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A Vaca Soltou um Flato, e o Computador Queimou!

21 de dezembro de 2009 5

Não moro perto das bucólicas pastagens gaúchas. Nem sei se a flatulência bovina tem cheiro ruim. Habito um apartamento em via barulhenta, onde o que tem de mais verde por perto são as majestosas árvores do Parque Moinhos de Vento. A bem da verdade, nem imaginava que vaca produzia tanto gás. Sem intenções escatológicas, mas pode ter sido um monte de vacas e bois, fazendo pum pelos campos, que resultou no computador queimado, lá em casa.

Assisti na TV: cientistas emitiram relatório, com a conclusão de que um percentual alto do buraco na camada de ozônio brasileira é consequência do metano gerado pelos nossos duzentos milhões de bovinos, o maior rebanho comercial desse tipo no mundo. Já a meteorologia afirma estarmos sob influência do fenômeno El Niño. Contudo, as marcas históricas de chuvas e temporais que açoitam o Estado podem ser produtos de mudanças climáticas, discutidas no encontro da ONU na gelada Copenhagen, a COP15.

O gado produz metano. Esse composto ajuda a esburacar a camada de ozônio e a reter calor. Os raios solares penetram mais e se refletem na superfície do globo, elevando a temperatura planetária. O tal efeito estufa altera o clima _ já aprendemos. Verte água do céu aqui, aos píncaros, registrando o recorde dos últimos cem anos. Com os pingos, os raios e os ventos desestabilizam a rede elétrica. Em meu bairro a luz vai e vem, o que alguns eletrodomésticos não apreciam. Assim como não o apreciam os restaurantes e lojas. E isso são só contratempos, quando milhares de gaúchos enfrentam o flagelo das cheias. Ou um muro desaba, em Porto Alegre, sobre a vida de um passante.

Anos atrás, ao ouvir falar pela primeira vez da parcela de culpa das vacas, pensei ser piada de vegetariano. Ou inveja de quem entra em êxtase só com o cheiro de uma picanha. Agora o troço é sério. Porém, mais sérios são as emissões de carbono da indústria, o desmatamento, as queimadas e o resto das malvadezas que avacalham com a natureza. O planeta está assaz dodói e a cura parece difícil. Globalizaram tudo: as fábricas, os mercados, as modificações do clima. Que globalizem, então, a salvação da Terra, com as cotas de participação proporcionais ao lucro de cada nação _ esse, aliás, nunca foi globalizado.

E que não usem as Mimosas leiteiras para expiar a culpa e a responsabilidade, se houver, pela falta de investimentos em infraestrutura.

A foto do disco do Pink Floyd é um saudosismo. Não da profícua musicalidade dos anos 70. Faz-se também muito som excelente em nosso tempo. Mas da atmosfera transcendental da época - o ambientalismo não tinha pressa. Era deixar o cabelo crescer e falar da paz e do amor. Em 2010, tem-se de agir. Rápido.

Enviado por Eduardo André Viamonte

Comentários (5)

  • Miréia Borges diz: 21 de dezembro de 2009

    Uau!!! Que post bárbaro...
    É verdade Eduardo, a polêmica em torno de Copenhagen parece que está desviando o que temos que começar a fazer.
    Nós mesmos -individualmente- temos que começar a fazer algo pelo nosso planeta, educar nossa famímila para isso. A célula familiar é onde começa tudo.
    Vamos torcer para que todos se conscientizem em arrumar a casa, o Planeta Terra!

  • luiz felisberto diz: 21 de dezembro de 2009

    Olá! O que posso disser! Prometo que vou fazer minha parte. Reduzir o consumo de picanha, até porque meu colesterol já alto pede esta atitude. Incentivar mais filhos e netos a consumir mais vegetal, mais peixe. Antes de pedir uma costela bem suculenta em uma churrascaria. Lembrar que este ato esta condenando nosso planeta. Parabéns! Fechou o ano 2009 com chave de ouro. Que velha 2010. Feliz Natal!

  • diego ribeiro diz: 21 de dezembro de 2009

    otimo post eduardo, muito inteligente com boa dose de humor. urge a hora em que as grandes potencias mundiais irao se voltar para a questao ambiental, da preservacao das florestas e da agua. nos aqui no brasil tambem temos que parar o desmatamento da amazonia. estao querendo transformar nossa floresta em pastagens agricolas!
    bom era isso parabens pelo texto abracao

  • Everton Hartwig diz: 21 de dezembro de 2009

    Parabéns, Eduardo! Compactuo com você a preocupação pelo Meio Ambiente. Principalmente porque as mudanças climáticas estão nos afetando diariamente. Este calor está insuportável! E dias atrás, uma árvore cinquentenária foi arrancada pelo vento, em frente ao prédio em que resido, na avenida Mariland.
    É melhor começarmos a fazer alguma coisa, senão a vaca vai pro brejo.
    Abraços,
    Everton

  • Simone Liége André Viamonte Zeilmann diz: 22 de dezembro de 2009

    Excelente texto, Eduardo! Muito inteligente, oportuno e atual. O assunto é realmente preocupante. Estou procurando fazer a minha parte e tentando educar o João Arthur para ter esta consciência também. Achei interessante que mesmo sendo um assunto muito sério e importante, conseguiste fazê-lo cômico também! Muito bom!!! Parabéns!!! Beijos! Simone.

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