, os trabalhadores do porto, da rodoviária, do aeroporto que ficam retirando bagagens dos aviões, quando acabar o efeito dominó quem restará trabalhando? Portanto chame-nos para compor um mutirão, um abaixo-assinado ou o que for necessário para que tua luta seja vitoriosa. Parabéns pela bravura de enfrentar de frente a esta vergonha a que o Rio Grande está sendo submetido.
Atenciosamente
Leandro Miguel de Souza
Sócio-Proprietário”.
Opinião do blogueiro: esta situação será corrigida na reunião de conciliação proposta pelo juiz, dentro de duas semanas. Acho que não é o caso de se promover uma revolução. Lamento, apenas, que mais uma vez sejamos colocados em situação ridícula. É espantoso que se queira subordinar o início dos jogos a temperatura da hora. Árbitros com termômetros. É, no mínimo, uma decisão extravagante.



















