Por Luiz Felipe Ranzolin Irigaray, Conselho de Blogueiros
Era uma bela e fria manhã de domingo, agosto de 1997, Brique da Redenção, um passeio e uma caminhada sem compromisso. Quando, repentinamente, olhei para aquela caixa de papelão no chão, encostada numa árvore. Um par de olhos bem verdes e atentos observavam com curiosidade os meus movimentos. Não acreditei. Ao chegar mais próximo, lá estava um lindo dálmata de pelo branco com manchas marrons e de olhos verdes, raridade absoluta.
Pude sentir então que, naquele exato momento, havias escolhido o teu guia, e era eu. Obviamente, não resisti. Após alguns momentos de reunião familiar, te levamos para casa, escolhemos o teu nome, Ray, e durante nove anos nos privilegiastes e iluminastes a nossa vida com tua presença, teu carinho, tua docilidade, tua alegria e tua amizade. Lembro bem das nossas caminhadas pela Nilo Peçanha, Praça Japão e Encol. De quando eu chegava em casa e, antes mesmo de colocar a chave ou de apertar a campainha, tu já estavas na porta a minha espera. Do sentimento antagônico com relação a duas palavras mágicas – da alegria da palavra passear ao desespero causado pela palavra banho.
Neste mês de abril, faz cinco anos que partistes. No entanto, a saudade e a falta do teu olhar, das tuas brincadeiras e, principalmente, da tua presença, ainda são sentidos no fundo do meu coração. Quis o destino e a fatalidade que, quando deixastes este mundo, eu não estivesse presente para te dizer adeus e te abençoar meu amigo. Sempre soubestes que nós, os humanos, somos cheios de compromissos, responsabilidades, horários e que nem sempre estamos disponíveis quando mais precisam de nós.
Resta para meu consolo a fé inabalável de que estás bem e na presença da luz do criador. Um dia todos nós estaremos juntos novamente. Um beijo no teu coração. Muito obrigado pelos momentos maravilhosos e, principalmente, por retribuir o nosso amor e mostrar o valor da alegria na vida.
Do teu amigo, guia e pai, Luiz Felipe.
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