Não moro perto das bucólicas pastagens gaúchas. Nem sei se a flatulência bovina tem cheiro ruim. Habito um apartamento em via barulhenta, onde o que tem de mais verde por perto são as majestosas árvores do Parque Moinhos de Vento. A bem da verdade, nem imaginava que vaca produzia tanto gás. Sem intenções escatológicas, mas pode ter sido um monte de vacas e bois, fazendo pum pelos campos, que resultou no computador queimado, lá em casa.
Assisti na TV: cientistas emitiram relatório, com a conclusão de que um percentual alto do buraco na camada de ozônio brasileira é consequência do metano gerado pelos nossos duzentos milhões de bovinos, o maior rebanho comercial desse tipo no mundo. Já a meteorologia afirma estarmos sob influência do fenômeno El Niño. Contudo, as marcas históricas de chuvas e temporais que açoitam o Estado podem ser produtos de mudanças climáticas, discutidas no encontro da ONU na gelada Copenhagen, a COP15.
O gado produz metano. Esse composto ajuda a esburacar a camada de ozônio e a reter calor. Os raios solares penetram mais e se refletem na superfície do globo, elevando a temperatura planetária. O tal efeito estufa altera o clima _ já aprendemos. Verte água do céu aqui, aos píncaros, registrando o recorde dos últimos cem anos. Com os pingos, os raios e os ventos desestabilizam a rede elétrica. Em meu bairro a luz vai e vem, o que alguns eletrodomésticos não apreciam. Assim como não o apreciam os restaurantes e lojas. E isso são só contratempos, quando milhares de gaúchos enfrentam o flagelo das cheias. Ou um muro desaba, em Porto Alegre, sobre a vida de um passante.
Anos atrás, ao ouvir falar pela primeira vez da parcela de culpa das vacas, pensei ser piada de vegetariano. Ou inveja de quem entra em êxtase só com o cheiro de uma picanha. Agora o troço é sério. Porém, mais sérios são as emissões de carbono da indústria, o desmatamento, as queimadas e o resto das malvadezas que avacalham com a natureza. O planeta está assaz dodói e a cura parece difícil. Globalizaram tudo: as fábricas, os mercados, as modificações do clima. Que globalizem, então, a salvação da Terra, com as cotas de participação proporcionais ao lucro de cada nação _ esse, aliás, nunca foi globalizado.
E que não usem as Mimosas leiteiras para expiar a culpa e a responsabilidade, se houver, pela falta de investimentos em infraestrutura.
A foto do disco do Pink Floyd é um saudosismo. Não da profícua musicalidade dos anos 70. Faz-se também muito som excelente em nosso tempo. Mas da atmosfera transcendental da época - o ambientalismo não tinha pressa. Era deixar o cabelo crescer e falar da paz e do amor. Em 2010, tem-se de agir. Rápido.





O publicitário Solano Lucena mora no Alto Teresópolis, mas é assíduo frequentador do Parcão.
Úrsula Petrilli Dutra, servidora pública, bacharel em Direito e pós-graduada em Direito Público, é moradora do bairro Independência há 13 anos.
Para manter os leitores do blog em forma, a nutricionista Vera Lisboa dá sugestões e dicas de pratos especiais que encontra pela região.

João Victor Eltz da Silva tem 29 anos e sempre morou no Rio Branco. É publicitário e escreve sobre trânsito, obras viárias e urbanismo.
Professor de inglês, empresário e funcionário do Banrisul, Eduardo André Viamonte, 40 anos, mora na Avenida Cristóvão Colombo.
Morador da Gonçalo de Carvalho, Paulo Renato Rodrigues, 58 anos, é economista e consultor empresarial.
Simone Werlang Guardiola é publicitária e servidora pública federal. Mora no Moinhos desde 1972.
Mariano Marinho Christini 31 anos, mora da Rua Dr. Timóteo, em frente ao Parcão, e é administrador de empresas e gestor imobiliário.


Uau!!! Que post bárbaro...
É verdade Eduardo, a polêmica em torno de Copenhagen parece que está desviando o que temos que começar a fazer.
Nós mesmos -individualmente- temos que começar a fazer algo pelo nosso planeta, educar nossa famímila para isso. A célula familiar é onde começa tudo.
Vamos torcer para que todos se conscientizem em arrumar a casa, o Planeta Terra!
Olá! O que posso disser! Prometo que vou fazer minha parte. Reduzir o consumo de picanha, até porque meu colesterol já alto pede esta atitude. Incentivar mais filhos e netos a consumir mais vegetal, mais peixe. Antes de pedir uma costela bem suculenta em uma churrascaria. Lembrar que este ato esta condenando nosso planeta. Parabéns! Fechou o ano 2009 com chave de ouro. Que velha 2010. Feliz Natal!
otimo post eduardo, muito inteligente com boa dose de humor. urge a hora em que as grandes potencias mundiais irao se voltar para a questao ambiental, da preservacao das florestas e da agua. nos aqui no brasil tambem temos que parar o desmatamento da amazonia. estao querendo transformar nossa floresta em pastagens agricolas!
bom era isso parabens pelo texto abracao
Parabéns, Eduardo! Compactuo com você a preocupação pelo Meio Ambiente. Principalmente porque as mudanças climáticas estão nos afetando diariamente. Este calor está insuportável! E dias atrás, uma árvore cinquentenária foi arrancada pelo vento, em frente ao prédio em que resido, na avenida Mariland.
É melhor começarmos a fazer alguma coisa, senão a vaca vai pro brejo.
Abraços,
Everton
Excelente texto, Eduardo! Muito inteligente, oportuno e atual. O assunto é realmente preocupante. Estou procurando fazer a minha parte e tentando educar o João Arthur para ter esta consciência também. Achei interessante que mesmo sendo um assunto muito sério e importante, conseguiste fazê-lo cômico também! Muito bom!!! Parabéns!!! Beijos! Simone.