Em meio a uma região com ampla e requintada oferta gastronômica, uma carrocinha de cachorro-quente conquistou seu espaço - e sua freguesia. O cachorro-quente da dona Zilma é o mesmo há 20 anos e ela garante que tem gente que vai até a sua carrocinha há 20 anos.
- Tenho fregueses que foram e voltaram do bairro, mas continuam vindo comprar meu cachorro-quente. Tem cliente que eu já sei o gosto e o tempero preferido -, afirma.
Ela comprova a fidelidade de seu público logo em seguida, quando um senhor se aproxima da carrocinha:
- Não tem linguiça hoje! - avisa Zilma.
O cliente sorri e pede dois cachorros-quentes de duas salsichas.
- Quinta-feira é dia de cachorro-quente, toda semana eu venho aqui. Gosto mais do de linguiça, mas já que não tem... _ alfineta o freguês.
Zilma não se importa com a puxada de orelha. Para ela, todo cliente é um amigo. Até porque, nas palavras dela, de bom mesmo em seu negócio só tem a clientela, pois trabalhar na rua é muito penoso:
- Estamos expostos à chuva e o frio, não temos acomodações adequadas nem para nós nem para os clientes.
A vontade de Zilma era abrir uma lancheria ou então trabalhar em algum ambiente fechado, desde que seja na área de alimentação.
- É isso que eu gosto de fazer. Antes de abrir a carrocinha, eu era merendeira em escolas.
Atualmente, a carrocinha de cachorro-quente da 24 de Outubro é sua única fonte de renda. Renda essa que ela sabe aproveitar. Durante o expediente, que vai das 10h30min às 16h30min, de segunda a sexta-feira, Zilma usa um chapeuzinho branco bordado com o nome da cidade onde nasceu esta blogueira que vos escreve: Gramado.
- Adoro aquela cidade! No inverno, sempre que posso, passo o dia lá, mas nunca posei. Meu sonho é ir a Gramado para posar um fim de semana.
A revelação do sonho mostra também o jeito humilde desta mulher que, de mansinho, com vontade de trabalhar e muita simpatia, conquistou seu espaço na rua e na preferência dos clientes. O cachorro-quente da foto é um daqueles de duas salsichas que o cliente pediu no lugar da linguiça que não tinha. Foi preparado no capricho para deixar o leitor na vontade.
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