Por Aloísio Cláudio Ely, Conselho de Blogueiros
Costuma-se atribuir à etapa da vida que muito de nós atravessamos atualmente - me refiro à faixa etária - com o epíteto de Melhor Idade. Claro que esse conceito é bem genérico, atribuído para todas as pessoas que estão em idade, digamos, provecta, em geral aposentadas, levando a vida de forma mais serena, curtindo os netos, sem as obrigações que tinham quando na ativa.
Muitos podem encarar e viver essa fase com certa tranquilidade, dependendo, claro, da condição financeira de cada qual, e essa conotação poderia justificar a qualificação mencionada. Mas, dando asas a devaneios e tendo sempre presente as reais e facilmente perceptíveis limitações físicas hoje enfrentadas, resulto intrigado e fico me perguntando: estou realmente na Melhor Idade?
Analisando friamente, e fazendo um retrospecto descompromissado, fico seriamente inclinado a pensar que a Melhor Idade ficou para trás, ela foi vivida quando eu tinha 20 e poucos anos. Por quê? Porque recém saíra de casa e da influência dos pais, arrumara um emprego estável, estava a caminho de adquirir a desejada independência financeira (limitada apenas pelos ganhos salariais da época), caminhava para me adonar gradativamente do meu próprio nariz, não precisava dar satisfações a ninguém (num certo sentido), os relacionamentos amorosos eram menos sérios e, por isso, muitas vezes fugazes, e por aí afora.
Enfim, a vida fluía mais descompromissadamente, me entendem? É lógico que uma obrigação se sobrepunha a tudo isso, e essa era com o trabalho. Ademais, fique claro que esse conjunto de fatores não implicava viver irresponsavelmente, mas proporcionava usufruir uma sensação de liberdade até então não vivenciada, aliada a um preparo físico que permitia alguns exageros vez por outra. Vez por outra? Bem, digamos que... deixa pra lá.
Agora, nesta altura da existência, com as limitações físicas da idade, naturais e/ou adquiridas ao longo da caminhada - e analisando apenas este lado da questão, diga-se -, querer me aplicar que estou na melhor fase da vida soa um pouco como consolo. Será que não estou/estamos mais para a dita Idade do Condor? Afinal, dói aqui, dói ali, sempre dói alguma coisa, dói em algum lugar, não é mesmo?
Afora isso, se traçarmos uma linha da existência podemos verificar que muitos de nós já ultrapassamos o marco central há muito tempo, ou seja, estamos “mais pra lá do que pra cá”, como se diz popularmente. Nestas condições, precisamos mesmo de consolos tipo: “Não se preocupe, não se queixe, você está vivendo na Melhor Idade. Afinal, paga meia entrada no cinema e nos espetáculos, anda de graça nos ônibus, entra em filas especiais, o que mais você quer?”
O que eu quero dizer com tudo isso? Não sei, não, mas tudo isso me cheira a consolo. Alguém concorda comigo ou estou só nessa parada?
*Texto publicado previamente no informativo da Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Brasil, secção RS
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