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Dois pesos e duas medidas nas obras do bairro

20 de junho de 2009 3

Quem mora no coração do Moinhos ou até mesmo na ponta do Rio Branco e não trabalha na sua própria rua, certamente passa pela Avenida Goethe. Importante via de ligação daqueles que vêm da Zona Norte e vão para Zona Sul, a conhecida e já consagrada avenida das comemorações pelos campeonatos futebolísticos é fora desses festivos e raros períodos o palco da demonstração clara (e triste) que Porto Alegre segue em ascendente crescimento rumo ao caos urbano em relação ao trânsito.

Não obstante as vitais questões ecológicas a serem observadas, vivemos um tempo de necessárias mudanças na formatação das vias de escoamento do fluxo de veículos. Para isso, contudo, e até ironicamente, é necessário que se abram caminhos através de ações nem sempre vistas com bons olhos pelos defensores da natureza. Porém, nota-se também que nobre causa está a ser utilizada como desculpa e ferramenta de manobra a favor de interesses de um grupo. É o que muito provavelmente aconteceu em 2002.

No trecho da Goethe, entre as ruas Dona Laura e Castro Alves, forma-se um sufocante e atravancador gargalo devido à mudança da trajetória de forma abrupta das pistas de três (e até quatro)para somente duas, em ambos lados, sentidos Centro-bairro e bairro-Centro.

Ao lado das pistas, junto ao meio-fio, correm calçadas com mais de quatro metros de largura, onde vê-se pessoas passando distantes quase dois metros umas da outras, assistindo aos veículos andarem centímetros a cada minuto durante o horário de pico. É importante que o espaço do pedestre seja respeitado e protegido. Porém, naquele trecho está mais do que claro que está necessitando receber a terceira pista, fazendo com que o trânsito flua de maneira melhor e mais lógica. As largas calçadas e alguns dos postes recuados (ou seja, não junto do meio-fio) provam que há alguns anos já falava-se nesse remanejo e posterior alargamento das pistas para veículos.

No final de 2001, a prefeitura havia finalizado processo de definição de projeto e passaria à execução de uma obra que reorganizaria não só esse trecho, mas toda extensão da avenida, emendando-se à Rua Mariante onde há largos canteiros centrais e faria com que um mais seguro e lógico traçado fosse definido para fazer esse trajeto fluente ao trânsito. A verba estava garantida, e seriam realizadas as obras para os terríveis alagamentos da Goethe, concomitantemente, para evitar mexer duas vezes e atrapalhar o trânsito.

Eis que um primeiro passo causou muita polêmica: as árvores ao longo da avenida, cerca de 50, falava-se na época, teriam de ser cortadas. A prefeitura apresentou um projeto de compensação de plantio de cerca de 400 árvores no bairro e no entorno, além de novas na avenida. A associação do bairro foi convocada e uma reunião/apresentação do projeto foi mostrada no Clube Caixeiros Viajantes. Aberta ao público e a colocações dos presentes, houve grande alvoroço quando um vereador manifestou-se dando a entender que tal prática não procedia, pois as árvores eram antigas e patrimônio do bairro.

Esta importante obra antevia a necessidade que hoje só se faz ainda mais clara de urgência. Mas isso não foi a visão da maioria que inclusive motivada pela reivindicação do vereador o apoiou e uma ação judicial foi impetrada embargando a obra, situação que permanece até hoje. Sofremos as consequências de articulações políticas e econômicas que em verdade não visam ao bem da população, ao contrário, usam isto como desculpa para satisfação de interesses partidários e pessoais.

Mais um bom e atual exemplo: em nosso bairro, temos em andamento a obra de abertura da Rua Cel. Bordini, onde muitas árvores estão sendo removidas. Por que agora não é importante a defesa das árvores e igual embargo de obra?

Postado por João Victor Eltz da Silva, Conselho de Blogueiros

Comentários (3)

  • Úrsula diz: 29 de junho de 2009

    Dilmão, é uma pena, mesmo, não ter havido mais discussão neste post tão importante. É um assunto que, com certeza, envolve todos nós. Talvez, sim, como diz o João Victor, seja um Blog onde as pessoas acabam se abstraindo das notícias não tão boas, em razão das peculiariedades e curiosidades que são trazidas aqui. Tenho certeza que um post como este faz as pessoas refletirem, e, talvez, não tenham aberto a discussão por não terem algo a sugerir. Parabéns, João! E valeu, Dilmão, pela refexão.

  • João Victor (autor deste post) diz: 23 de junho de 2009

    Dilmão, obrigado pela participação, primeiramente.Não posso desfazer os posts de meus colegas,ao contrário,acho que a cada um cabe abordar aquilo que gosta e aprecia.Talvez aqui seja,também e principalmente na visão de alguns,um espaço p/ abstrair e fugir das notícias (ruins?) do jornal quotidiano.Mas não posso deixar de realmente concordar com você,não por ser meu,mas de fato me chateia ver que a maioria só reclama e depois ou vota igual ou não aproveita canais p/fazer algo mudar.Um abraço.

  • dilmão diz: 23 de junho de 2009

    Que tristeza…um post importante como esse e nenhuma opinião…aí você corre a tela e para historietas de amor e perfis (com todo o respeito à essas pessoas, ao que elas representam e sua história de vida ) de vovós fazendo ginástica tem um número imenso de postagens…realmente a cidadania, discussão da cidade e seus problemas passam longe das cabeças “areadas” das pessoas. Pensei que fosse um blog para discutir problemas comuns e não publicar histórias de romances.

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