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Um morador de rua fazendo arte no Parcão

15 de junho de 2009 6

Dia desses, passando pelo Parcão, reparei que um senhor revirava um saco de lixo. Pensei que ele estivesse procurando comida. Passei batida por ele da primeira vez, mas resolvi voltar e perguntar o que ele estava fazendo.

Com um sorriso no rosto, o morador de rua Francisco me disse que estava catando sucata para fazer motos e carros de material reciclado. Infelizmente, não havia nenhum brinquedo pronto quando o encontrei. Ele me contou que vende o que faz no Parcão, na Redenção e em outros parques e que tem até artistas plásticos que compram.

Francisco estudou até o primário, foi funcionário de Estado por 17 anos, abriu um negócio em sociedade, mas acabou endividado. Perdeu a casa, perdeu tudo.

- Sociedade nunca dá certo - disse ele.

Francisco virou morador de rua. À noite, dorme em um abrigo da prefeitura. Durante o dia, ele faz o que estava fazendo no Parcão, para ganhar um trocado que garante seu sustento.

Ele disse que aprendeu a fazer os brinquedos de sucata sozinho. Francisco se orgulha de não estar pedindo esmola. Ele não me disse a idade, disse apenas que já está velho, mas não se conforma em simplesmente esperar a morte e se vira como pode. Francisco não demonstra resignação com seu destino, e eu segui o meu, enquanto ele continuava revirando o saco de lixo.

Postado por Taís Seibt, Conselho de Blogueiros

Comentários (6)

  • Regina diz: 15 de junho de 2009

    Isto é muito triste,não?,ainda mais nestes dias de tanto frio que tem feito!
    É uma pena que em nóssa cidade não tenha “casas abrigos” para recolher não só este senhor,que eu também já vi,no parcao por varias vezes,como tbem as pessoas que dormem na pracinha Moinhos de Vento,em baixo do Laboratório CID,em baixo do edifício Esplanada,na Ramiro Barcelos,no muro do instituto alemão “Goet”,enfim,estes são apenas os que vejo,já que móro e passo todos os dias por estes lugares.

  • Eduardo André Viamonte diz: 16 de junho de 2009

    Taís, parabenizo-te pela escolha do tema e pelo estilo da narrativa. É um assunto sério e delicado, que costuma dividir opiniões. A mim, interessa a realidade dos moradores de rua, por opção ou não. Generalizar nunca é sábio, porém nestes doze anos de corridas noturnas, tenho tido o incentivo, o respeito e a proteção desses cidadãos.

  • Úrsula diz: 15 de junho de 2009

    Nossa, Taís, que história comovente!
    E pensar que ele tinha casa, trabalho, e perdeu tudo…
    O interessante é que ele “se vira como pode” e demonstra ter muita coragem e fé para viver!

  • Mariano Christini diz: 16 de junho de 2009

    Bah… quantas pessoas como ele devem existir nas ruas e não sabemos… a história é forte, quem já teve tudo o que ele teve e perder… complicado. Tomará que dê tudo certo. Sorte amigo, Taís parabéns!

  • Carmencita Hessel diz: 17 de junho de 2009

    Que linda esta história Taís, parabéns e sucesso seu Francisco.

  • Simone Guardiola diz: 18 de junho de 2009

    Menina! Eu já vi este senhor algumas vezes e fiquei admirando sua habilidade na confecção dos brinquedos e pensando em como é lindo o livre manifestar das artes. Mesmo contra tudo e contra todos, não importa de que forma, ela vem. Os trabalhos dele são lindo!
    Belo post!

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