Com a missão de fotografar o famoso mendigo do Moinhos, atravessei a rua e me aproximei dele com a máquina fotográfica nas mãos. Ele me perguntou se eu iria lhe pagar pela foto e eu respondi que não. Mas logo após algumas palavras ele me autorizou a fotografá-lo. Fez pose, sorriu, e pediu para conferi-las na máquina. Muito simpático, me informou que seu nome é Sérgio, guardador de carros no Moinhos e “literário”, se despedindo gentilmente e afirmando que em outra hora conversaríamos melhor. A Miréia, que conhece um pouco mais sobre a vida dele, revela sua ligação com o bairro: Bem, o Serjão, Cavalão ou Cheiroso, nomes que alguns comerciantes lhe dão, mostra como ele é conhecido por aqui. Tem dias que está calmo, e aí caminha pelas ruas tranqüilamente como se o bairro fosse seu jardim, seu domínio. Às vezes coloca um cobertor sobre os ombros e parece um rei desfilando de um lado para outro. Tem vezes que está agitado, aí então, entra pelos estabelecimentos comerciais e pega uma latinha de cerveja, água ou refrigerante e deixa o que tiver de dinheiro no balcão – sem saber o valor exato que tem na mão. Ele não consegue distinguir valores, só sabe que há troca entre o dinheiro e a mercadoria. Algumas vezes chega perto das pessoas olhando fixamente, o que assusta quem não o conhece.Segundo os comerciantes ele nunca pegou nada sem “pagar” e nem agrediu ninguém fisicamente. Ele é muito querido pelos comerciantes do bairro que lhe auxiliam na alimentação. Os taxistas do Shopping Moinhos o chamam de Cavalão e dizem que mora atrás da Pracinha Maurício Cardoso, num lugar cedido por alguém das redondezas. Na próxima vez, faremos uma entrevista e “conversaremos melhor”, para descobrir a sua história “literária”.
Postado por Miréia e Úrsula, Conselho de Blogueiros





O publicitário Solano Lucena mora no Alto Teresópolis, mas é assíduo frequentador do Parcão.
Úrsula Petrilli Dutra, servidora pública, bacharel em Direito e pós-graduada em Direito Público, é moradora do bairro Independência há 13 anos.
Para manter os leitores do blog em forma, a nutricionista Vera Lisboa dá sugestões e dicas de pratos especiais que encontra pela região.

João Victor Eltz da Silva tem 29 anos e sempre morou no Rio Branco. É publicitário e escreve sobre trânsito, obras viárias e urbanismo.
Professor de inglês, empresário e funcionário do Banrisul, Eduardo André Viamonte, 40 anos, mora na Avenida Cristóvão Colombo.
Morador da Gonçalo de Carvalho, Paulo Renato Rodrigues, 58 anos, é economista e consultor empresarial.
Simone Werlang Guardiola é publicitária e servidora pública federal. Mora no Moinhos desde 1972.
Mariano Marinho Christini 31 anos, mora da Rua Dr. Timóteo, em frente ao Parcão, e é administrador de empresas e gestor imobiliário.


Miréia!
Achei bem interessante esta matéria!
As vezes andamos pelas ruas mecanicamente, correndo , sem ver o que existe a nossa volta, este teu olho clínico que teima em ver tudo o que as pessoas não conseguem ver é que faz a diferença!
Párabéns!
Bebeth.
Legal, Dino!
O Serjão é mesmo uma pessoa "especial".
Se nós todos conseguissemos ver os "outros especiais" diferente, acredito que muitas situações de constrangimento para ambas as partes não existiríam.
Não quero transformar seu blog num chat, mas gostaria de complementar sua resposta. Compreendi perfeitamente o que disse, mas insisto num ponto: Só seremos melhores quando deixarmos de ver "ambas as partes" e compreendermos que somos uma "única parte", diferentes na forma, mas iguais no conteúdo. Pra mim, o Serjão é tão diferente - e tão humano - quanto o mauricinho que passa pela mesma calçada, indo gastar no shopping. Bjos, e obrigado pela atenção, Miréia!
Dezoito anos atrás, e eu com dezoito aninhos, trabalhei em um dos primeiros espaços comerciais da Dinarte Ribeiro. Até então essas casas, que hj são lojas e restaurantes eram apenas casas de familia e pensões!! Bem, foi nesta época q conheci este popular morador do MV. Dezoito anos depois, vivo neste bairro e muuuita coisa mudou. Inclusive o medo que tinha do cheiroso... Hoje, é como se fosse um antigo conhecido. Inofensivo, instável mas "da paz"... Parte da historia do Moinhos...
Me lembrou uma moradora d rua que pedia café no restaurante de minha familia e exigia que fosse com bastante açucar. quando minha irmã colocava pouco ela devolvia e ficava discursando na porta. Estes tempos a encontrei vagando pelo centro da cidade. O Serjão é conhecido, tá sempre tomando sol no parcão e nunca o vi incomodar ninguém
Mais um personagem do Bairro... parabéns! Kxs Norah
É emocionante, num mundo em que a quase totalidade das pessoas avalia o "outro" pelo que possui, pel o "status", pela profissão, ver alguém tratar um mendigo (para usar o termo do título da matéria, e não para rotulá-lo) simplesmente pel oque É: um ser humano. Parabéns, Miréia e Úrsula! Atitudes como essa é que ainda me fazer ter alguma esperança no ser humano...
Emocionante é ver comentários como o do Dino!! Concordo contigo, seremos melhores quando as pessoas conseguirem entender que "Somos Todos Um". Parabéns, Dino. Obrigada, Norah e Carla. Maria Angela, que legal q tu tb. conhece ele. É verdade, Elizabeth, a Miréia tem um olho clínico que viu o Sérgio de longe para eu ir fotografá-lo. Bjs.
Puxa! Eu nunca reparei nesse personagem que, pelo jeito, já é um patrimônio histórico do bairro.Acho que é porque não sou moradora do bairro.Além de não repararmos no que não é belo ao nossos olhos, fingimos que nem existe." O amor nasce a partir da visão de um corpo belo" Octávio Paz
Valeu o Post Gurias! Abraço
Eu me criei no Moinhos e quando casei escolhi ficar por ali.
Certa vez, caminhando com uma amiga, cruzamos com o Serjão...ele estava agitado, parecia zangado com algo...dali a pouco, virou-se pra nós e disse (brabo e apontando para dois blusões de lã que vestia um em cima do outro, o de cima vermelho e de baixo azul...) "porque vermelho é vermelho e azul é azul"...depois que ele passou fiquei tentando imaginar quem estava discutindo com ele sobre cores...ele faz parte do Moinhos...
Oii!! Essa histÒria demostra,que a gente não podemos ir pelos aspectos fisicos, que nem todos são o que nós imaginamos, e que se formos pela nossa imaginaçao ou acuzação.Você irá se arepender pós podia ter conhecdo uma pessoa muinto simpática , e que poderias ser seu novo amigo. Mas é claro que se formos sempre pela aparencia visual a pessoa aparenta ser maudosa, mas no fundo do fundo é muito boa. TCHAUUU!!! BJOS